{"id":6693,"date":"2018-03-31T10:22:01","date_gmt":"2018-03-31T17:22:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6693"},"modified":"2018-03-31T10:22:01","modified_gmt":"2018-03-31T17:22:01","slug":"manuel-cardoso-frodo-tantra-frodo-ataca-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/03\/31\/manuel-cardoso-frodo-tantra-frodo-ataca-entrevista\/","title":{"rendered":"Manuel Cardoso \/ Frodo \/ Tantra &#8211; &#8220;Frodo Ataca&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> y >> portugueses >> entrevistas)<br \/>\n11 Abril 2003<\/p>\n<p><strong>Tantra, Manuel Cardoso, Terra. O regresso da mais importante banda de Rock progressiva portugues, com os seus del\u00edrios mas tamb\u00e9m o seu idealismo.<br \/>\n<center><br \/>\nfrodo ataca<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6694\" rel=\"attachment wp-att-6694\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/frodo1.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"446\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6694\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/frodo1.jpg 639w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/frodo1-300x209.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/frodo1-624x436.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/frodo1-100x70.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 639px) 100vw, 639px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201cTerra\u201d \u00e9 um \u00e1lbum pautado por preocupa\u00e7\u00f5es human\u00edsticas e ecol\u00f3gicas. Tamb\u00e9m um testemunho apocal\u00edptico de tempos \u00e0 beira do fim. Manuel Cardoso, m\u00edstico e admirador de Bj\u00f6rk, tem, por\u00e9m, os p\u00e9s assentes na terra. \u201cTerra\u201d poder\u00e1 ser o in\u00edcio de um novo ciclo que dar\u00e1 a Frodo uma nova miss\u00e3o. E os Tantra poder\u00e3o voltar a tocar ao vivo, embora sem a teatralidade que marcou as suas atua\u00e7\u00f5es nos anos 70. \u201cN\u00e3o voltarei a mudar de roupa seis ou sete vezes por espet\u00e1culo. N\u00e3o perdi a energia mas agora apetece-me apenas tocar e compor. Num contexto como o da m\u00fasica de c\u00e2mara\u201d, diz Manuel Cardoso\/Frodo. Que ainda n\u00e3o perdeu o anel do poder e o tenta lan\u00e7ar \u00e0 Terra.<br \/>\n\t<strong>Existe em \u201cTerra\u201d uma continuidade apesar da produ\u00e7\u00e3o ter pouco a ver com a realidade, em 1977, que deu origem a \u201cMist\u00e9rios e Maravilhas\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\n\tQuando fizemos a primeira maqueta, os temas soavam j\u00e1 aos Tantra. Foi importante seguir o aspeto espiritual e musical anteriores, sen\u00e3o n\u00e3o faria sentido manter o nome. Tantra \u00e9 uma forma de olhar o mundo, com fazer algo superior a n\u00f3s pr\u00f3prios, em conjunto. A m\u00fasica \u00e9 complexa mas n\u00e3o por futilidade.<br \/>\n\t<strong>A introdu\u00e7\u00e3o do tema \u201cEstrada sens\u00edvel\u201d faz-se atrav\u00e9s de uma sequ\u00eancia eletr\u00f3nica que soa computorizada&#8230;<\/strong><br \/>\n\tMas n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico computador! Temos o Guilherme da Luz, que faz os efeitos sonoros, com sintetizadores anal\u00f3gicos e digitais. Ele e eu temos um projeto paralelo de m\u00fasica c\u00f3smica com guitarras completamente loucas, chamado Everness, com o qual j\u00e1 grav\u00e1mos um CD de edi\u00e7\u00e3o limitada.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6695\" rel=\"attachment wp-att-6695\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/frodo2.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"234\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6695\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/frodo2.jpg 391w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/frodo2-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/frodo2-100x60.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/a><br \/>\nFrodo dando instru\u00e7\u00f5es a um ajudante que transporta a caixa dos an\u00e9is<br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\t<strong>Por que raz\u00e3o chamaram ao disco \u201cTerra\u201d. N\u00e3o \u00e9 um pouco redundante?<\/strong><br \/>\n\tRefere-se a algo mais do que o simples aspeto ecol\u00f3gico. Os textos e a l\u00f3gica de algumas composi\u00e7\u00f5es deste \u201cconcept album\u201d reportam-se ao facto da Terra n\u00e3o ser sen\u00e3o uma parte de n\u00f3s. N\u00e3o existe isso de \u201csalvar a Terra\u201d; ou salvamos tudo ou n\u00e3o salvamos nada. N\u00f3s somos a Terra, o inimigo somos n\u00f3s. A luta consiste em salvar a nossa ideia de civiliza\u00e7\u00e3o e em criar harmonia para que o planeta e os seus habitantes formem uma \u00fanica entidade. A ecologia s\u00f3 faz sentido inserida numa perspetiva de uma mudan\u00e7a global.<br \/>\n\t<strong>Mas o mundo criado para a capa do disco \u00e9 um mundo virtual criado por computador&#8230;<\/strong><br \/>\n\tN\u00e3o quer\u00edamos cair nem na descri\u00e7\u00e3o b\u00e1sica nem no bonitinho horroroso. Tent\u00e1mos fazer passar a imagem de uma viagem de estados de esp\u00edrito que, no fundo, \u00e9 uma chamada ao \u201cEu\u201d que est\u00e1 parado, algures, \u00e0 espera que o assunto se resolva. H\u00e1 uma parte de n\u00f3s que descansa num para\u00edso interior esquecido, \u00e0 espera que o mundo seja salvo por si, mas temos que ouvir as vozes que nos chamam para a luta, fazer a transposi\u00e7\u00e3o e passar para o lado de c\u00e1 e estar ativo. Tudo se passa num universo on\u00edrico. Entre a realidade e o sonho onde todos habitamos.<br \/>\n\t<strong>As vocaliza\u00e7\u00f5es estiveram a seu cargo, embora n\u00e3o seja propriamente um grande cantor. A que se deveu esta op\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n\tJ\u00e1 nos discos antigos me debrucei sobre esse assunto. Substitui-se ou n\u00e3o o cantor? Canto razoavelmente em ingl\u00eas, em portugu\u00eas, no rock, n\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o gosto. A quest\u00e3o est\u00e1 em que n\u00e3o sou um cantor nem fa\u00e7o esse papel, mas um narrador mel\u00f3dico, teatral. Teatralizo, sou algu\u00e9m que est\u00e1 a viver uma experi\u00eancia, a grit\u00e1-la do fundo da alma. A voz \u00e9 um instrumento solo, como a guitarra.<br \/>\n\t<strong>Como Peter Gabriel?<\/strong><br \/>\n\tMas o Peter Gabriel canta melhor do que eu! Digamos que as atitudes s\u00e3o semelhantes.<br \/>\n\t<strong>Tudo isso se sente no tema \u201c\u00c0 beira do fim\u201d. N\u00e3o \u00e9 tecnicamente famoso mas a emo\u00e7\u00e3o passa. Talvez mais ainda do que no original de 1977.<\/strong><br \/>\n\t\u00c9 o tal elo que liga espiritual e at\u00e9 musicalmente os Tantra antigos aos atuais. Infelizmente o mundo n\u00e3o mudou nada. A realidade est\u00e1 como estava nessa altura. A nova roupagem tem a ver apenas com um novo som e um novo esp\u00edrito da banda. Menos fren\u00e9tico. Eu estou mais calmo.<br \/>\n\t<strong>A partir de 1976, o termo \u201cProgressivo\u201d foi banido. Hoje a situa\u00e7\u00e3o mudou, com o termo a ser, inclusive, adotado de forma abusiva. Como explica esta viragem?<\/strong><br \/>\n\tSente-se um grande cansa\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s solu\u00e7\u00f5es repetitivas do rock e da pop. Embora a pop, estranhamente, de h\u00e1 uns dez anos a esta parte, at\u00e9 seja mais inovadora, sobretudo pelo lado das mulheres. Estou a pensar nas grandes cantoras folk e country americanas que t\u00eam dado li\u00e7\u00f5es. Mas tamb\u00e9m na Bj\u00f6rk, um g\u00e9nio. Ou\u00e7o-a cantar e p\u00e1ro \u2014 pela voz, pela originalidade e estranheza dos ambientes.<br \/>\n\t<strong>Que discos tem dela?<\/strong><br \/>\n\tNenhum. Nunca tive discos. Ou\u00e7o m\u00fasica nos s\u00edtios. Nunca tive gira-discos na minha vida, n\u00e3o gostava de discos. Gostava das capas, de os ver redondinhos, mas detestava o som. Ouvia m\u00fasica no carro em cassetes. S\u00f3 agora comecei a fazer uma cole\u00e7\u00e3o de CD, cujo som me agrada: m\u00fasica cl\u00e1ssica&#8230; e a refazer o meu \u201ctop ten\u201d antigo, do que tinha em cassetes, Rolling Stones, Hendrix&#8230;e coisas mais novas, Anglagard&#8230;e portugueses \u2014 adoro os Madredeus, os The Gift&#8230;<br \/>\n\t<strong>Existiu nos anos 70 um Progressivo portugu\u00eas?<\/strong><br \/>\n\tAntes dos Tantra existiram grandes bandas de Progressivo, os Kama Sutra e os Ephedra. N\u00e3o perdia um concerto destes \u00faltimos. J\u00e1 tinha visto ao vivo os The Byrds, Frank Zappa, Pink Floyd, Supertramp, Mahavishnu Orchestra, Hawkwind, mas no \u201ctop one\u201d das bandas que vi ao vivo est\u00e3o os Ephedra. Al\u00e9m dos Tantra, era o rock mais bonito que se fazia em Portugal. Menos a meu gosto, mais para o lado dos Van Der Graaf Generator e King Crimson, havia os Kama Sutra e os Ara-Zen. Depois dessas bandas surgiram os Anangaranga e uns assomos mais pr\u00f3-sinf\u00f3nicos dos Beatnicks p\u00f3s-Tantra.<br \/>\n\t<strong>O que tinham os Tantra a mais do que a concorr\u00eancia?<\/strong><br \/>\n\tAcima de tudo, determina\u00e7\u00e3o e trabalho. Durante tr\u00eas, quatro anos, trabalh\u00e1mos 8 a 12 horas por dia, incluindo s\u00e1bados. E estava l\u00e1 eu, que tenho tend\u00eancia para lutar pelas coisas, para n\u00e3o deixar que haja o m\u00ednimo esfor\u00e7o est\u00fapido. O defeito de muitas bandas portuguesas \u00e9 perderem muita energia em discuss\u00f5ezinhas, parvoeiras e tricas. Onde eu estou n\u00e3o h\u00e1 tricas. Tamb\u00e9m pertenc\u00edamos a um meio burgu\u00eas que nos permitiu ter algum apoio, embora tiv\u00e9ssemos pago todo o nosso material com um empr\u00e9stimo banc\u00e1rio, pago at\u00e9 ao \u00faltimo tost\u00e3o.<br \/>\n\t<strong>Concorda com quem chamava aos Tantra os \u201cGenesis portugueses\u201d?<\/strong><br \/>\n\tN\u00e3o. Mas nunca me chateou. Era uma vis\u00e3o curta das coisas, apenas se reparava nos pormenores. \u00c9 o mesmo dizer que o Mahler sofreu influ\u00eancia de Beethoven e Bach e que, por esse motivo, eram iguais. Todos aprendemos uns com os outros. Uma das coisas que me d\u00e1 mais prazer, \u00e9 ler nos \u201csites\u201d de Progressivo que os Tantra n\u00e3o se parecem com ningu\u00e9m.<br \/>\n\t<strong>Frodo, a personagem tirada de \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d, volta a estar presente em \u201cTerra\u201d. O recente interesse pela obra de Tolkien teve influ\u00eancia nesse regresso?<\/strong><br \/>\n\tAs pessoas achavam que o Manuel Cardoso, por fazer medita\u00e7\u00e3o, devia ser uma determinada personagem. Inventei o meu pr\u00f3prio Frodo. O Frodo tinha uma qualidade que existe em todos n\u00f3s: \u00e9 um her\u00f3i, falha imenso e precisa dos outros. Hoje continuo a ser Frodo. Gostaria muito de poder dizer que sou o Gandalf, mas n\u00e3o sou. E se alguma vez na vida chegar a ser o Gandalf, o feiticeiro, serei sempre o \u201ccinzento\u201d e n\u00e3o o \u201cbranco\u201d.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hfrKYTDAsAI\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> y >> portugueses >> entrevistas) 11 Abril 2003 Tantra, Manuel Cardoso, Terra. O regresso da mais importante banda de Rock progressiva portugues, com os seus del\u00edrios mas tamb\u00e9m o seu idealismo. frodo ataca \u201cTerra\u201d \u00e9 um \u00e1lbum pautado por preocupa\u00e7\u00f5es human\u00edsticas e ecol\u00f3gicas. Tamb\u00e9m um testemunho apocal\u00edptico de tempos \u00e0 beira do fim. 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