{"id":6667,"date":"2018-03-22T11:24:32","date_gmt":"2018-03-22T18:24:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6667"},"modified":"2018-03-22T11:24:32","modified_gmt":"2018-03-22T18:24:32","slug":"carlos-paredes-fernando-alvim-ensaiar-pelo-telefone-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/03\/22\/carlos-paredes-fernando-alvim-ensaiar-pelo-telefone-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Carlos Paredes (+ Fernando Alvim) &#8211; &#8220;Ensaiar Pelo Telefone&#8221; (artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> cultura >> portugueses >> artigo de opini\u00e3o)<br \/>\ndomingo, 16 Fevereiro 2003<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>ENSAIAR PELO TELEFONE<br \/>\n<\/center><br \/>\nSem a guitarra cl\u00e1ssica de Fernando Alvim, a guitarra portuguesa de Carlos Paredes teria sido ainda mais s\u00f3. Durante 25 anos falaram uma com a outra, de muitas maneiras<br \/>\n<center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6668\" rel=\"attachment wp-att-6668\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/cp.jpg\" alt=\"\" width=\"508\" height=\"402\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6668\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/cp.jpg 508w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/cp-300x237.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/cp-100x79.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 508px) 100vw, 508px\" \/><\/a><br \/>\nCarlos Paredes e a guitarra portuguesa: um \u00fanico corpo em movimento perp\u00e9tuo<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nConheceram-se por causa de um programa de r\u00e1dio em 1960, na antiga Emissora Nacional, iniciando ent\u00e3o uma colabora\u00e7\u00e3o estreita que duraria um quarto de s\u00e9culo e os levaria aos quatro cantos do planeta como embaixadores da guitarra de Portugal no mundo.<br \/>\n\tDeste encontro entre a guitarra portuguesa de Carlos Paredes e a guitarra cl\u00e1ssica de Fernando Alvim, nasceria uma m\u00fasica sem paralelo que juntava o arrebatamento do fado de Coimbra \u00e0 complexidade formal da m\u00fasica cl\u00e1ssica.<br \/>\n\tParedes e Alvim gravaram juntos os \u00e1lbuns \u201cGuitarra Portuguesa\u201d, \u201cMovimento Perp\u00e9tuo\u201d, \u201cConcerto em Frankfurt\u201d e uma parte de \u201cEspelho de Sons\u201d. E \u201cVerdes anos\u201d \u2013 \u00edcone do sentimento nacional que Alvim define como \u201cuma suitezinha com v\u00e1rios andamentos\u201d.<br \/>\n\tFernando Alvim, hoje com 64 anos, que recentemente participou como convidado num projeto de Ant\u00f3nio Chainho, apresentado ao vivo no Centro Cultural de Bel\u00e9m, tocava no \u201cNova Onda\u201d, um programa da antiga Emissora Nacional. \u201cAcompanhava v\u00e1rios g\u00e9neros de m\u00fasica, bossa-nova, fado, pop, artistas como Jo\u00e3o Ferreira Rosa, Teresa Tarouca, Hermano da C\u00e2mara, Jo\u00e3o Braga&#8230; que come\u00e7aram a cantar nessa altura, por volta de 1960. No jazz, acompanhei o Ivo Maer, Justiniano Canelhas, Jorge Veloso&#8230; O programa durou at\u00e9 1963.\u201d<br \/>\n\tUm dia, Carlos Paredes ouviu uma emiss\u00e3o. \u201cTelefonou-me a perguntar se estava interessado em acompanh\u00e1-lo numa m\u00fasica para o document\u00e1rio \u2018Rendas de Metais Preciosos\u2019, do C\u00e2ndido Costa Pinto. Eu tamb\u00e9m j\u00e1 o conhecia de o ouvir tocar na Emissora Nacional, com o pai, o Artur Paredes, e o acompanhamento do Arm\u00e9nio Silva&#8230; Senti uma satisfa\u00e7\u00e3o grande por saber que o Carlos Paredes queria que o acompanhasse.\u201d<br \/>\n\tCombinam encontrar-se na casa de Ferreira Alves, amigo de Paredes, na presen\u00e7a de outro guitarrista, Jo\u00e3o Torre do Vale. Estabelece-se de imediato uma \u201cempatia musical\u201d. Paredes convida nessa altura Alvim para tocarem juntos em casa do pai, na Rua Gomes Freire, ao Campo Santana, \u201ca fim de come\u00e7arem a trabalhar a m\u00fasica para o document\u00e1rio\u201d. Poucos dias depois, ensaiam pela primeira vez. Paredes toca sozinho, para Alvim, algumas pe\u00e7as do seu report\u00f3rio de juventude: \u201cMovimento perp\u00e9tuo\u201d, \u201cVaria\u00e7\u00f5es em si menor\u201d, \u201cVaria\u00e7\u00f5es em r\u00e9 menor\u201d, \u201cVaria\u00e7\u00f5es em mi menor\u201d e as \u201cDan\u00e7as portuguesas\u201d, 1 e 2.<br \/>\n\t\u201cFiquei fascinado\u201d, recorda Alvim, \u201cpois revelavam um extraordin\u00e1rio virtuosismo e eram extremamente dif\u00edceis de executar.\u201d Mas Paredes queixa-se da \u201cfalta do complemento r\u00edtmico e harm\u00f3nico\u201d. Os dois come\u00e7am a trabalhar a m\u00fasica para o document\u00e1rio. Esta viria a chamar-se \u201cFantasia\u201d e acabaria por ser gravada na Nacional Filmes, sendo a curta-metragem posteriormente exibida no cinema Imp\u00e9rio, \u201cdurante os intervalos das sess\u00f5es\u201d. Nascia assim uma colabora\u00e7\u00e3o que duraria 25 anos. Tocaram juntos<br \/>\npela \u00faltima vez em Outubro de 1993, na Aula Magna da Universidade de Lisboa \u2014 derradeira apari\u00e7\u00e3o ao vivo de um Paredes j\u00e1 debilitado pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cEle tocava-me coisas<br \/>\npelo telefone e eu<br \/>\nrespondia-lhe, tamb\u00e9m<br \/>\npor telefone, tocando as<br \/>\nharmonias que me<br \/>\npareciam mais certas.<br \/>\nEle tinha ideias que<br \/>\napareciam subitamente,<br \/>\neu tentava responder&#8230;\u201d<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>FERNANDO ALVIM<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n\tParedes e Alvim passam a ensaiar juntos com regularidade. \u201cCerca de cinco a seis horas por dia.\u201d Quando n\u00e3o era poss\u00edvel encontrarem-se, em geral na casa de Artur Paredes, ensaiavam pelo telefone. \u201cEle tocava-me coisas pelo telefone e eu respondia-lhe, tamb\u00e9m por telefone, tocando as harmonias que me pareciam mais certas. Ele tinha ideias que apareciam subitamente, eu tentava responder&#8230;\u201d Posteriormente, mudam o local de ensaios para a casa de Carlos Paredes, em Benfica.<br \/>\n\tFernando Alvim reconhece a dificuldade de tocar com o mestre da guitarra portuguesa. \u201cFoi um trabalho de muitas e muitas horas, durante anos, depois n\u00e3o havia gravadores de cassete, eram ensaios directos, na base da memoriza\u00e7\u00e3o e da digita\u00e7\u00e3o&#8230; Era apanhar as \u2018nuances\u2019 dele, nunca tocava da mesma maneira&#8230;\u201d<br \/>\n\t\u00c9 conhecido o modo solit\u00e1rio como Carlos Paredes tocava, ao mesmo tempo livre e encerrado no seu mundo pessoal. Como Charlie Haden, Alvim reconheceu essa solid\u00e3o irremedi\u00e1vel. \u201c\u00c9 verdade, n\u00f3s \u00e9 que t\u00ednhamos que ir atr\u00e1s dele e procurar apanh\u00e1-lo.\u201d Modesto, Alvim apenas admite poder ter tido \u201calguma influ\u00eancia\u201d pelo modo como tamb\u00e9m ele tocava de forma inovadora: \u201cTinha influ\u00eancias do jazz e da bossa-nova e comecei a utilizar esses acordes nalgumas das varia\u00e7\u00f5es do Paredes, o que tamb\u00e9m lhe deu a entender outros tipos de harmonias e acordes. Mas eu n\u00e3o estava ali a competir com ele, mas a acompanh\u00e1-lo, pura e simplesmente. N\u00e3o estava a dar respostas ou a fazer di\u00e1logos. Fascinava-me de tal maneira a forma dele tocar que a \u00fanica coisa que me apetecia era ouvi-lo.\u201d<br \/>\n\tFernando Alvim est\u00e1 atualmente envolvido num projeto com Pedro Caldeira Cabral (ontem mesmo deram um recital no CCB) designado \u201cMem\u00f3rias da Guitarra\u201d, abrangendo m\u00fasica da Idade M\u00e9dia \u00e0 atualidade.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jW-Jvlp0G7U\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> portugueses >> artigo de opini\u00e3o) domingo, 16 Fevereiro 2003 ENSAIAR PELO TELEFONE Sem a guitarra cl\u00e1ssica de Fernando Alvim, a guitarra portuguesa de Carlos Paredes teria sido ainda mais s\u00f3. 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