{"id":6650,"date":"2018-03-16T12:39:25","date_gmt":"2018-03-16T19:39:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6650"},"modified":"2018-03-16T12:39:25","modified_gmt":"2018-03-16T19:39:25","slug":"adiafa-o-alentejo-tem-ritmo-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/03\/16\/adiafa-o-alentejo-tem-ritmo-entrevista\/","title":{"rendered":"Adiafa &#8211; &#8220;O Alentejo Tem Ritmo&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><strong>(p\u00fablico >> cultura >> portugueses >> entrevistas)<br \/>\ndomingo, 26 Janeiro 2003<\/p>\n<p>\u201cO Alentejo tem ritmo\u201d<\/p>\n<p>T\u00eam o \u201ccante\u201d na voz e na alma<br \/>\nmas n\u00e3o descuram a irrever\u00eancia.<br \/>\nAo vivo p\u00f5em as pessoas a rir.<br \/>\n\u00c0 noite, a sua m\u00fasica \u00e9 para se<br \/>\ndan\u00e7ar ao lado de Shakira<br \/>\nou das Las Ketchup. As novas<br \/>\n\u201cadiafas\u201d fazem-se nas discotecas<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6651\" rel=\"attachment wp-att-6651\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/adiafa.jpg\" alt=\"\" width=\"619\" height=\"410\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6651\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/adiafa.jpg 619w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/adiafa-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/adiafa-100x66.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 619px) 100vw, 619px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os Adiafa: \u201cSempre cant\u00e1mos \u00e0 alentejana. \u00c9 inato. Est\u00e1-nos na alma\u201d<br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>P\u00daBLICO \u2014 Como apareceram os Adiafa e o \u00e1lbum de estreia?<\/strong><br \/>\n\tADIAFA \u2014 A ideia \u00e9 do Em\u00eddio Palma e do Paulo Cola\u00e7o que h\u00e1 uns anos come\u00e7aram a pensar na m\u00fasica da nossa terra e de uma maneira nova de a apresentar. O grupo nasceu h\u00e1 tr\u00eas anos. Fruto da necessidade de termos um cart\u00e3o-de-visita. Fomos n\u00f3s que custe\u00e1mos tudo.<br \/>\n\tMas depois de uma primeira edi\u00e7\u00e3o caseira, o CD vai ter lan\u00e7amento oficial da Sony&#8230;<br \/>\n\tSim, mas o processo desencadeou-se todo no Alentejo. Foi no Alentejo que come\u00e7\u00e1mos a ter sucesso. O disco passa nas discotecas, nas r\u00e1dios locais&#8230; S\u00f3 a partir da\u00ed \u00e9 que a editora veio ter connosco.<br \/>\n\t<strong>\u201cAdiafa\u201d significa apenas \u201cbanquete\u201d ou algo mais?<\/strong><br \/>\n\tTamb\u00e9m \u00e9 \u201cfesta\u201d. No Alentejo, antigamente, o trabalho agr\u00edcola era todo feito por pessoas. N\u00e3o havia m\u00e1quinas. Vinham do Algarve, das Beiras, do Norte, inclusive de Espanha. No final desse trabalho, o senhor dono das terras dava uma festa. Comia-se, bebia-se, dan\u00e7avase e cantava-se. Era a \u201cadiafa\u201d, uma palavra de origem \u00e1rabe.<br \/>\n\t<strong>Por norma as pessoas associam a m\u00fasica alentejana ao \u201ccante\u201d e aos grupos corais. Provavelmente, n\u00e3o h\u00e1 mais nenhuma forma\u00e7\u00e3o como a vossa&#8230;<\/strong><br \/>\n\tN\u00e3o quisemos abandonar o \u201ccante\u201d mas recuperar o tempo perdido. Fez-se a promo\u00e7\u00e3o do \u201ccante\u201d mas n\u00e3o por op\u00e7\u00e3o do Alentejo, na \u00e9poca das recolhas. Houve coisas proibidas e outras n\u00e3o. A viola campani\u00e7a, por exemplo, que \u00e9 o que nos liga mais \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, foi deixada ao esquecimento. A hist\u00f3ria tem destas coisas tristes&#8230; N\u00f3s somos o futuro.<br \/>\n\t<strong>Viola campani\u00e7a que esteve em risco de extin\u00e7\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o continua a ser grave?<\/strong><br \/>\n\tMenos do que era. H\u00e1 j\u00e1 alguns jovens a construir e a tocar. A nossa foi constru\u00edda por um rapaz de 25 anos, o Pedro Mestre. E bom tocador&#8230; A viola campani\u00e7a representa, no aspecto r\u00edtmico, a nossa liga\u00e7\u00e3o ao mundo \u00e1rabe. No \u201ccante\u201d a \u00eanfase \u00e9 posta na riqueza harm\u00f3nica e mel\u00f3dica. A verdade \u00e9 que havia bailes nas aldeias todas as semanas e as pessoas n\u00e3o dan\u00e7avam modas lentas mas coisas r\u00edtmicas. O Alentejo tem ritmo.<br \/>\n\t<strong>Fizeram recolhas?<\/strong><br \/>\n\tN\u00e3o and\u00e1mos de gravador ao ombro. Ouvimos, fomos a \u201cadiafas\u201d, que ainda se realizam. Vimos velhotes, um trio de violas campani\u00e7as, tocar e cantar. Tamb\u00e9m tir\u00e1mos dos discos. Mas o tema mais conhecido, \u201cAs meninas da Ribeira do Sado\u201d aprend\u00eamo-lo por via da tradi\u00e7\u00e3o oral.<br \/>\n\t<strong>Mas n\u00e3o se considerem puristas, o que nos leva \u00e0 \u201cremix\u201d de m\u00fasica de dan\u00e7a de \u201cAs meninas da Ribeira do Sado\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\n\tSomos puristas na maneira de cantar quando estamos num grupo de cantares alentejanos. Se se reparar, a tra\u00e7a da nossa m\u00fasica continua a ser a do \u201ccante\u201d. Damos-lhe \u00e9 uma roupagem diferente&#8230; O Fernando Lopes-Gra\u00e7a escreveu um livro chamado \u201cProblemas da M\u00fasica Portuguesa\u201d. Uma das coisas que ele dizia era precisamente que nas recolhas a que teve acesso se percebe que o povo n\u00e3o est\u00e1 est\u00e1tico, as pessoas evoluem. Por exemplo, h\u00e1 uma moda da Dulce Pontes com um grupo coral que ningu\u00e9m conhecia e que hoje se canta nas tabernas.<br \/>\n\t<strong>Sim, mas a \u201cremix\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\n\tFoi ideia do Paulo. Fazer uma moda alentejana ser dan\u00e7ada nas discotecas. Antigamente dan\u00e7avam-se nos bailaricos. Hoje as \u201cadiafas\u201d s\u00e3o feitas nas discotecas. Passam \u201cAs meninas da Ribeira do Sado\u201d ao lado da Shakira e das Las Ketchup.<br \/>\n\t<strong>Todas as pessoas reagiram bem \u00e0 vossa m\u00fasica?<\/strong><br \/>\n\tHavia um bocado a ideia de que o \u201ccante\u201d tem que ser sempre lento, pouco apelativo \u00e0 vista. N\u00f3s, nos espect\u00e1culos ao vivo, que \u00e9 o nosso forte, somos extraordinariamente bem dispostos, brincamos uns com os outros e com o p\u00fablico. Contamos hist\u00f3rias, anedotas, pomos as pessoas a rir.<br \/>\n\t<strong>Al\u00e9m de m\u00fasica alentejana o que \u00e9 que ouvem em casa?<\/strong><br \/>\n\tCada um de n\u00f3s tem gostos diferentes. Herbie Hancock, Joe Zawinul, Wes Montgomery, \u201cblues\u201d, m\u00fasica de dan\u00e7a&#8230; Antes dos Adiafa toc\u00e1vamos jazz mas as pessoas n\u00e3o queriam saber disso. Aplicamos os nossos gostos e os nossos conhecimentos t\u00e9cnicos \u00e0 m\u00fasica alentejana. Sempre cant\u00e1mos \u00e0 alentejana. \u00c9 inato. Est\u00e1-nos na alma.<br \/>\n\t<strong>Fazem parte da mesma linhagem do Vitorino ou do Janita Salom\u00e9? Ou representam uma ruptura?<\/strong><br \/>\n\tRuptura nunca. Embora o Vitorino cante com cubanos, \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o dele&#8230; A verdade \u00e9 que quando ele nos ouviu pela primeira vez, ainda n\u00e3o \u00e9ramos conhecidos, torceu um bocado o nariz. Mas no outro dia, ouviu-nos cantar \u201c\u00e0 alentejana\u201d, seis ou sete modas, veio ter connosco a pedir para cantarmos mais. Convidou-nos para participar no pr\u00f3ximo disco.<br \/>\n\t<strong>Existe mesmo uma pop alentejana?<\/strong><br \/>\n\tAl\u00e9m de n\u00f3s, h\u00e1 o Paulo Ribeiro, o fadista Ant\u00f3nio Zambujo, o Francisco Sobral, fizeram os dois parte do musical \u201cAm\u00e1lia\u201d, todos de Beja, todos da mesma gera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sei se ser\u00e1 coincid\u00eancia. \u00c9 como se estivesse algo a cozinhar e de repente se decidisse deixar de ser politicamente correto.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qJ_pDognXvI\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> portugueses >> entrevistas) domingo, 26 Janeiro 2003 \u201cO Alentejo tem ritmo\u201d T\u00eam o \u201ccante\u201d na voz e na alma mas n\u00e3o descuram a irrever\u00eancia. Ao vivo p\u00f5em as pessoas a rir. \u00c0 noite, a sua m\u00fasica \u00e9 para se dan\u00e7ar ao lado de Shakira ou das Las Ketchup. 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