{"id":6606,"date":"2018-02-15T11:32:58","date_gmt":"2018-02-15T18:32:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6606"},"modified":"2018-02-21T11:43:17","modified_gmt":"2018-02-21T18:43:17","slug":"peter-hammill-o-ultimo-dos-visionarios-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/02\/15\/peter-hammill-o-ultimo-dos-visionarios-entrevista\/","title":{"rendered":"Peter Hammill &#8211; &#8220;O \u00daltimo Dos Vision\u00e1rios&#8221; (Entrevista)"},"content":{"rendered":"<p>Y 2|FEVEREIRO|2001<br \/>\nm\u00fasica|peter hammill<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong><center>o \u00faltimo dos vision\u00e1rios<\/center><\/p>\n<p>A solo, com None of the Above, ou em retrospetiva com os Van Der Graaf Generator, em The Box, Peter Hammill \u00e9 o ator, o profeta e o vision\u00e1rio da pop, venerado por um s\u00e9quito de f\u00e3s. Can\u00e7\u00f5es onde o amor balan\u00e7a no baloi\u00e7o do cosmos.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6608\" rel=\"attachment wp-att-6608\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/ph.jpg\" alt=\"\" width=\"589\" height=\"487\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6608\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/ph.jpg 589w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/ph-300x248.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/ph-100x83.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 589px) 100vw, 589px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Mais de 30 anos de carreira, dezenas de \u00e1lbuns e tr\u00eas livros de poesia editados \u00e9 o saldo quantitativo de uma obra cujo alcance est\u00e1 por historiar na restrita Enciclop\u00e9dia dos G\u00e9nios da M\u00fasica Popular do Seculo XX. Peter Hammill, fundador dos Van Der Graaf Generator (VDGG), compositor, poeta, guitarrista, teclista e cantor, tem sido ao longo das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas um segredo bem guardado. Um artista de culto. Na altura em que acaba de ser lan\u00e7ada a antologia dos VDGG, \u201cThe Box\u201d e depois da edi\u00e7\u00e3o do seu en\u00e9simo \u00e1lbum a solo, \u201cNone of the Above\u201d \u2013 \u00e1lbum de \u201cf\u00e1bulas terra a terra\u201d e de can\u00e7\u00f5es quase todas de amor \u2013, o Y trocou ideias com o \u00faltimo dos rom\u00e2nticos \u2013 para utilizar um \u201cclich\u00e9\u201d que aqui faz todo o sentido.<br \/>\n\tA capa de \u201cNone of the Above\u201d est\u00e1 cheia de escadas. Todas apontam para cima. V\u00e3o dar aonde?<br \/>\n\t\u00c9 um trocadilho com o t\u00edtulo do \u00e1lbum, [\u201cNada do que est\u00e1 no cimo\u201d], que acaba por ser mais um conjunto de f\u00e1bulas terra a terra do que sobre assuntos das esferas celestiais. Tamb\u00e9m se pode pensar no r\u00f3tulo \u201cfile under\u201d [outro trocadilho: \u201cFile under\u201d, de \u201carrumar em\u2026\u201d usado nas lojas de discos com \u201cunder\u201d, \u201cdebaixo de\u201d].<br \/>\n\tInclu\u00edmos \u201cNone of the Above\u201d na lista dos melhores \u00e1lbuns de 2000, ao lado de F\u00e1tima Miranda (\u201cArteSonado\u201d), Raymond Scott (\u201cManhattan Research Inc.\u201d) e Amon Tobin (\u201cSupermodified\u201d). Mais uma vez fez o disco certo, na altura ideal\u2026<br \/>\n\tObrigado. Dos discos que refere, o de F\u00e1tima Miranda parece-me o mais interessante. Tento sempre fazer \u00e1lbuns que estejam de acordo com os meus sentimentos num dado momento, em lugar de me preocupar em apanhar uma qualquer onda.<br \/>\n\tOs arranjos de algumas can\u00e7\u00f5es lembram o \u00e1lbum \u201cOver\u201d. Em que fase se encontrava quando fez o novo disco?<br \/>\n\tComo sempre, estava envolvido, ocupado e\u2026 desligado. O universo da m\u00fasica \u2013 da composi\u00e7\u00e3o \u00e0 grava\u00e7\u00e3o, passando pelos arranjos e pela interpreta\u00e7\u00e3o \u2013 tornou-se-me familiar, fazendo com que me sinta confort\u00e1vel, por paradoxal que possa parecer. Algum do material do novo disco \u00e9 bastante t\u00e9cnico embora tenha de reconhecer a necessidade de esperar pelos momentos de inspira\u00e7\u00e3o. Ao n\u00edvel dos arranjos, \u00e9 \u00f3bvio que fiquei \u201cpreso\u201d a certos tra\u00e7os caracter\u00edsticos\u2026<br \/>\n\t\u00c9 interessante a sua recusa em explicar o sentido das suas can\u00e7\u00f5es mas, em contrapartida, num \u00e1lbum ao vivo como \u201cTypical\u201d analisa em detalhe os processos interiores por que vai passando ao longo de um concerto\u2026<br \/>\n\tEssa an\u00e1lise que fiz em \u201cTypical \u00e9 a de um ator. Quando estou em palco habito cada can\u00e7\u00e3o da mesma forma que um ator encarna uma personagem. Mas ao mesmo tempo ponho em pr\u00e1tica algumas no\u00e7\u00f5es e uma auto-an\u00e1lise que envolvem, sem d\u00favida, quer a consci\u00eancia de mim mesmo quer uma \u201cpossess\u00e3o\u201d. Existe uma outra parte de mim, ligada \u00e0 cabe\u00e7a, ao corpo e \u00e0 alma, que, sem ter o controle, \u00e9 aquela que entra, que encarna determinada hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u00c9 EVIDENTE QUE AQUILO QUE ESCREVO PARTE DAS MINHAS EXPERI\u00caNCIAS. EM QUALQUER CASO, GOSTARIA QUE, MAIS DO QUE OLHAREM PARA MIM, AS PESSOAS RECONHECESSEM ALGO NELAS PR\u00d3PRIAS, AS SUAS EXPERI\u00caNCIAS<\/p>\n<p>\tA verdade \u00e9 que a maior parte das pessoas que o ouvem acreditam que as suas can\u00e7\u00f5es correspondem a experi\u00eancias pessoais. Talvez porque a sua escrita toque naquele inconsciente coletivo de que Jung e Laing falavam\u2026<br \/>\n\tBem\u2026 n\u00e3o se trata, em absoluto, de uma autobiografia porque, a dada altura, tornei-me um compositor profissional. \u00c9, todavia, evidente que aquilo que escrevo parte das minhas experi\u00eancias. Em qualquer caso, gostaria que, mais do que olharem para mim, as pessoas reconhecessem algo nelas pr\u00f3prias, as suas experi\u00eancias. N\u00e3o sinto que esteja a escrever \u201cO Livro\u201d! A personagem da can\u00e7\u00e3o \u201cSomebody bad enough\u201d, por exemplo, \u00e9 um tipo arrepiante, dos genu\u00ednos!&#8230;<br \/>\n\tDepois de uma can\u00e7\u00e3o estar escrita, ou um \u00e1lbum terminado, tem que ter vida pr\u00f3pria, defender-se sem qualquer cau\u00e7\u00e3o. Se continuam a pertencer-me \u00e9 porque ainda n\u00e3o atingiram a forma definitiva. Quando algo est\u00e1 acabado, devo deix\u00e1-lo partir.<br \/>\n\tPorque \u00e9 que hoje praticamente s\u00f3 escreve can\u00e7\u00f5es de amor?<br \/>\n\tOs assuntos v\u00e3o e v\u00eam por fases. \u00c9 verdade que tenho escrito sobretudo can\u00e7\u00f5es de amor, talvez por ser o g\u00e9nero fundamental da can\u00e7\u00e3o e aquele atrav\u00e9s do qual tenho mais coisas a dizer e posso explorar uma diversidade de formas. Mas n\u00e3o abandonei outras vias de explora\u00e7\u00e3o\u2026<br \/>\n\tNo passado quase todas as suas can\u00e7\u00f5es come\u00e7avam por \u201cI\u201d. Agora \u00e9 frequente haver um \u201cyou\u201d. Mudou de perspetiva?<br \/>\n\tSempre que uso o \u201cI\u201d estou a desempenhar uma personagem enquanto o \u201cyou\u201d surge quando estou a interpelar-me a mim pr\u00f3prio\u2026 Ser\u00e1?<br \/>\n\tO Tempo foi sempre uma das suas preocupa\u00e7\u00f5es?<br \/>\n\tUma equa\u00e7\u00e3o irresol\u00favel. Um dos mist\u00e9rios da condi\u00e7\u00e3o humana \u00e9 a incapacidade de ver o tempo fora de uma perspetiva linear. O processo de escrita \u00e9 uma tentativa de compreens\u00e3o de algo que, em \u00faltima an\u00e1lise, n\u00e3o tem conclus\u00e3o.<br \/>\n\tTem medo de morrer?<br \/>\n\tQuem \u00e9 que n\u00e3o tem? Mas ser\u00e1 que algum de n\u00f3s acredita, de facto, que vai morrer?<br \/>\n\tUma quantidade de can\u00e7\u00f5es do novo \u00e1lbum fala de um estado intermedi\u00e1rio, entre a \u201cantecipa\u00e7\u00e3o\u201d e a \u201cconsequ\u00eancia\u201d, o \u201cPassado e o Presente\u201d, a \u201cluz\u201d e as \u201ctrevas\u201d. Nesta dial\u00e9tica, qual o terceiro elemento?<br \/>\n\tA maior parte das can\u00e7\u00f5es desenrolam-se, de facto, nesse \u201cin between\u201d que \u00e9, no fundo, a sua ess\u00eancia, a pr\u00f3pria ess\u00eancia do instante. A can\u00e7\u00e3o em si \u00e9 esse terceiro elemento, mudando a cada interpreta\u00e7\u00e3o ao vivo e a cada audi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\t\u201cIn a bottle\u201d \u00e9 um dos grandes temas do disco. Como \u00e9 que fez os arranjos?<br \/>\n\tPode parecer rid\u00edculo, mas a verdade \u00e9 que nunca me consigo lembrar da maneira exata como fiz as coisas. Apenas me recordo de que a inser\u00e7\u00e3o de guitarras foi uma ideia de \u00faltima hora.<br \/>\n\tA \u00fanica can\u00e7\u00e3o mais \u201cfraca\u201d ser\u00e1 \u201cAstart\u201d. Peter Hammill \u201cmiddle of the road\u201d?<br \/>\n\tPense o que quiser (risos). Mas continuo a acreditar na simplicidade de uma boa can\u00e7\u00e3o pop, da mesma maneira que acredito em material mais complexo.<br \/>\n\tPor que raz\u00e3o decidiu regravar recentemente a \u00f3pera \u201cThe Fall of the House of Usher\u201d?<br \/>\n\tReadquiri a licen\u00e7a e n\u00e3o me senti inclinado a uma reedi\u00e7\u00e3o exatamente igual. Comecei a remexer na m\u00fasica, acabando por refazer o disco. Em particular para p\u00f4r guitarras el\u00e9tricas, de maneira a criar um ambiente mais sombrio, e para tirar as percuss\u00f5es, que me soavam espalhafatosas.<br \/>\n\tCustou, mas finalmente foi editada a caixa \u201cThe Box\u201d, dos Van Der Graaf Generator. H\u00e1 alguma raz\u00e3o para serem inclu\u00eddas tantas vers\u00f5es ao vivo, todas retiradas de um espet\u00e1culo dos anos 70 em It\u00e1lia? J\u00e1 existia o duplo ao vivo, \u201cVital\u201d\u2026 agora s\u00f3 falta a remasteriza\u00e7\u00e3o, \u00e1lbum a \u00e1lbum\u2026<br \/>\n\tMas \u201cVital\u201d era um \u00e1lbum dos \u00faltimos dias do grupo. Os shows de Rimini correspondem a um dos per\u00edodos mais criativos dos VDGG que n\u00e3o constavam da discografia original. Quanto \u00e0 remasteriza\u00e7\u00e3o, quem sabe? Isso est\u00e1 nas m\u00e3os da Virgin. Penso que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel comprar-lhes os direitos dos \u00e1lbuns antigos. Mas, pelo menos, estamos a receber \u201croyalties\u201d e h\u00e1 que reconhecer que fizeram um bom trabalho com a caixa, depois de alguma persuas\u00e3o\u2026 (risos). Acaba por ser um testamento!<br \/>\n\tQual vai ser o seu pr\u00f3ximo passo?<br \/>\n\tNum sentido literal: espet\u00e1culos no M\u00e9xico, Jap\u00e3o, Londres, Israel e It\u00e1lia. Al\u00e9m disso, estou a ultimar os pormenores do meu pr\u00f3ximo CD.<br \/>\n\tQue m\u00fasica tem andado a ouvir?<br \/>\n\tN\u00e3o tenho muito tempo, passo oito, dez horas por dia a trabalhar no est\u00fadio. Mas os CDs que levei comigo para a \u00faltima digress\u00e3o foram o \u201cQuarteto para o Fim dos Tempos\u201d, de Olivier Messiaen, \u201cPorgy and Bess\u201d de Miles Davis, \u201cLontano\u201d, de Gy\u00f6rgy Ligeti, algum Benjamin Britten, William Byrd, Piazzolla, John Lee Hooker\u2026 Uma mala sortida.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WpcH-_zVkls\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Y 2|FEVEREIRO|2001 m\u00fasica|peter hammill o \u00faltimo dos vision\u00e1rios A solo, com None of the Above, ou em retrospetiva com os Van Der Graaf Generator, em The Box, Peter Hammill \u00e9 o ator, o profeta e o vision\u00e1rio da pop, venerado por um s\u00e9quito de f\u00e3s. Can\u00e7\u00f5es onde o amor balan\u00e7a no baloi\u00e7o do cosmos. 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