{"id":6595,"date":"2018-02-12T12:03:56","date_gmt":"2018-02-12T19:03:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6595"},"modified":"2018-02-12T12:03:56","modified_gmt":"2018-02-12T19:03:56","slug":"anja-garbarek-como-um-blues-europeu-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/02\/12\/anja-garbarek-como-um-blues-europeu-entrevista\/","title":{"rendered":"Anja Garbarek &#8211; &#8220;Como Um Blues Europeu&#8221; (Entrevista)"},"content":{"rendered":"<p>Y 16|MAR\u00c7O|2001<br \/>\nanja garbarek|m\u00fasica<\/p>\n<p><strong>Um ol\u00e1 e um adeus. Assim define Anja Garbarek Smiling &#038; Waving, jardim de acenos ao passado e ao futuro, \u00e0 pop e \u00e0 eletr\u00f3nica, nas sombras de uma melancolia europeia.<br \/>\n<center><br \/>\ncomo um blues europeu<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6597\" rel=\"attachment wp-att-6597\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/ag.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6597\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/ag.jpg 800w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/ag-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/ag-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/ag-624x416.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/ag-100x67.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Filha de pai ilustre, o saxofonista Jan Garbarek, figura de proa do cat\u00e1logo ECM, Anja Garbarek mudou-se recentemente para Londres, onde vive com o seu marido ingl\u00eas. Sem renegar \u2013antes pelo contr\u00e1rio \u2013 a experi\u00eancia e os ensinamentos do pai, aos 30 anos, Anja desbrava o seu pr\u00f3prio caminho, encetado com os \u00e1lbuns \u201cVelkommen Inn\u201d e \u201cBaloon Mood\u201d, este \u00faltimo o primeiro a ter distribui\u00e7\u00e3o em Portugal.<br \/>\n\t\u201cA \u00fanica regra que vale a pena seguir \u00e9 aquela que diz que n\u00e3o h\u00e1 regra nenhuma que valha a pena seguir\u201d disse-lhe o pai. Paradoxo l\u00f3gico. Paradoxo criativo. Que Anja tem seguido \u00e0 risca. E nem sequer vale a pena dar ouvidos \u00e0s opini\u00f5es alheias. \u201cHouve quem achasse o meu primeiro \u00e1lbum demasiado \u2018poppy\u2019 e quem o acusasse de ser demasiado \u2018leftfield\u2019\u201d, suspira.<br \/>\n\t\u201cSmiling &#038; Waving\u201d foi gravado em Inglaterra, mas as ideias nasceram na Noruega. \u201cQuando cheguei a Londres achei muito confuso, existe uma quantidade de informa\u00e7\u00e3o em excesso. \u00c9 uma cidade dif\u00edcil de penetrar e a princ\u00edpio senti falta da proximidade do campo\u2026 e da neve. Na Noruega \u00e9 tudo mais calmo e prop\u00edcio \u00e0 medita\u00e7\u00e3o, podemos ouvir-nos melhor a n\u00f3s pr\u00f3prios. E eu precisava de ouvir melhor, n\u00e3o tanto o que vem de fora, mas o lado de dentro, o meu eu verdadeiro\u201d.<br \/>\n\tAt\u00e9 chegar a essa estrada que conduz ao interior, Anja cresceu a ouvir os discos do pai. Miles Davis, sobretudo, mas tamb\u00e9m Erik Satie, Laurie Anderson e um dos \u00e1lbuns que mais a impressionou, \u201cMy Life in the Bush of Ghosts\u201d, de Brian Eno com David Byrne, t\u00edtulo que bem poderia ser usado para definir as imagens e refra\u00e7\u00f5es sonoras de \u201cSmiling &#038; Waving\u201d, lugar de encontro de evoca\u00e7\u00f5es vocais em que a mem\u00f3ria aclara os nomes de Annette Peacock, Stina Nordenstan ou de Alison Goldfrapp, mas onde se movimenta algo indefen\u00edvel e possuidor de um brilho estranho. \u201cComo uma casa grande com muitas divis\u00f5es\u201d. \u201cA casa de Anja Garbarek tem salas e quartos espa\u00e7osos e arejados, mas tamb\u00e9m caves h\u00famidas e s\u00f3t\u00e3os escuros e poeirentos cheios de recantos onde se ocultam ba\u00fas com tesouros e h\u00e1 monstros prontos a saltar de dentro do arm\u00e1rio.<br \/>\n\tHoje, Anja Garbarek \u201cn\u00e3o perde tempo nas lojas de discos, na sec\u00e7\u00e3o pop\u201d. Gosta de Kate Bush, Laurie Anderson, Jo\u00e3o Gilberto, Ant\u00f3nio Carlos Jobim e\u2026 dos Residents. \u201cConhece-os? Uau! Praticamente j\u00e1 deixei de os mencionar, perguntam-me sempre: Quem?\u201d.<\/p>\n<p>Melancolia. Como os Residents, Anja Garbarek cultiva os filmes e a dramaturgia da imagina\u00e7\u00e3o. Aos 16 anos entrou para uma escola de teatro. A\u00ed aprendeu a adaptar a voz aos seus sonhos. A personagem nasceu com a m\u00e1scara grega da tristeza. Ela achou que a culpa era de uma certa \u201cmelancolia escandinava\u201d. Hoje descobriu que, al\u00e9m de sua, \u00e9 uma melancolia mais vasta: \u201cuma melancolia europeia\u201d. Londres ensinou-a a ver assim. \u201cA tristeza no rosto das pessoas, o seu ar assustado, perante a abund\u00e2ncia de tudo. Um \u2018pathos\u2019\u201d. Destino tr\u00e1gico (ou dram\u00e1tico, o drama tem resolu\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio da trag\u00e9dia) da Europa que os antigos gregos exorcizavam atrav\u00e9s do teatro. A cantora e compositora norueguesa, com um olhar simultaneamente pr\u00f3ximo (de europeia), e distante (de norueguesa) observa, tentando tirar partido desses \u201cblues\u201d do Ocidente europeu mas tamb\u00e9m procurando vislumbrar o outro lado. \u201cGosto de imagens dram\u00e1ticas, mas procuro sentir al\u00e9m delas, a esperan\u00e7a e a alegria, e de captar a magia\u201d.<br \/>\nRobert Wyatt, presente no dueto vocal \u201cThe diver\u201d \u2013 \u201cnunca t\u00ednhamos ouvido a m\u00fasica um do outro, mandei-lhe uma cassete e ele, que \u00e9 sempre muito seletivo, aceitou colaborar\u201d \u2013 foi um dos artistas convidados de \u201cSmiling &#038; Waving\u201d sens\u00edvel a esta magia. Mark Hollis, dos Talk Talk (encontr\u00e1mo-nos numa loja de discos\u201d), que a apresentou a Robert Wyatt, foi outro. E Steve Jansen e Richard Barbieri, dois ex-Japan, tamb\u00e9m. \u201cUm c\u00edrculo fechado de amigos\u201d, como a norueguesa lhes chama.<br \/>\nEletr\u00f3nica espacial, grooves umas vezes gal\u00e1cticos outras recolhidos no conforto dom\u00e9stico, uma voz que percorre infatig\u00e1vel os corredores interiores deixando um rasto de ecos atr\u00e1s de si. Um bosque escuro. Neve e estrelas. \u00c9 assim \u201cSmiling &#038; Waving\u201d, palco de mil metamorfoses, imagens e sensa\u00e7\u00f5es materializadas num dos grandes \u00e1lbuns do ano.<br \/>\nNeste momento Anja Garbarek prepara a transposi\u00e7\u00e3o de \u201cSmiling &#038; Waving\u201d para os espet\u00e1culos ao vivo. N\u00e3o vai ser f\u00e1cil. \u201cNo disco h\u00e1 uma sec\u00e7\u00e3o de cordas composta por 20 elementos\u2026 e quero usar os computadores\u201d. Violinos e programa\u00e7\u00f5es. Futuro e tradi\u00e7\u00e3o. Propusemos uma frase para ilustrar o desenho: uma crian\u00e7a a passear num mundo de fantasmas de m\u00e1quinas. Anja aceita o quadro. O \u00e1lbum tem uma parte dela e uma parte do mundo. \u201c\u00c9 ao mesmo tempo um ol\u00e1 e um adeus\u201d. A quem? \u2013 perguntamos. Ri-se. \u201cVoc\u00eas jornalistas querem sempre saber tudo!\u201d<\/p>\n<p><strong>do norte, a barb\u00e1rie esclarecida<\/strong><\/p>\n<p>O recrutamento de Anja Garbarek para as fileiras da multinacional Virgin reflete a capacidade de penetra\u00e7\u00e3o da m\u00fasica n\u00f3rdica no mercado internacional, fen\u00f3meno que j\u00e1 vem de longe e encontra ramifica\u00e7\u00f5es na totalidade de estilos musicais contempor\u00e2neos. No jazz, na folk, na pop, no rock, na eletr\u00f3nica ou na m\u00fasica de dan\u00e7a s\u00e3o v\u00e1rios os artistas oriundos da Su\u00e9cia, Noruega, Finl\u00e2ndia e Dinamarca que ao longo das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas t\u00eam semeado a originalidade nos sons do velho continente.<br \/>\nSe nos anos 70 os suecos Abba s\u00e3o os expoentes de uma pop que soube transitar da montra do Festival da Can\u00e7\u00e3o para a aceita\u00e7\u00e3o universal, a eles se devendo, al\u00e9m da propaganda feita ao traseiro de uma das vocalistas, a aceita\u00e7\u00e3o da pop-lixo como produto vend\u00e1vel a uma escala planet\u00e1ria, j\u00e1 antes, nos anos 60, os Shocking Blue, com \u201cVenus\u201d, ou os Tee-Set, com \u201cMa belle amie\u201d, ambos de um pa\u00eds um bocadinho mais para Sul, a Holanda, tinham como funcionado como gazuas para abrir o top ingl\u00eas ao resto da Europa \u2013 ainda que nestes casos, a veia europop estivesse ainda disfar\u00e7ada sob o colorido dos trajes hippies e o odor do haxe.<br \/>\n\u00c9 nos \u201cseventies\u201d que a oferta musical com o selo das terras do Norte se diversifica. Na editora alem\u00e3o ECM nasce uma escola de jazz ambiental e classicista, personificada por compositores e solistas como Terje Rypdal, Jan Garbarek (pai de Anja) e Palle Danielssen. A folk, sobretudo na Finl\u00e2ndia, prepara na Academia Sibelius, de Hels\u00ednquia, ou no Instituto Kansanmusiikki \u2013 um e outro proporcionando aos m\u00fasicos uma severa aprendizagem cl\u00e1ssica \u2013 a grande invas\u00e3o que explodir\u00e1 na d\u00e9cada de 90 sob a lideran\u00e7a dos Hedningarna, extraordinariamente bem acolitados pelos Filarfolket, Den Fule, Tallari, JPP, Garmarna, Ottopasuuna, Koinurit, Loituma, Niekku, Pirnales, Sirmakka, Troka, V\u00e4sen ou V\u00e4rttin\u00e4.<br \/>\nTamb\u00e9m no campo da m\u00fasica progressiva se assiste ao aparecimento de bandas como os dinamarqueses Burnin\u2019 Red Ivanhoe, os suecos Samla Mammas Manna (integrantes do movimento Rock in Opposition com outras bandas continentais), os noruegueses Day of Phoenix e os finlandeses Wigwam e Tasavallan Presidenti, com sonoridades onde \u00e9 vis\u00edvel a influ\u00eancia do jazz. Todas elas assinam por editoras continentais, o que torna mais f\u00e1cil a sua divulga\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNa era da m\u00fasica industrial e de todos os tribalismos eletr\u00f3nicos dos anos 80, a resposta \u00e9 dada pelos suecos Omala, enquanto a editora Cold Meat Industry faz as vezes de talhante, oferecendo produtos ritual\u00edsticos onde n\u00f3rdico se confunde com m\u00f3rbido. Enquanto isso, a tradi\u00e7\u00e3o pop encontra continua\u00e7\u00e3o nas m\u00fasicas eivadas de nostalgia dos Fra Lippo Lippi e Thirteen Moons.<br \/>\nChegados aos anos 90 e \u00e0 viragem do s\u00e9culo, a eletr\u00f3nica kratwerkiana p\u00f3s-industrial dos finlandeses Pan Sonic esmaga com a sua arte do massacre, sem chegarem a assustar Jimi Tenor e Jay Jay Johanson que cultivam uma mescla de kitsch, exotismo e futurismo, criando sonoridades em equil\u00edbrio no fio inst\u00e1vel que liga o \u201ceasy listening\u201d ao experimentalismo e a pop \u00e0 m\u00fasica de variedades.<br \/>\nSe desviarmos o ouvido para a m\u00fasica de dan\u00e7a, encontramos Bobby Hughes Experience, Bobby Trafalgar, YMC ou Quant, e editoras como a Svek e April. E se aqui ser\u00e1 mais dif\u00edcil encontrar tra\u00e7os especificamente n\u00f3rdicos (passando ao lado de uma inusitada prefer\u00eancia pelo nome Bobby\u2026), \u00e9 ainda a profus\u00e3o de sonoridades dispon\u00edveis a prova de que no Norte da Europa, sem transbordar j\u00e1 a barb\u00e1rie, cada nova glacia\u00e7\u00e3o p\u00f5e o resto do continente a ferro e fogo.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CfDiZqJNyg8\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Y 16|MAR\u00c7O|2001 anja garbarek|m\u00fasica Um ol\u00e1 e um adeus. Assim define Anja Garbarek Smiling &#038; Waving, jardim de acenos ao passado e ao futuro, \u00e0 pop e \u00e0 eletr\u00f3nica, nas sombras de uma melancolia europeia. como um blues europeu Filha de pai ilustre, o saxofonista Jan Garbarek, figura de proa do cat\u00e1logo ECM, Anja Garbarek [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[55,138,309,1235,12,280,246,44,10,9],"tags":[126],"class_list":["post-6595","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blues","category-cantautor","category-entrevistas-2001","category-fusao","category-jazz","category-jazz-rock","category-new-age","category-pop","category-rock","category-singer-songwriter","tag-anja-garbarek"],"views":1211,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6595"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6595\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6598,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6595\/revisions\/6598"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}