{"id":6591,"date":"2018-02-09T11:23:56","date_gmt":"2018-02-09T18:23:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6591"},"modified":"2018-02-26T12:07:20","modified_gmt":"2018-02-26T19:07:20","slug":"ricki-lee-jones-a-arte-do-be-pop-artigo-de-opiniao-2top-10-albuns-de-covers-artigo-de-opiniao-listas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/02\/09\/ricki-lee-jones-a-arte-do-be-pop-artigo-de-opiniao-2top-10-albuns-de-covers-artigo-de-opiniao-listas\/","title":{"rendered":"Ricki Lee Jones &#8211; &#8220;A Arte Do Be-Pop&#8221; (artigo de opini\u00e3o) + &#8220;Top 10 \u00c1lbuns De Covers&#8221; (artigo de opini\u00e3o \/ listas)"},"content":{"rendered":"<p>Y 26|JANEIRO|2001<br \/>\nm\u00fasica|rickie lee jones<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>classicismo \u00e9, em Rickie Lee Jones, sin\u00f3nimo de classe<\/p>\n<p>Rickie Lee Jones \u2013 \u201cg\u00e9nio\u201d, \u201clouca\u201d ou \u201csublime\u201d? Um pouco de tudo, como se poder\u00e1 comprovar na primeira atua\u00e7\u00e3o ao vivo da cantora em Portugal, para apresentar \u201cIt\u2019s like This\u201d, cole\u00e7\u00e3o de standards candidata a um Grammy.<\/p>\n<p>a arte do be-pop<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6593\" rel=\"attachment wp-att-6593\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/rlj.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"360\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6593\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/rlj.jpg 480w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/rlj-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/rlj-100x75.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u00c9 pegar ou largar. A voz de Rickie Lee Jones, ou se odeia ou se ama. Em todo o caso, n\u00e3o seria uma m\u00e1 ideia ela p\u00f4r umas gotas de Nazex para desentupir o nariz (ser\u00e1 que s\u00f3 grava no Inverno, ao ar livre e de manga curta?). J\u00e1 lhe chamaram \u201cTom Waits no feminino\u201d, \u201cg\u00e9nio\u201d, \u201clouca\u201d, \u201cirrespons\u00e1vel\u201d e \u201csublime\u201d. Tem um pouco de tudo isso, como se ver\u00e1 na sua primeira apresenta\u00e7\u00e3o ao vivo em Portugal, agendada para o \u00faltimo dia deste m\u00eas (quarta-feira), \u00e0s 22h, na Aula Magna da Universidade de Lisboa.<br \/>\n\tO seu mais recente \u00e1lbum, intitulado \u201cIt\u2019s like this\u201d, \u00e9 uma colet\u00e2nea de \u201cstandards\u201d de autores como Gershwin, Brecker Brothers, Beatles, Traffic, Marvin Gaye e Bernstein\/Stephen Sondheim, que poder\u00e1 ser considerada a continua\u00e7\u00e3o do cl\u00e1ssico trabalho com o mesmo formato editado pela cantora h\u00e1 dez anos, \u201cPop Pop\u201d.<br \/>\n\tPara j\u00e1, o novo disco \u00e9 candidato a um Grammy, na categoria \u201cpop vocal tradicional\u201d, repetindo o que j\u00e1 acontecera em 1979 com o disco de estreia, \u201cRickie Lee Jones\u201d, que viria a arrecadas o pr\u00e9mio de \u201cBest New Artist\u201d, e em 1989, quando conquistou, de parceria com Dr. John, outro trof\u00e9u, pela interpreta\u00e7\u00e3o jazz de \u201cMakin\u2019 whoopie\u201d.<br \/>\n\tRickie Lee Jones come\u00e7ou a escrever can\u00e7\u00f5es aos sete anos mas a sua primeira profiss\u00e3o, em 1976 e 1977, foi a de empregada dom\u00e9stica, em Los Angeles, onde conheceu Chuck E. Weiss e Tom Waits, cujo c\u00edrculo come\u00e7ou a frequentar e com quem chegou a ter um in\u00edcio de romance. No ano seguinte, foi a vez de Lowel George, dos Little Feat, a descobrir, gravando com ela o tema \u201cEasy money\u201d ao mesmo tempo que convenceu a editora Warner Brothers a investir no seu talento.<br \/>\n\tMas Rickie era uma for\u00e7a da natureza e adaptava-se mal \u00e0s conven\u00e7\u00f5es. Depois de ter fugido de casa e ser expulsa da escola, por insubordina\u00e7\u00e3o, exigiu da editora que o produtor do primeiro disco fosse Lenny Waronker, um dos nomes mais importantes da companhia.<br \/>\n\tO \u00e1lbum saiu em 1979 e um dos temas, \u201cChuck E\u2019s in love\u201d, chegou aos lugares cimeiros do top americano, com um milh\u00e3o de c\u00f3pias vendidas, um Grammy no bolso e digress\u00f5es esgotadas. Parecia aberto o caminho para o sucesso, mas Rickie Lee Jones era perita em desviar-se e enveredar por caminhos pouco iluminados. Desviou-se para n\u00e3o mais voltar a encontrar o \u00eaxito desse primeiro disco, mas em contrapartida a sua m\u00fasica ganhou o estatuto de culto e um n\u00facleo de adeptos ferrenhos.<br \/>\n\t\u201cPirates\u201d, de 1981, vendeu metade do disco de estreia. Rickie fugiu uma vez mais. Desta vez mudando-se para Nova Iorque e, logo de seguida, para Paris.<br \/>\n\tAs vers\u00f5es de cl\u00e1ssicos aparecem em for\u00e7a pela primeira vez no mini-\u00e1lbum \u201cGirl at her Volcano\u201d, de 1983, onde a classe das suas interpreta\u00e7\u00f5es se impunha.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>\tCabe\u00e7a de fantasma. Regressou a Los Angeles e a Hollywood para gravar \u201cThe Magazine\u201d (1984), onde a sua voz inconfund\u00edvel se rodeava de sintetizadores e de uma aura futurista que voltaria mais tarde a entrar em funcionamento, de forma bem mais escura, em \u201cGhostyhead\u201d.<br \/>\n\tDepois de nova fase de turbul\u00eancia da sua vida privada, com casamento, nascimento de uma filha e a morte do pai, Rickie mudou uma vez mais de casa \u2013 indo viver para o campo, em Fran\u00e7a \u2013 e de editora, assinando para a Geffen o \u00e1lbum \u201cFlying Cowboys\u201d (1990), com um novo produtor, Walter Becker, dos Steely Dan, pondo fim a um interregno de seis anos afastada dos est\u00fadios, excetuando o single \u201cThe moon is made of gold\u201d e o encontro com os The Blue Nile, na Esc\u00f3cia.<br \/>\n\tO seu talento interpretativo explodiria em pleno em 1991, no \u00e1lbum \u201cPop Pop\u201d, um trabalho imaculado sa\u00eddo dos sonhos de uma crian\u00e7a magoada, apaixonada pela can\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica e pelo be-bop. O ciclo Geffen fechar-se-ia com \u201cTraffic from Paradise\u201d (1993); o regresso \u00e0 Warner teria lugar dois anos depois, com \u201cNaked Songs\u201d, revisita\u00e7\u00e3o ac\u00fastica de alguns dos seus temas mais antigos.<br \/>\n\t\u201cGhostyhead\u201d, de 1997, marcaria outro dos seus momentos de transgress\u00e3o. \u00c1lbum dif\u00edcil e mal aceite por alguns, de sonoridades carregadas, explora a eletr\u00f3nica industrial e o lado mais sombrio de uma personalidade sempre inquieta, permanecendo at\u00e9 \u00e0 data como um dos seus trabalhos mais estimulantes.<br \/>\n\tPor fim, nova mudan\u00e7a de editora \u2013 passagem para a Artemis \u2013, e o regresso a um dos formatos que lhe \u00e9 querido, o dos \u201cstandards\u201d, com o novo \u201cIt\u2019s like this\u201d (com os convidados Joe Jackson e Taj Mahal) a fazer de novo incidir os holofotes na vertente da interpreta\u00e7\u00e3o. Numa altura em que se tornou \u201ctrendy\u201d fazer \u00e1lbuns de vers\u00f5es (recorde-se que outros dois concorrentes ao Grammy de melhor \u201cpop vocal tradicional\u201d, Joni Mitchell, com \u201cBoth Sides Now\u201d, e Bryan Ferry, com \u201cAs Time Goes by\u201d, competem igualmente com \u00e1lbuns de standards) n\u00e3o deixa de haver ironia no facto de Rickie Lee Jones ver associado o seu talento \u00e0 \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d, quando \u00e9 sabido que ela fez sempre quest\u00e3o de fintar as conven\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\tMas no final do m\u00eas se demonstrar\u00e1 que \u201cclassicismo\u201d \u00e9, em Rickie Lee Jones, sin\u00f3nimo de \u201cclasse\u201d<\/p>\n<p><strong>TOP 10 de \u00e1lbuns de \u201ccovers\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201cIt\u2019s Like This\u201d insere-se na tradi\u00e7\u00e3o de \u00e1lbuns de \u201ccovers\u201d. Aqui ficam alguns mais representativos.<\/p>\n<p><strong>JEAN-LUC PONTY<br \/>\nKing Kong Blue Note, 1970<\/strong><br \/>\n\u201cVirtuose\u201d do violino eletrificado, ginasta do jazz de fus\u00e3o, herdeiro de Grappelli, Ponty deu novo rosto instrumental ao papa dos Mothers of Invention, reinventando o humor de \u201cIdiot bastard son\u201d e \u201cTwenty small guitars\u201d, ou alinhando em cumplicidade com o mestre, em \u201cMusic for Electric Violin and low budget orchestra\u201d.<\/p>\n<p><strong>DAVID BOWIE<br \/>\nPinups EMI, 1973<\/strong><br \/>\nO camale\u00e3o ainda arranjou tempo para vestir a pelo dos seus her\u00f3is, travestindo \u201cSee Emily play\u201d, de Syd Barrett, \u201cI can\u2019t explain\u201d, de Townshend ou \u201cWhere have all the good times gone\u201d, de Ray Davies.<\/p>\n<p><strong>THE RESIDENTS<br \/>\nGeorge and James Ralph, 1984<\/strong><br \/>\nOs amantes da soul, seu pudessem, davam-lhes um tiro. Os da m\u00fasica cl\u00e1ssica, enforcavam-nos. Os \u201ccriminosos\u201d s\u00e3o os Residents, e o crime foi o massacre de James Brown e Gershwin, no primeiro volume de uma s\u00e9rie dedicada a compositores americanos deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p><strong>MARIANNE FAITHFULL<br \/>\nStrange Weather Island, 1987<\/strong><br \/>\nResultou do encontro m\u00e1gico entre a produ\u00e7\u00e3o de Hal Willner e uma voz do fundo da noite. Tom Waits e Bob Dylan sangrados. E os extremos de uma ressurrei\u00e7\u00e3o sempre incompleta, entre a ferida de \u201cAs tears go by\u201d e o despojamento sem esperan\u00e7a de \u201cBoulevard of broken dreams\u201d.<\/p>\n<p><strong>STEVE BERESFORD<br \/>\nL\u2019Extraordinaire Jardin de Charles Trenet Nato, 1988<\/strong><br \/>\nDo jazzman e lun\u00e1tico Steve Beresford tudo se espera. Mas foi na editora-anedota Chabada que o ingl\u00eas soltou o humor nonsense e o amor pelas variedades, em particular a \u201cchanson fran\u00e7aise\u201d, num disco sorridente que levou ao colo as can\u00e7\u00f5es de Trenet.<\/p>\n<p><strong>PASCAL COMELADE<br \/>\nEl Primitivismo Les Disques du Soleil et de l\u2019Acier, 1988<\/strong><br \/>\nTudo o que toca fica em cacos. E \u00e9 ao juntar os peda\u00e7os com a cola da mem\u00f3ria que a m\u00fasica se transforma num brinquedo. Aqui remonta alguns dos seus preferidos: Stones, Wyatt, Nino Rota e Chuck Berry.<\/p>\n<p><strong>MARY COUGHLAN<br \/>\nUncertain Pleasures Eastwest, 1990<\/strong><br \/>\nUma das mais sensuais vozes da atualidade, a irlandesa Mary Coughlan desfiou \u00e1lbuns de \u201ccovers\u201d, qual deles o mais brilhante. \u201cUncertain Pleasures\u201d distingue-se pela arrebatadora vers\u00e3o de \u201cHeartbreak hotel\u201d, de Presley, subindo ao cume em \u201cThe little death\u201d, dos Boomtown Rats, feito standard de jazz.<\/p>\n<p><strong>MATHILDE SANTING<br \/>\nCarried Away Solid, 1991<\/strong><br \/>\nTodd Rundgren, Roddy Frame e os Doors contam-se entre os autores de \u201cCarried Away\u201d, ve\u00edculo para a voz desta holandesa cultivar a arte da eleg\u00e2ncia. Com a meticulosidade de colecionadora e o apuro da designer.<\/p>\n<p><strong>URBAN TURBAN<br \/>\nUrban Turban Resource, 1994<\/strong><br \/>\nPara os suecos Urban Turban, dar lustro a uma can\u00e7\u00e3o \u00e9 esfreg\u00e1-la com o desregramento. Sarcasmo, rock &#038; rol e sanfonas, numa variante das barbaridades folk dos compatriotas Hedningarna. \u201cVoodoo chile\u201d, de Hendrix, e \u201cLet\u2019s work together\u201d, dos Canned Heat, ca\u00edram que nem ginjas nas m\u00e3os dos iconoclastas.<\/p>\n<p><strong>JONI MITCHELL<br \/>\nBoth Sides now Reprise, 2000<\/strong><br \/>\nUma das damas da pop deste s\u00e9culo, na sua primeira incurs\u00e3o no universo das \u201ccovers\u201d. Can\u00e7\u00f5es sobre o amor, numa paleta interpretativa que vai do recolhimento \u00e0 orquestra\u00e7\u00e3o majestosa das emo\u00e7\u00f5es. \u201cStandards\u201d na sua ace\u00e7\u00e3o mais nobre, de modelos a seguir.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jCVVskkCW7c\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Y 26|JANEIRO|2001 m\u00fasica|rickie lee jones classicismo \u00e9, em Rickie Lee Jones, sin\u00f3nimo de classe Rickie Lee Jones \u2013 \u201cg\u00e9nio\u201d, \u201clouca\u201d ou \u201csublime\u201d? 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