{"id":6572,"date":"2018-01-31T11:40:49","date_gmt":"2018-01-31T18:40:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6572"},"modified":"2018-01-31T11:45:08","modified_gmt":"2018-01-31T18:45:08","slug":"6572","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/01\/31\/6572\/","title":{"rendered":"Neu! &#8211; &#8220;Neu!&#8221; + Neu! &#8211; &#8220;Neu!2&#8221; + Neu! &#8211; &#8220;Neu!&#8217;75&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Y 8|JUNHO|2001<br \/>\nm\u00fasica|reedi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong>\u00c9 reeditada a trilogia cl\u00e1ssica dos Neu!, de Dusseldorf. Do punk ao p\u00f3s-rock, dos Sex Pistols a David Bowie e aos Stereolab, todos s\u00e3o devedores da motorika de Klaus Dinger. \u201cNeu!\u201d, \u201cNeu!2\u201d e \u201cNeu!\u201975\u201d a\u00ed est\u00e3o para o provar.<br \/>\n<center><br \/>\nmotor de explos\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>NEU!<br \/>\nNeu!<br \/>\n9|10<br \/>\nNeu!2<br \/>\n10|10<br \/>\nNeu!\u201975<br \/>\n10|10<br \/>\nEMI, distri. EMI &#8211; VC<br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6574\" rel=\"attachment wp-att-6574\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Neu75_albumcover.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"293\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6574\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Neu75_albumcover.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Neu75_albumcover-100x98.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Neu! \u201cNovo!\u201d, em alem\u00e3o. Orgulhosamente exclamativo. Uma, duas, tr\u00eas vezes, a compor uma das trilogias seminais da hist\u00f3ria do rock. Depois de anos de esbanjamento, em edi\u00e7\u00f5es piratas e de promessas n\u00e3o cumpridas pelo selo japon\u00eas Captain Trip, \u201cNeu!\u201d (1972), \u201cNeu!2\u201d (1973) e \u201cNeu!\u201975\u201d tiveram agora finalmente honras de reedi\u00e7\u00e3o oficial, pela EMI. N\u00e3o remasterizadas, mas com uma apresenta\u00e7\u00e3o condigna que reproduz na \u00edntegra a est\u00e9tica proto-punk dos originais.<br \/>\n\tOs Neu! tiveram origem numa das primeiras forma\u00e7\u00f5es dos Kraftwerk, da qual fazia parte Klaus Dinger, tendo Michael Rother mais tarde uma passagem fugaz pelo grupo. Dois temas que viriam a aparecer no \u00e1lbum de estreia dos Neu!, \u201cIm gluck\u201d e \u201cWeissensee\u201d, chegaram a ser apresentados num programa de televis\u00e3o alem\u00e3, em Agosto de 1971, mas em nome dos Kraftwerk.<br \/>\n\tPor\u00e9m, com o investimento a 100 por cento \u2013 ap\u00f3s um par de \u00e1lbuns \u201cindustriais\u201d \u2013 dos Kraftwerk na eletr\u00f3nica, Klaus e o seu irm\u00e3o Thomas Dinger juntaram-se para fazer uma m\u00fasica marcadamente r\u00edtmica que juntava o \u201cgroove\u201d maquinal da motorika com um romantismo wagneriano e elementos \u201cnoise\u201d e da m\u00fasica concreta.<br \/>\n\tA edi\u00e7\u00e3o de \u201cNeu!\u201d, em 1972, explodiu como uma granada punk na kosmischemuzik. Mas se o tempo n\u00e3o era ainda o da nega\u00e7\u00e3o completa da m\u00fasica, os Neu! foram os primeiros a mostrar que krautrock podia ser algo mais que um infinito e lis\u00e9rgico passeio pelo cosmos. Apresenta-se a seguir alguns dos termos do l\u00e9xico Neu!<\/p>\n<p>\tMotorika. A paprika do groove. Surgiu como uma bomba, ou um motor de explos\u00e3o, no seio do krautrock de tend\u00eancia c\u00f3smica. Batida metron\u00f3mica, inflex\u00edvel, marcial, preferencialmente entregue a um baterista, embora a \u201cajuda\u201d da eletr\u00f3nica (em todo o caso a utiliza\u00e7\u00e3o de uma caixa-de-ritmos seria uma vergonha!) seja, n\u00e3o desej\u00e1vel, mas aceit\u00e1vel. Um atraso de meio tempo e o motor entra em \u201cpanne\u201d. Tarefa sobre-humana. Para se ser um bom baterista de motorika \u00e9 preciso ter alma e, sobretudo, bra\u00e7os de cyborg. Boas tripas e um curso de matem\u00e1tica. Os melhores s\u00e3o Klaus Dinger e Jaki Liebezeit, dos Can. A motorika pode ser saboreada, al\u00e9m dos tr\u00eas cl\u00e1ssicos dos Neu!, nos La D\u00fcsseldorf (\u201cLa D\u00fcsseldorf\u201d, \u201cViva!\u201d e \u201cIndividuellos\u201d), nos Harmonia (\u201cMuzik Von Harmonia\u201d e \u201cDeLuxe\u201d), duas bandas com a participa\u00e7\u00e3o de Klaus Dinger, e em Michael Rother, companheiro de Dinger nos Neu! (\u201cFlammende Herzen\u201d, \u201cSterntaler\u201d), com a participa\u00e7\u00e3o de Jaki Liebezeit. Os Can eram demasiado \u00e9tnicos e humanistas para poderem aderir \u00e0 motorika. Nos anos 90, a motorika trabalha, sem falhas, na funda\u00e7\u00e3o dos La! Neu?. Por exemplo, em \u201cYear of the Tiger\u201d, 40 minutos de muscula\u00e7\u00e3o r\u00edtmica, de moer a paci\u00eancia e hipnotizar os neur\u00f3nios.<\/p>\n<p>\tD\u00fcsseldorf. Situada na zona industrial do vale do Reno, D\u00fcsseldorf foi o ber\u00e7o do ramo mais convulsivo e\u2026 industrial, do krautrock. Al\u00e9m dos Neu! e, claro, dos La D\u00fcsseldorf, os Kraftwerk, Ibliss, Annexus Quam, Der Plan, Rheingold e D.A.F. s\u00e3o outra das bandas dos anos 70 e 80 oriundas desta cidade marcada por uma intensa atividade noturna e pela influ\u00eancia da ind\u00fastria da moda. Os Kreidler, os Tarwater e os To Rococo Rot s\u00e3o alguns dos herdeiros desta cultura da m\u00e1quina forrada a pele humana.<\/p>\n<p>\tJulian Cope. O ex-l\u00edder dos The Teardrop Explodes e o mais medi\u00e1tico admirador do krautrock dedica um cap\u00edtulo inteiro (10 p\u00e1ginas) do seu livro \u201cKrautrocksampler \u2013 One Head\u2019s Guide to the Great Kosmische Musik, 1968 onwards\u201d, aos Neu!, sem contar com a an\u00e1lise cr\u00edtica aos tr\u00eas \u00e1lbuns cl\u00e1ssicos do grupo. Sobre o seu primeiro embate com a m\u00fasica dos irm\u00e3os Dinger escreve: \u201cNunca tinha ouvido nada de t\u00e3o diferente, antes, nem voltei a ouvir, depois\u201d. De \u201cNeu!\u201d, diz que \u201cfoi a impress\u00e3o digital de uma nova esp\u00e9cie de rock \u2018n\u2019 rol, sem passado nem futuro imediato\u201d.<\/p>\n<p>\tDisc\u00edpulos. Com \u201cNeu!\u201d, \u00e1lbum de estreia de 1972, os Neu! anteciparam o punk em quatro anos. A batida furiosa, a atitude e est\u00e9tica minimalistas abriram o livro na p\u00e1gina do \u201cUr-punk\u201d (o termo pertence a Julian Cope) sem o qual os Sex Pistols jamais teriam podido arrancar as suas folhas. \u201cNever Mind the Bollocks \u2013 Here\u2019s the Sex Pistols\u201d \u00e9 motorika com um ataque de epilepsia, o caos em vez da disciplina. Os Public Image afinaram o motor. David Bowie nunca escondeu o fasc\u00ednio e a influ\u00eancia determinante dos Neu! (sobretudo o \u00e1lbum \u201cNeu!\u201975\u201d) na composi\u00e7\u00e3o da sua trilogia de Berlim (\u201cLow\u201d, \u201cHeroes\u201d, \u201cLodger\u201d). Nos anos 80 os DAF vestiram a farda er\u00f3tico-fascizante derivada do lado mais marcial dos Neu!. O p\u00f3s-rock voltou a ligar a chave de igni\u00e7\u00e3o. Representantes diretos dos Neu!, os Stereolab mimam-lhes o groove-motorika e os t\u00edtulos das can\u00e7\u00f5es. Menos \u00f3bvias, mas n\u00e3o menos fortes, at\u00e9 pela mesma proveni\u00eancia geogr\u00e1fica (Col\u00f3nia fica mesmo ao lado), s\u00e3o as cita\u00e7\u00f5es dos To Rococo Rot, Kreidler, Tarwater e Bernd Friedmann. Nos EUA, os Trans AM e os Tortoise pescaram \u00e0 linha na lagoa de \u00f3leo dos Neu!. Mesmo o universo liofilizado dos \u201cclicks &#038; cuts\u201d fez downloads de programas de motorika computorizada (oh, heresia!), atrav\u00e9s de um projeto como Scratch Pet Land.<\/p>\n<p>\tLa! Neu? Nos anos 90 os Neu! ressuscitaram. N\u00e3o tanto atrav\u00e9s da edi\u00e7\u00e3o de um in\u00fatil \u201cNeu!4\u201d, que recupera algum do lixo deitado fora nas sess\u00f5es de est\u00fadio dos anos 70, mas da cria\u00e7\u00e3o dos La! Neu? Com os La! Neu? Klaus Dinger a energia que se apagara nos anos 80, jogando na ambiguidade e na ironia de um novo coletivo que juntava os dois projetos principais a que esteve ligado, os Neu e os La D\u00fcsseldorf, colando as respetivas siglas mas trocando o ponto de exclama\u00e7\u00e3o original dos Neu! por outro de interroga\u00e7\u00e3o. Troca leg\u00edtima na medida em que os La! Neu?, mais do que um grupo est\u00e1vel, s\u00e3o uma esp\u00e9cie de funda\u00e7\u00e3o Dinger, na qual t\u00eam sido editados \u00e1lbuns da mulher, dos filhos, dos sobrinhos, dos amigos e dos c\u00e3es, sempre sob a sua supervis\u00e3o. Entre exerc\u00edcios de estilo e trabalhos de dispens\u00e1vel auto-indulg\u00eancia, vale a pena investigar os CDs de Rembrandt Lensink (\u201cZeeland\u201d) e dos Die With Dignity (\u201cKraut?\u201d). Dos La! Neu?, grupo, aconselham-se o primeiro, \u201cD\u00fcsseldorf\u201d, e \u201cYear of the Tiger\u201d.<\/p>\n<p><strong>Novos, sempre<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel resistir \u00e0 batida de \u201cHallogallo\u201d, tema-\u00edcone que abre \u201cNeu!\u201d, o \u00e1lbum que despejou alcatr\u00e3o e penas para cima do krautrock. A \u201cmotorika\u201d em toda a sua gl\u00f3ria, uma outra viatura, paralela \u00e0 dos Kraftwerk, para acelerar numa auto-estrada de D\u00fcsseldorf ou de Lisboa, ou para acompanhar como banda-sonora um ritual sado-maso. Klaus Dinger e Michael Rother detinham a f\u00f3rmula secreta do groove minimal, mas tamb\u00e9m a dose certa de paisagismo noisy, urbano-ambiental, que tamb\u00e9m se revolvia nas entranhas dos primeiros Cluster e Kraftwerk. A m\u00fasica concreta gargareja sobre uma drone de metal em \u201cIm gluck\u201d, raga industrial em contraponto aos mantras fara\u00f3nicos dos Popol Vuh e \u201cNegativland\u201d \u00e9 o perfeito pref\u00e1cio, em broca-pneum\u00e1tica, ao destroyer Einsturzende Neubauten. A \u201cKosmichemuzik\u201d vergava aos golpes dos Neu!, paradoxalmente apresentados na edi\u00e7\u00e3o inglesa do disco por Dave Brock, dos Hawkwind, a mais c\u00f3smica das bandas c\u00f3smicas.<br \/>\n\t\u201cNeu!2\u201d repete o logotipo e o lettering, agora com um enorme \u201c2\u201d pintado em spray fluorescente. \u201cFur immer\u201d (t\u00edtulo retomado pelos D.A.F.) dispara de novo em \u201cmotorika\u201d, levada ao extremo da f\u00faria em \u201cSpitzenqalitat\u201d, gigantesca tareia de rock eletr\u00f3nico mesclada de onirismo onde se descortinam tra\u00e7os dos White Noise. Quanto a \u201cLila Engel\u201d, serviu de ensinamento a Johnny Rotten. Mas \u00e9 o segundo lado de \u201cNeu!2\u201d que a hist\u00f3ria aponta como exemplo de ousadia, provoca\u00e7\u00e3o e criatividade. Com apenas metade do \u00e1lbum gravado, o budget extinguira-se entretanto. Klaus Dinger n\u00e3o hesitou, preenchendo todo o segundo lado com varia\u00e7\u00f5es de temas antigos, entre os quais o single \u201cSuper\u201d, rodado a 16 ou a 78 rota\u00e7\u00f5es. \u201cHallo excentrico\u201d \u00e9 \u201cFur immer\u201d cuja fita foi travada no gravador pelas m\u00e3os de Michael Rother e do engenheiro de som Conny Plank. Genial e hilariante.<br \/>\n\tAp\u00f3s um interregno de dois anos e o projeto Harmonia pelo meio, os Neu! voltaram a reunir-se para gravar \u201cNeu!\u201975\u201d, o mais aclamado dos seus \u00e1lbuns e aquele que, em definitivo, os projetou como percursores da new wave. Mais calmo e cl\u00e1ssico que os seus antecessores, \u201cNeu!\u201975\u201d deixa perceber facilmente, em temas como \u201cIsi\u201d e \u201cSee land\u201d, a influ\u00eancia disseminada pelos Harmonia, no balan\u00e7o entre o calor dos sintetizadores, o cristal da guitarra de Rother e a batida, menos furiosa e mais ondulante, de Thomas Dinger, que tomara ao seu irm\u00e3o o lugar de baterista. \u201cLeb wohl\u201d, vis\u00e3o de piano e mar, guarda as sementes de Joachim Roedelius e prenuncia o impacte que a m\u00fasica dos Neu! teria sobre Brian Eno. \u201cHero\u201d e \u201cAfter eight\u201d s\u00e3o novas li\u00e7\u00f5es de punk eletr\u00f3nico aos Sex Pistols. Entre elas, \u201cE-musik\u201d, ergue-se como o mais formid\u00e1vel reator de motorika psicad\u00e9lica que o krautrock alguma vez conheceu, suficiente para colocar \u201cNeu!\u201975\u201d na galeria das obras-primas.<\/p>\n<p>Nota: Tr\u00eas corre\u00e7\u00f5es relativas ao texto sobre os Neu! na p\u00e1g. 8: Afinal as reedi\u00e7\u00f5es s\u00e3o mesmo remasterizadas (diz nos pr\u00f3prios discos, em letras muito pequeninas\u2026). A editora \u00e9 a Gr\u00f6nland, subsidi\u00e1ria da EMI. E \u201cNeu!4\u201d n\u00e3o \u00e9 lixo dos anos 70 mas dos anos 80\u2026<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GT0f1Tw3YXM\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Y 8|JUNHO|2001 m\u00fasica|reedi\u00e7\u00e3o \u00c9 reeditada a trilogia cl\u00e1ssica dos Neu!, de Dusseldorf. 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