{"id":6499,"date":"2017-12-27T10:31:51","date_gmt":"2017-12-27T17:31:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6499"},"modified":"2017-12-27T10:31:51","modified_gmt":"2017-12-27T17:31:51","slug":"pink-floyd-the-wall-em-cd-e-dvd-o-muro-reconstruido-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2017\/12\/27\/pink-floyd-the-wall-em-cd-e-dvd-o-muro-reconstruido-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Pink Floyd &#8211; &#8220;The Wall&#8221; em CD e DVD &#8211; O Muro Reconstru\u00eddo (artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>31 de Mar\u00e7o 2000<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>\u201cThe Wall\u201d em CD e DVD<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>O muro reconstru\u00eddo<br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6501\" rel=\"attachment wp-att-6501\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pf.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"198\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6501\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pf.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/pf-100x66.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Por mais que as duas Alemanhas se unifiquem, por mais que a guerra fria tenha acabado, por mais que os alunos batam nos professores, o muro dos Pink Floyd n\u00e3o vai abaixo. Foi constru\u00eddo pela primeira vez em 1979 por Roger Waters, que, em mat\u00e9ria de paran\u00f3ia, n\u00e3o fica atr\u00e1s de Syd Barrett, com a diferen\u00e7a de ter jeito para pedreiro. Vinte anos depois o muro continua s\u00f3lido, como o provam a edi\u00e7\u00e3o do espect\u00e1culo ao vivo de \u201cThe Wall\u201d e o lan\u00e7amento do filme de Alan Parker em DVD.<\/strong><\/p>\n<p>\tFoi a resposta dos Pink Floyd ao punk. A vingan\u00e7a do novo-riquismo contra a pen\u00faria de meios, a vit\u00f3ria do artif\u00edcio sobre a realidade nua e crua. \u201cThe Wall\u201d, dos Pink Floyd, \u00e9 um monstro na verdadeira acep\u00e7\u00e3o do termo, uma ideia megal\u00f3mana de um m\u00fasico dilacerado posta em pr\u00e1tica por um grupo que nasceu das alucina\u00e7\u00f5es do psicadelismo e acabou a mamar nas tetas da ind\u00fastria.<br \/>\n\tApesar de tudo isto, do exagero, dos gritos e da despesa em tijolos, \u201cThe Wall\u201d, o \u00e1lbum original de est\u00fadio, de 1979, dos Pink Floyd \u00e9 uma das obras-chave do final dessa d\u00e9cada. O testemunho individual de um m\u00fasico cercado pelos seus fantasmas em pleno dom\u00ednio do grupo, um pouco como \u201cThe Lamb Lies down on Brodway\u201d representou em rela\u00e7\u00e3o a Peter Gabriel e aos Genesis.<br \/>\n\tMas n\u00e3o era suficiente. N\u00e3o foi suficiente. Em breve esta fantasia sobre a pris\u00e3o que quase todos vamos construindo para n\u00f3s pr\u00f3prios ao longo da vida se transformou em espect\u00e1culo de circo. Em arenas pejadas de multid\u00f5es hist\u00e9ricas, \u00e1vidas de verem porcos insuflados voar sobre as suas cabe\u00e7as e de assistirem ao desmoronamento real de um muro verdadeiro constru\u00eddo laboriosamente ao longo de mais de duas horas de um espect\u00e1culo que obedecia mais \u00e1s regras da \u00f3pera do que do concerto pop convencional.<\/p>\n<p><strong>M\u00e3e querida<\/strong><\/p>\n<p>\tA presente reedi\u00e7\u00e3o de \u201cThe Wall\u201d, reintitulado \u201cIs there anybody out there? The Wall live\u201d, com distribui\u00e7ao EMI-VC, reproduz alguns dos concertos inclu\u00eddos na digress\u00e3o mundial realizada entre 1980 e 1981 constituindo nova oportunidade para a miudagem de todo o mundo gritar \u201cEi, professores, deixem os putos em paz!\u201d e os adultos exorcizarem alguns dos seus traumas, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00e3es gordas que os estrangulavam com muitos beijinhos, chocolates e avisos sobre a amea\u00e7a que constitui a exist\u00eancia de todas as outras mulheres para os seus queridos filhinhos. No filme de Parker eram exemplarmente representadas pelo trabalho de anima\u00e7\u00e3o de Gerald Scarfe com flores-vaginas canibais.<br \/>\n\tRoger Waters passou por uma s\u00e9rie desses traumas. \u201cThe Wall\u201d \u00e9, pois, o seu testemunho autobiogr\u00e1fico. \u00c9 a hist\u00f3ria da ascend\u00eancia e queda, da aliena\u00e7\u00e3o e, finalmente, do julgamento da personagem Pink (alter ego de Waters), uma estrela de rock afundada nos seus pr\u00f3prios medos e contradi\u00e7\u00f5es. Uma obra amarga, sobre a impot\u00eancia e o jugo exercido pelo poder sobre o indiv\u00edduo, desde o ber\u00e7o at\u00e9 \u00e0 morte, passando pela fam\u00edlia e pela escola. A m\u00e3e (a figura do pai est\u00e1 ausente da trama, o de Roger Waters foi morto durante a II Grande Guerra), os professores, as namoradas, os ju\u00edzes s\u00e3o todos personagens sinistras cuja \u00fanica finalidade \u00e9 acusar-nos pelo simples facto de estarmos vivos. Perante este ataque concertado restam aos indiv\u00edduos duas hip\u00f3teses: ou se rende e se deixa esmagar pela engrenagem, ou junta-se aos esquadr\u00f5es da morte, passando ele pr\u00f3prio de v\u00edtima a carrasco. \u00c9 esta a op\u00e7\u00e3o do her\u00f3i do filme. Mas, seja qual for a escolha, o resultado \u00e9 o mesmo: a solid\u00e3o, a pris\u00e3o, o muro, cada vez mais alto e s\u00f3lido, a abra\u00e7ar-nos com os seus bra\u00e7os de cimento, como a tal m\u00e3e gorda que dava beijinhos e chocolates. Resta a fuga e esta \u00e9 a loucura. \u201cCrazy, crazy, over the rainbow, I am crazy\u201d canta Roger Waters na faixa do julgamento, \u201cThe trial\u201d, uma das mais belas e pungentes de \u201cThe Wall\u201d. Syd Barrett j\u00e1 o tinha percebido antes, assinando a sua rendi\u00e7\u00e3o logo no in\u00edcio de carreira dos Pink Floyd. Roger Waters teve a vantagem de poder levantar voo no helic\u00f3ptero da raz\u00e3o e sobrevoar a sua pr\u00f3pria paran\u00f3ia, assistindo de cima ao espect\u00e1culo da dem\u00eancia. Reconhe\u00e7a-se-lhe a for\u00e7a e o engenho para, pelo menos durante duas horas de catarse, domar a fera, aprisionando-a na redoma do \u201cshow business\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cShow\u201d de insufl\u00e1veis<\/strong><\/p>\n<p>\tTamb\u00e9m \u00e9 verdade que a partir da\u00ed ele e os Pink Floyd se transformaram em sombras, em ecos, em fragmentos estilha\u00e7ados desse momento irrepet\u00edvel em que, como aconteceu frequentemente ao longo da Hist\u00f3ria, a loucura se converteu em arte. Hoje, os Floyd j\u00e1 nem sequer se importar\u00e3o em verificar se est\u00e3o dentro ou fora do muro. Mant\u00eam-se como inv\u00f3lucros vazios (na capa de \u201cIs there anybody out there? \u2013 The Wall live\u201d os rostos dos quarto m\u00fasicos s\u00e3o mostrados como m\u00e1scaras\u2026), reciclando velhos fantasmas em cerim\u00f3nias de luxo. O muro est\u00e1, pois, mas s\u00f3lido do que nunca.<br \/>\n\t\u201cIs there anybody out there\u201d \u00e9, em conformidade, um objecto apelativo, envolto em imagens e mem\u00f3rias. Al\u00e9m dos dois CD, arrumados em caixa, esta primeira reedi\u00e7\u00e3o (limitada) inclui um livro profusamente ilustrado, com dados detalhados sobre o espect\u00e1culo, inclusive v\u00e1rias plantas dos recintos e, claro, imensas fotos da bonecada (reproduzida a partir das imagens animadas de Gerald Scarfe criadas para o filme de Alan Parker), insufl\u00e1veis e marionetas: a m\u00e3e, o professor, o juiz, o porco\u2026<br \/>\n\tEm simult\u00e2neo com a edi\u00e7\u00e3o do CD duplo, \u201cThe Wall\u201d ressurge igualmente na forma de uma vers\u00e3o em DVD, editada pela Sony M\u00fasica, do filme realizado em 1982 por Alan Parker. Ao contr\u00e1rio do \u00e1lbum de est\u00fadio, mais metaf\u00edsico, o filme segue as pisadas da estrela de rock protagonizada por Bob Geldof, ficando o lado on\u00edrico representado sobretudo pelo espectacular trabalho de anima\u00e7\u00e3o de Gerald Scarfe. O DVD, com som remasterizado e imagem melhorada para alta defini\u00e7\u00e3o, inclui material de filmagens in\u00e9dito, um \u201cmaking of\u201d de 25 minutos e um document\u00e1rio de 45 minutos com entrevistas a Roger Waters, Gerald Scarfe e Alan Parker, entre outros. Menus interactivos e a possibilidade de seleccionar cenas e can\u00e7\u00f5es constituem atractivos adicionais do presente formato de \u201cThe Wall\u201d, uma das obras mais amadas e odiadas do rock.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IoPpw7DNzCY\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>31 de Mar\u00e7o 2000 \u201cThe Wall\u201d em CD e DVD O muro reconstru\u00eddo Por mais que as duas Alemanhas se unifiquem, por mais que a guerra fria tenha acabado, por mais que os alunos batam nos professores, o muro dos Pink Floyd n\u00e3o vai abaixo. 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