{"id":6396,"date":"2017-11-13T14:26:58","date_gmt":"2017-11-13T21:26:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6396"},"modified":"2017-11-13T14:30:19","modified_gmt":"2017-11-13T21:30:19","slug":"sergio-godinho-sergio-godinho-observa-as-cancoes-do-seu-novo-album-a-lupa-atraves-da-lente-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2017\/11\/13\/sergio-godinho-sergio-godinho-observa-as-cancoes-do-seu-novo-album-a-lupa-atraves-da-lente-entrevista\/","title":{"rendered":"S\u00e9rgio Godinho &#8211; S\u00e9rgio Godinho Observa As Can\u00e7\u00f5es Do Seu Novo \u00c1lbum \u00c0 Lupa &#8211;  &#8220;Atrav\u00e9s Da Lente&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<p>Sons<br \/>\n20 Outubro 2000<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>S\u00e9rgio Godinho observa as can\u00e7\u00f5es do seu novo \u00e1lbum \u00e0 lupa<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Atrav\u00e9s da lente<br \/>\n<\/center><br \/>\n\t\u201cLupa\u201d \u00e9 S\u00e9rgio Godinho \u201cvintage\u201d. Excelentes can\u00e7\u00f5es vestidas de forma superlativa por Nuno Rafael, dos Despe &#038; Siga, e H\u00e9lder Gon\u00e7alves, dos Cl\u00e3. Depois de \u201cDomingo no Mundo\u201d o autor de \u201cPano Cru\u201d regressa em for\u00e7a, numa demonstra\u00e7\u00e3o de que o seu veio criativo est\u00e1 longe de se esgotar. Se ele descobriu ou n\u00e3o o elixir da eterna juventude, \u00b4\u00b4e irrelevante. Os efeitos s\u00e3o vis\u00edveis nas novas hist\u00f3rias que conta. Observadas pelo pr\u00f3prio \u00e0 lupa.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6398\" rel=\"attachment wp-att-6398\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/sg.jpg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1365\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6398\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/sg.jpg 2048w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/sg-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/sg-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/sg-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/sg-624x416.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/sg-100x67.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\tB\u00edblias de um deus ateu \u2013 \u201c(\u00c9 que) em mat\u00e9ria de amor\/Estamos sempre adolescendo\u201d<\/p>\n<p>\tA ideia de utilizar discos antigos de vinilo riscados foi do Nuno Rafael. H\u00e1 uma mem\u00f3ria. Parece que as coisas v\u00eam de outro passado. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o forte que explana um bocado o que s\u00e3o os meus temas, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida e ao amor. Fala de renova\u00e7\u00e3o. Achei piada explicar o significado das palavras \u201candroceu\u201d e \u201cgineceu\u201d. Nota-se na juventude um fen\u00f3meno de simplifica\u00e7\u00e3o, sobretudo ao n\u00edvel da leitura. A imagem, a televis\u00e3o, tirou-lhe espa\u00e7o. Por outro lado, fico surpreso com o grau de liberdade destas gera\u00e7\u00f5es mais novas. Liberdade criativa, de diversidade e de interesse por outras culturas, depois de se ter passado primeiro por uma esp\u00e9cie de \u201cvale tudo\u201d. Mas esta can\u00e7\u00e3o, embora fale dos festivais de Ver\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre a juventude. Seja qual for a idade que tenhamos, como eu digo na letra, em mat\u00e9ria de amor, estamos sempre adolescendo.<\/p>\n<p>\tBenvindo Sr. Presidente \u2013 \u201cSoubera eu que o senhor vinha\/E com certeza n\u00e3o me tinha\/Apanhado na cozinha\u201d<\/p>\n<p>\tCan\u00e7\u00e3o sat\u00edrica. Uma cr\u00edtica ao poder e \u00e0 mediatiza\u00e7\u00e3o do poder. Sem os \u201cmedia\u201d, o poder e os pol\u00edticos n\u00e3o s\u00e3o nada. E n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as idas aos mercados do Paulo Portas [risos]. S\u00e3o todos. A can\u00e7\u00e3o fala, por um lado, do tipo que \u00e9 obrigado \u2013 os portugueses s\u00e3o bem educados\u2026 &#8211; a receber bem o pol\u00edtico, embora a mulher tenha ido embora e esteja desempregado, e, por outro lado, do papel que s\u00e3o obrigados a fazer os pol\u00edticos, quase sempre artificial. Quem quiser que enfie a carapu\u00e7a!<br \/>\n\tEm termos musicais, tem os sons do cortejo que se vai afastando, com o ladrar dos c\u00e3es, uma esp\u00e9cie de remate cacof\u00f3nico.<\/p>\n<p>\tDancemos no mundo \u2013 \u201cSeparam-nos crimes\/Separam-nos cores\/A noite \u00e9 de horrores\u201d<\/p>\n<p>\tMistura g\u00e9neros, com um refr\u00e3o um bocadinho \u201cretro\u201d, id\u00edlico, embora seja uma can\u00e7\u00e3o mais pesada do que parece. Fala das separa\u00e7\u00f5es dos amantes. A primeira imagem veio de uma reportagem que li sobre um casal formado por um palestiniano e uma israelita. Tamb\u00e9m podia ser um branco e uma negra. O t\u00edtulo esteve para ser \u201cFronteiras\u201d. Uma utopia sobre o sonho de podermos estar juntos. Os corpos existem, simplesmente h\u00e1 a intoler\u00e2ncia religiosa, os \u201cfatwas\u201d, os credos, as cores, os crimes que separam\u2026<\/p>\n<p>\tMa\u00e7\u00e3 com bicho (acho eu da praxe) \u2013 \u201cMas h\u00e1 quem ache\/Gra\u00e7a \u00e0 praxe\/\u00c9 divertida (hi-hon)\/Li\u00e7\u00e3o de vida (\u00e3o-\u00e3o)\u201d<\/p>\n<p>\t\u00c9 uma cr\u00edtica, e na primeira pessoa! Gosto dos estudantes, j\u00e1 fui v\u00e1rias vezes convidado para a queima-das-fitas, mas rituais celebrat\u00f3rios como as praxes, em que a humilha\u00e7\u00e3o funciona como processo inici\u00e1tico, chateiam-me! \u00c9 o riso considerado como valor absoluto, quando o valor absoluto n\u00e3o \u00e9 o riso, mas o humor. Eu aqui at\u00e9 uso um bocado as mesmas armas, zurro e ladro\u2026<\/p>\n<p>\tNa pris\u00e3o \u2013 \u201cPorque h\u00e1 horas t\u00e3o velozes\/E semanas infinitas?\u201d<\/p>\n<p>\tJ\u00e1 cantei na penitenci\u00e1ria. Mas gostaria de poder um dia cantar esta can\u00e7\u00e3o numa pris\u00e3o. \u00c9 uma coisa que me toca muito, sei como s\u00e3o as pris\u00f5es por dentro\u2026 \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que se sente irm\u00e3o dos que est\u00e3o presos. Uma s\u00e9rie de vinhetas sobre o que \u00e9 estar preso \u2013 para al\u00e9m de tudo o que eu possa denunciar, sobre as condi\u00e7\u00f5es horr\u00edveis das pris\u00f5es portuguesas. Ainda por cima para pessoas que n\u00e3o deviam ir l\u00e1 parar, presas por raz\u00f5es rid\u00edculas, como o consumo de drogas. A justi\u00e7a portuguesa \u00e9 dos setores em que estamos longe de viver uma situa\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria. \u00c9 um monstro, uma hidra que n\u00e3o p\u00e1ra de crescer. Corta-se de um lado e cresce do outro. \u00c9 assustador. Os encobrimentos, os favorecimentos, a lentid\u00e3o\u2026 Para mudar \u00e9 necess\u00e1ria a coragem que falta numa situa\u00e7\u00e3o de corporativismo.<\/p>\n<p>\tEstou com os azuis \u2013 \u201cI\u2019ve got the blues\/Estou com os azuis\/Salv\u00e9! T\u00ea\/Salv\u00e9! Rei dos Ruis\u201d<\/p>\n<p>\tUma homenagem a uma parceria. Nem sabia que havia este tributo ao \u201cAr de Rock\u201d quando fiz isto. \u00c9 um \u201cgag\u201d. Uma can\u00e7\u00e3o despreocupada em forma de blues. Gosto de parcerias, de vozes que se confundem. Eu, al\u00e9m de j\u00e1 ter trabalhado com o Milton [Nascimento], por exemplo, fa\u00e7o parcerias comigo mesmo\u2026 No sentido em que procuro encontrar a minha outra voz\u2026<\/p>\n<p>\tBom prazer \u2013 \u201cAmanh\u00e3, bom prazer eu ponho\/No que fa\u00e7a do que hoje sonho\u201d<\/p>\n<p>\tUma can\u00e7\u00e3o que eu j\u00e1 andava a cantar ao vivo, embora com uma vers\u00e3o muito simples, \u00e0 guitarra. Tamb\u00e9m j\u00e1 tinha sido gravada para a Filipa Pais. Esta nova vers\u00e3o foi trabalhada pelo Nuno Rafael e ganhou uma nova vida. Os ambientes mudaram\u2026<\/p>\n<p>\tVisita guiada \u2013 \u201cCada qual sabe de cor\/(Ningu\u00e9m tem nada com isso!)\/Em que ponto de que dor\/Se arrisca a cauda na estrada\u201d<\/p>\n<p>\tCan\u00e7\u00e3o sobre o amor, sobre as circunst\u00e2ncias do amor. O amor e as suas \u201catrocidades\u201d, \u201cfelicidades\u201d e \u201csacaneidades\u201d. Mostra as maneiras como as pessoas se amam\u2026<\/p>\n<p>\t\u00c9 nosso, o S. Jo\u00e3o \u2013 \u201cMas se houver um dia\/Em que a gente\/Negue tudo intimamente\/E se preste \u00e0 mais perdida confus\u00e3o\u201d<\/p>\n<p>\tNem sequer sou do FC do Porto; sou do Sporting, embora tenha uma costela salgueirista. N\u00e3o tenho uma imagem muito conotada com o Porto, apesar de ter escrito o \u201cPorto aqui t\u00e3o perto\u201d. E peguei no \u201cCarteiro\u201d, do Ant\u00f3nio Mafra, que era l\u00e1 do Norte. A melodia \u00e9 uma marcha franca que depois o H\u00e9lder transformou em algo mais. J\u00e1 n\u00e3o vou ao S. Jo\u00e3o h\u00e1 anos, mas gosto da maneira de estar das pessoas do Porto. A can\u00e7\u00e3o celebra a comunh\u00e3o entre elas, numa noite especial que n\u00e3o devia ser de exce\u00e7\u00e3o mas algo para viver sempre. Ainda o desejo de utopia.<\/p>\n<p>\tA \u00faltima sess\u00e3o \u2013 \u201cVimos todos o filme de rajada\/Sempre de olhos postos no desfecho\/Do happy-end, eu nem sequer me queixo\/S\u00f3 que a vida \u00e9 mais emaranhada\u201d<\/p>\n<p>\tTeve um primeiro arranjo, mas depois cheg\u00e1mos \u00e0 conclus\u00e3o de que estava demasiado espesso, que a can\u00e7\u00e3o perdia simplicidade. Tem uma frase que \u00e9 um bocado o resumo de tudo, a \u201ccaixa negra dos amores\u201d que esteve mesmo para ser o t\u00edtulo da can\u00e7\u00e3o. S\u00e3o duas personagens que est\u00e3o a ver um filme onde n\u00e3o vai haver desgra\u00e7as e de repente a realidade come\u00e7a a interferir. N\u00e3o \u00e9 um final pessimista. \u00c9 apenas a vida que \u00e9 mais emaranhada\u2026<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wfdZI38RnXY\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sons 20 Outubro 2000 S\u00e9rgio Godinho observa as can\u00e7\u00f5es do seu novo \u00e1lbum \u00e0 lupa Atrav\u00e9s da lente \u201cLupa\u201d \u00e9 S\u00e9rgio Godinho \u201cvintage\u201d. Excelentes can\u00e7\u00f5es vestidas de forma superlativa por Nuno Rafael, dos Despe &#038; Siga, e H\u00e9lder Gon\u00e7alves, dos Cl\u00e3. 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