{"id":6279,"date":"2017-10-10T15:22:37","date_gmt":"2017-10-10T22:22:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6279"},"modified":"2017-10-11T15:18:14","modified_gmt":"2017-10-11T22:18:14","slug":"6279","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2017\/10\/10\/6279\/","title":{"rendered":"N\u00e9 Ladeiras, Anamar e Pilar &#8211; &#8220;As Asas Do Deserto&#8221; (concerto)"},"content":{"rendered":"<p>Y 24|Novembro|2000<br \/>\nm\u00fasica|sm58<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>as asas do deserto<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6280\" rel=\"attachment wp-att-6280\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/nl.jpg\" alt=\"nl\" width=\"460\" height=\"460\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6280\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/nl.jpg 460w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/nl-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/nl-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/nl-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><strong>N\u00e9 Ladeiras, Anamar e Pilar. A primeira a loba, a segunda Atena e a outra a princesa. Personagens imagin\u00e1rias que elas ir\u00e3o mostrar, hoje e 2\u00aa feira, \u00e0s 21h30, num voo a sobrevoar o Teatro Maria Matos, em Lisboa. O espet\u00e1culo chama-se \u201cSM58\u201d &#8211; um velho microfone amplificador de emo\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSM58\u201d \u00e9 um modelo de microfone antigo, daqueles maci\u00e7os em metal luzidio, design futurista, a fazer lembrar um sat\u00e9lite artificial, que mais do que apanharem as \u201cnuances\u201d da voz captavam as subtilezas do sentimento. N\u00e9 Ladeiras, Anamar e Pilar de Homem de Melo possuem subtilezas e mist\u00e9rio de sobra e o gosto pelo voo, seja encavalitadas num velho Sputnik ou nas asas de uma viagem astral. Foi nisso que Tiago Torres da Silva deve ter pensado ao decidir organizar um espet\u00e1culo tamb\u00e9m chamado \u201cSM58\u201d que pela primeira vez reunir\u00e1 no mesmo palco estas tr\u00eas cantoras.<br \/>\n\tO espet\u00e1culo, a realizar hoje e na segunda-feira no Teatro Maria Matos, em Lisboa, apresentar\u00e1 uma s\u00e9rie de temas originais compostos pelas tr\u00eas e do lote de can\u00e7\u00f5es cantadas em diversas l\u00ednguas, incluindo \u00e1rabe, israelita, dialetos africanos e timorense, consta uma surpresa que elas nos pediram para n\u00e3o divulgar \u2013 pelo que n\u00e3o seremos n\u00f3s a revelar que N\u00e9, Pilar e Anamar ir\u00e3o cantar logo \u00e0 noite um tema dos Dead Can Dance.<br \/>\n\t\u201cSM58\u201d ter\u00e1 ainda a particularidade de ser bastante mais do que um espet\u00e1culo convencional, estilo Os Tr\u00eas Tenores em vers\u00e3o feminina, socorrendo-se para tal de uma encena\u00e7\u00e3o que \u201cobrigar\u00e1\u201d as tr\u00eas cantoras a afivelarem a m\u00e1scara de diversas personagens. V\u00e3o cantar uma de cada vez, em duo e em trio mas seja qual for a combina\u00e7\u00e3o, as tr\u00eas estar\u00e3o sempre presentes no palco. As luzes, os figurinos, as vozes e personalidades \u00fanicas e um acompanhamento instrumental discreto de percuss\u00f5es e guitarras, far\u00e3o o resto.<br \/>\n\tO P\u00daBLICO convidou-as para uma conversa mais ou menos alucinada e para uma sess\u00e3o de fotografia sobre a qual muito haveria para contar e mostrar n\u00e3o fora o facto de apenas serem precisas quatro imagens e de queremos poupar aos nossos leitores a vis\u00e3o despudorada do esc\u00e2ndalo. Sem mal\u00edcia.<br \/>\n\tN\u00e9, Anamar e Pilar s\u00e3o personalidades controversas e nem sempre a ind\u00fastria soube aproveitar essa diferen\u00e7a que a m\u00fasica de qualquer delas acentua. Os discos que para j\u00e1 nos deixaram s\u00e3o elucidativos. Pilar, a mais recatada, gravou h\u00e1 uns bons anos um \u201cPecado Original\u201d, na boa tradi\u00e7\u00e3o das cantautoras de guitarra a tiracolo. Anamar, embrenhada no esoterismo e no labirinto interior de si pr\u00f3pria (do qual encontrou a sa\u00edda h\u00e1 pouco tempo, segundo nos confessou), est\u00e1 agora mais forte do que quando gravou o incompreendido \u201cM\u201d (com produ\u00e7\u00e3o e letras de Tiago Torres da Silva), \u00e1lbum de seres e paisagens long\u00ednquos iluminados pela lua. N\u00e9 tem sido a mais medi\u00e1tica e viajada das tr\u00eas e se a fase correspondente ao excelente e premiado \u201cTraz os Montes\u201d n\u00e3o se consolidou na posterior apropria\u00e7\u00e3o de temas de Fausto em \u201cTodo este C\u00e9u\u201d, o tempo agora \u00e9 de expetativa, at\u00e9 se ficar a conhecer o que resultou do seu trabalho com os Transglobal Underground, j\u00e1 que das horas passadas em est\u00fadio com Hector Zazou (e John Cale, Ryuichi Sakamoto, Brendan Perry\u2026) n\u00e3o guarda boas recorda\u00e7\u00f5es, com a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel desse material n\u00e3o chegar a ver alguma vez a luz do dia. Mas tem na manga um disco que gravou no Brasil com Chico C\u00e9sar e outro sobre a escritora Isabelle Eberhardt.<br \/>\n\tN\u00e9 chegou ao P\u00daBLICO zangada (com tudo mas principalmente com o tr\u00e2nsito em Lisboa ao fim da tarde) mas acabou a dan\u00e7ar como a boa loba alada que acha que \u00e9. Tamb\u00e9m pedimos a Anamar e a Pilar que vestissem a pele que melhor lhes serve. Pilar \u00e9 a princesa. Anamar escolheu Atena, deusa grega filha de Zeus. As tr\u00eas afirmam-se adeptas do voo. E voam. Ou, como sintetiza Tiago Torres da Silva: \u201cN\u00e3o \u00e9 por acaso que o primeiro tema que v\u00e3o cantar se chama \u2018Mergulho\u2019. \u00c9 como se entrassem no mar, furassem a terra e explodissem em fogo, sendo que o ar \u00e9 a mat\u00e9ria comunicante entre elas e entre elas e o p\u00fablico\u201d. S\u00f3 falta ligar o microfone SM58.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>\u00c0 MARGEM<\/strong><br \/>\nCultivam a originalidade e a diferen\u00e7a. S\u00e3o tr\u00eas personalidades incompreendidas, mas aproveitadas, porque, dizem, \u201co sistema \u00e9 est\u00fapido\u201d<\/p>\n<p><strong>N\u00c9 LADEIRAS<br \/>\na loba<\/strong><\/p>\n<p>Entrou a matar, a escorrer o \u201cstress\u201d que trazia agarrado \u00e0 pele. Para N\u00e9 Ladeiras, \u201cSM58\u201d \u00e9 uma quest\u00e3o de \u201cenergia\u201d: \u201cSomos tr\u00eas cabe\u00e7as meio loucas e abertas, embora o cora\u00e7\u00e3o seja fundamental\u201d. Quando se juntam, \u201ccriam, criam, criam\u2026\u201d. Com as pilhas Duracell do esp\u00edrito. \u201c\u00c9 uma adi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o uma subtra\u00e7\u00e3o, nenhuma faz sombra \u00e0s outras\u201d, garante: \u201cSomos tr\u00eas palmeiras bonitas num o\u00e1sis\u201d.<br \/>\n\tSobre a sua colabora\u00e7\u00e3o com o compositor e produtor franc\u00eas Hector Zazou, com quem preparava uma antologia de cantares religiosos e pag\u00e3os \u201cdo tri\u00e2ngulo m\u00e1gico de Tr\u00e1s-os-Montes, Beira-Alta e Beira-Baixa\u201d, \u00e9 c\u00e1ustica: \u201cFoi dispensado, com a concord\u00e2ncia da editora. Quis dar de mim a imagem de bruxa. E eu n\u00e3o sou bruxa, quando muito feiticeira. Come\u00e7\u00e1mos a explodir um com o outro. Eu sou firme nas minhas ideias e ele \u00e9 um \u2018g\u00e9nio\u2019, ok, s\u00f3 que come\u00e7ou a entrar na andropausa musical. [com pron\u00fancia brasileira] Eu queria tes\u00e3o e ele n\u00e3o tinha n\u00e3o!\u201d (risos).<br \/>\n\tA etapa seguinte levou-a a Montreux para se encontrar com os Transglobal Underground. \u201cGostaram da maqueta com vozes e adufes e fizeram os arranjos\u201d. Mas em definitivo, nada. O mesmo com os \u201ctr\u00eas meses fabulosos\u201d no Brasil a gravar com Chico C\u00e9sar um disco sobre as mulheres no Renascimento.<br \/>\n\t\u201cHoje, apesar de ser muito espiritual, h\u00e1 dias em que o meu lado de loba vem ao de cima. E hoje n\u00e3o me apetece uivar mas rosnar. \u00c9 claro que existem por c\u00e1 m\u00fasicos que complicam\u2026 \u00c9 claro que h\u00e1 produtores sem sensibilidade\u2026 \u00c9 claro que h\u00e1 ag\u00eancias que s\u00e3o uma grande m\u00e1fia\u2026\u201d<br \/>\n\tComo Anamar, acha que \u201co sistema \u00e9 est\u00fapido\u201d ao n\u00e3o saber explorar a imagem das tr\u00eas. \u201cImaginem a Bj\u00f6rk, uma exc\u00eantrica, neste pa\u00eds\u2026 j\u00e1 andava a varrer ruas\u201d.<br \/>\n\tAl\u00e9m das obras iniciadas prepara um disco sobre Isabelle Eberhardt, a escritora de \u201cEscritos no Deserto\u201d que morreu aos 27 anos e \u201catravessou o deserto para encontrar o mar. Um outro tipo de mar\u2026\u201d.<\/p>\n<p><strong>PILAR<br \/>\na princesa<\/strong><\/p>\n<p>Pilar define \u201cSM58\u201d como uma \u201cextravag\u00e2ncia\u201d que, para j\u00e1, est\u00e1 a criar \u201crela\u00e7\u00f5es fortes\u201d entre ela e as outras duas participantes. Com dois \u00e1lbuns na bagagem, uma estreia com a chancela na produ\u00e7\u00e3o de Wayne Shorter, seguida de \u201cPecado Original\u201d, editado em 1993, Pilar Homem de Melo, por isto ou por aquilo, afastou-se a partir da\u00ed do mundo do espet\u00e1culo. Atrav\u00e9s de \u201cSM58\u201d descobriu, \u201cpasmada\u201d, a \u201cnaturalidade com que as coisas est\u00e3o a correr\u201d. Assinou um contrato discogr\u00e1fico com a editora NorteSul da qual sair\u00e1 em breve um novo trabalho. Um disco \u201ctotalmente diferente\u201d dos anteriores: \u201cJ\u00e1 estou grandinha e n\u00e3o sofro tanto com as interfer\u00eancias de fora que impedem a cria\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\n\t\u201cAntes sentia revolta\u201d, continua, \u201cmas acho que esta revolta tinha a ver com o meu estado de esp\u00edrito, de superioridade, por isso \u00e9 que as coisas n\u00e3o aconteciam. Eu era uma estrela e n\u00e3o tinha dinheiro para pagara a renda, alguma coisa estava errada. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel trabalhar numa f\u00e1brica e depois chegar a casa e cantar. Hoje \u00e9 diferente, n\u00e3o sei que transforma\u00e7\u00e3o aconteceu dentro de mim, mas a verdade \u00e9 que aconteceu. De repente consegui\u201d. Pilar conseguiu. Tem pronto um novo disco prestes a sair. Em rela\u00e7\u00e3o ao \u201cSM58\u201d est\u00e1 euf\u00f3rica: \u201cn\u00f3s as tr\u00eas somos diferentes mas temos talento!\u201d.<\/p>\n<p><strong>ANAMAR<br \/>\natena<\/strong><\/p>\n<p>Anamar \u00e9 uma criatura da noite que gosta de luz. Garante que esta colabora\u00e7\u00e3o, com o n\u00famero de s\u00e9rie \u201cSM58\u201d, que considera uma esp\u00e9cie de \u201co mundo em m\u00fasica\u201d, permite \u201co crescimento musical\u201d das tr\u00eas. Fala de \u201ccoisas belas\u201d, de \u201cideias\u201d e de \u201cmotiva\u00e7\u00e3o humana\u201d para ilustrar algo que se difunde na cor branca, no mesmo branco lunar que banha as can\u00e7\u00f5es do seu \u00faltimo \u00e1lbum, j\u00e1 distante no tempo, \u201cM\u201d, dito de muitas maneiras, como \u201cmar\u201d, \u201cmim\u201d, \u201cmental\u201d, mudan\u00e7a\u201d e \u201cmorte\u201d. Para Anamar esse foi um disco \u201cfeito com os p\u00e9s para cima e a cabe\u00e7a para baixo, um \u00e1lbum desenraizado\u201d. Seria ent\u00e3o em vez de \u201cM\u201d um \u201cW\u201d\u2026<br \/>\n\tConfessa-se: \u201cJ\u00e1 fui suficientemente \u2018pateta\u2019 para pensar que o ideal faz a vida, que uma coisa \u00e9 saber e outra ser\u201d. O que a une a N\u00e9 e a Pilar \u00e9 a transpar\u00eancia. \u201cNo fundo estamos aqui porque somos transparentes e queremos contribuir para um maior prazer em viver, para uma abertura de vis\u00e3o\u201d.<br \/>\n\tConsumada a edi\u00e7\u00e3o de \u201cM\u201d, Anamar passou a encarar as coisas de forma diferente: \u201cDepois de umas pancadas nas costas e de uns chutos no rabo, inverti a posi\u00e7\u00e3o. Pus os p\u00e9s na terra novamente\u201d. Simples. \u201cNa primeira fase da minha carreira desiludi-me com o exterior. Na segunda desiludi-me com o interior\u201d. De desilus\u00e3o em desilus\u00e3o, acabou por ser despedida \u201csem justa causa\u201d da editora para onde gravava, a BMG, e com quem est\u00e1 atualmente em lit\u00edgio.<br \/>\n\tDurante os \u00faltimos anos a m\u00fasica funcionou como qualquer coisa que a \u201cassombrava\u201d. Com \u201cSM58\u201d reencontrou o prazer de estar em palco, afastou ang\u00fastias e encara o futuro com outro otimismo. Embora ainda olhe para a frente e diga: \u201cN\u00e3o sei de nada e nem quero saber j\u00e1!\u201d.<br \/>\n\tComo as suas duas companheiras, aceita o facto de ser diferente e s\u00f3 lamenta que a ind\u00fastria n\u00e3o saiba tirar partido disso. Porque \u201co sistema \u00e9 est\u00fapido!\u201d, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Y 24|Novembro|2000 m\u00fasica|sm58 as asas do deserto N\u00e9 Ladeiras, Anamar e Pilar. A primeira a loba, a segunda Atena e a outra a princesa. Personagens imagin\u00e1rias que elas ir\u00e3o mostrar, hoje e 2\u00aa feira, \u00e0s 21h30, num voo a sobrevoar o Teatro Maria Matos, em Lisboa. 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