{"id":6227,"date":"2017-09-18T11:20:36","date_gmt":"2017-09-18T18:20:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6227"},"modified":"2017-09-18T11:20:36","modified_gmt":"2017-09-18T18:20:36","slug":"meira-asher-spears-into-hooks","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2017\/09\/18\/meira-asher-spears-into-hooks\/","title":{"rendered":"Meira Asher &#8211; &#8220;Spears into Hooks&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Sons<\/p>\n<p>22 de Janeiro 1999<br \/>\nPOP ROCK<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Meira Asher<br \/>\nSpears into Hooks (10)<br \/>\nCrammed, distri. Megam\u00fasica<\/p>\n<p>Apocalypse Now<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6228\" rel=\"attachment wp-att-6228\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ma.jpg\" alt=\"ma\" width=\"450\" height=\"448\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6228\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ma.jpg 450w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ma-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ma-300x299.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ma-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\tComo o mundo acaba antes do ano 2000, Meira Asher antecipou-se, deixando para a gera\u00e7\u00e3o de sobreviventes o seu pr\u00f3prio testemunho do apocalipse. \u201cSpears into Hooks\u201d \u00e9 o segundo \u00e1lbum desta israelita de cabelo rapado cuja estreia, intitulada \u201cDissected\u201d, pese embora toda a sua for\u00e7a, n\u00e3o fazia prever o abalo emocional que a audi\u00e7\u00e3o deste seu novo trabalho provoca. Os resqu\u00edcios \u00e9tnicos que aligeiravam um pouco a densidade musical de \u201cDissected\u201d desapareceram, substitu\u00eddos por um terramoto constante de electr\u00f3nica industrial ultra-saturada, muito para al\u00e9m dos primeiros Test Dept. ou das litanias do inferno cuspidas por Diamanda Galas, que Meira ultrapassa na est\u00e9tica do grito, do v\u00f3mito e do desespero.<br \/>\n\t\u201cSpears into Hooks\u201d explode-nos no est\u00f4mago como uma granada. Obsessivamente, esfacelando o corpo e a alma, Meira Asher escalpeliza com uma min\u00facia que raia a crueldade a tem\u00e1tica do Holocausto, tema ap\u00f3s tema progressivamente mais perto do fundo do abismo. \u201cShahid 1\u201d e \u201cShahid 2\u201d s\u00e3o feridas, sons insuport\u00e1veis, samples de todas as guerras e todas as mortes e todas as torturas, m\u00fasica da agonia. N\u00e3o se compreende como o est\u00fadio aguentou, como as pr\u00f3prias m\u00e1quinas suportaram a viol\u00eancia que lhes foi infligida. Imagine-se \u201cSecond Annual Report\u201d dos Throbbing Gristle, mais \u201cThe Unacceptable Face of Freedom\u201d, dos Test Dept., com uma dose extra de horror. \u201cThe Flood\u201d, ainda no princ\u00edpio, faz-nos j\u00e1 pensar na fuga, levando-nos a questionar como foi poss\u00edvel gravar um disco onde a dor est\u00e1 exposta de forma quase pornogr\u00e1fica.<br \/>\n\tSob a voz, \u00e0 beira do colapso, as m\u00e1quinas agitam-se em f\u00faria, elas mesmas esmagadas num sofrimento sem limites. E, como pano de fundo, um painel de morte: \u201csamples\u201d com grava\u00e7\u00f5es de mulheres e crian\u00e7as atingidas por v\u00e1rios tipos de proj\u00e9cteis, descrevendo os seus efeitos f\u00edsicos e as gradua\u00e7\u00f5es da dor. Excertos adaptados do G\u00e9nesis b\u00edblico. Descri\u00e7\u00f5es de mortes, de assass\u00ednios, vozes vazias perante corpos que tombam, o testemunho de um sobrevivente do Holocausto. No final, a voz da israelita, cada vez mais distorcida, clama, escarra: \u201cDie! Die\u201d DIE!\u201d Nada que se compare e nada que nos prepare para o que vem a seguir: \u201cWeekend away break\u201d. Um fim-de-semana tur\u00edstico no campo de concentra\u00e7\u00e3o de Birkenau. Uma batida de cora\u00e7\u00e3o, amplificada at\u00e9 se confundir com a do planeta inteiro, em marcha para o inferno. \u201cUma can\u00e7\u00e3o de boas-vindas a um lugar criado por n\u00f3s num momento de inspira\u00e7\u00e3o.\u201d Golpes sobre golpes, dissecando a carne. E a can\u00e7\u00e3o saltando da hecatombe para uma valsa de Johann Strauss, \u201cSpahrenklange\u201d. Marlene Dietrich dan\u00e7ando com graciosidade, discos antigos, a eleg\u00e2ncia germ\u00e2nica, o mundo como um lugar cor-de-rosa.<br \/>\n\t\u201cBirkenau e as suas florestas divinais, abrigo de esp\u00e9cies em extin\u00e7\u00e3o\/De manh\u00e3 v\u00eaem-se pessoas apanhando ra\u00edzes e morangos\/Outra atrac\u00e7\u00e3o interessante: Elas n\u00e3o suportam o seu pr\u00f3prio cheiro a decad\u00eancia\/E \u00e0 medida que o sol se p\u00f5e por tr\u00e1s da floresta\/Eles estar\u00e3o a banhar-se e a fumar.\u201d O martelo prossegue, a marcha torna-se fantasm\u00e1tica. A valsa do carrasco confunde-se com a ronda desconjuntada das v\u00edtimas. \u201cAcordar\u00e1s ao som das sirenes para outro dia passado no bar\/e vais esquecer-te do pequeno-almo\u00e7o porque vais experimentar os nossos pequenos jogos\/E se n\u00e3o te apetecer jog\u00e1-los, bem, o que \u00e9 que te podemos dizer mais?\/Oferecemos-te a op\u00e7\u00e3o da sauna\/Basta inalares e ser\u00e1s transportado para o para\u00edso.\u201d O \u201cambiente celestial\u201d, a \u201cexperi\u00eancia et\u00e9rea\u201d culminando no silvo de g\u00e1s e nos ecos de milh\u00f5es de vidas que se v\u00e3o extinguindo, como uma alucina\u00e7\u00e3o da mente, no \u201cpoema de Birkenau\u201d. N\u00e3o nos recordamos de um \u00fanico disco que tenha ido t\u00e3o longe.<br \/>\n\tMas Meira Asher prossegue, implac\u00e1vel, atirando-nos \u00e0 cara os coros de um povo que se extingue. Mil\u00edcias de pedra, filmes sem imagem, queimados, esgotos e a fanfarra da Kocani Orkestar a incendiar o folclore dos Balc\u00e3s, em \u201cTiring night\u201d, o \u00fanico momento de \u201cSpears into Hooks\u201d em que se alivia um pouco a tens\u00e3o. Mas logo a seguir os fornos reacendem-se com renovada intensidade. \u201cMe last granny\u201d, o amor e a destrui\u00e7\u00e3o do amor, cantada em b\u00falgaro e hebraico, metamorfoses vocais sobre electrochoques, chicotes el\u00e9ctricos e ru\u00eddos de motor. N\u00e3o faz mais sentido falar de m\u00fasica industrial. \u201cI love you so \u2013 so \u2013 much.\u201d Novo golpe. Doen\u00e7a do c\u00e9rebro. Heresia e uma b\u00ean\u00e7\u00e3o. Uma crian\u00e7a com voz de dem\u00f3nio. Programa\u00e7\u00f5es de Satan\u00e1s.<br \/>\n\tO mal tudo cobre, por fim, em \u201c\u00c9 um Uomo\u201d, resposta ao poema \u201cSe questo \u00e9 un uomo\u201d, de Primo Levi. Insens\u00edveis, com a inexorabilidade da morte, as m\u00e1quinas (nunca os computadores se reduziram tanto a instrumentos de tortura, como em \u201cSpears into Hooks\u201d, conglomerando-se em rajadas de metralhadora, explos\u00f5es e entropia de gases, vidro estilha\u00e7ado e metal) despeda\u00e7am os membros, bra\u00e7os e pernas, de uma mulher que grita at\u00e9 conseguir esquecer: \u201cLembramo-nos de tudo o que aconteceu\/E agora \u00e9 encarado como nunca tivesse acontecido\/N\u00e3o gravaremos nada nos nossos cora\u00e7\u00f5es\/Quando chegarmos a casa e j\u00e1 estivermos longe\/Quando pudermos descansar e nos erguermos de novo\/N\u00e3o imprimimos nada do que vivemos nos nossos filhos\/Deste modo perderemos a nossa ess\u00eancia\/E a doen\u00e7a tomar\u00e1 conta de n\u00f3s da cabe\u00e7a aos p\u00e9s\/E a nossa descend\u00eancia afastar-se-\u00e1 de n\u00f3s\/Cada vez mais, para todo o sempre.\u201d 1999 j\u00e1 encontrou o seu disco do ano. Chama-se \u201cSpears into Hooks\u201d e tem na contracapa um pardal crucificado.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7KLxg2oteM8\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sons 22 de Janeiro 1999 POP ROCK Meira Asher Spears into Hooks (10) Crammed, distri. 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