{"id":6084,"date":"2017-07-30T11:41:30","date_gmt":"2017-07-30T18:41:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6084"},"modified":"2017-07-31T05:50:24","modified_gmt":"2017-07-31T12:50:24","slug":"maria-joao-e-mario-laginha-lancam-album-com-orquestra-turbo-junkies-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2017\/07\/30\/maria-joao-e-mario-laginha-lancam-album-com-orquestra-turbo-junkies-entrevista\/","title":{"rendered":"Maria Jo\u00e3o e M\u00e1rio Laginha lan\u00e7am \u00e1lbum com orquestra &#8211; \u201cTurbo junkies\u201d &#8211; (Entrevista)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Sons<\/p>\n<p>8 de Outubro 1999<\/p>\n<p><strong>Antes da edi\u00e7\u00e3o de \u201cCor\u201d, Maria Jo\u00e3o e M\u00e1rio Laginha j\u00e1 tinham pronto outro \u00e1lbum, gravado com a Orquestra Filarm\u00f3nica da R\u00e1dio de Han\u00f4ver, \u201cLobos, Raposas e Coiotes\u201d, agora editado. Ao poder que o pianista sentiu a manipular grandes massas sonoras correspondeu o desafio e o rubor da cantora. A orquestra delirou e meteu o turbo.<br \/>\n<center><br \/>\nMaria Jo\u00e3o e M\u00e1rio Laginha lan\u00e7am \u00e1lbum com orquestra<\/p>\n<p>\u201cTurbo junkies\u201d<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6085\" rel=\"attachment wp-att-6085\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/mj-1.jpg\" alt=\"mj\" width=\"670\" height=\"595\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6085\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/mj-1.jpg 670w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/mj-1-300x266.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/mj-1-624x554.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/mj-1-100x89.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Uma vez mais, Maria Jo\u00e3o e M\u00e1rio Laginha surpreenderam. Acompanhados por uma orquestra, exploraram em \u201cLobos, Raposas e Coiotes\u201d novas possibilidades oferecidas pela sua m\u00fasica, em temas brasileiros e improvisa\u00e7\u00f5es que ganharam novo espa\u00e7o para voar. A cantora explicou ao P\u00daBLICO as raz\u00f5es f\u00edsicas que, em absoluto, a impedem de usar as mesmas t\u00e9cnicas de Bobby McFerrin.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 Porqu\u00ea \u201cLobos, Raposas e Coiotes\u201d e n\u00e3o \u201cChimpanz\u00e9s, Gorilas e Orangotangos\u201d ou \u201cPapagaios, Catatuas e Araras\u201d?<br \/>\nMARIA JO\u00c3O \u2013 \u00c9 um nome bonito. N\u00e3o soa bem? E s\u00e3o animais bonitos, alguns deles em vias de extin\u00e7\u00e3o. \u00c9 um t\u00edtulo rom\u00e2ntico. O M\u00e1rio tocou o t\u00edtulo-tema pelo telefone. Fez-me lembrar logo lobos, raposas e coiotes em liberdade\u2026<br \/>\nP. \u2013 De quem partiu a ideia de um disco com orquestra?<br \/>\nM\u00c1RIO LAGINHA \u2013 J\u00e1 h\u00e1 muito tempo que t\u00ednhamos estes desejo, mas em que a orquestra tivesse um papel diferente do habitual. N\u00e3o quer\u00edamos um ou dois solistas e a orquestra por tr\u00e1s a servir de fundo, aquilo que, na g\u00edria, chamamos \u201ca cama\u201d. Pens\u00e1mos num papel mais interveniente.<br \/>\nP. \u2013 Ao escrever para orquestra sentiu alguma esp\u00e9cie de poder, por ter \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o uma massa sonora de enormes dimens\u00f5es?<br \/>\nM. L. \u2013 Pode haver essa sensa\u00e7\u00e3o de poder mas depois fica a sensa\u00e7\u00e3o de saber que j\u00e1 tanta coisa foi escrita\u2026 Tive a preocupa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter que ser original, ou pelo menos, de chegar \u00e0 originalidade pelo lado racional, formal, p\u00f4r um fagote a fazer uns agudos e as flautas uns graves\u2026 Preferi pensar na nossa m\u00fasica num contexto orquestral.<br \/>\nP. \u2013 A Maria Jo\u00e3o estava habituada a cantar em duo, trio ou quarteto. Como \u00e9 que se sentiu? Cantava com tr\u00eas ou quatro m\u00fasicos da orquestra de cada vez e depois chamava o grupo seguinte?<br \/>\nM. J. \u2013 Foi assustador. N\u00e3o tanto pela massa sonora, mas por ter tanta gente no palco ao mesmo tempo, com os olhos postos em mim. A cantora tem sempre responsabilidades acrescidas, est\u00e1 sempre \u00e0 frente, a desgra\u00e7ada\u2026 [Risos] Depois, detesto ensaiar e ter pessoas a assistir aos ensaios. Para mim, ao princ\u00edpio, foi ter ali 90 pessoas, de outro pa\u00eds, que n\u00e3o conhecia, a olhar para o meu ensaio. Tinha o cora\u00e7\u00e3o aos pulos.<br \/>\nP. \u2013 Imagino o que ter\u00e1 sentido nas partes em que improvisou com o seu \u201cscat\u201d bastante pouco ortodoxo\u2026<br \/>\nM. J. \u2013 Nessas alturas foi quando me senti melhor. Bem, estive o tempo todo a corar, corad\u00edssima. Mas \u00e9 um pouco a minha caracter\u00edstica, quando aparece uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil que tem que ser feita, vou em frente. E improvisar \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de que mais gosto.<br \/>\nP. \u2013 O maestro, Arild Remmereit, teve um papel ingrato?<br \/>\nM. L. \u2013 Foi porreiro. Gostava de outros tipos de m\u00fasica, de rock, inclusive, e cantava. Quando os outros n\u00e3o se entusiasmavam tanto como ele, desatava a gritar: \u201cMen, now let\u2019s turbo! Turbo!!\u201d<br \/>\nM. J. \u2013 At\u00e9 porque costuma haver sempre nas orquestras um grupinho mais conservador, com a sua rotina di\u00e1ria, sempre de p\u00e9 atr\u00e1s. Havia dois canastr\u00f5es mesmo ao meu lado, muito eles falavam um com o outro. Uma delas \u2013 era mulher \u2013 dizia em alem\u00e3o que parecia um \u201ckindergarten\u201d (jardim infantil), com o maestro aos pulos l\u00e1 em cima e aos gritos: \u201cTurbo now!\u201d E eu a dan\u00e7ar, durante os solos\u2026<br \/>\nM. L. \u2013 Para eles foi um mundo novo. Ela come\u00e7ou a improvisar e eu a tocar um compasso sete por quatro, estava complicado. Mas aquilo come\u00e7ou a andar, ela fez o improviso e, quando chegou ao fim, desataram todos a bater palmas. Ficaram loucos. Criou-se um ambiente de trabalho \u00f3ptimo. Fizemos o disco em tr\u00eas dias, atendendo a que era ensaiar e gravar a seguir.<br \/>\nP. \u2013 Por que raz\u00e3o gravaram com uma orquestra alem\u00e3? N\u00e3o havia orquestras portuguesas \u00e0 altura?<br \/>\nM. L. \u2013 Para as pessoas n\u00e3o pensarem que houve da nossa parte snobeira, tent\u00e1mos e lut\u00e1mos para que fosse uma orquestra portuguesa e para que o disco fosse gravado c\u00e1. S\u00f3 que ficava mais cara a orquestra e o est\u00fadio. Os produtores ainda andaram a ver est\u00fadios, mas os que havia, ou n\u00e3o cabia l\u00e1 uma orquestra ou havia sempre qualquer coisa em mau estado\u2026<\/p>\n<p>Pendurados<\/p>\n<p>\tP. \u2013 Num \u00e1lbum com sete temas, dois s\u00e3o de compositores brasileiros: \u201cBeatriz\u201d, de Edu Lobo e Chico Buarque, e \u201cAsa branca\u201d, de Lu\u00eds Gonzaga. Simples coincid\u00eancia?<br \/>\n\tM. J. \u2013 \u201cAsa branca\u201d andava comigo h\u00e1 uma quantidade de tempo, j\u00e1 o tinha cantado a solo, em contextos muito experimentalistas. Finalmente descansou nessa forma, com o piano. Este tema, com aquele tom todo do Nordeste, \u00e9 mesmo a minha cara. \u201cBeatriz\u201d \u00e9 um amor nosso e uma das can\u00e7\u00f5es mais amadas no Brasil. \u00c9 um primor, uma obra-prima, mas tamb\u00e9m um desafio j\u00e1 que exige uma extens\u00e3o vocal razo\u00e1vel.<br \/>\n\tM. L. \u2013 Toda a gente nos perguntava em que disco \u00e9 que estava \u201cAsa branca\u201d. O Joel Zawinul, dos Weather Report, chegou um dia ao p\u00e9 de n\u00f3s, entusiasmad\u00edssimo: \u201cMan! I love that song! This is music!\u201d Era um dos nossos ex-libris ao vivo. Acab\u00e1mos, num disco com orquestra, por fechar com este tema, em duo. Mas j\u00e1 estamos a pensar em fazer o pr\u00f3ximo disco s\u00f3 com cantores e instrumentistas brasileiros. Gostar\u00edamos de contar com o Gilberto Gil e o Lenine\u2026<br \/>\n\tM. J. \u2013 Mudei de ag\u00eancia, na Alemanha, que passou a ser a mesma do Joe Zawinul. A primeira coisa que fizeram foi mostrar ao Joe Zawinul o \u201cCor\u201d: \u201cOuve l\u00e1 esta cantora!\u201d O gajo ouviu e convidou-me para cantar com ele. Foi uma doidice. Vim do Senegal, passei por Lisboa, 24 horas sem dormir, parti para Col\u00f3nia, para entrar em dois espect\u00e1culos filmados sobre a vida dele. Cheguei l\u00e1 \u00e0s oito da noite, sozinha, para ele me dizer que n\u00e3o t\u00ednhamos tempo nenhum para ensaiar. Limitou-se a um \u201cSee you on stage!\u201d. Eu sem dormir, de repente desaguo naquele homem, um \u00eddolo. Ainda pensei que ele fosse anunciar-me, eu come\u00e7ava a cantar e ele ia atr\u00e1s de mim. Mas cheguei ao palco e mal peguei no microfone ele come\u00e7ou a tocar. J\u00e1 anda h\u00e1 mais tempo nisto do que eu\u2026 [Risos] Fizemos uma coisa absolutamente sem rede. Ficou gravado e ele vai usar o material no seu pr\u00f3ximo disco. Sem qualquer tratamento adicional. \u201cVamos chamar a isto \u2018See you on stage\u2019.\u201d Ficou mesmo assim.<br \/>\n\tP. \u2013 Maria Jo\u00e3o, alguma vez encarou a possibilidade de fazer um disco \u201ccl\u00e1ssico\u201d, s\u00f3 com can\u00e7\u00f5es, sem o tipo de experi\u00eancias a que nos habituou?<br \/>\n\tM. J. \u2013 Chateio-me se n\u00e3o puder dan\u00e7ar com os sons, se n\u00e3o puder dan\u00e7ar eu pr\u00f3pria. Era mortal, todos os dias cantar a mesma can\u00e7\u00e3o, da mesma maneira. Poder improvisar, usar a minha imagina\u00e7\u00e3o mais doida, \u00e9 vital. Uma vez perguntei ao M\u00e1rio como \u00e9 que ele me definiria como cantora. Ele respondeu: \u201cTu podes fazer tudo!\u201d Se me impedissem de fazer esse \u201ctudo\u201d, dava-me uma coisinha m\u00e1. Acho que morria de t\u00e9dio.<br \/>\n\tP. \u2013 Na nova vers\u00e3o de \u201cV\u00e1rias dan\u00e7as\u201d, que j\u00e1 aparecia no \u00e1lbum \u201cDan\u00e7as\u201d, a Maria Jo\u00e3o faz o \u201cn\u00famero\u201d vocal do Bobby McFerrin?&#8230;<br \/>\n\tM. J. \u2013 Isso nem vem do Bobby McFerrin. O meu primeiro inspirador foi o Al Jarreau.<br \/>\n\tP. \u2013 Nunca bateu no peito, como ele faz, para criar aquele efeito vocal?<br \/>\n\tM. J. \u2013 \u00c9 que, precisamente, eu tenho peito e era capaz de ser um bocado doloroso. [Risos.] Sentir-me-ia mal ao fim de uns quantos concertos! O Bobby McFerrin imita outros instrumentos, no que \u00e9 absolutamente genial, eu procuro sons vocais esquisitos, vou at\u00e9 onde a voz pode ir.<br \/>\nP. \u2013 O v\u00eddeo promocional que fizeram para este disco \u00e9 bizarro, aparecem pendurados no ar a cantar e a tocar\u2026<br \/>\nM. L. \u2013 O ponto de partida foi um espect\u00e1culo ao vivo semelhante, que demos no rock\u00f3dromo do Caramulo, com o piano pendurado e fixo, para eu poder tocar, ela tamb\u00e9m pendurada\u2026<br \/>\nM. J. \u2013 No v\u00eddeo, estou a 15 metros de altura, sobre o Tejo! Pendurada como se faz com os gatos. Fiquei com umas feridas de lado. E da primeira vez enjoei, estava excitad\u00edssima e n\u00e3o tinha comido o suficiente\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sons 8 de Outubro 1999 Antes da edi\u00e7\u00e3o de \u201cCor\u201d, Maria Jo\u00e3o e M\u00e1rio Laginha j\u00e1 tinham pronto outro \u00e1lbum, gravado com a Orquestra Filarm\u00f3nica da R\u00e1dio de Han\u00f4ver, \u201cLobos, Raposas e Coiotes\u201d, agora editado. Ao poder que o pianista sentiu a manipular grandes massas sonoras correspondeu o desafio e o rubor da cantora. 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