{"id":6036,"date":"2017-07-13T04:36:17","date_gmt":"2017-07-13T11:36:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6036"},"modified":"2017-07-13T04:36:17","modified_gmt":"2017-07-13T11:36:17","slug":"cristina-pato-tolemia-muxicas-naturalmente-fuxan-os-ventos-sempre-e-mais-despois-aurora-moreno-aynadamar-la-fuente-de-las-lagrimas-natalie-macmaster","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2017\/07\/13\/cristina-pato-tolemia-muxicas-naturalmente-fuxan-os-ventos-sempre-e-mais-despois-aurora-moreno-aynadamar-la-fuente-de-las-lagrimas-natalie-macmaster\/","title":{"rendered":"Cristina Pato &#8211; &#8220;Tolemia&#8221; + Muxicas &#8211; &#8220;Naturalmente&#8221; + Fuxan Os Ventos &#8211; &#8220;Sempre E Mais Despois&#8221; + Aurora Moreno &#8211; \u201cAynadamar &#8211; La Fuente de Las Lagrimas\u201d + Natalie MacMaster &#8211; \u201cMy Roots are Showing\u201d + Shirley Collins &#8211; &#8220;Sweet England&#8221; + Shirley Collins &#038; Davy Graham &#8211; \u201cFolk Roots, New Routes\u201d + Martin Carthy &#8211; &#8220;A Collection&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Sons<\/p>\n<p>22 de Outubro 1999<br \/>\nWORLD \u2013 FOLK<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Pato amargo<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6037\" rel=\"attachment wp-att-6037\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/cp.jpg\" alt=\"cp\" width=\"600\" height=\"600\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6037\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/cp.jpg 600w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/cp-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/cp-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/cp-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>N\u00e3o basta ter t\u00e9cnica para vingar numa cena, a da folk galega, onde a concorr\u00eancia \u00e9 cada vez mais forte e o n\u00edvel de exig\u00eancia se aproxima j\u00e1 do da Irlanda. <strong>Cristina Pato<\/strong> sabe tocar gaita-de-foles, \u00e9 um facto, mas quem decidiu lan\u00e7\u00e1-la \u00e0s feras aos 18 anos de idade e com um gosto musical ainda longe de estar formado, decidiu mal. <strong>\u201cTolemia\u201d<\/strong> \u00e9 um apanhado de g\u00e9neros musicais com um magote de convidados (entre os quais Carlos Castro, dos Fia na Roca, e Pa\u00e7o Juncal, ex-Berrog\u00fcetto) que serve de pretexto para apresentar a gaiteira e vocalista Pato como uma estrela. Que Cristina ainda n\u00e3o \u00e9 mas poder\u00e1 ser. Folk rock sinf\u00f3nico, celtismos v\u00e1rios adocicados e digeridos para consumo imediato, os convenientes cruzamentos com o flamenco e a m\u00fasica \u00e1rabe n\u00e3o convencem e quase conseguem fazer esquecer o facto de Pato ser uma executante com uma margem enorme de progress\u00e3o. Umas \u201cMui\u00f1eiras\u201d servidas com bateria rock mostram virtuosismo gaiteiro e uma simplicidade que Pato poderia e deveria ter explorado mais antes de se aventurar por caminhos que, por agora, ainda n\u00e3o domina. E ser\u00e1 pedir demais a Cristina para deixar de cantar melodias folk pimba? \u00c9 que assim n\u00e3o consegue, sequer, fazer sombra \u00e0 sua compatriota Susana Seivane. (Fonofolk, distri. Distrimusic, <strong>6<\/strong>).<\/p>\n<p>Deixemos a Pato \u00e0 merc\u00ea dos ca\u00e7adores e passemos a outras <strong>Muxicas<\/strong>. Com <strong>\u201cNaturalmente\u201d<\/strong>, s\u00e9timo \u00e1lbum desta banda galega agora j\u00e1 sem a gaiteira e construtora Maria Xos\u00e9 L\u00f3pez, os Muxicas continuam a desenvolver um trabalho cuja consist\u00eancia e seriedade constituem um caso raro de persist\u00eancia e integridade no panorama da folk na Galiza. \u00c9 um a m\u00fasica viva e vibrante, em contacto \u00edntimo com a Natureza e com os homens, de uma jovialidade que a cada tema se renova. P\u00e1ssaros, flautas, sanfonas, gaitas-de-foles e bombos dan\u00e7am uma ronda da Primavera com uma for\u00e7a, uma alegria e uma luz que n\u00e3o sabore\u00e1vamos desde o inesquec\u00edvel \u201cCant e Musica de Provenca\u201d dos Mont-J\u00f3ia. \u201cNaturalmente\u201d possui o fasc\u00ednio das cores, dos sabores e dos gestos naturais. A dan\u00e7a eterna dos seres, dos sentimentos e das for\u00e7as que os animam. Um \u00e1lbum que nos reconcilia com a vida. (Punteiro, distri. MC \u2013 Mundo da Can\u00e7\u00e3o, <strong>8<\/strong>)<\/p>\n<p>Ainda da Galiza, o regresso de outro grupo lend\u00e1rio, os <strong>Fuxan os Ventos<\/strong>. Do lusitanismo e da vertente intervencionista dos primeiros \u00e1lbuns, gravados ainda na d\u00e9cada de 70, como \u201cO Tequeletequele\u201d, \u201cGalicia Canta \u00f3 Neno\u201d e \u201cSementeira\u201d, os Fuxan os Ventos evolu\u00edram para sonoridades mais sofisticadas em trabalhos como \u201cQuen a Soubera Cantar\u201d e \u201cNoutrosa\u201d. <strong>\u201cSempre e Mais Despois\u201d<\/strong> mostra o grupo na sua melhor forma, pondo fim a um per\u00edodo de longa inactividade. N\u00e3o poderia come\u00e7ar de melhor maneira, este \u00e1lbum apresentado num luxuoso digipac, com \u201cRorr\u00f3\u201d, uma das mais belas baladas cantadas por uma voz feminina que nos foi dada a ouvir nos \u00faltimos tempos com origem no Noroeste da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Menos concentrados nas dan\u00e7as e mais no canto e nas cad\u00eancias intimistas, os Fuxan os Ventos inspiraram-se nos textos do poeta Manoel Antonio para a cria\u00e7\u00e3o de uma obra que, por mais de uma vez, denota a mesma densidade de express\u00e3o e a profundidade que caracterizam um dos momentos marcantes de toda a folk galega, \u201cCaravel de Caravels\u201d, de Amancio Prada. Quem escutar a ternura dos arranjos e o di\u00e1logo das vozes de um tema como \u201cRomance de Do\u00f1a Eusenda\u201d, um cl\u00e1ssico do report\u00f3rio tradicional galego, perceber\u00e1 o que queremos dizer. O melhor Fuxan os Ventos de sempre. (Fonofolk, distri. Distrimusic, <strong>8<\/strong>)<\/p>\n<p>De Espanha, mas agora vinda do Sul, da Andaluzia, chega a reedi\u00e7\u00e3o de \u201cAynadamar &#8211; La Fuente de Las Lagrimas\u201d, \u00e1lbum n\u00e3o datado mas ao certo gravado nos anos 80, da cantora Aurora Moreno, a par de Maria Del Mar Bonnet e de Rosa Zaragoza, uma das principais representantes do canto feminino do Sul de Espanha. Com apresenta\u00e7\u00e3o detalhada a cargo de um music\u00f3logo da Universidade de Granada e do m\u00fasico e te\u00f3rico Joaquin Diaz, \u201cAynadamar\u201d re\u00fane composi\u00e7\u00f5es \u201cjarchas\u201d, g\u00e9nero po\u00e9tico do cancioneiro sefardita, recolhidas de Marrocos e da Turquia, filtradas pela can\u00e7\u00e3o andaluza e recriada em composi\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria \u00e0 luz da cultura do Al-Andalus. Sensualidade e melancolia misturam-se num \u00e1lbum quase sempre marcado pela tristeza e por l\u00e1grimas que parecem, de facto, brotar de uma fonte. (Several, distri. MC \u2013 Mundo da Can\u00e7\u00e3o, <strong>8<\/strong>)<\/p>\n<p>N\u00e3o sei por que raz\u00e3o mas a verdade \u00e9 que as artistas da folk est\u00e3o cada vez mais bonitas. Kathryn Tickell, Eileen Ivers, Equidad Bares, Susana Seivane, eu sei l\u00e1 (s\u00f3 Eliza Carthy destoa um bocadinho\u2026) al\u00e9m de extraordin\u00e1rias cantoras ou executantes impressionam pela beleza que irradiam. <strong>Natalie MacMaster<\/strong> \u00e9 uma loura encaracolada que toca violino, talvez sem a sensualidade de Kathryn Tickell, mas dando mostras de um dom\u00ednio t\u00e9cnico e de um rigor insuper\u00e1veis que j\u00e1 tinham impressionado no \u00e1lbum anterior, \u201cNo Boundaries\u201d. O novo <strong>\u201cMy Roots are Showing\u201d<\/strong>, como o t\u00edtulo indica, recupera material mais tradicional, oriundo da ilha de Cape Breton. Uma colec\u00e7\u00e3o exclusiva de dan\u00e7as para violino no estilo sincopado caracter\u00edstico da regi\u00e3o, composta pelos inevit\u00e1veis jigs e reels mas tamb\u00e9m por hornpipes e strathspeys. Puro e duro, \u201cMy Roots are Showing\u201d tem como \u00f3bvios destinat\u00e1rios os coleccionadores de report\u00f3rio violin\u00edstico ou os que, simplesmente, n\u00e3o dispensam amealhar a mais pequena migalha de virtuosismo instrumental. (Greentrax, distri. MC \u2013 Mundo da Can\u00e7\u00e3o, <strong>7<\/strong>)<\/p>\n<p><strong>Shirley Collins<\/strong> dispensa apresenta\u00e7\u00f5es. \u00c9, juntamente com June Tabor, Maddy Prior e Norma Waterson, uma das vozes emblem\u00e1ticas da folk inglesa. Assinou trabalhos not\u00e1veis, a solo, ao lado da sua irm\u00e3 Dolly Collins ou com o seu ent\u00e3o marido Ashley Hutchings, na Albion Country Band, como \u201cThe Sweet Primeroses\u201d, \u201cFor as many as Will\u201d, \u201cNo Roses\u201d e as obras-primas \u201cLove, Death and the Lady\u201d e \u201cAnthems in Eden\u201d, esta \u00faltima recentemente reeditada em CD pela BGO em vers\u00e3o remasterizada. <strong>\u201cSweet England\u201d <\/strong>constitui a estreia discogr\u00e1fica da cantora, gravada em 1959 com o acompanhamento de John Hasted (banjo), Ralph Rinzler e Guy Carawan (guitarras), numa \u00e9poca de intenso trabalho de campo na Inglaterra mas tamb\u00e9m no Sul dos Estados Unidos. 40 anos volvidos permanece intacta a magia que se desprende do registo vocal de Shirley Collins, com um timbre e entoa\u00e7\u00f5es onde a fragilidade e uma solenidade velada se confundem. A folk rural da velha Inglaterra na sua express\u00e3o mais despojada e, por for\u00e7a da poesia, depurada at\u00e9 um sil\u00eancio comovido. Essencial para se compreender tudo o que veio depois.<br \/>\nCinco anos mais tarde, em 1964, Shirley Collins gravou com o guitarrista Davy Graham \u2013 um admirador dos blues de Big Bill Broonzy e Leadbelly mas tamb\u00e9m de Thelonious Monk e Charles Mingus \u2013 o cl\u00e1ssico \u201cFolk Roots, New Routes\u201d, percursor do jazz-folk dos Pentangle e, em geral, pe\u00e7a fundamental da g\u00e9nese do movimento revivalista que eclodiria na Gr\u00e3-Bretanha na transi\u00e7\u00e3o para a d\u00e9cada seguinte. Ao fraseado fluido do guitarrista respondia a cantora com um registo vocal mais l\u00edmpido e frontal do que noutras obras da sua discografia, como se ao prazer da descoberta de uma expressividade mais livre correspondesse a transgress\u00e3o de regras que antes a seguravam. Outra pe\u00e7a determinante no desenvolvimento de uma m\u00fasica que muito deve a esta voz que transporta em si os mist\u00e9rios mais antigos da velha Albion. (Topic, distri. Megam\u00fasica,<strong> 8<\/strong> e <strong>8<\/strong>)<\/p>\n<p>O mesmo se pode dizer de <strong>Martin Carthy<\/strong>, outro dos pilares da folk brit\u00e2nica, dos anos 60 at\u00e9 aos nossos dias. Mas enquanto Shirley Collins representa o lado mais velado e tr\u00e1gico desta m\u00fasica, em Martin Carthy brilha um discurso \u00e9pico, uma grandiosidade e um tom afirmativo que lhe granjearam o estatuto de Bob Dylan das Ilhas Brit\u00e2nicas, tal a import\u00e2ncia e longevidade da sua obra.<strong> \u201cA Collection\u201d<\/strong> \u00e9 uma colect\u00e2nea que re\u00fane material gravado entre 1965 e 1970, a solo, dos \u00e1lbuns \u201cMartin Carthy\u201d, \u201cSecond Album\u201d, \u201cPrince Heathen\u201d e \u201cLandfall\u201d, e tr\u00eas colabora\u00e7\u00f5es com o violinista Dave Swarbrick que, anos mais tarde, se notabilizaria nos Fairport Convention, dos \u00e1lbuns \u201cByker Hill\u201d e \u201cBut Two Came by\u201d. Anos antes de formar os Steeleye Span, os Albion Country Band e os Brass Monkey, a combina\u00e7\u00e3o entre a voz e a guitarra de Carthy era, j\u00e1 nessa altura, letal. Cada balada era um hino \u00e0 Inglaterra e uma manifesta\u00e7\u00e3o efusiva do prazer de tocar e de cantar. Ou\u00e7a-se \u201cSeven yellow gypsies\u201d, por exemplo. Ningu\u00e9m mais seria capaz de cantar uma balada desta maneira. Como se estivesse a fazer amor. A combater na derradeira guerra. E a m\u00fasica fosse a \u00fanica prova de que estamos vivos. (Topic, distri. Megam\u00fasica, <strong>9<\/strong>)<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-qcrNA4SbaE\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sons 22 de Outubro 1999 WORLD \u2013 FOLK Pato amargo N\u00e3o basta ter t\u00e9cnica para vingar numa cena, a da folk galega, onde a concorr\u00eancia \u00e9 cada vez mais forte e o n\u00edvel de exig\u00eancia se aproxima j\u00e1 do da Irlanda. 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