{"id":5989,"date":"2017-06-27T08:09:30","date_gmt":"2017-06-27T15:09:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=5989"},"modified":"2017-06-27T08:09:30","modified_gmt":"2017-06-27T15:09:30","slug":"raymond-scott-reckless-nights-and-turkish-twilights-soothing-sounds-for-baby-volume-1-soothing-sounds-for-baby-volume-2-soothing-sounds-for-baby-volume-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2017\/06\/27\/raymond-scott-reckless-nights-and-turkish-twilights-soothing-sounds-for-baby-volume-1-soothing-sounds-for-baby-volume-2-soothing-sounds-for-baby-volume-3\/","title":{"rendered":"Raymond Scott &#8211; &#8220;Reckless Nights and Turkish Twilights&#8221; + &#8220;Soothing Sounds for Baby, Volume 1&#8221; + &#8220;Soothing Sounds for Baby, Volume 2&#8221; + &#8220;Soothing Sounds for Baby, Volume 3&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Sons<\/p>\n<p>18 de Dezembro 1998<br \/>\nELECTR\u00d3NICA<br \/>\nReedi\u00e7\u00f5es<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Para ouvir como beb\u00e9s<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Raymond Scott<\/p>\n<p>Reckless Nights and Turkish Twilights (9)<br \/>\nSoothing Sounds for Baby, Volume 1 (7)<br \/>\nSoothing Sounds for Baby, Volume 2 (8)<br \/>\nSoothing Sounds for Baby, Volume 3 (9)<br \/>\nBasta, distri. Mat\u00e9ria Prima<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=5990\" rel=\"attachment wp-att-5990\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/rs.jpg\" alt=\"rs\" width=\"300\" height=\"287\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5990\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/rs.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/rs-100x96.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Desprezado pelos jazzmen, por falta de respeito pelas regras, vilipendiado pelos eruditos da m\u00fasica contempor\u00e2nea, por dar mostras de demasiado humor, simplesmente ignorado no circuito da m\u00fasica popular, de tal forma a sua vis\u00e3o est\u00e9tica fugia \u00e0 normalidade, Raymond Scott, de seu verdadeiro nome Harry Warnow, compositor norte-americano nascido em 1908 em Brooklyn, com obra feita desde os anos 30, s\u00f3 agora come\u00e7a a ver reconhecidos os seus m\u00e9ritos.<br \/>\n\u00c1 \u00e9poca foi considerado um exc\u00eantrico, e com alguma raz\u00e3o. Graduado com o curso de piano (que come\u00e7ou a tocar aos dois anos de idade!) do Conservat\u00f3rio, entre as suas propostas mais antigas contam-se a funda\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio Raymond Scott Quintet (que pronunciava \u00e0 maneira francesa, \u201cquintette\u201d) que manteve, em diversos formatos, at\u00e9 aos anos 60. Compunha ent\u00e3o temas ins\u00f3litos com t\u00edtulos que n\u00e3o o eram menos, como \u201cConfusion among flect of taxicabs upon meeting with a fare\u201d. A m\u00fasica do quinteto soava, de facto, como um desalinho (ou desatino) genial. O material gravado pela primeira forma\u00e7\u00e3o, entre 1937 e 1939, acaba de ser reeditado (e remasterizado recorrendo \u00e0s t\u00e9cnicas mais sofisticadas) sob a forma da colect\u00e2nea \u201cReckless Nights and Turkish Twilights\u201d. \u201cEasy listening\u201d sa\u00eddo do c\u00e9rebro de um esquizofr\u00e9nico mistura-se com jazz igualmente desequilibrado, marchas, swing e notas de exotismo oriental numa s\u00edntese onde se atropelavam os extremos emotivos pr\u00f3prios de um \u201ccartoon\u201d. Por falar nisso, Carl Stalling, compositor respons\u00e1vel pela m\u00fasica dos desenhos animados dessa \u00e9poca na Warner, de s\u00e9ries como \u201cMerrie Melodies\u201d e \u201cLooney Tunes\u201d, aproveitou e adaptou temas de Scott como acompanhamento para as tropelias de Duffy Duck e Bugs Bunny. O mais engra\u00e7ado \u00e9 que nunca passou pela cabe\u00e7a de Scott compor para bonecada. Tratava-se de uma excentricidade genu\u00edna e n\u00e3o feita de encomenda. Hoje, s\u00e9ries como \u201cAnimaniacs\u201d, \u201cOs Simpsons\u201d e \u201cDuckman\u201d usam melodias compostas por si.<br \/>\nMas o mais estranho estava ainda para vir. A partir dos anos 50 o interesse de Raymond Scott volta-se para a m\u00fasica electr\u00f3nica e para os meios de a gravar e produzir. Em 1948 inventa um gerador sonoro (ao qual chama carinhosamente \u201cKarloff\u201d, em homenagem ao actor de filmes de terror, Boris Karloff) capaz de produzir, segundo ele, sons de \u201ctosse peitoral\u201d, \u201cbarulhos de cozinha\u201d, o \u201cchiar do bife na fritadeira\u201d e \u201ctambores da selva\u201d. Segue-se, em 1952, o Clavivox, uma resposta ao Theremin, com a diferen\u00e7a que era tocado em teclas. Por fim, nasce o mais sofisticado de todos, o Electronium, uma \u201cm\u00e1quina para tocar e fazer composi\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea\u201d. S\u00f3 faltava gravar. \u00c9 assim que entre 1962 e 1963 Scott publica a trilogia \u201cSoothing Sounds for Baby\u201d, subintitulado \u201c\u2026An Infant\u2019s Friend in Sound\u201d, sobre a premissa de que os ouvidos dos beb\u00e9s s\u00e3o mais sens\u00edveis eu os dos adultos a determinadas frequ\u00eancias electr\u00f3nicas. Os tr\u00eas volumes, finalmente dispon\u00edveis em compacto (os vinis originais s\u00e3o dific\u00edlimos de encontrar) destinam-se, respectivamente, a ser escutados por beb\u00e9s de um a seis meses, dos seis aos doze e dos doze aos dezoito meses. \u201cBrinquedos aurais\u201d, como foram rotulados, foram concebidos (sob os ausp\u00edcios do Gesell Institute of Child Development) como ajuda aos pais durante o crescimento, o aparecimento da denti\u00e7\u00e3o, as brincadeiras, o sono ou, simplesmente, as birras dos seus pimpolhos.<br \/>\nClaro que os adultos, sobretudo os que em 1998 ainda s\u00e3o capazes de se render aos encantos de uma m\u00fasica t\u00e3o estranha como \u201cna\u0457f\u201d, vibrar\u00e3o provavelmente mais do que qualquer beb\u00e9 chor\u00e3o nascido nos anos 60. O ouvido sofisticado perceber\u00e1 de imediato que muito antes de Brian Eno discorrer sobre a sua m\u00fasica electr\u00f3nica (j\u00e1 para n\u00e3o falar de Howie B. e da sua \u201cMusic for Babies\u201d dos anos 90), Raymond Scott produzia uma m\u00fasica totalmente sint\u00e9tica, com melodias cuja simplicidade evoca, por vezes, instantaneamente, a tecnopop dos Orchestral Manouvres in the Dark. \u00c9 o caso do tema que abre o disco para os mais novinhos, \u201cLullaby\u201d (com 14 minutos de dura\u00e7\u00e3o, perfeitamente minimalistas e de efeito hipn\u00f3tico garantido), de tal forma que quase jurar\u00edamos que os OMD j\u00e1 conheciam estes trabalhos.<br \/>\nDo primeiro para o terceiro volume a m\u00fasica vai-se tornando cada vez mais complexa. No primeiro predominam sons de brinquedos a pilhas, pulsa\u00e7\u00f5es de cristal e resson\u00e2ncias de graves profundos (\u201cSleepy time\u201d), em sequ\u00eancias repetitivas que n\u00e3o deixam de fazer lembrar os Cluster (\u201cThe music box\u201d) e os Kraftwerk, do \u00e1lbum \u201cRadio-Activity\u201d (\u201cNursery rhyme\u201d, \u201cTic Toc\u201d).<br \/>\nEntre os seis e os doze meses os beb\u00e9s eram obrigados a confrontar-se com algo mais consistente. Se \u201cTempo block\u201d, uma das faixas deste volume 2, \u00e9 declaradamente infantil, ao estilo do coelho das pilhas Duracell, com toques atmosf\u00e9ricos de \u201cRalf &#038; Florian\u201d, dos Kraftwerk, j\u00e1 \u201cThe happy whistler\u201d (10m) e \u201cToy typewriter\u201d (17m) s\u00e3o temas perfeitamente enquadrados numa est\u00e9tica contempor\u00e2nea \u201cavant la lettre\u201d. O primeiro soa com a dureza dos Cluster, enquanto o segundo vai aos limites do experimentalismo ao longo dos seus dezassete minutos de simula\u00e7\u00e3o do batimento de teclas de uma m\u00e1quina de escrever. Manifesto de hermetismo minimal que oscila entre um Steve Reich internado num asilo, um disco riscado dos Severed Heads ou dos Faust e um escritur\u00e1rio possu\u00eddo pela febre do ritmo. Ao fim de alguns minutos somos invadidos por uma mescla de sensa\u00e7\u00f5es que incluem o fasc\u00ednio m\u00f3rbido e a ang\u00fastia, \u00e0 medida que v\u00e3o sendo introduzidos no tema modula\u00e7\u00f5es quase subliminares. Pobres beb\u00e9s! Percebe-se agora o que fez derreter os c\u00e9rebros daquela gera\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou a fazer m\u00fasica nos anos 70. Afinal n\u00e3o foi o LSD.<br \/>\nO alinhamento do terceiro volume, destinado a crian\u00e7as dos doze aos dezoito meses, explora com outra intensidade a melodia e os efeitos de est\u00fadio. \u201cTin soldier\u201d \u00e9 uma vers\u00e3o \u201cdub\u201d de uma marcha de John Philip-Sousa. Ou seriam j\u00e1 os Residents a fazerem das suas? \u201cLittle Miss Echo\u201d antecipa a perspectiva circular de \u201cNo Pussyfootin\u2019\u201d (de Robert Fripp com Brian Eno) e de \u201cCluster III\u201d, dos Cluster. Obsessivo, ambiental, parece pairar sobre uma gal\u00e1xia distante e, acima de tudo, n\u00e3o se compreende como pode ter sido composto numa \u00e9poca t\u00e3o recuada. A fechar, deparamo-nos com os quinze minutos de \u201cThe playful drummer\u201d, uma deliciosa mistela de ritmos e sons bizarros, em cruzamentos e sobreposi\u00e7\u00f5es de gotas, metais sint\u00e9ticos, sinais morse e toda a esp\u00e9cie de sequ\u00eancias e timbres que fazem o Electronium parecer o sintetizador mais sofisticado.<br \/>\n\u201cSoothing Sounds for Baby\u201d, na originalidade e pioneirismo da sua proposta, constitui verdadeiramente um brinquedo que nos faz ter vontade de voltar a ser beb\u00e9s. Gugu da da.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AruqpOc9GEU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sons 18 de Dezembro 1998 ELECTR\u00d3NICA Reedi\u00e7\u00f5es Para ouvir como beb\u00e9s Raymond Scott Reckless Nights and Turkish Twilights (9) Soothing Sounds for Baby, Volume 1 (7) Soothing Sounds for Baby, Volume 2 (8) Soothing Sounds for Baby, Volume 3 (9) Basta, distri. 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