{"id":5961,"date":"2017-06-03T10:19:16","date_gmt":"2017-06-03T17:19:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=5961"},"modified":"2017-06-03T10:19:16","modified_gmt":"2017-06-03T17:19:16","slug":"balanco-1998-musica-portuguesa-fado-entre-guitarras-e-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2017\/06\/03\/balanco-1998-musica-portuguesa-fado-entre-guitarras-e-mulheres\/","title":{"rendered":"BALAN\u00c7O 1998: M\u00fasica portuguesa &#8211; Fado  &#8211; &#8220;Entre guitarras e mulheres&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Sons<\/p>\n<p>31 de Dezembro 1998<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>BALAN\u00c7O 1998<br \/>\nM\u00fasica portuguesa<br \/>\nFado<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Entre guitarras e mulheres<br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=5962\" rel=\"attachment wp-att-5962\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/on.jpg\" alt=\"on\" width=\"225\" height=\"224\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5962\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/on.jpg 225w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/on-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/on-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Porque Lisboa j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 no mundo, tamb\u00e9m a sua m\u00fasica, o fado, foi for\u00e7ada a expandir-se e a ganhar novo f\u00f4lego. Ovelha Negra, M\u00edsia, Am\u00e9lia Muge e Caman\u00e9 vestiram-lhe roupas novas. Mas a velha guarda tamb\u00e9m n\u00e3o ficou esquecida.<\/strong><\/p>\n<p>\tSe \u00e9 verdade que M\u00edsia e, sobretudo, Paulo Bragan\u00e7a foram os primeiros a romper o xaile e a limpar o p\u00f3 \u00e0s guitarras (os Madredeus fizeram de outro modo, criaram uma outra esp\u00e9cie de fado, enquanto, numa escala bem mais reduzida, Maria Ana Bobone, Jo\u00e3o Paulo e Ricardo Rocha propuseram em \u201cLuz Destino\u201d a fus\u00e3o do fado com os cravos barrocos\u2026), recebendo em troca uma boa dose de esc\u00e2ndalo e de indigna\u00e7\u00e3o, \u00e9 um facto quer foi este ano que as portas e os preconceitos se abriram em definitivo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e \u00e0 ruptura. Talvez por culpa da Expo, talvez por culpa dessa outra abertura, do mercado portugu\u00eas ao marcado europeu. A pr\u00f3pria M\u00edsia lan\u00e7ou este ano \u201cGarras dos Sentidos\u201d, enquanto Bragan\u00e7a, al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o em \u201cRed, Hot + Lisboa\u201d, se estreou como actor no filme \u201cTr\u00e1fico\u201d, de Jo\u00e3o Botelho, onde tamb\u00e9m canta uma vers\u00e3o do hino nacional.<br \/>\n\tSucederam-se as experi\u00eancias, umas mais radicais do que outras. Foram mais longe os Ovelha Negra, de Pedro Paulo Gon\u00e7alves, um ex-Her\u00f3is do Mar que emigrou para Londres e regressou, instigado pela saudade, para fazer um disco intitulado \u201cPor Este Andar ainda Acabo por Morrer em Lisboa\u201d, onde o fado rejuvenesce atrav\u00e9s da ironia, de forma brutal.<br \/>\n\u201cS\u00f3 depois de uma pessoa emigrar \u00e9 que come\u00e7a a olhar para Portugal com outros olhos\u201d, confessou Pedro Paulo Gon\u00e7alves, que uma vez, levado pela m\u00e3o de Pedro Ayres Magalh\u00e3es, \u201cchorou\u201d ao ouvir cantar o fado numa das suas casas da especialidade. Consumado o desvio da Ovelha Negra, o fado ainda entrar\u00e1 nas discotecas, contagiado como est\u00e1, em \u201cPor este Andar\u2026\u201d, por loops, guitarras el\u00e9ctricas, jungle e tecno.<br \/>\nMas outros sinais h\u00e1 que indiciam a metamorfose que a m\u00fasica mais tradicional de Lisboa est\u00e1 a sofrer. Escute-se, por exemplo, uma das can\u00e7\u00f5es do mais recente \u00e1lbum de Am\u00e9lia Muge, \u201cTaco a Taco\u201d, um fado \u201csui generis\u201d intitulado \u201cH\u00e1 quem te chame menina\u201d. A menina que Lisboa h\u00e1 muito deixou de ser.<br \/>\nTamb\u00e9m a guitarra portuguesa andou em bolandas no ano que passou. A um dos seus mestres, Ant\u00f3nio Chainho, deram um punhado de mulheres para acompanhar a sua guitarra. O \u00e1lbum chama-se \u201cA Guitarra e Outras Mulheres\u201d e nele as vozes de Teresa Salgueiro, Filipa Pais, Nina Miranda (dos Smoke City), Elba Ramalho e Marta Dias brilham, embora n\u00e3o consigam esconder a fonte instrumental de onde brota a arte maior deste disco. Ali\u00e1s, pouco se falou da voz da sexta participante neste projecto, curiosamente aquela que m ais fundo interiorizou a emo\u00e7\u00e3o do fado. Referimo-nos a Sofia Varela, que j\u00e1 impressionara com a sua participa\u00e7\u00e3o num espect\u00e1culo de fado e flamenco realizado recentemente no Centro Cultural de Bel\u00e9m (CCB).<br \/>\nOutro mestre incontestado da guitarra portuguesa, Carlos Paredes, viu sair outra compila\u00e7\u00e3o sua, intitulada \u201cGuitarra \u2013 O Melhor de Carlos Paredes\u201d. Sobre ele foram feitas algumas considera\u00e7\u00f5es interessantes pelo amador Jos\u00e9 Rocha Ferreira, que numa edi\u00e7\u00e3o de autor, de gen\u00e9rico \u201cMemoriam\u201d, faz uma homenagem a Paredes, interpretando algumas das suas composi\u00e7\u00f5es e tecendo sobre o sujeito coment\u00e1rios, no m\u00ednimo, curiosos: \u201cO estilo e a t\u00e9cnica s\u00e3o \u00fanicos e a sua precis\u00e3o torna quase herc\u00falea a leitura integral do que ele tocava. (\u2026) a inspira\u00e7\u00e3o do mestre pedia mais qualquer coisa que o instrumento n\u00e3o podia dar.\u201d<br \/>\nAinda no cap\u00edtulo das edi\u00e7\u00f5es discogr\u00e1ficas, Caman\u00e9 prosseguiu no seu segundo \u00e1lbum, \u201cNa Linha da Vida\u201d, o dif\u00edcil trilho que conduz da ortodoxia \u00e0 descoberta de outros fados. Composi\u00e7\u00f5es de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco e Jo\u00e3o Ferreira Rosa, textos de Pessoa, Antero e Manuela da Freitas, com uma verdade na mira, de que \u201co fado \u00e9 uma coisa espiritual\u201d e \u201cuma maneira diferente de cantar a vida\u201d que \u201cn\u00e3o \u00e9 uma coisa racional\u201d.<br \/>\nMas a velha guarda tamb\u00e9m n\u00e3o tem raz\u00f5es de queixa, com a publica\u00e7\u00e3o de diversas colect\u00e2neas e \u201cBiografias do Fado\u201d de fundo de cat\u00e1logo que de novo nos trouxeram vozes como as de Alfredo Marceneiro, Luc\u00edlia do Carmo, Max, Carlos Ramos, Maria Teresa de Noronha, Herm\u00ednia Silva e Fernando Farinha, entre outros. Interessante foi assistir a uma nova vaga de interesse do mercado franc\u00eas pelo fado (ainda o efeito Expo?&#8230;). Assim, foram editados em Fran\u00e7a \u201cFado Lisboa-Coimbra, 1926-1931\u201d, pela Fr\u00e9meux &#038; Associes, reunindo velhos discos de 78 rota\u00e7\u00f5es de registos de Artur Paredes, por exemplo, e dois volumes da s\u00e9rie Canta Portugal, pela EMI francesa, onde se podem escutar as vozes, entre outras, de Am\u00e1lia, Tony de Matos e Maria da F\u00e9. \u201cMusic from the Edge of Europe\u201d prop\u00f5e uma leitura mais contrastante do fado, colocando lado a lado Carlos Paredes e os Madredeus.<br \/>\nO ano fadista terminou com um duplo espect\u00e1culo ao vivo no CCB de Carlos do Carmo, a festejas de forma apote\u00f3tica os 35 anos de carreira do autor de \u201cUm Homem na Cidade\u201d e do recente \u201cMargens\u201d. Na ocasi\u00e3o, Carlos do Carmo trouxe consigo, como convidados, al\u00e9m de Caman\u00e9, uma das decanas do fado de Lisboa, Argentina Santos, de quem come\u00e7a a ser urgente a edi\u00e7\u00e3o de um novo \u00e1lbum. Com fado do que se escreve com mai\u00fascula.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tbZFj_nYIwg\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sons 31 de Dezembro 1998 BALAN\u00c7O 1998 M\u00fasica portuguesa Fado Entre guitarras e mulheres Porque Lisboa j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 no mundo, tamb\u00e9m a sua m\u00fasica, o fado, foi for\u00e7ada a expandir-se e a ganhar novo f\u00f4lego. Ovelha Negra, M\u00edsia, Am\u00e9lia Muge e Caman\u00e9 vestiram-lhe roupas novas. Mas a velha guarda tamb\u00e9m n\u00e3o ficou esquecida. 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