{"id":5897,"date":"2017-05-02T09:44:49","date_gmt":"2017-05-02T16:44:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=5897"},"modified":"2017-05-02T09:44:49","modified_gmt":"2017-05-02T16:44:49","slug":"madredeus-entrevista-a-pequena-eternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2017\/05\/02\/madredeus-entrevista-a-pequena-eternidade\/","title":{"rendered":"Madredeus &#8211; Entrevista &#8211; &#8220;A Pequena Eternidade&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Sons<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>3 de Outubro 1997<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>A pequena eternidade<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>H\u00e1 para\u00edsos e para\u00edsos, artificiais e naturais. Para\u00edsos azul-cueca e para\u00edsos de um azul profund\u00edssimo e transparente. Da cor do c\u00e9u. O para\u00edso dos Madredeus \u00e9 o caminho e a viagem em direc\u00e7\u00e3o a este azul, num barco capitaneado por Pedro Ayres com a voz de Teresa Salgueiro a servir de farol. \u201cO Para\u00edso\u201d \u00e9, muito provavelmente, o melhor \u00e1lbum dos Madredeus.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=5898\" rel=\"attachment wp-att-5898\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/madre.jpg\" alt=\"madre\" width=\"1280\" height=\"720\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5898\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/madre.jpg 1280w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/madre-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/madre-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/madre-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/madre-624x351.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/madre-100x56.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Pedro Ayres Magalh\u00e3es, autor da maior parte das palavras do novo \u00e1lbum dos Madredeus, quando se trata de uma entrevista, usas essas mesmas palavras num registo que, simultaneamente, esconde e revela. Percebe-se no que diz uma corrente oculta, mas ele prefere escudar-se nas alegrias e na luz do mundo e dos feitos materiais. Mesmo assim, \u00e0 conversa, o tempo parou por um bocadinho.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 O para\u00edso fica onde?<br \/>\nPEDRO AYRES MAGALH\u00c3ES \u2013 \u00c9 uma ideia com mais de dois mil anos, sobre a qual se construiu a vida da sociedade ocidental. No caso deste disco, trata-se, na can\u00e7\u00e3o com este t\u00edtulo, de uma utiliza\u00e7\u00e3o muito especial da voz da Teresa, neste caso aproximada dos modelos da m\u00fasica que ouvi durante a minha vida toda, os \u201cblues\u201d, os \u201cslows\u201d das bandas rock, os solos de guitarra, a m\u00fasica ambiental. Pretende-se ainda mostrar um estado de gra\u00e7a absoluta do pr\u00f3prio conceito Madredeus. Neste momento, o trabalho do grupo decorre numa harmonia que eu nunca tinha conhecido antes. Algo que decorre da conformidade das pessoas e da pr\u00f3pria carreira do grupo. Uma mistura de convites e oportunidades, uma chuva de pedidos para os Madredeus se apresentarem nos s\u00edtios mais incr\u00edveis que se pode imaginar.<br \/>\nP. \u2013 Como \u00e9 que se consegue esse estado de gra\u00e7a no meio de constantes digress\u00f5es?<br \/>\nR. \u2013 Utilizando uma met\u00e1fora. \u00c9 como a constru\u00e7\u00e3o de um barco. O novo report\u00f3rio \u00e9 um barco muito mais forte do que aqueles que constru\u00edmos at\u00e9 agora.<br \/>\nP. \u2013 Assume-se neste \u00e1lbum como o timoneiro desse barco?<br \/>\nR. \u2013 Hoje em dia esse meu capitanear est\u00e1 mais do que consagrado, como nunca esteve at\u00e9 agora. Um estatuto criado e suportado pelos outros m\u00fasicos.<br \/>\nP. \u2013 H\u00e1 alguma unidade conceptual nas 14 can\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em o disco?<br \/>\nR. \u2013 Uma unidade de inten\u00e7\u00e3o. Foram todas compostas para a figura e para a voz da Teresa, por tr\u00eas autores [Pedro Ayres, Carlos Maria Trindade e Jos\u00e9 Peixoto] que fizeram tr\u00eas digress\u00f5es mundiais com o grupo e esta proposta de report\u00f3rio.<br \/>\nP. \u2013 Foram gravar a It\u00e1lia por alguma raz\u00e3o especial?<br \/>\nR. \u2013 A\u00ed h\u00e1 duas coisas. Para gravar o disco era necess\u00e1rio n\u00e3o estarmos em Lisboa, onde toda a gente tem muitas solicita\u00e7\u00f5es, fam\u00edlia, n\u00e3o sei qu\u00ea. Depois, fui para Veneza por gosto, apanhava o barco todos os dias para ir passar o dia a tocar e voltar de barco para a cama!&#8230; Era o \u00fanico s\u00edtio onde eu podia fazer isso [risos]. \u00c9 uma met\u00e1fora!<br \/>\nP. \u2013 A luz da cidade influenciou a luz do disco?<br \/>\nR. \u2013 Penso que sim, que ajudou muito. Pensei em muitas coisas quando quis ir para Veneza, que era um destino ideal para a tal constru\u00e7\u00e3o de um barco para viajar. Tornou-se um lugar ideal nos \u00faltimos s\u00e9culos. Um lugar de peregrina\u00e7\u00e3o e de sonho da Europa e do resto do mundo. \u00c9 uma cidade onde foi cultivada a beleza, o requinte, o exagero e a ostenta\u00e7\u00e3o, expoentes da criatividade.<br \/>\nP. \u2013 \u00c9 claro que o facto de a apresenta\u00e7\u00e3o oficial de \u201cO Para\u00edso\u201d ir ter lugar em Sintra n\u00e3o \u00e9 por acaso\u2026<br \/>\nR. \u2013 Claro que Sintra tem uma resson\u00e2ncia simb\u00f3lica especial. Vamos estar no Pal\u00e1cio da Vila, o pal\u00e1cio real, que ainda por cima \u00e9 manuelino. Mas se vamos por a\u00ed, h\u00e1 mais s\u00edmbolos\u2026 Tamb\u00e9m prepar\u00e1mos o disco no CCB, na Pra\u00e7a do Imp\u00e9rio. O primeiro concerto foi em \u00c9vora. Posso fazer um gui\u00e3o fant\u00e1stico das coisas dos Madredeus. Mas esse \u00e9 um cen\u00e1rio que n\u00e3o \u00e9 o objectivo. Acontece naturalmente.<br \/>\nP. \u2013 J\u00e1 que falamos de conota\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas, estou a lembra-me de um disco que gravou h\u00e1 muito tempo, intitulado \u201cO Ocidente Infernal\u201d\u2026<br \/>\nR. \u2013 Mas \u00e9 a mesma ideia! Esse disco tinha duas faces, aquilo que era o lado B era a constru\u00e7\u00e3o do para\u00edso tal qual eu a vejo hoje. Como no \u201cEsp\u00edrito da Paz\u201d j\u00e1 existia a preocupa\u00e7\u00e3o de criar nas pessoas um estado de paz. Neste momento estamos apenas a repetir a mesma ideia que o mundo rico abra\u00e7ou. Para n\u00f3s, m\u00fasicos, \u00e9 o para\u00edso termos estes convites, fazermos estes concertos, chegar l\u00e1 e ver as salas todas cheias.<br \/>\nP. \u2013 Ent\u00e3o o lado material \u00e9 o mais importante?<br \/>\nR. \u2013 O lado material \u00e9 o suporte, qual \u00e9 a d\u00favida?<br \/>\nP. \u2013 Nunca se cansam de estar tanto tempo juntos?<br \/>\nR. \u2013 Precisamente, o report\u00f3rio actual \u00e9 \u00fatil na ultrapassagem do problema da rotina. \u00c9 mais interessante de tocar, mais ritmado, mais melodioso e mais pulsante do que tudo o que fizemos at\u00e9 agora.<br \/>\nP. \u2013 Os Madredeus encontraram a sua forma ideal?<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o foi por acaso que ao sa\u00edrem os outros m\u00fasicos eu preferi que ficassem s\u00f3 os que j\u00e1 l\u00e1 estavam, porque quis trabalhar com veteranos do processo dos Madredeus, com m\u00fasicos como o Carlos Maria e o Jos\u00e9 Peixoto, que s\u00e3o meus professores e n\u00e3o meus alunos. Trabalhar com a sensibilidade, a experi\u00eancia e a sabedoria deles. Foi isso que fiz e que correu bem. Este grupo, nesta altura, \u00e9 o grupo ideal.<br \/>\nP. \u2013 Quando se chega ao para\u00edso como \u00e9 que se sai de l\u00e1?<br \/>\nR. \u2013 Nunca se chega l\u00e1. O para\u00edso \u00e9 o caminho e a constru\u00e7\u00e3o de uma imagem\u2026 A m\u00fasica dos Madredeus associa-se melhor a este tema do que, se calhar, a outros, como o combate \u00e0 pobreza. O que nos mobiliza \u00e9 o chamamento, ou a invoca\u00e7\u00e3o, das maiores ambi\u00e7\u00f5es, da maior ambi\u00e7\u00e3o do homem, que \u00e9 o para\u00edso. Mesmo que n\u00e3o tenha a express\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do para\u00edso, no p\u00f3s-morte.<br \/>\nP. \u2013 O \u201cpara\u00edso\u201d constr\u00f3i-se em torno da ideia do tempo?<br \/>\nR. \u2013 Sim. A espera, a viv\u00eancia do tempo, o bom tempo.<br \/>\nP. \u2013 Com as \u201ccoisas pequenas\u201d que cantam no \u00e1lbum?<br \/>\nR. \u2013 Quando olho para tr\u00e1s, para a carreira p\u00fablica deste grupo \u2013 e este grupo foi feito para ter uma carreira p\u00fablica \u2013 muitas vezes encontro grandes parangonas, grandes palavras sobre a m\u00fasica, que \u00e0s vezes me obrigam a ter uma rela\u00e7\u00e3o um pouco extraordin\u00e1ria com as pessoas com quem falo. \u201cCoisas pequenas\u201d \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o de amor em que uma mulher diz ao seu amante que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 coisas pequenas que podemos dar uns aos outros, mas que quando damos coisas grandes \u00e9 preciso ter a certeza que estamos a dar. \u00c9 outra met\u00e1fora sobre a pr\u00f3pria carreira do grupo. Identifico os Madredeus com um caminho lento de aperfei\u00e7oamento.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jTzs1fDkZ1E\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sons 3 de Outubro 1997 A pequena eternidade H\u00e1 para\u00edsos e para\u00edsos, artificiais e naturais. Para\u00edsos azul-cueca e para\u00edsos de um azul profund\u00edssimo e transparente. Da cor do c\u00e9u. 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