{"id":5844,"date":"2017-04-25T10:49:35","date_gmt":"2017-04-25T17:49:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=5844"},"modified":"2017-04-25T10:49:35","modified_gmt":"2017-04-25T17:49:35","slug":"balanco-1997-musica-portuguesa-popular-o-inferno-e-o-paraiso-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2017\/04\/25\/balanco-1997-musica-portuguesa-popular-o-inferno-e-o-paraiso-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"BALAN\u00c7O 1997: M\u00fasica portuguesa &#8211; Popular &#8211; &#8220;O inferno e o para\u00edso&#8221; &#8211; Artigo de Opini\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Sons<\/p>\n<p>2 de Janeiro 1998<br \/>\n<strong>BALAN\u00c7O 1997<br \/>\nM\u00fasica portuguesa &#8211; Popular<\/p>\n<p>O inferno e o para\u00edso<\/strong><\/p>\n<p>Para a m\u00fasica portuguesa mais ou menos ligada \u00e0s ra\u00edzes tradicionais, em termos editoriais, 1997 foi o ano de algumas confirma\u00e7\u00f5es, umas poucas desilus\u00f5es e, sobretudo, muitas reedi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\tEntre o triunfo do segundo \u00e1lbum dos Gaiteiros de Lisboa, as viagens de dois Martins, o algod\u00e3o doce dos Madredeus e um certo desencanto que rodeou a dedicat\u00f3ria de N\u00e9 Ladeiras a Fausto, ficaram as oportunas reedi\u00e7\u00f5es de trabalhos antigos de Am\u00e1lia, Brigada Victor Jara, Vai de Roda e Ronda dos Quatro Caminhos. E o enigma da n\u00e3o edi\u00e7\u00e3o do segundo \u00e1lbum dos Realejo, sabendo-se que o disco est\u00e1 pronto h\u00e1 quase um ano\u2026<br \/>\n\tA institui\u00e7\u00e3o Brigada Victor Jara, de Tent\u00fagal, depois de nos anos transactos terem lan\u00e7ado novos \u00e1lbuns, respectivamente, \u201cMarcha dos Foli\u00f5es\u201d e \u201cPolas Ondas\u201d, viram completada este ano, em CD, a sua discografia mais antiga. \u201cTamborileiro\u201d e \u201cMonte Formoso\u201d, ilustrativos de duas fases distintas do grupo de Coimbra, e \u201cVai de Roda\u201d, disco de estreia do colectivo do Porto, entraram logo em Janeiro para a lista de candidatos a reedi\u00e7\u00f5es do ano, enquanto passava despercebido o segundo cap\u00edtulo de \u201ccante\u201d alentejano dos Ganh\u00f5es de Castro Verde.<br \/>\n\tRui J\u00fanior, maestro percussionista, mergulhou de cabe\u00e7a no seu projecto de percuss\u00f5es portuguesas para as escolas, com a Expo no horizonte. \u00c1rvore que j\u00e1 d\u00e1 frutos, na contram\u00e3o ao laxismo habitual que teima em vigorar em Portugal. Ces\u00e1ria \u00c9vora, outra \u00e1rvore, \u201cperfeita como o passado\u201d, deu-se de novo, oce\u00e2nica, a ouvir, em \u201cCabo Verde\u201d. \u00c1guas de Fevereiro.<br \/>\n\t\u00c1guas de Mar\u00e7o escorreram da guitarra solit\u00e1ria de Jos\u00e9 Peixoto, nas suas \u201cVozes dos Passos\u201d, pela primeira vez a solo. E o solo de Tr\u00e1s-os-Montes estremeceu, na colect\u00e2nea, \u201cMirandun, Mirandela\u2026\u201d, obra de franceses, outra das reedi\u00e7\u00f5es do ano, a fazer corar de vergonha o nosso desinteresse. Ainda nesse m\u00eas, choveu uma nova estrela, que o futuro de encarregar\u00e1 de fazer despontar ou n\u00e3o, In\u00eas Santos, a dar voz ao projecto Segredo dos Deuses. \u201cGra\u00e7a de Tchega\u201d, de Tito Paris, manteve quente e morna. Que aqueceu ainda mais, j\u00e1 em pleno Ver\u00e3o, com Ildo Lobo e \u201cN\u00f3s Morna\u201d. Ildo Lobo e Ces\u00e1ria \u00c9vora encontraram-se, ao vivo, no Coliseu dos Recreios, j\u00e1 perto do final do ano.<br \/>\n\tMorna esteve N\u00e9 Ladeiras, quando, logo a abrir o m\u00eas de Abril, se entregou \u00e0s can\u00e7\u00f5es mais esot\u00e9ricas de Fausto e \u00e0 defesa dos lobos. \u201cTodo este C\u00e9u\u201d, o \u00e1lbum da\u00ed resultante, veio provar que, afinal, \u00e0s vezes as \u201cm\u00e1s\u201d companhias d\u00e3o melhores resultados que as \u201cboas\u201d e que os amigos nem sempre s\u00e3o para as ocasi\u00f5es. Tamb\u00e9m morno e amigo do seu tio, com voz fr\u00e1gil e enfiado entre os dentes da engrenagem, esteve Jo\u00e3o Afonso. As suas \u201cMissangas\u201d, embora coloridas, primaram pela falta de nervo. O seu m\u00edtico tio daria um murro na mesa.<br \/>\n\tNo p\u00f3lo oposto \u00e0 voz de filigrana de Jo\u00e3o Afonso, vibrou o tenor tel\u00farico do a\u00e7oriano Jos\u00e9 Medeiros, trazendo, por fim, as m\u00fasicas para filme de \u201cO Feiticeiro do Vento\u201d para o mercado discogr\u00e1fico do continente. Mas os A\u00e7ores tamb\u00e9m sabem dar-se a ouvir baixinho, t\u00e3o baixinho como as \u201cInstrum\u00e2ncias\u201d oferecidas pelos Almma, que, ao vivo, nos Encontros de Alg\u00e9s, preferiram abrir as goelas e a romaria, espalhando-se ao comprido num registo que n\u00e3o \u00e9 o do \u00e1lbum.<br \/>\n\tAinda assuntos de fam\u00edlia: Gil do Carmo n\u00e3o desmereceu a tradi\u00e7\u00e3o do seu pai, rompendo embora com o fado, em \u201cMil Hist\u00f3rias\u201d. \u201cMis\u00e9ria!\u201d, bradaram aos deuses, ao ouvirem esse mostrengo Adamastor \u201cinventado\u201d a martelo pelos V Imp\u00e9rio, para meter medo aos Madredeus. O logro n\u00e3o vingou e a \u00fanica coisa que mete medo em \u201cMar de Folhas\u201d \u00e9 a m\u00fasica.<br \/>\n\tO Imp\u00e9rio contra-atacou, com n\u00e3o menos pretens\u00f5es mas, pelo menos, rodeado por uma saud\u00e1vel pol\u00e9mica, atrav\u00e9s dos Sacerdotes de Alquimia. 1997 foi ent\u00e3o o ano dos replicantes e dos segredos mal contados, nessa zona de sombras onde o roxo do g\u00f3tico casa mal com a brancura da pomba do Esp\u00edrito Santo.<br \/>\n\tDo Branco ao Negro \u00e9 um salto. Dado pelos angolanos African Voices, que em \u201cFreedom\u201d, o seu \u00e1lbum de estreia, juntaram os espirituais negros com o dialecto angolano. E do negro ao branco \u00e9 outro salto. De negro se vestia Anamar. De branco se veste agora. Em \u201cM\u201d, letra de mil mist\u00e9rios, pressente-se a vontade dos astros, tentando dirigir uma voz ainda demasiado selvagem e em busca de uma via aberta do lado de dentro para o lado de fora.<br \/>\n\tE quando as primeiras folhas tombavam, anunciando o Inverno, o azul chegou. E com ele \u201cO Para\u00edso\u201d, dos Madredeus, cada vez mais um grupo centrado em torno da voz de Teresa Salgueiro, e aglutinador de paix\u00f5es extremadas, entre a adora\u00e7\u00e3o e a rejei\u00e7\u00e3o, quando n\u00e3o estes dois sentimentos sobrepostos. Mas a felicidade, mesmo se servida em pastilhas, ou principalmente porque servida em pastilhas, vende e sacia as almas enfartadas de materialismo. Soa a \u201cnew age\u201d a vis\u00e3o cada vez mais retocada de Pedro Ayres de Magalh\u00e3es, mas as ra\u00edzes continuam mergulhadas na noite dos tempos.<br \/>\n\tA viagem, conceito omnipresente na cultura portuguesa, foi retomada de forma inteligente, com uma sensibilidade tamb\u00e9m ela genericamente rotulada de \u201cnew age\u201d, pelo saxofonista Carlos Martins com o guitarrista e teclista cabo-verdiano Vasco Martins. Com \u201cOutras \u00cdndias\u201d, a m\u00fasica portuguesa de fus\u00e3o viajou at\u00e9 uma ilha onde R\u00e3o Kyao chegou a atracar, mas que cedo abandonou para se dedicar a voos mais ligeiros pelo seu Oriente pessoal.<br \/>\n\tPaulo Bragan\u00e7a provou, ao vivo, no Centro Cultural de Bel\u00e9m, que a m\u00fasica tradicional e o fado t\u00eam arcaboi\u00e7o para aguentar o seu vampirismo \u201ckitsch\u201d e a sua com\u00e9dia de horrores. Sons pol\u00e9micos por um dos mais medi\u00e1ticos cultores do esc\u00e2ndalo nacional.<br \/>\n\tDe palavras e poemas se alimentou o projecto Os Poetas, que no \u00e1lbum \u201cEntre N\u00f3s e as Palavras\u201d e nas suas apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo restabeleceram o elo perdido \u2013 virtual mas n\u00e3o menos belo \u2013 entre a poesia e a musicalidade das vozes dos mortos e dos vivos. \u201cBocas do Inferno\u201d, dos Gaiteiros de Lisboa, demonstrou que a barreira do segundo \u00e1lbum pode ser ultrapassada sem sobressaltos, quando a criatividade se junta \u00e0 originalidade e ao m\u00e9todo. Um dos \u00e1lbuns portugueses do ano. Para n\u00f3s, o melhor. E que tudo mais v\u00e1 para o Inferno, como, a prop\u00f3sito dele, escrevemos.<br \/>\n\t\u201cBum tum pom tchim\u201d. As baterias dos Tim Tim por Tim Tum passaram de esguelha por um tema popular. Jos\u00e9 Salgueiro e restantes Tintins da bateria poderiam ter batido com mais for\u00e7a. Como bateu Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, catedr\u00e1tico da d\u00favida e da revolta, numa acutilante s\u00e9rie de concertos cujo disco deles resultante, \u201cAo Vivo em 1997\u201d, n\u00e3o faz justi\u00e7a ao seu teatro da crueldade.<br \/>\n\tJ\u00e1 ao cair do pano, foi reeditado outro dos momentos mais conseguidos da m\u00fasica portuguesa de raiz tradicional: o segundo \u00e1lbum da Ronda dos Quatro Caminhos, \u201cCantigas do Sete Estrelo\u201d, outra das reedi\u00e7\u00f5es do ano, que em breve ser\u00e1 objecto de recens\u00e3o. Bem como o volume seis da s\u00e9rie M\u00fasica Tradicional, com incid\u00eancia na \u201cTerra de Miranda\u201d.<br \/>\n\tAm\u00e1lia e Jos\u00e9 Afonso, os dois contrafortes da m\u00fasica popular lusitana, fizeram descer a noite. Da primeira, o seu \u201cSegredo\u201d a par de mais uma colec\u00e7\u00e3o de material de fundo de cat\u00e1logo repuseram a sua verdade da m\u00fasica portuguesa. Am\u00e1lia \u00e9 m\u00e3e do nosso fado. O segundo, trazendo para a luz do dia o seu trabalho mais antigo, em forma de \u201cBaladas e Can\u00e7\u00f5es\u201d que continuam a ter na poesia a sua arma principal.<br \/>\n\tRio Grande e \u201cVozes e Guitarras\u201d, dois megaprojectos, dirigem-se a um megamercado de um pa\u00eds que \u00e9 mais melga do que mega. Uns copiam, outros pregui\u00e7am, alguns facturam, muito poucos triunfam. E os novos, onde est\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sons 2 de Janeiro 1998 BALAN\u00c7O 1997 M\u00fasica portuguesa &#8211; Popular O inferno e o para\u00edso Para a m\u00fasica portuguesa mais ou menos ligada \u00e0s ra\u00edzes tradicionais, em termos editoriais, 1997 foi o ano de algumas confirma\u00e7\u00f5es, umas poucas desilus\u00f5es e, sobretudo, muitas reedi\u00e7\u00f5es. 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