{"id":5808,"date":"2017-04-21T06:16:49","date_gmt":"2017-04-21T13:16:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=5808"},"modified":"2017-04-21T06:16:49","modified_gmt":"2017-04-21T13:16:49","slug":"maura-oconnell-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2017\/04\/21\/maura-oconnell-entrevista\/","title":{"rendered":"Maura O\u2019Connell &#8211; Entrevista &#8211;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Sons<\/p>\n<p>29 Agosto 1997<\/p>\n<p><strong>Lar doce lar<\/p>\n<p>Maura O\u2019Connell nunca se considerou uma cantora tradicional, embora tivesse feito parte dos De Danann. Um almo\u00e7o glorioso e uma sess\u00e3o de canto numa quinta com Dolores, Rita e Sarah Keane contribu\u00edram para a grava\u00e7\u00e3o do seu novo \u00e1lbum, \u201cWandering Home\u201d, a descoberta da alma irlandesa e do caminho de regresso para casa.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=5809\" rel=\"attachment wp-att-5809\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/moc.jpg\" alt=\"moc\" width=\"280\" height=\"336\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5809\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/moc.jpg 280w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/moc-250x300.jpg 250w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/moc-83x100.jpg 83w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Da Irlanda para a Am\u00e9rica e de novo para a Irlanda \u00e9 o percurso desta cantora que, juntamente com Dolores Keane \u2013 que considera a maior \u2013 e Mary Black, \u00e9 uma das maiores vozes irlandesas da velha guarda. Depois de uma passagem pelos De Danann, dedicou-se a cantar autores contempor\u00e2neos, como Richard Thompson, no novo \u00e1lbum \u201cWandering Home\u201d, que interpreta com o histrionismo de uma verdadeira atriz.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 \u201cWandering Home\u201d \u00e9 um retorno \u00e0s suas origens irlandesas, diferente dos seus \u00e1lbuns anteriores, onde interpreta temas de v\u00e1rios compositores e o som \u00e9 mais americano&#8230;<br \/>\nMAURA O\u2019CONNELL \u2013 Como eu, h\u00e1 muitas pessoas que viajaram pelo mundo e se interessaram por outras m\u00fasicasm al\u00e9m da do seu pa\u00eds natal. Habituamo-nos de tal forma \u00e0 m\u00fasica que nos est\u00e1 mais pr\u00f3xima que a tomamos como algo natural, sem a valorizarmos o suficiente, ao ponto de acharmos mais interessante o que ouvimos l\u00e1 fora. At\u00e9 que chega um dia em que nos apercebemos da sua beleza, quase como turistas. Na verdade, nunca prestara aten\u00e7\u00e3o suficiente \u00e0 m\u00fasica irlandesa, mesmo nos dois anos em que estive nos De Danann, a \u00fanica experi\u00eancia que tive com a m\u00fasica tradicional.<br \/>\nP. \u2013 Na contracapa do disco refere, como uma das raz\u00f5es que a levaram a esta aproxima\u00e7\u00e3o, o ambiente familiar da sua inf\u00e2ncia, passada na casa em Ennis&#8230;<br \/>\nR. \u2013 Sim, mas em minha casa os meus pais ouviam sobretudo \u00f3pera, por isso n\u00e3o se pode dizer que tenha crescido a ouvir m\u00fasica tradicional, como aconteceu, por exemplo, com Dolores Keane. \u00c9 verdade que este disco \u00e9 um regresso a casa, mas nos meus \u00e1lbuns anteriores j\u00e1 havia temas irlandeses, embora contempor\u00e2neos, can\u00e7\u00f5es de Paul Brady ou de Gerry O\u2019Beirne. Nunca me senti uma cantora tradicional, falta-me a naturalidade. Considero-me antes uma cantora que canta o que quiser.<br \/>\nP. \u2013 Falou em Dolores Keane. Nas notas de capa menciona tamb\u00e9m uma tarde memor\u00e1vel passada com ela e com as suas tias, Sarah e Rita, determinante na grava\u00e7\u00e3o de \u201cWandering Home\u201d&#8230;<br \/>\nR. \u2013 Foi um dia m\u00e1gico, num Ver\u00e3o em que n\u00e3o parou de chover na Irlanda. Mas este foi diferente, maravilhoso. Elas vivem numa quinta antiga, no condado de Galway. Estavam l\u00e1 30 ou 40 pessoas, a equipa toda da digress\u00e3o. Ofereceram-nos um almo\u00e7o magn\u00edfico e, a seguir, come\u00e7aram a cantar, com toda a naturalidade. J\u00e1 as conhecia antes, elas s\u00e3o famosas nos c\u00edrculos tradicionais, mas foi a primeira vez em que a sua m\u00fasica me afetou profundamente. N\u00e3o sei se por causa da informalidade da situa\u00e7\u00e3o, a simples vis\u00e3o de as ver cantar. Fiquei completamente apaixonada pelo som e pelo sentimento. Para algu\u00e9, como eu, que sempre gostou de m\u00fasica soul americana, impressionou-me a alma com que as duas cantavam. Abriram-me os olhos. Percebi que tamb\u00e9m havia soul na m\u00fasica irlandesa.<br \/>\nP. \u2013 Por que raz\u00e3o foi viver para Nashville?<br \/>\nR. \u2013 Os meus interesses estiveram sempre voltados para a m\u00fasica americana. Mas nos anos 80 a minha carreira desenvolveu-se na Irlanda, depois de deixar os De Danann, quando comecei a gravar os primeiros \u00e1lbuns a solo. Acontece que a Irlanda \u00e9 um pa\u00eds demasiado pequeno para albergar a quantidade incr\u00edvel de cantoras tradicionais que l\u00e1 existem. Depois, fiz muitos amigos na Am\u00e9rica, como o meu produtor Jerry Douglas, que me fazem sentir muito bem aqui. E o meu marido \u00e9 americano. Tenho sorte em poder trabalhar tamb\u00e9m na Irlanda, como no projeto \u201cA Woman\u2019s Heart\u201d.<br \/>\nP. \u2013 O que pensa desse projeto?<br \/>\nR. \u2013 Vendeu milh\u00f5es. Foi aquele que obteve mais sucesso, de todos aqueles em que me envolvi. Um encontro das cantoras mais velhas, como Dolores Keane, Mary Black e eu, com as mais novas, Frances Black e Eleanor Shanley.<br \/>\nP. \u2013 A prop\u00f3sito, que opini\u00e3o tem de Dolores Keane, a cantora que a antecedeu nos De Danann?<br \/>\nR. \u2013 Dolores \u00e9 a rainha. Em absoluto, a melhor cantora de todas.<br \/>\nP. \u2013 \u00c9 ou era?<br \/>\nR. \u2013 Bem, ainda acredito que, numa noite boa, Dolores n\u00e3o tem rival. Lembro-me de a ver, h\u00e1 uns anos, em frente ao microfone, era como se a m\u00fasica viesse diretamente da terra.<br \/>\nP. \u2013 Voltemos a sua casa e \u00e0 m\u00fasica que ouvia&#8230;<br \/>\nR. \u2013 Que n\u00e3o era tradicional, mas do tipo de \u00f3pera ligeira, como algumas das can\u00e7\u00f5es deste \u00e1lbum, \u201cI hear you calling\u201d, composta por John McCormack, ou \u201cDown by the Sally gardens\u201d, em oposi\u00e7\u00e3o ao registo mais tradicional de \u201cDown the moor\u201d, por exemplo, que surgiu da audi\u00e7\u00e3o da m\u00fasica dos De Danann e de outros grupos dos anos 70. Mas a minha mem\u00f3ria est\u00e1 mais povoada com coisas do estilo de \u201clullabies\u201d de Brahms&#8230;<br \/>\nP. \u2013 O \u00e1lbum dos De Danann em que participa como vocalista principal \u00e9 \u201cThe Star Spangled Molly\u201d. A seguir abandonou o grupo. Porqu\u00ea?<br \/>\nR. \u2013 Como j\u00e1 disse, nunca me considerei uma cantora tradicional. Eles dizem que me convidaram depois de me terem ouvido cantar num bar, numa festa. Eu acho que foi por o empres\u00e1rio deles me conhecer&#8230; Fui a primeira cantora a cantar com eles depois de Dolores Keane, que esteve com o grupo por volta de 1974, 1975. Ap\u00f3s uma fase com cantores masculinos surgi eu, iniciando-se um per\u00edodo de dez anos dos De Danann com vocalistas femininas. O convite inicial era para os acompanhar durante seis semanas numa digress\u00e3o pela Am\u00e9rica. Disse-lhes que n\u00e3o conhecia nenhuma can\u00e7\u00e3o tradicional, mas para eles estava tudo OK. O que eu fazia nessa altura, e continuei a fazer depois de sair do grupo, era cantar can\u00e7\u00f5es de autores de que gostava, como Bonnie Raitt, Emmylou Harris, \u201cMississipi\u201d John Hurt, velhos blues.<br \/>\nP. \u2013 Mas nesse disco canta praticamente s\u00f3 tradicionais&#8230;<br \/>\nR. \u2013 Sim, mas a verdade \u00e9 que o \u00fanico tema vagamente tradicional que trouxe comigo quando entrei para o grupo era \u201cMaggie\u201d, escrito em Chicago em 1850, que um amigo meu tocava na guitarra como um blues urbano. Isto para se perceber que a maior parte dos temas de \u201cThe Star Spangled Molly\u201d foram compostos ou compilados na Am\u00e9rica, embora toda a gente os tenha aceite como can\u00e7\u00f5es irlandesas.<br \/>\nP. \u2013 A era dos chamados \u201cDias da r\u00e1dio\u201d, que d\u00e1 uma atmosfra especial a esse disco e que tamb\u00e9m est\u00e1 presente neste seu novo \u00e1lbum numa can\u00e7\u00e3o como \u201cI hear you calling\u201d, n\u00e3o \u00e9 verdade?<br \/>\nR. \u2013 Precisamente. John McCormack, um tenor, cantava esse tipo de report\u00f3rio. Toda a gente fala dos tenores irlandeses, ele era \u201co\u201d tenor irland\u00eas. Esta era tamb\u00e9m a m\u00fasica que ouvia em casa dos meus pais, mas quando se \u00e9 novo n\u00e3o se quer saber da m\u00fasica que os pais ouvem. H\u00e1 uns anos comprei uma s\u00e9rie de CD de McCormack e foi a\u00ed que descobri essa can\u00e7\u00e3o, composta em 1926.<br \/>\nP. \u2013 Antes de \u201cThe Star Spangled Molly\u201d j\u00e1 tinha cantado noutro \u00e1lbum dos De Danann, \u201cAnthem\u201d, numa vers\u00e3o de \u201cLet it be\u201d dos Beatles&#8230;<br \/>\nR. \u2013 As vozes principais pertenciam a Mary Black e Dolores Keane. Eu fazia apenas o coro. N\u00e3o cantei em mais nenhum \u00e1lbum dos De Danann.<br \/>\nP. \u2013 N\u00e3o \u00e9 verdade. Canta na \u00faltima can\u00e7\u00e3o de \u201cSong for Ireland\u201d, \u201cBarney form Killarney\u201d&#8230;<br \/>\nR. \u2013 Canto o qu\u00ea? N\u00e3o canto nada, n\u00e3o sou eu!<br \/>\nP. \u2013 Temos o disco \u00e0 nossa frente, onde podemos ler \u201cvoz de Maura O\u2019Connell\u201d. E ouve-se, de facto, uma voz feminina&#8230;<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o pode ser! Tenho que receber os direitos de autor! [risos]<br \/>\nP. \u2013 A sua carreira construiu-se, a partir dos De Danann, na Am\u00e9rica e em Nashville, onde coheceu e colaborou com os New Grass Revival. Isso n\u00e3o a afastou do p\u00fablico irland\u00eas?<br \/>\nR. \u2013 Nunca me procupei com isso. Volto a frisar o facto de que nunca fui uma cantora tradicional. O que fiz depois de sair do grupo foi continuar o que j\u00e1 fazia antes. Na Irlanda, apenas meia d\u00fazia de pessoas \u00e9 que me iria ver num clube folk qualquer. Em Nashville, pelo contr\u00e1rio, logo o primeiro \u00e1lbum que gravei a solo foi disco de ouro.<br \/>\nP. \u2013 Fez parte dos De Danann, mas neste \u00e1lbum colabora com Donal Lunny e canta um tema de Paul Brady, que pertenceram ambos aos Planxy&#8230;<br \/>\nR. \u2013 Certo. Paul Brady nasceu, como eu, no condado de Clare. Donal Lunny, que tamb\u00e9m pertenceu aos Bothy Band, \u00e9 um tipo formid\u00e1vel. Um dos melhores. A \u00fanica coisa que tive de fazer foi cantar. O \u00e1lbum foi gravado em oito dias, um dos mais f\u00e1ceis da minha carreira e, sem d\u00favida, o que meu deu maior prazer.<br \/>\nP. \u2013 H\u00e1 no nov \u00e1lbum uma can\u00e7\u00e3o, \u201cDown where the drunkards roll\u201d, de Richard Thompson, onde a trag\u00e9dia se escreve como um \u00e9pico. Por que a escolheu, tendo em conta que, como j\u00e1 disse numa outra sua entrevista, gosta de vestir a pele das personagens que canta, assumindo o lado mais teatral da m\u00fasica?<br \/>\nR. \u2013 \u00c9 uma \u201ckiller song\u201d. J\u00e1 a cantava mesmo antes de entrar para os De Danann, com Mike Hanrahan, dos Stockton\u2019s Wing, que s\u00e3o da mesma regi\u00e3o que eu, Ennis, com quem formei um duo chamado Tumbleweed. H\u00e1 anos que a queria gravar, a d\u00favida estava em onde a encaixar. Finalmente acabei por inclu\u00ed-la neste \u00e1lbum irland\u00eas. A minha tarefa \u00e9 fazer as pessoas sentirem a mesma emo\u00e7\u00e3o que eu sinto quando ou\u00e7o pela primeira vez uma can\u00e7\u00e3o. Como um ator que entra na personalidade da personagem, quer se trate de algu\u00e9m com o cora\u00e7\u00e3o destro\u00e7ado ou de algu\u00e9m que se sente feliz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sons 29 Agosto 1997 Lar doce lar Maura O\u2019Connell nunca se considerou uma cantora tradicional, embora tivesse feito parte dos De Danann. 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