{"id":5465,"date":"2017-02-04T09:40:41","date_gmt":"2017-02-04T16:40:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=5465"},"modified":"2017-02-04T09:40:41","modified_gmt":"2017-02-04T16:40:41","slug":"entrevista-zap-mama-marie-daulne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2017\/02\/04\/entrevista-zap-mama-marie-daulne\/","title":{"rendered":"Entrevista: Zap Mama &#8211; Marie Daulne"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>5 Mar\u00e7o 1997<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>Sete, o n\u00famero da cura<\/p>\n<p>\u201cSeven\u201d \u00e9 o s\u00e9timo sentido que cura e o t\u00edtulo do novo trabalho das Zap Mama, filhos das viagens de Marie Daulne pelo hip hop, o reggae, a soul e a cultura tuaregue. Polifonias dos mundos antigos e modernos para encher os pulm\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=5466\" rel=\"attachment wp-att-5466\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/md-300x169.jpg\" alt=\"md\" width=\"300\" height=\"169\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5466\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/md-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/md-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/md-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/md-624x351.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/md-100x56.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/md.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Para Marie Daulne, mentora do grupo vocal feminino Zap Mama, agora com uma sec\u00e7\u00e3o instrumental e contrato assinado com uma nova editora, \u00e9 tudo uma quest\u00e3o de descoberta e aprendizagem. Se \u201cSeven\u201d \u00e9 o seu \u00e1lbum mais acess\u00edvel, tal n\u00e3o acontece por uma quest\u00e3o de moda, mas porque ela descobriu a exist\u00eancia de outras maneiras de dar a ouvir as polifonias do mundo tradicional ao mundo moderno. Com a mesma paix\u00e3o pelo som do hip hop. \u201cO importante \u00e9 fazer com que as pessoas cantem.\u201d<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 Por que raz\u00e3o escolheu \u201cSeven\u201d para t\u00edtulo do terceiro \u00e1lbum das Zap Mama?<br \/>\nMARIE DAULNE \u2013 Sete \u00e9 um algarismo que est\u00e1 presente em in\u00fameras culturas. Al\u00e9m disso, h\u00e1 os sete pecados mortais e toda a esp\u00e9cie de conota\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas. Em \u00c1frica, acredita-se na exist\u00eancia de um s\u00e9timo sentido, concedido aos artistas, que t\u00eam o poder de curar as almas.<br \/>\nP. \u2013 A mudan\u00e7a de editora, da Crammed para a Virgin, significa que estavam descontentes com o trabalho da primeira? A mudan\u00e7a implicou altera\u00e7\u00f5es no estilo e m\u00e9todos de trabalho do grupo?<br \/>\nR. \u2013 Sim, a Crammed \u00e9 uma editora pequena e nem sempre dispunha dos meios financeiros para poder assumir a dimens\u00e3o internacional que pretend\u00edamos. A Virgin \u00e9 maior e creio que poder\u00e1 assegurar-nos o sucesso a esse n\u00edvel. Quanto \u00e0 nossa m\u00fasica, nada mudou\u2026<br \/>\nP. \u2013 Mas \u00e9 o vosso \u00e1lbum mais acess\u00edvel\u2026<br \/>\nR. \u2013 Sim, porque cantamos em ingl\u00eas e temos agora uma sec\u00e7\u00e3o r\u00edtmica que ajuda a uma leitura mais f\u00e1cil dos ritmos, recorrendo em simult\u00e2neo a cad\u00eancias que toda a gente conhece.<br \/>\nP. \u2013 Ao ponto de haver uma s\u00e9rie de temas com base no hip hop. N\u00e3o \u00e9, um pouco, encostar-se a uma moda?<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o tem nada a ver com ser ou n\u00e3o uma moda, mas apenas com o facto de gostar imenso de hip hop. A moda surgiu posteriormente, na world music, com grupos como os Deep Forest. Quanto ao hip hop, ou\u00e7o imenso, sobretudo Spearhead, que \u00e9 o Michael Franti, com quem, ali\u00e1s, trabalhei [na banda sonora de \u201cBlue in the Face\u201d]. Tamb\u00e9m gosto dos US 3 e dos The Roots. Sinto que est\u00e1 a chegar uma nova gera\u00e7\u00e3o, que aceita, em primeiro lugar, o som, em detrimento da melodia. \u00c9 o som que fala por si. Se for a um concerto dos The Roots verifica que tocam uma caixa-de-ritmos com a boca ou fazem uso intensivo do \u201cscratch\u201d. Servem-se de tudo o que t\u00eam \u00e0 m\u00e3o para produzir som. Esta \u00e9 a filosofia do hip hop e tamb\u00e9m a minha. A diferen\u00e7a est\u00e1 em que, enquanto os americanos recorrem a todas as m\u00e1quinas que t\u00eam \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, na Europa fazem-se coisas bastante mais ac\u00fasticas, mais naturais, mesmo mais silenciosas. Mas, repito, oponho-me a seguir qualquer moda, por isso recuso integrar-me no universo do hip hop ou do jazz.<br \/>\nP. \u2013 Apesar disso, nota-se, em \u201cSeven\u201d, que houve um trabalho de produ\u00e7\u00e3o minucioso. Como \u00e9 que o grupo trabalha em est\u00fadio? Gravam uma voz de cada vez ou cantam logo em conjunto?<br \/>\nR. \u2013 Trabalho sozinha. Todos os discos do grupo foram feitos por mim, sozinha. Gravo uma voz de cada vez, sozinha, mas sabendo de antem\u00e3o o som que pretendo. \u00c9 um processo que vivo apaixonadamente, passo o tempo todo a intrometer-me, a mexer em tudo, a escutar o m\u00ednimo pormenor. Mas n\u00e3o sou como Bobby McFerrin, que n\u00e3o precisa de mais ningu\u00e9m. N\u00e3o resultaria se fizesse como ele. \u00c9 preciso misturar timbres, vozes diferentes, uma graves, outras agudas, umas outras roucas. Pedi \u00e0s outras raparigas que cantassem como eu queria. Em \u201cSabsylma\u201d mudei as raparigas, porque quis usar outros timbres diferentes. Fiz o mesmo neste terceiro \u00e1lbum, em que pretendi misturar o timbre das vozes com outros instrumentos.<br \/>\nP. \u2013 Essa presen\u00e7a instrumental mais forte n\u00e3o descaracterizou o grupo? As Zap Mama deixaram de ser o grupo de vozes \u201ca capella\u201d dos dois primeiros \u00e1lbuns\u2026<br \/>\nR. \u2013 \u00c9 simples, as Zap Mama n\u00e3o s\u00e3o um grupo no sentido restrito do termo, mas um conceito que eu pr\u00f3pria inventei. No in\u00edcio, a \u00eanfase era posta nas polifonias do mundo inteiro e foi isso que fiz. Presentemente, numa altura em que toda a gente tem a cabe\u00e7a voltada para a polifonia, decidi cantar de outra forma e voltar-me para o mundo moderno.<br \/>\nP. \u2013 Ao vivo, as coisas funcionam da mesma maneira?<br \/>\nR. \u2013 Quem j\u00e1 ouviu as novas Zap Mama j\u00e1 comprovou a exist\u00eancia da nova componente r\u00edtmica e instrumental. Digamos que, hoje, tocamos para um p\u00fablico mais intelectualizado, enquanto, no in\u00edcio, o faz\u00edamos para uma plateia mais simples, talvez mais pr\u00f3xima do mundo africano. Hoje tocamos para toda a gente. Todos t\u00eam direito a escutar polifonias.<br \/>\nP. \u2013 Como conheceu o \u201crasta\u201d U-Roy, que participa em \u201cXXX\u201d?<br \/>\nR. \u2013 O meu empres\u00e1rio \u00e9 tamb\u00e9m organizador de concertos e falou-me de um com U-Roy, um m\u00fasico que ou\u00e7o e adoro desde os meus 14 anos. Larguei tudo para ir ao concerto, encontrei-me com ele e convidei-o a tocar connosco. Felizmente, ele concordou\u2026<br \/>\nP. \u2013 Como surgiu a ideia de fazer a vers\u00e3o de \u201cDamn your eyes\u201d, de Etta James?<br \/>\nR. \u2013 Quando era adolescente, ouvi esta can\u00e7\u00e3o na altura em que sofri uma desilus\u00e3o amorosa e foi ela que me ajudou a sair da tristeza. Ao inclui-la em \u201cSeven\u201d achei que talvez pudesse, de novo, ajudar outros adolescentes a sair da mesma situa\u00e7\u00e3o\u2026<br \/>\nP. \u2013 Agora que o fen\u00f3meno da world music est\u00e1 firmemente implantado, \u00e9 mais f\u00e1cil fazer chegar ao p\u00fablico a m\u00fasica das Zap Mama?<br \/>\nR. \u2013 Sem d\u00favida que sim, mas o meu objectivo n\u00e3o \u00e9 tirar partido da sorte, mas sim descobrir e divulgar os sons de outros povos. Se um maior n\u00famero de pessoas ouvir a m\u00fasica das Zap Mama, o importante \u00e9 poderem dizer: \u201cAh! Olha a m\u00fasica dos tuaregues!\u201d Ou: \u201cOh, \u00e9 assim a m\u00fasica dos pigmeus?\u201d Este \u00e9 o meu objectivo principal. Pessoas que nunca tiveram antes qualquer contacto com a m\u00fasica \u00e9tnica, v\u00e3o descobrir e apreciar outros povos e culturas e tomar consci\u00eancia de que n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3s sobre a Terra.<br \/>\nP. \u2013 \u201cSabsylma\u201d tem como conceito base a luta contra a injusti\u00e7a. \u201cSeven\u201d parece inclinar-se mais para o lado do misticismo. \u00c9 verdade?<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o sei se h\u00e1 misticismo\u2026 A \u00fanica diferen\u00e7a que sinto em rela\u00e7\u00e3o ao que era quando fiz \u201cSabsylma\u201d \u00e9 que agora sou m\u00e3e. Tenho a impress\u00e3o de ser mais realista neste \u00e1lbum. No primeiro disco do grupo, vivia num mundo que, embora sendo real, era um mundo que ningu\u00e9m conhecia.<br \/>\nP. \u2013 \u201cZap Mama\u201d e \u201cSabsylma\u201d jogaram, em grande parte, no efeito da surpresa. Agora que ela se desvaneceu, as Zap Mama investigam novos caminhos?<br \/>\nR. \u2013 Estou sempre a descobrir coisas novas. Novos m\u00fasicos, como St\u00e9phane Galland e Michael Hatzigeorgiou, com quem aprendi muito. Com os tuaregues, descobri novas maneiras de funcionar. Fez-me abrir os olhos para novas realidades.<br \/>\nP. \u2013 O estilo vocal das Zap Mama fez escola, com seguidores como as \u00c9vasion, por exemplo. Como encara este facto?<br \/>\nR. \u2013 \u00c9 verdade. Quanto mais pessoas houver para fazer este estilo de coisas, melhor. Desde que o fa\u00e7am bem, claro. Se n\u00e3o fosse assim, n\u00e3o fazia sentido gravar discos. Por mim, gostaria de fazer cantar as pessoas que sentem desejo de o fazer.<br \/>\nP. \u2013 Para acabar, que for\u00e7a \u00e9 que a faz cantar?<br \/>\nR. \u2013 Saber que, atrav\u00e9s do canto, se cura muitas doen\u00e7as. Que a melodia tem um poder de cura. As pessoas t\u00eam falta de ar, em vez de tomar rem\u00e9dios, deviam encher os pulm\u00f5es. E o canto \u00e9, na ess\u00eancia, encher os pulm\u00f5es.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bkxIT5hNNxw\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 5 Mar\u00e7o 1997 Sete, o n\u00famero da cura \u201cSeven\u201d \u00e9 o s\u00e9timo sentido que cura e o t\u00edtulo do novo trabalho das Zap Mama, filhos das viagens de Marie Daulne pelo hip hop, o reggae, a soul e a cultura tuaregue. Polifonias dos mundos antigos e modernos para encher os pulm\u00f5es. 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