{"id":5324,"date":"2016-12-21T02:49:29","date_gmt":"2016-12-21T09:49:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=5324"},"modified":"2016-12-21T02:49:29","modified_gmt":"2016-12-21T09:49:29","slug":"a-bolha-de-sabao-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/12\/21\/a-bolha-de-sabao-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"&#8220;A Bolha De Sab\u00e3o&#8221; &#8211; Artigo De Opini\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock<\/p>\n<p>26 Fevereiro 1997<br \/>\nOPINAR<\/p>\n<p><strong>A BOLHA DE SAB\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Uma bolha de sab\u00e3o, quando rebenta, faz \u201cpop\u201d. N\u00e3o conseguiremos encontrar mais nenhum tipo de consist\u00eancia e perman\u00eancia na m\u00fasica que tamb\u00e9m faz \u201cpop\u201d. Ela \u00e9, por ess\u00eancia, mesmo assim. Subsiste enquanto perdura uma imagem, uma moda, uma tend\u00eancia. Afinal, ela n\u00e3o existe sem uma ind\u00fastria a suport\u00e1-la. E a ind\u00fastria n\u00e3o defende a arte, fabrica produtos para venda. A sua finalidade n\u00e3o \u00e9 criar obras-primas, mas facturar cifr\u00f5es.<br \/>\nN\u00e3o interessa promover o que perdura. O objectivo \u00e9 manter uma din\u00e2mica de consumo, de manuten\u00e7\u00e3o de uma est\u00e9tica do ef\u00e9mero, em que as m\u00fasicas se canibalizam mutuamente, sobrevivendo enquanto sobrevive o gosto e a apet\u00eancia das massas, num per\u00edodo de tempo limitado e pr\u00e9-determinado pela ind\u00fastria.<br \/>\nOs \u201cmedia\u201d obedecem, por seu lado, \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es do \u201ctiming\u201d das editoras. A procura, por vezes desesperada, da \u201cnext big thing\u201d disfar\u00e7a o vazio que habita na maior parte das \u201cnovas\u201d propostas avan\u00e7adas pelos \u201cnovos\u201d artistas. \u00c9 a pescadinha do rabo na boca, o apagamento da hist\u00f3ria. Ou a sua reescrita \u00e0 luz de interesses pol\u00edticos e comerciais espec\u00edficos, como no \u201c1984\u201d de Orwell.<br \/>\nSabe-se que \u00e9 assim, mas alinha-se no jogo. Na pop nada de novo foi dito depois dos Beatles, depois dos Beach Boys, depois dos Kinks ou, pelo contr\u00e1rio, a ruptura com o passado \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que a ilus\u00e3o persista? \u00c9 verdade que, com a proximidade do final do s\u00e9culo, o tempo se comprime e todas as \u00e9pocas parecem pr\u00f3ximas e dispon\u00edveis para reciclagem. Fen\u00f3menos de grupos como os Oasis ou Kula Shaker s\u00e3o sintom\u00e1ticos da autofagia que predomina nos lugares cimeiros dos \u201ctops\u201d.<br \/>\nMudaram os meios de produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o, aumentaram a velocidade e a quantidade, isso \u00e9 um facto. A m\u00fasica e os m\u00fasicos pop s\u00e3o os mais narcisistas do mundo. Toda a gente se v\u00ea no espelho de toda a gente. David Thomas, dos Pere Ubu, disse uma vez, numa entrevista, que existe, actualmente, \u201cm\u00fasica a mais\u201d. Somos invadidos por sons que mais n\u00e3o s\u00e3o do que a mera tecnologia e conceitos de produ\u00e7\u00e3o a camuflar a falta de talento. Os Kraftwerk, ao menos, n\u00e3o esconderam o jogo, tirando o m\u00e1ximo partido da mentira.<br \/>\n\u00c9 verdade que existiu ao longo das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas uma corrente subterr\u00e2nea que soube aproveitar continuar e desestruturar as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria. Uma linhagem de \u201coutsiders\u201d que sempre se esteve nas tintas para fazer coincidir a sua m\u00fasica com os lugares-comuns das respectivas \u00e9pocas. Dos anos 60 at\u00e9 hoje. Dos Velvet Underground, Captain Beefheart e Mothers of Invention aos Soft Machine, Henry Cow, Can, Magma e Faust. Dos Art Bears aos Art Zoyd. De Ron Geesin a Brian Eno. De Holger Czukay a Holger Hiller. De Anthony Moore a Barry Adamson. Dos Cluster e Neu! aos Trans AM e Tortoise.<br \/>\nEntre o C\u00e9u e o Inferno, a dist\u00e2ncia \u00e9 a que separa os ouvidos de quem ouve e de quem faz. Qual \u00e9 melhor, \u201cSgt. Pepper Lonely Heart\u2019s Club Band\u201d, dos Beatles, ou \u201cWe\u2019re only in it for the Money\u201d, uma s\u00e1tira, incluindo a capa, ao primeiro, de Frank Zappa com os Mothers Of Invention? Ambos ficaram para a hist\u00f3ria como marcos, mas pelos motivos opostos. Os Beatles, porque conseguiram fazer a s\u00edntese perfeita de uma \u00e9poca, juntando o g\u00e9nio da inspira\u00e7\u00e3o e a percep\u00e7\u00e3o da sensibilidade do final da d\u00e9cada a tudo o que os meios de produ\u00e7\u00e3o tinham para oferecer, em 1967. Os Mothers, exactamente no mesmo ano, porque souberam usar em seu proveito esses mesmos meios (da tecnologia \u00e0 vampiriza\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio colectivo), manipulando e ridicularizando a seu bel-prazer, com o mesmo g\u00e9nio e uma descomunal dose de cinismo, quer a ind\u00fastria, quer o p\u00fablico \u201cmainstream\u201d.<br \/>\nNa verdade, a bolha de sab\u00e3o, ao rebentar, n\u00e3o faz barulho nenhum.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ToQWHNFZ2RE\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 26 Fevereiro 1997 OPINAR A BOLHA DE SAB\u00c3O Uma bolha de sab\u00e3o, quando rebenta, faz \u201cpop\u201d. N\u00e3o conseguiremos encontrar mais nenhum tipo de consist\u00eancia e perman\u00eancia na m\u00fasica que tamb\u00e9m faz \u201cpop\u201d. Ela \u00e9, por ess\u00eancia, mesmo assim. 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