{"id":5321,"date":"2016-12-20T14:43:52","date_gmt":"2016-12-20T21:43:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=5321"},"modified":"2016-12-20T14:43:52","modified_gmt":"2016-12-20T21:43:52","slug":"ryuichi-sakamoto-um-beijo-no-rio-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/12\/20\/ryuichi-sakamoto-um-beijo-no-rio-entrevista\/","title":{"rendered":"Ryuichi Sakamoto &#8211; &#8220;Um Beijo No Rio&#8221; &#8211; Entrevista"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>29 JANEIRO 1997<\/p>\n<p><strong>Brasil \u201csensual\u201d de Ryuichi Sakamoto<\/p>\n<p>\u201cUM BEIJO NO RIO\u201d<\/p>\n<p>\u201cSensual\u201d\u00e9 o termo que Ryuichi Sakamoto utiliza para descrever o seu \u00faltimo \u00e1lbum, \u201cSmoochy\u201d. As influ\u00eancias v\u00e3o de Visconti e Godard a Miles Davis, mas a principal, como no caso de Arto Lindsay, \u00e9 a m\u00fasica brasileira. O Rio de Janeiro, em vers\u00e3o \u201ctrip-hop\u201d de um japon\u00eas \u201cagarrado\u201d \u00e0 tecnologia, mas que receia ser subjugado pelo excesso de informa\u00e7\u00e3o da Internet.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=5322\" rel=\"attachment wp-att-5322\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/rs-224x300.jpg\" alt=\"rs\" width=\"224\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5322\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/rs-224x300.jpg 224w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/rs-300x402.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/rs-75x100.jpg 75w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/rs.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201cSmoochy\u201d \u00e9 o t\u00edtulo do novo \u00e1lbum do japon\u00eas Ryuichi Sakamoto. Influenciado pela m\u00fasica brasileira, prolonga uma tend\u00eancia j\u00e1 demonstrada anteriormente, quando o antigo elemento dos Yellow Magic Orchestra sugeriu a Arto Lindsay que gravasse um \u00e1lbum igualmente inspirado nos sons do Brasil. Arto concordou e o resultado foi \u201cO Corpo Sutil\u201d \u2013 j\u00e1 recenseado nas p\u00e1ginas deste suplemento \u2013, sobre o qual o americano tece os coment\u00e1rios que podem ser lidos na p\u00e1gina mesmo ao lado. Sakamoto produziu ainda a faixa \u201c\u00c9 preciso perdoar\u201d, com Caetano Veloso e Ces\u00e1ria \u00c9vora, para a recente colect\u00e2nea, \u201cRed, Hot and Rio\u201d.<br \/>\n\u201cSmoochy\u201d, do cal\u00e3o ingl\u00eas \u201csmooch\u201d (\u201cbeijar\u201d), \u00e9, nas palavras da editora, um \u00e1lbum \u201csensual\u201d, um t\u00edtulo bastante apropriado, j\u00e1 que o disco, segundo o seu autor, \u201cfoi fortemente influenciada pela m\u00fasica brasileira, cujas melodias tendem para a sensualidade\u201d. O alinhamento compreende 13 temas, nos quais colaboram com o japon\u00eas os brasileiros Jaques Morelenbaum, no violoncelo, e Everton Nelson, no violino, que j\u00e1 tinham tocado no \u00e1lbum do ano passado, \u201c1996\u201d. Amadeo Pace, Arto Lindsay, Yoshiyuki Sahashi, Alexander Sipiagin, Miki Nakatani, Toshikori Mori, Vinicius Cantu\u00e1ria (outro brasileiro, presente em \u201cO Corpo Sutil\u201d), Lawrence Feldman, Vagabond Suzuki, Gil Goldstein e Hiroshi Takano s\u00e3o os restantes m\u00fasicos convidados de \u201cSmoochy\u201d. O \u00faltimo tema, \u201cTango\u201d, conta ainda com a participa\u00e7\u00e3o de Soraya, cantora argentina na berra que preenche regularmente o pequeno ecr\u00e3 no canal de m\u00fasica mexicano HTV.<br \/>\nNum exclusivo para o P\u00daBLICO, Ryuichi Sakamoto comentou cada um dos temas de \u201cSmoochy\u201d, explicando previamente as motiva\u00e7\u00f5es gerais que levaram \u00e0 sua feitura: \u201cComecei a escrever as can\u00e7\u00f5es para \u2018Smoochy\u2019 em Maio de 1995. Afadiguei-me como nunca para compor este \u00e1lbum. Iniciei o projecto colocando a mim pr\u00f3prio algumas quest\u00f5es que nunca conseguira resolver desde que sou m\u00fasico: \u2018O que \u00e9 que eu desejo realmente fazer?\u2019, \u2018o que \u00e9 que procuro exprimir quando toco piano?\u2019, \u2018por que sinto vontade de escrever novas can\u00e7\u00f5es?\u2019, \u2018que prazer \u00e9 que tudo isto me d\u00e1?\u2019\u201d Quest\u00f5es pertinentes, sem d\u00favida, as quais levam a que toda a gente retenha a respira\u00e7\u00e3o, na ang\u00fastia que precede as grandes revela\u00e7\u00f5es.<br \/>\nBom, Sakamoto alivia um pouco a tens\u00e3o na explica\u00e7\u00e3o que d\u00e1 a seguir: \u201cAp\u00f3s todas estas interroga\u00e7\u00f5es pessoais, decidi levar em frente a ideia que j\u00e1 desenvolvera no meu \u00e1lbum precedente, \u2018Sweet Revenge\u2019, isto \u00e9, sublinhar a melodia, tendo, desta vez, decidido explorar um pouco mais este potencial. Para isso, tive necessidade de escutar com mais aten\u00e7\u00e3o a voz do meu cora\u00e7\u00e3o\u2026\u201d<br \/>\nDepois, uma esp\u00e9cie de confiss\u00e3o: \u201cMas, \u00e0 medida que fazia este \u00e1lbum, fiquei apanhado pela Internet. Esta interferiu, na medida em que a Internet \u00e9 um vasto gerador de informa\u00e7\u00e3o ilimitada. A minha criatividade sentiu-se amea\u00e7ada, porque compor \u00e9, essencialmente, criar nova informa\u00e7\u00e3o. Absorver demasiada informa\u00e7\u00e3o pode constituir um obst\u00e1culo para o artista, cuja tarefa \u00e9 produzir algo de novo. Esta tarefa apela a uma aus\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o. E a Internet \u00e9 a ant\u00edtese disso.\u201d<br \/>\nFaixa a faixa, e apesar da tenta\u00e7\u00e3o da Internet, o cora\u00e7\u00e3o de Ryuichi Sakamoto decidiu o seguinte:<\/p>\n<p>\u201cBibo no aosora\u201d<br \/>\n\t\u201cInspirado pelo filme \u2018Morte em Veneza\u2019, de Visconti, \u00e9 uma hist\u00f3ria acerca da morte, o mar e o c\u00e9u azul, observados atrav\u00e9s de \u00f3culos com lentes infravermelhas. Mas as principais personagens s\u00e3o femininas, o que difere um pouco da hist\u00f3ria de Visconti.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAishiteru, aishitenai\u201d<br \/>\n\t\u201cP\u00f5e em destaque a voz de Miki Nakatani, uma actriz japonesa. Ap\u00f3s uma entrevista com ela de tr\u00eas horas, colei a sua voz \u00e0 m\u00fasica. Este processo inspirou-se no processo de montagem utilizado por Jean-Luc Godard nos seus filmes dos anos 60.\u201d<\/p>\n<p>\u201cBring them home\u201d<br \/>\n\t\u201cUm \u2018requiem\u2019 pelos mortos que invoca uma sensa\u00e7\u00e3o de profundo desespero. Inspirou-se numa can\u00e7\u00e3o muito triste intitulada \u2018Five millions dead\u2019.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAoneko no torso\u201d<br \/>\n\t\u201cPara mim, \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o sobre uma sensualidade que n\u00e3o \u00e9 quente, mas fria.\u201d<\/p>\n<p>\u201cTango\u201d<br \/>\n\t\u201c\u00c9 a hist\u00f3ria de um homem que foge para a Argentina, depois de ter abandonado a sua terra natal e a sua amante.\u201d<\/p>\n<p>\u201cInsensatez\u201d<br \/>\n\t\u201cUma colagem de sons que gravei no Rio de Janeiro. Esta pe\u00e7a tamb\u00e9m sofreu a influ\u00eancia da obra de Miles Davis nos anos 70.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPoesia\u201d<br \/>\n\t\u201cOs t\u00f3picos centrais s\u00e3o o mar, os tr\u00f3picos, assobiar e o estado de esp\u00edrito de se estar optimista.\u201d<\/p>\n<p>\u201cDennogiwa\u201d<br \/>\n\t\u201cUm conto dos anos 90 sobre o \u2018interface\u2019 da ecologia com as redes inform\u00e1ticas.\u201d<\/p>\n<p>\u201cHemisphere\u201d<br \/>\n\t\u201cA minha perspectiva sobre uma can\u00e7\u00e3o \u2018Samba numa nota s\u00f3\u2019 \u2013 a hist\u00f3ria de um homem que bebe rum todo o dia, sob um sol abrasador, de que se desprende uma sensa\u00e7\u00e3o de resigna\u00e7\u00e3o e remorso.\u201d<\/p>\n<p>\u201cManatsu no yo no ana\u201d<br \/>\n\t\u201cA primeira can\u00e7\u00e3o que escrevi para o \u00e1lbum. O final \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o do ar calmo, mas sufocante de Times Square, \u00e0 meia-noite, que traz \u00e0 minha cabe\u00e7a imagens da noite, da lua, da cidade e penumbras azuladas.\u201d<\/p>\n<p>\u201cRio\u201d<br \/>\n\t\u201cOutra colagem de sons que gravei no Rio, do mar e mi\u00fados num aeroporto. A melodia principal surgiu, no entanto, quando passeava nas ruas de Nova Iorque de madrugada.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA day in the park\u201d<br \/>\n\t\u201cDesenvolveu-se a partir de uma frase de guitarra de um can\u00e7\u00e3o que escrevi para as Geisha Girls, chamada \u2018Shonen\u2019. Foi inspirada em manh\u00e3s luminosas, em crian\u00e7as a brincarem no parque, nas suas m\u00e3es, nos pensamentos dos pais ao compreenderem que os seus filhos um dia os abandonar\u00e3o. As vozes deste tema pertencem a Vivian Sessoms.\u201d<\/p>\n<p>\u201cTango (version castellano)\u201d<br \/>\n\t\u201cNesta vers\u00e3o, a vocaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 de Soraya.\u201d<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IWVRv7idp24\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 29 JANEIRO 1997 Brasil \u201csensual\u201d de Ryuichi Sakamoto \u201cUM BEIJO NO RIO\u201d \u201cSensual\u201d\u00e9 o termo que Ryuichi Sakamoto utiliza para descrever o seu \u00faltimo \u00e1lbum, \u201cSmoochy\u201d. As influ\u00eancias v\u00e3o de Visconti e Godard a Miles Davis, mas a principal, como no caso de Arto Lindsay, \u00e9 a m\u00fasica brasileira. 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