{"id":5313,"date":"2016-12-18T09:09:20","date_gmt":"2016-12-18T16:09:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=5313"},"modified":"2016-12-18T09:09:20","modified_gmt":"2016-12-18T16:09:20","slug":"entrevista-mark-sandman-natacao-obrigatoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/12\/18\/entrevista-mark-sandman-natacao-obrigatoria\/","title":{"rendered":"Entrevista: Mark Sandman &#8211; &#8220;Nata\u00e7\u00e3o Obrigat\u00f3ria&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>5 Mar\u00e7o 1997<\/p>\n<p><strong>NATA\u00c7\u00c3O OBRIGAT\u00d3RIA<\/p>\n<p>\u201cLow rock\u201d \u00e9 como Mark Sandman, baixista e \u201ctritarista\u201d dos Morphine, define o som do novo \u00e1lbum do grupo, \u201cLike Swimming\u201d. Sem fado, mas com mais espa\u00e7o e dedicat\u00f3ria \u00e0 m\u00fasica eg\u00edpcia. E um uso intensivo dos sintetizadores, s\u00f3 porque estavam ali mesmo \u00e0 m\u00e3o no est\u00fadio. O regresso a Portugal est\u00e1 marcado para o princ\u00edpio de Maio.<\/p>\n<p>Depois de \u201cGood\u201d, \u201cCure for Pain\u201d e \u201cYes\u201d, o novo \u00e1lbum dos Morphine, \u201cLike Swimming\u201d, exibe, em simult\u00e2neo, as marcas de uma ainda maior conten\u00e7\u00e3o e o desejo de experimentar novas paletas sonoras. Mara Mark Sandman, como o pr\u00f3prio explicou ao P\u00daBLICO, trata-se t\u00e3o-s\u00f3 de tirar m\u00e1ximo partido das circunst\u00e2ncias e de aproximar a din\u00e2mica dos espect\u00e1culos \u00e0 alquimia dos discos.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=5314\" rel=\"attachment wp-att-5314\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/ms.jpg\" alt=\"ms\" width=\"233\" height=\"240\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5314\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/ms.jpg 233w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/ms-97x100.jpg 97w\" sizes=\"auto, (max-width: 233px) 100vw, 233px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>P\u00daBLICO \u2013 Sobre o novo disco j\u00e1 afirmou que tem \u201cmais subtrac\u00e7\u00e3o do que produ\u00e7\u00e3o\u201d. Mas a verdade \u00e9 que enriqueceram o som com instrumentos como sintetizadores, sequenciadores, \u00f3rg\u00e3o electr\u00f3nico\u2026<br \/>\nMARK SANDMAN \u2013 Digamos que acontecem menos coisas ao mesmo tempo. H\u00e1 mais espa\u00e7o. Um espa\u00e7o que funciona como se fosse outro instrumento. Os outros discos j\u00e1 tinham sintetizadores, s\u00f3 que, desta vez, todos esses instrumentos que j\u00e1 usamos desde o in\u00edcio foram misturados mais alto. De resto, o m\u00e9todo de grava\u00e7\u00e3o foi o mesmo, de maneira a que as can\u00e7\u00f5es possam ser tocadas ao vivo.<br \/>\nP. \u2013 O que \u00e9 exactamente a \u201ctritar\u201d que surge na ficha t\u00e9cnica?<br \/>\nR. \u2013 \u00c9 uma inven\u00e7\u00e3o minha. Tem uma corda de baixo e duas de guitarra.<br \/>\nP. \u2013 A necessidade de um som diferente?<br \/>\nR. \u2013 \u00c9 mais uma quest\u00e3o de ser mais f\u00e1cil de tocar do que um instrumento normal.<br \/>\nP. \u2013 Para os Morphine a t\u00e9cnica \u00e9 absolutamente secund\u00e1ria?<br \/>\nR. \u2013 Sim, a esse n\u00edvel sentimo-nos completamente perdidos [risos]. N\u00f3s tentamos, mas\u2026 Eu n\u00e3o tenho t\u00e9cnica do baixo de quatro cordas. N\u00e3o consigo tocar. Toco uma can\u00e7\u00e3o e as m\u00e3os j\u00e1 n\u00e3o conseguem\u2026<br \/>\nP. \u2013 Apesar disso, o som de baixo dos Morphine faz, por vezes, lembrar um contrabaixo\u2026<br \/>\nR. \u2013 Mas convid\u00e1mos para este disco um amigo que toca contrabaixo, na primeira can\u00e7\u00e3o e em \u201cEmpty box\u201d. E, em \u201cHanging on a curtain\u201d, o que parece ser um contrabaixo \u00e9, na verdade, um \u201cmellotron\u201d.<br \/>\nP. \u2013 \u201cMellotron\u201d que foi um dos primeiros instrumentos electr\u00f3nicos a ser utilizado nos anos 60 e, sobretudo, nos 70, pela escola progressiva. O termo \u201cprogressivo\u201d assusta-o?<br \/>\nR. \u2013 \u201cProgressivo\u201d tem sido um termo cuja defini\u00e7\u00e3o est\u00e1 constantemente a mudar. Como o \u201cjazz\u201d ou \u201calternativo\u201d.<br \/>\nP. \u2013 \u201cLike Swimming\u201d demonstra um gosto, por vezes subliminar, pelos blues e pelo jazz. S\u00e3o dois universos determinantes no som dos Morphine?<br \/>\nR. \u2013 Ou\u00e7o de tudo. Gosto de um tipo particular de blues, do in\u00edcio dos anos 50, os discos de Muddy Waters dessa \u00e9poca. H\u00e1 um disco dele fabuloso, sem bateria, somente contrabaixo e \u201cslide guitar\u201d, com mais din\u00e2mica do que qualquer energia rock dos dias de hoje. E muito mais dram\u00e1tico.<br \/>\nP. \u2013 Tamb\u00e9m aparecem em \u201cLike Swimming\u201d ambientes fumarentos, de bares em horas de fecho, um pouco ao modo de Tom Waits\u2026<br \/>\nR. \u2013 Em certas can\u00e7\u00f5es h\u00e1, de facto, muito esse ambiente \u201csmoky\u201d, do qual, sobretudo, os escritores gostam muito de falar.<br \/>\nP. \u2013 Como \u00e9 que os Morphine trabalham em est\u00fadio? Sente-se que os processos devem ser diferentes do habitual.<br \/>\nR. \u2013 Para a grava\u00e7\u00e3o de \u201cLike Swimming\u201d, us\u00e1mos um gravador de 24 pistas, o que \u00e9 vulgar nestas situa\u00e7\u00f5es. Tent\u00e1mos tocar o mais que pudemos ao vivo no est\u00fadio. Nalguns casos, tivemos de acrescentar sons por cima. Costumamos trabalhar em est\u00fadio bastante depressa, porque as can\u00e7\u00f5es v\u00eam quase todas j\u00e1 rodadas dos espect\u00e1culos ao vivo. Mas acontece que acabamos por usar bastantes \u201coverdubs\u201d, por uma raz\u00e3o muito simples. \u00c9 que depois de gravarmos a banda a tocar em conjunto, sobram ainda uma quantidade de pistas vazias. Nessa discutimos entre n\u00f3s e inclu\u00edmos toda a esp\u00e9cie de efeitos bizarros, utilizando tudo o que temos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o no est\u00fadio. Da\u00ed a tal inclus\u00e3o dos sintetizadores ou do \u201cmellotron\u201d nas misturas de \u201cLike Swimming\u201d, s\u00f3 porque, na altura, estavam ali\u2026<br \/>\nP. \u2013 O que, ao vivo, \u00e9 imposs\u00edvel de fazer. S\u00e3o uma banda diferente, nos concertos?<br \/>\nR. \u2013 Ao vivo, temos de fazer com que a coisa funcione s\u00f3 com tr\u00eas pessoas. Penso que soamos melhor ao vivo, o que, para mim, \u00e9 \u00f3ptimo, na medida em que a\u00e7o que os nossos discos j\u00e1 s\u00e3o \u00f3ptimos!&#8230; J\u00e1 agora, tivemos uma quantidade de pedidos de entrevistas em Portugal, o que nos espantou, tratando-se de um pa\u00eds t\u00e3o pequeno. Talvez cinco vezes mais do que as que tivemos em Inglaterra\u2026 Porqu\u00ea? O grupo tem obtido uma reac\u00e7\u00e3o espantosa em Portugal. Posso dizer que a minha estadia aqui, quando o grupo veio c\u00e1 tocar, influenciou totalmente a minha maneira de compor. Talvez fosse por causa de todas as sardinhas que comi, n\u00e3o sei!&#8230;<br \/>\nP. \u2013 A prop\u00f3sito disso, declarou no passado que iria usar um fado neste disco. N\u00e3o cumpriu a promessa\u2026<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o usei, de facto, nenhum fado, mas isso n\u00e3o significa que a influ\u00eancia n\u00e3o esteja presente\u2026 O que talvez explique a boa reac\u00e7\u00e3o dos portugueses aos nossos discos\u2026<br \/>\nP. \u2013 Tamb\u00e9m falou numa orquestra eg\u00edpcia\u2026<br \/>\nR. \u2013 Bem, mas isso aparece no tema instrumental de abertura, \u201cLilah\u201d. Fizemos uma vers\u00e3o mais produzida, com vozes, e uma utiliza\u00e7\u00e3o intensiva de um naipe de cordas, mas n\u00e3o ficou pronta a tempo de entrar no \u00e1lbum. Acontece que tenho vindo a interessar-me a fundo pela m\u00fasica eg\u00edpcia, nos \u00faltimos anos. Descobri uma das superestrelas da m\u00fasica eg\u00edpcia, Oum Kalsum [ou Kalthoum, por coincid\u00eancia, uma das vozes preferidas por Am\u00e1lia Rodrigues]. Gravou cerca de 300 \u00e1lbuns. E h\u00e1 um n\u00famero enorme de bandas, uma cena pop eg\u00edpcia com uma quantidade de estilos diferentes.<br \/>\nP. \u2013 Reconhece que n\u00e3o \u00e9 vulgar um m\u00fasico de rock interessar-se por esse tipo de sons?<br \/>\nR. \u2013 Na verdade, n\u00e3o ou\u00e7o muita m\u00fasica pop quando estou em casa. \u00c9 como ler um livro, n\u00e3o estou constantemente a ler livros, uns a seguir aos outros. Mas nessas ocasi\u00f5es, ou quando estou a conduzir, ou\u00e7o sempre discos que nunca, mas nunca, passam na r\u00e1dio. Al\u00e9m de Oum Kalsum, m\u00fasica irlandesa, m\u00fasicos irlandeses qjue tocam em todo o lado e v\u00e3o para casa gravar discos e tocar durante horas e horas sem parar. Pessoas que aprenderam por elas pr\u00f3prias, cujo \u00fanico prazer \u00e9 tocar, sem se preocuparem em ser \u201cpop stars\u201d.<br \/>\nP. \u2013 Os Morphine tamb\u00e9m seguem os seus pr\u00f3prios m\u00e9todos. Por exemplo, nas digress\u00f5es, recusam-se a fazer as primeiras partes de outros artistas. Por alguma raz\u00e3o em especial?<br \/>\nR. \u2013 \u00c9 muito mais divertido assim. Queremos que as pessoas venham para ver e ouvir os Morphine e n\u00e3o outra banda qualquer.<br \/>\nP. \u2013 O termo \u201cpost rock\u201d diz-lhe alguma coisa?<br \/>\nR. \u2013 Absolutamente nada. O termo que se aplica a n\u00f3s \u00e9 \u201clow rock\u201d.<br \/>\nP. \u2013 Os Morphine v\u00e3o voltar a actuar em Portugal proximamente?<br \/>\nR. \u2013 Sim, no pr\u00f3ximo dia 1 de Maio, no Coliseu, em Lisboa. S\u00f3 falta a editora confirmar.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cirPd6HcL7w\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 5 Mar\u00e7o 1997 NATA\u00c7\u00c3O OBRIGAT\u00d3RIA \u201cLow rock\u201d \u00e9 como Mark Sandman, baixista e \u201ctritarista\u201d dos Morphine, define o som do novo \u00e1lbum do grupo, \u201cLike Swimming\u201d. Sem fado, mas com mais espa\u00e7o e dedicat\u00f3ria \u00e0 m\u00fasica eg\u00edpcia. E um uso intensivo dos sintetizadores, s\u00f3 porque estavam ali mesmo \u00e0 m\u00e3o no est\u00fadio. 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