{"id":5245,"date":"2016-11-22T10:36:46","date_gmt":"2016-11-22T17:36:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=5245"},"modified":"2016-11-22T10:36:46","modified_gmt":"2016-11-22T17:36:46","slug":"marta-dias-entrevista-suave-sobressalto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/11\/22\/marta-dias-entrevista-suave-sobressalto\/","title":{"rendered":"Marta Dias &#8211; Entrevista &#8211; &#8220;Suave Sobressalto&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock<\/p>\n<p>26 Mar\u00e7o 1997<\/p>\n<p><strong>Marta Dias estreia-se a cantar sobre \u201critmos lentos\u201d<\/p>\n<p>SUAVE SOBRESSALTO<\/p>\n<p>\u201cY-U-\u00c9\u201d constitui a estreia discogr\u00e1fica, a solo, e Marta Dias, uma voz talentosa que antes j\u00e1 colaborara com General D, Ithaka e Cool Hipnoise. Sobre ritmos trip hop ou em temas mais afadistados, \u00e9 uma outra maneira de fazer dan\u00e7ar suavemente. Ou n\u00e3o fossem os seus her\u00f3is os nomes m\u00edticos da Tamla Motown.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=5246\" rel=\"attachment wp-att-5246\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/md-300x167.jpg\" alt=\"md\" width=\"300\" height=\"167\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5246\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/md-300x167.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/md-768x427.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/md-624x347.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/md-100x56.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/md.jpg 999w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>A serenidade prevalece nos sons e no discurso desta jovem cuja estreia discogr\u00e1fica aponta cruzamentos estimulantes da balada jazz e soul com a m\u00fasica de dan\u00e7a. Hist\u00f3rias vividas por interposta personagem, onde a nostalgia deixa um \u201ctravo de inquieta\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 Na folha promocional pode ler-se que \u201ccome\u00e7ou a cantar as m\u00fasicas que ouvia\u201d. Que m\u00fasicas eram essas?<br \/>\nMARTA DIAS \u2013 Canto desde sempre. Tenho a sorte de pertencer a uma fam\u00edlia onde \u00e9ramos incentivados a cantar ou a representar. A primeira m\u00fasica que ouvi foi do Jos\u00e9 Barata Moura, era o meu \u00eddolo quando tinha seis anos. Ouvi tamb\u00e9m muitas can\u00e7\u00f5es da resist\u00eancia, os meus pais eram de esquerda, muito Zeca Afonso. Mais tarde, Am\u00e1lia, fruto de uma grande fixa\u00e7\u00e3o que o meu padrasto tinha pelo fado. Tamb\u00e9m m\u00fasica cl\u00e1ssica, Mozart. Depois comecei a ouvir as minhas coisas, m\u00fasica da Motown, que colidia com tudo o que ouvia em casa.<br \/>\nP. \u2013 O qu\u00ea, da Tamla Motown?<br \/>\nR. \u2013 Temptations, Jackson Five, Diana Ross, Gladyz Knight and the Pips, Martha Reeves and the Vandellas. Sobretudo, houve can\u00e7\u00f5es que me marcaram, \u201cTake me in your arms and love me\u201d, da Gladys Knight, muitas coisas dos Temptations, inclusive fizemos uma vers\u00e3o de \u201cPapa was a rolling stone\u201d, ao vivo.<br \/>\nP. \u2013 Quando e onde cantou pela primeira vez em p\u00fablico?<br \/>\nR. \u2013 Aqui em Set\u00fabal, com o Teatro de Anima\u00e7\u00e3o da cidade. A solo, cantei uma vez no Dia da Mulher, tamb\u00e9m com dois guitarristas, um trabalho ac\u00fastico co cl\u00e1ssicos portugueses. H\u00e1 cerca de dois, tr\u00eas anos.<br \/>\nP. \u2013 Antes tinha estado em Col\u00f3nia. Essa estada foi-lhe \u00fatil, em termos de evolu\u00e7\u00e3o art\u00edstica?<br \/>\nR. \u2013 Teve muita influ\u00eancia, no sentido de poder desbravar a voz. Sempre tinha cantado a t\u00edtulo de brincadeira, de gozo, de frui\u00e7\u00e3o. Conheci ent\u00e3o uma cantora e professora de canto, Marta Laurito, brasileira. Conhecemo-nos no elevador, ouvi falar portugu\u00eas, algu\u00e9m a chamar Marta, que tamb\u00e9m \u00e9 o meu nome. Meti-me com ela, soube que era cantora de \u00f3pera e disse-lhe que era uma coisa que eu adorava fazer. Sempre tivera vergonha de dar aqueles berros, quer dizer, eu dava os meus berros, mas n\u00e3o eram muito sintonizados!&#8230; Ela ofereceu-se para me dar aulas, aceitei, uma vez por semana. Foi \u00f3ptimo. Depois tive aulas c\u00e1 em Portugal, com a Filomena Amaro, no Conservat\u00f3rio de Set\u00fabal.<br \/>\nP. \u2013 Essa aprendizagem serviu-lhe apenas do ponto de vista t\u00e9cnico ou influenciou tamb\u00e9m o seu estilo?<br \/>\nR. \u2013 Serviu para poder fazer imensas coisas que gostava de fazer com a minha voz e at\u00e9 essa altura n\u00e3o sabia como. E para me dar alguma disciplina. Mas em termos de estilo e orienta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o. Porque desisti muito cedo de qualquer vontade de seguir carreira na \u00f3pera.<br \/>\nP. \u2013 Porque \u00e9 que desistiu?<br \/>\nR. \u2013 Gosto demasiadamente da minha vida e quero ter uma. N\u00e3o quis tornar-me uma garganta e n\u00e3o fazer nada, foi isso que me assustou. Acredito, sobretudo, na express\u00e3o. Acho que uma voz transmite hist\u00f3rias, coisas vividas. A perspectiva de passar o tempo todo com um cachecol enrolado \u00e0 volta da garganta e de n\u00e3o poder fazer nada, porque isso me poderia afectar, n\u00e3o me agradava. Por mim, mesmo rouca, cantava.<br \/>\nP. \u2013 Antes da grava\u00e7\u00e3o do disco, colaborou com General D, Cool Hipnoise e Ithaka. Conte como foi.<br \/>\nR. \u2013 Com o General D, ele estava \u00e0 procura de uma pessoa para cantar um tema com uma refer\u00eancia aos blues. O meu irm\u00e3o, que tamb\u00e9m \u00e9 \u201crapper\u201d, apresentou-mo no concerto dos Urban Species. Fui ensaiar com eles, come\u00e7\u00e1mos logo com o tema, que se chamava \u201cAmigo prekavido\u201d. Fiz uma interven\u00e7\u00e3o com uma frase de blues, salvo erro, do John Lee Hooker. Com os Cool Hipnoise foi uma participa\u00e7\u00e3o muito breve, muito subtil, ao n\u00edvel de coro, no tema \u201cBairro da lata\u201d. Como os Ithaka, o Darin Pappas e o Pedro Passos estavam tamb\u00e9m \u00e0 procura de uma pessoa\u2026 \u00c9 engra\u00e7ado, nesses tr\u00eas projectos acabei por ter a mesma fun\u00e7\u00e3o.<br \/>\nP. \u2013 Darin Pappas que participa no seu disco\u2026<br \/>\nR. \u2013 \u2026 Como eu participo no pr\u00f3ximo disco dele. Foi ele que escreveu uma letra para o meu CD, \u201cLook to the blue\u201d.<br \/>\nP. \u2013 E o seu encontro com o produtor Jonathan Miller?<br \/>\nR. \u2013 Conheci-o antes das grava\u00e7\u00f5es com o General D. Ouviu a minha voz num ensaio, grav\u00e1mos, depois estive imenso tempo sem ouvir falar dele. Um dia telefonou-me a dizer que gostara imenso da minha voz e que pod\u00edamos trabalhar juntos. Fiquei um bocadinho espantada. Na altura estava no Hot Club a ter aulas e estava mais interessada na forma\u00e7\u00e3o dentro de uma \u00e1rea mais jazz\u00edstica. N\u00e3o me passava pela cabe\u00e7a gravar um disco. Ele mandou-me uma \u201cmaquette\u201d com alguns temas, mais tarde encontr\u00e1mo-nos para compor. Funcionou bem.<br \/>\nP. \u2013 As decis\u00f5es, ao n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o e da composi\u00e7\u00e3o, foram da inteira responsabilidade dele ou a Marta tamb\u00e9m teve alguma palavra a dizer?<br \/>\nR. \u2013 Ele compunha uma base instrumental, eu escrevia a letra, e a partir da\u00ed trabalh\u00e1vamos a dic\u00e7\u00e3o, poss\u00edveis op\u00e7\u00f5es, eu punha alguns instrumentos, seleccion\u00e1vamos o que funcionava melhor. Na produ\u00e7\u00e3o, os cr\u00e9ditos s\u00e3o s\u00f3 dele. Mas se havia qualquer coisa que eu achava absolutamente repelente, ele n\u00e3o insistia\u2026<br \/>\nP. \u2013 Em certos temas, Am\u00e1lia pode ser apontada como refer\u00eancia?<br \/>\nR. \u2013 Am\u00e1lia influenciou-me muito, mas isso n\u00e3o quer dizer que se ou\u00e7a Am\u00e1lia no que eu canto. Ela inspira-me, na medida em que as coisas dela est\u00e3o sempre presentes na minha cabe\u00e7a.<br \/>\nP. \u2013 Ali\u00e1s, os registos de voz que utiliza no \u00e1lbum s\u00e3o m\u00faltiplos\u2026<br \/>\nR. \u2013 Tenho uma costela africana, outra indiana, h\u00e1 uma fus\u00e3o muito grande em mim.<br \/>\nP. \u2013 O hip hop e o trip hop est\u00e3o inevitavelmente presentes na base r\u00edtmica de alguns temas. \u00c9 sobre elas que se sente mais \u00e0 vontade a cantar?<br \/>\nR. \u2013 O disco tem uma certa coer\u00eancia em termos de ritmo. H\u00e1 quem lhe chame \u201critmo lento\u201d. Sinto-me confort\u00e1vel a cantar nessa onda. Os temas s\u00e3o todos mais ou menos intimistas, mais ou menos nost\u00e1lgicos.<br \/>\nP. \u2013 O jazz tamb\u00e9m est\u00e1 presente. Se lhe pedisse que citasse cantoras, que nome escolheria?<br \/>\nR. \u2013 Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan. Sou uma cl\u00e1ssica e absolutamente conservadora nesses dom\u00ednios.<br \/>\nP. \u2013 O \u00e1lbum revela uma enorme serenidade da sua parte. \u00c9 assim mesmo na vida real?<br \/>\nR. \u2013 H\u00e1 uma tranquilidade na m\u00fasica, mas n\u00e3o nas letras. Gosto de contar hist\u00f3rias que sejam aparentemente normais mas que deixem um travo a inquieta\u00e7\u00e3o. Que de repente, quem as ouve, tenha um certo sobressalto.<br \/>\nP. \u2013 Como \u00e9 que constr\u00f3i essas hist\u00f3rias? Saem apenas da imagina\u00e7\u00e3o ou de viv\u00eancias concretas?<br \/>\nR. \u2013 H\u00e1 muitas pessoas que cruzaram a minha vida e muitas experi\u00eancias. E situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o compreendo totalmente mas em que imagino algu\u00e9m, que n\u00e3o sou eu, eu est\u00e1 l\u00e1 sentada, a viv\u00ea-las. Sentada, porque est\u00e1 a observar, sem nunca participar totalmente. \u00c9 essa pessoa interm\u00e9dia que me vai contando o que os outros est\u00e3o a viver.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CT_dsdr-poA\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 26 Mar\u00e7o 1997 Marta Dias estreia-se a cantar sobre \u201critmos lentos\u201d SUAVE SOBRESSALTO \u201cY-U-\u00c9\u201d constitui a estreia discogr\u00e1fica, a solo, e Marta Dias, uma voz talentosa que antes j\u00e1 colaborara com General D, Ithaka e Cool Hipnoise. Sobre ritmos trip hop ou em temas mais afadistados, \u00e9 uma outra maneira de fazer dan\u00e7ar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[591,12,229,99,68],"tags":[1351],"class_list":["post-5245","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas-1997","category-jazz","category-mpp","category-neo-classico","category-world","tag-marta-dias"],"views":1285,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5245","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5245"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5245\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5247,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5245\/revisions\/5247"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}