{"id":5233,"date":"2016-11-17T11:22:42","date_gmt":"2016-11-17T18:22:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=5233"},"modified":"2016-11-17T11:22:42","modified_gmt":"2016-11-17T18:22:42","slug":"jorge-lima-barreto-entrevista-tive-uma-colisao-muito-grande-com-as-pessoas-do-jazz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/11\/17\/jorge-lima-barreto-entrevista-tive-uma-colisao-muito-grande-com-as-pessoas-do-jazz\/","title":{"rendered":"Jorge Lima Barreto &#8211; Entrevista &#8211; &#8220;Tive Uma Colis\u00e3o Muito Grande Com As Pessoas Do Jazz&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock<\/p>\n<p>22 Janeiro 1997<\/p>\n<p>Jorge Lima Barreto lan\u00e7a um \u00e1lbum novo e reedita dois antigos<\/p>\n<p>\u201cTIVE UMA COLIS\u00c3O MUITO<br \/>\nGRANDE COM AS PESSOAS DO JAZZ\u201d<\/p>\n<p>No seu novo disco, mais um, dos Telectu, intitulado \u201c\u00c0 Lagard\u00e8re\u201d, a banda de Jorge Lima Barreto e V\u00edtor Rua conta com a participa\u00e7\u00e3o do trompetista Jac Berrocal. Em paralelo, acabam de ser reeditados os dois primeiros \u00e1lbuns da Anar Band, entre os quais \u201cEncounters\u201d, com Saheb Sarbib. Para ler, h\u00e1 tamb\u00e9m um novo livro, \u201cMusa Lusa\u201d. Um per\u00edodo em cheio para Jorge Lima Barreto que continua impar\u00e1vel na sua marcha em direc\u00e7\u00e3o a uma utopia.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=5234\" rel=\"attachment wp-att-5234\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/jlb-300x199.jpg\" alt=\"jlb\" width=\"300\" height=\"199\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5234\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/jlb-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/jlb-100x66.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/jlb.jpg 320w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201c\u00c0 Lagard\u00e8re\u201d, \u201cAnar Band\u201d mais \u201cEncounters\u201d. 20 anos separam as duas edi\u00e7\u00f5es. 20 anos separam o tempo em que Jorge Lima Barreto martelava as teclas de um piano em Cascais, dos dias de hoje, em que o m\u00fasico music\u00f3logo do Porto atrai para a m\u00fasica dos Telectu a nata dos improvisadores da cena internacional. No fundo, trata-se apenas de p\u00f4r em pr\u00e1tica a \u201ccapilaridade\u201d que existe entre estes sons e estes m\u00fasicos. Como o pr\u00f3prio explica em entrevista ao P\u00daBLICO.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 Depois de Elliott Sharp e Chris Cutler, os Telectu voltaram a gravar com outro nome importante da m\u00fasica improvisada, desta feita o trompetista Jac Berrocal. Como surgiu esta colabora\u00e7\u00e3o?<br \/>\nJorge Lima Barreto \u2013 O Berrocal \u00e9 um m\u00fasico franc\u00eas que trabalhou com o Daunik Lazro que, por sua vez, fazia parte do grupo de Saheb Sarbib quando este vivia em Fran\u00e7a. Da\u00ed que eu tenha mantido sempre uma rela\u00e7\u00e3o estreita com esse c\u00edrculo musical. Por outro lado, o Berrocal est\u00e1 muito ligado \u00e0 \u201cperformance\u201d, esteve nas Caldas da Rainha, num certame de m\u00fasica alternativa, ao lado do Jorge Peixinho, entre outros m\u00fasicos. Quando nos foi propiciado convidar um m\u00fasico para trabalhar connosco num concerto na Casa de Serralves, no Porto, ele veio, sentimos que a coisa era concili\u00e1vel do ponto de vista do estilo e a partir da\u00ed ele j\u00e1 fez uns sete ou oito concertos connosco. Para este disco, prepar\u00e1mos, no Festival de Guimar\u00e3es, um quarteto com ele e com o Louis Sclavis. O Jac ficou c\u00e1 mais uns dias, o que nos proporcionou seguirmos para Espinho para gravar na Num\u00e9rica.<br \/>\nP. \u2013 Esta estrat\u00e9gia de interc\u00e2mbio com m\u00fasicos convidados n\u00e3o obriga \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o constante de estilo dos Telectu?<br \/>\nR. \u2013 Neste tipo de m\u00fasica, improvisada, existe uma capilaridade muito grande, uma troca constante entre as figuras musicais. O Z\u00edngaro, por exemplo, toca e grava com diversos m\u00fasicos. Por outro lado, v\u00e3o-se criando afinidades, uma troca de situa\u00e7\u00f5es que \u00e9 muito importante. Tocar com um baterista como o Cutler \u00e9 diferente de tocar com outro, como o Paul Lytton. Para n\u00f3s \u00e9 um engrandecimento da nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia.<br \/>\nP. \u2013 Mas n\u00e3o existe o perigo de as pessoas n\u00e3o conseguirem reconhecer aquilo que pertence intrinsecamente aos Telectu?<br \/>\nR. \u2013 Respondo com outra colabora\u00e7\u00e3o. O Daniel Kientzy estava para vir tocar com o Jorge Peixinho. O Jorge Peixinho morreu e eu fui falar com ele, ali\u00e1s ele \u00e9 que se dirigiu a mim, porque queria fazer a divulga\u00e7\u00e3o do disco dele com o Peixinho. Veio c\u00e1 a casa, convers\u00e1mos e disse-lhe que est\u00e1vamos para ter um concerto de m\u00fasica improvisada nas Festas da Cidade. Foi ele mesmo que disse que queria improvisar connosco. Toc\u00e1mos, ele gostou, e criou-se um n\u00facleo Kientzy\/Telectu para a realiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios concertos. E convidou-nos para gravar em Paris com ele. Do nosso lado procur\u00e1mos criar um tipo de situa\u00e7\u00e3o sonora a pensar num homem que \u00e9 multi-instrumentista de sopros. Mas quando \u00e9 com o Cutler, um baterista, a coisa \u00e9 completamente diferente. Exige outro tipo de planifica\u00e7\u00e3o. Mas se reparar, h\u00e1 da nossa parte um trabalho de composi\u00e7\u00e3o em que estabelecemos um determinado n\u00famero de premissas para as coisas se realizarem. Nunca \u00e9 improvisa\u00e7\u00e3o absoluta. Depois, repare, um compositor contempor\u00e2neo pode compor para quarteto de cordas, para percuss\u00e3o, para sopros, para electr\u00f3nica, situa\u00e7\u00f5es que levam quase a uma mudan\u00e7a de identidade. Mas, por outro lado, sentimos que h\u00e1 qualquer coisa, talvez indefin\u00edvel, uma coer\u00eancia nas v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es que descrevi.<br \/>\nP. \u2013 Os \u00faltimos \u00e1lbuns, e o novo, em particular, denotam uma certa fixa\u00e7\u00e3o no ambientalismo\u2026<br \/>\nR. \u2013 \u2026 Um lado mais modal, sim\u2026<br \/>\nP. \u2013 Um tema como \u201cBaccarah caril\u201d lembra fortemente a est\u00e9tica de Brian Eno, em \u201cOn Land\u201d\u2026<br \/>\nR. \u2013 Sim, pode haver uma rela\u00e7\u00e3o. No novo disco houve uma escolha de escalas, uma esp\u00e9cie de f\u00f3rmula modal, a partir da qual se desenvolveu uma tem\u00e1tica que, por outro lado, depende da instrumenta\u00e7\u00e3o, umas vezes do sintetizador, outras do piano, da\u00ed que tenham resultado estruturas muito mais mel\u00f3dicas. Mas n\u00e3o fazemos isso no sentido de uma imita\u00e7\u00e3o.<br \/>\nP. \u2013 Em paralelo com a edi\u00e7\u00e3o do novo disco com Jac Berrocal, foram reeditados, num compacto simples, os dois primeiros trabalhos da Anar Band, o segundo deles, \u201cEncounters\u201d, em colabora\u00e7\u00e3o com Saheb Sarbib. H\u00e1 aqui o desejo de uma reaprecia\u00e7\u00e3o est\u00e9tica destes discos ou, simplesmente, a perspectiva do arquivista hist\u00f3rico?<br \/>\nR. \u2013 Nos anos 70 estes dois discos foram os \u00fanicos que existiram neste tipo de m\u00fasica, improvisada. O disco com o Sarbib, por exemplo, era para ser gravado com o quarteto do Pinho Vargas. Foi na \u00e9poca em que R\u00e3o Kyao costumava vir a minha casa e em que gravou o \u201cGoa\u201d. Nessa altura eu tinha tocado em Cascais, em 1974, em piano e banda magn\u00e9tica, um tipo de propostas absolutamente iconoclastas. Quando sugeri ao Sarbib fazermos um \u201creplay\u201d dos temas, tocar por cima do que j\u00e1 estava tocado, foi a primeira vez que aqui se fazia esse tipo de experi\u00eancia, embora Bill Evans j\u00e1 o tivesse feito l\u00e1 fora. Era um tabu para as pessoas do \u201cjazz\u201d. Nesse tempo estavam a \u201crebentar\u201d as m\u00fasicas improvisadas, as quais estavam a divergir do \u201cjazz\u201d.<br \/>\nP. \u2013 Passados 20 anos, como \u00e9 que ouve estes dois discos?<br \/>\nR. \u2013 \u00c9 complicado. N\u00e3o vou falar em sentimentalismo\u2026 No caso do disco s\u00f3 da Anar Band, ou\u00e7o, embora haja coisas que at\u00e9 passo \u00e0 frente, mas, de resto, foi muito gratificante, em particular o trabalho no piano, nas cordas do piano, que julgo ter sido bastante original. No caso do \u201cEncounters\u201d, \u00e9 completamente diferente, uma vez que se tratava de um grande m\u00fasico, como \u00e9 o Sarbib, que na altura estava na pujan\u00e7a do seu estilo, em particular com aquele som do contrabaixo, semi-amplificado, que, al\u00e9m deste, s\u00f3 se encontra em mais dois ou tr\u00eas discos dele. Ainda em rela\u00e7\u00e3o ao \u201cAnar Band\u201d, est\u00e1 dividido em dois lados. O primeiro acho-o marcante, em termos de interven\u00e7\u00e3o de um estilo de piano que ainda hoje pratico nos concertos. No outro lado, s\u00f3 com o sintetizador, a\u00ed \u00e9 que ponho certas retic\u00eancias, j\u00e1 que algumas abordagens parecem pretender insinuar coisas que depois se desenvolver muito. Por exemplo, o minimalismo, ou certo tipo de automatismos que teriam, ent\u00e3o, paralelo com o rock alem\u00e3o. A estrat\u00e9gia de divis\u00e3o em temas separados \u00e9 que n\u00e3o ter\u00e1 sido a mais correcta, j\u00e1 que ao vivo eu costumava tocar apenas uma longa composi\u00e7\u00e3o electr\u00f3nica. Mas existia o prazer da manipula\u00e7\u00e3o do sintetizador anal\u00f3gico, o A.R.P. Odyssey. Agora h\u00e1 a\u00ed o \u201chip hop\u201d em que se est\u00e1 de novo a utilizar o anal\u00f3gico e as mesmas marcas\u2026 Com os Anar Band utilizava uns pain\u00e9is que recortava e sobrepunha, em cada composi\u00e7\u00e3o, numa esp\u00e9cie de palimpsesto.<br \/>\nP. \u2013 A provoca\u00e7\u00e3o era parte integrante da proposta est\u00e9tica dos Anar Band?<br \/>\nR. \u2013 Lembra-se daquele festival em Sintra, em que fizemos a primeira parte do concerto do Michel Portal? [N. R. : Lembramo-nos, e de que maneira! A actua\u00e7\u00e3o do grupo de Portal permanece na nossa mem\u00f3ria como a mais extraordin\u00e1ria assun\u00e7\u00e3o de \u201cm\u00fasica total\u201d a que alguma vez assistimos.] A nossa proposta foi, nessa ocasi\u00e3o, extremamente provocadora. Quanto ao disco, \u00e9 dif\u00edcil compar\u00e1-lo com qualquer outro tipo de realidade. N\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis influ\u00eancias.<br \/>\nP. \u2013 Por \u00faltimo, mais um livro, \u201cMusa Lusa\u201d, no qual, mais do que dissertar sobre m\u00fasica, analisa os seus meios de produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o\u2026<br \/>\nR. \u2013 \u00c9 um livro mais de consulta. Tamb\u00e9m vou editar proximamente um outro, \u201cO Siam\u00eas Telefax Stradivarius\u201d, na Campo de Letras, do Porto, que \u00e9 um desenvolvimento deste, sobre aquilo que eu considero ser a cultura dos \u201cmedia\u201d. Hoje temos uma cultura que nos \u00e9 fornecida pelos \u201cmedia\u201d. A m\u00fasica est\u00e1 inclusa nesse tipo de cultura.<br \/>\nP. \u2013 Os seus trabalhos no dom\u00ednio da escrita t\u00eam, por norma, causado uma certa pol\u00e9mica. Isso deve-se \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de um estatuto de \u201cmarginalidade\u201d no interior do sistema ou a um menor rigor no tratamento dos assuntos abordados?<br \/>\nR. \u2013 No caso da minha escrita, ou da minha atitude perante a m\u00fasica e da sua situa\u00e7\u00e3o social, tem existido uma rela\u00e7\u00e3o bastante desgastante com alguma cr\u00edtica, mas isso acontece em todos os lugares. No meu caso, tive uma colis\u00e3o muito grande com as pessoas do \u201cjazz\u201d, porque, na altura, tentava impor o \u201cfree jazz\u201d. Depois veio a m\u00fasica minimal, da qual tamb\u00e9m fiz uma grande divulga\u00e7\u00e3o, e essas posi\u00e7\u00f5es originam sempre uma reac\u00e7\u00e3o. Entra-se em confronto com essa reac\u00e7\u00e3o.<br \/>\nP. \u2013 Mas n\u00e3o reconhece haver um certo fundamentalismo no modo como exp\u00f5e as mat\u00e9rias?<br \/>\nR. \u2013 Se n\u00e3o fosse assim, ningu\u00e9m fazia nada. Por exemplo, um actor de teatro que queira desenvolver uma nova linguagem ou algu\u00e9m, do cinema, que queira mostrar cinema experimental. Algu\u00e9m, ainda, das artes pl\u00e1sticas, que pretenda mostrar o novo subjectivismo na pintura, tudo situa\u00e7\u00f5es de hoje. Ou a divulga\u00e7\u00e3o da p\u00f3s-modernidade, que agora acontece na m\u00fasica, a explica\u00e7\u00e3o dos seus fen\u00f3menos, cada vez mais complexos, labir\u00ednticos. Est\u00e1-se a explicar aquilo que nos rodeia. E o que nos rodeia \u00e9 uma cultura medi\u00e1tica, que nos \u00e9 inculcada pelos \u201cmedia\u201d e leva as pessoas a estarem atrasadas. No sentido em que n\u00e3o t\u00eam sequer contacto ao que se faz de novo. As massas, o grande p\u00fablico, est\u00e3o acantonadas, isoladas, das coisas novas que aparecem. Devido a esse isolamento, quando elas aparecem, n\u00e3o as compreendem.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/l5qgZkbYzfI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 22 Janeiro 1997 Jorge Lima Barreto lan\u00e7a um \u00e1lbum novo e reedita dois antigos \u201cTIVE UMA COLIS\u00c3O MUITO GRANDE COM AS PESSOAS DO JAZZ\u201d No seu novo disco, mais um, dos Telectu, intitulado \u201c\u00c0 Lagard\u00e8re\u201d, a banda de Jorge Lima Barreto e V\u00edtor Rua conta com a participa\u00e7\u00e3o do trompetista Jac Berrocal. 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