{"id":5116,"date":"2016-10-12T09:41:51","date_gmt":"2016-10-12T16:41:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=5116"},"modified":"2016-10-12T09:41:51","modified_gmt":"2016-10-12T16:41:51","slug":"musica-folk-world-artigo-de-opiniao-estado-de-fusao-ou-as-virtudes-do-martelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/10\/12\/musica-folk-world-artigo-de-opiniao-estado-de-fusao-ou-as-virtudes-do-martelo\/","title":{"rendered":"M\u00fasica Folk \/ World &#8211; Artigo de Opini\u00e3o &#8211; &#8220;Estado de Fus\u00e3o Ou As Virtudes Do Martelo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>31 de Janeiro de 1996<\/p>\n<p><strong>Estado de fus\u00e3o ou as virtudes do martelo<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cSe houve alguma tend\u00eancia este ano que me irritou, foi a de transformar os mais diversos estilos de m\u00fasica \u00e9tnica num papa doce e sint\u00e9tica. Um n\u00famero infind\u00e1vel de patetices cheias de \u2018samples\u2019 \u2018\u00e9tnicos\u2019, textos balofos e autoconvencidos, \u2018muzak\u2019 vegetariano, abafadas por caixas de ritmo. Acreditem nas minhas palavras, em cada minuto que passa, pinga um compacto no capacho de entrada com o r\u00f3tulo \u2018Celtic tribal trance\u2019. Garanto-vos que vou pegar num martelo muito grande e desfazer cada um desses objectos degenerados em fragmentos pequeninos\u2026\u201d<br \/>\nIan Anderson, director da revista \u201cFolkroots\u201d, no seu editorial de Dezembro do ano passado.<\/em><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=5117\" rel=\"attachment wp-att-5117\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/nl-300x206.jpg\" alt=\"nl\" width=\"300\" height=\"206\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5117\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/nl-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/nl-768x526.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/nl-1024x702.jpg 1024w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/nl-624x428.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/nl-100x69.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/nl.jpg 1992w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>O editorial de Ian Anderson, uma das figuras mais prestigiadas da cena folk internacional, do qual transcrevemos a parte final, saiu no mesmo n\u00famero que um artigo intitulado \u201cCeltic muzak\u201d, assinado por Colin Irwin, outra das lendas da escrita folk, desde os anos 70 quando ainda integrava a equipa do \u201cMelody Maker\u201d. Colin Irwin tomou como ponto de partida a edi\u00e7\u00e3o recente do \u00e1lbum \u201cRiverdance\u201d, de Bill Whelan, j\u00e1 recenseado nestas p\u00e1ginas. Um dos bons exemplos de fus\u00e3o sobre elementos \u201cc\u00e9lticos\u201d, representativo de uma das tend\u00eancias actuais mais fortes, no mercado deste g\u00e9nero de m\u00fasica. \u201cRiverdance\u201d foi apresentado no Festival da Eurovis\u00e3o de 1981, na Irlanda, com pompa e circunst\u00e2ncia, constituindo a prova real das potencialidades, enquanto objecto rend\u00edvel, deste tipo de m\u00fasica na balan\u00e7a das exporta\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\tEnquanto obra de arte, \u201cRiverdance\u201d tem as suas virtudes e os seus defeitos, sendo que a principal das primeiras se traduz sinteticamente na velha, mas sempre actual, quest\u00e3o, j\u00e1 por n\u00f3s v\u00e1rias vezes abordada, de, seja qual for o trabalho cir\u00fargico levado a cabo, n\u00e3o perder de vista as origens.<br \/>\n\tO problema que levou Ian Anderson a pegar no martelo s\u00f3 se colocou a partir do momento em que a folk saiu do gueto onde esteve confinada durante anos, para ganhar peso na ind\u00fastria discogr\u00e1fica. Se a revolu\u00e7\u00e3o dos anos 70, personificda por grupos como os Bothy Band, Planxty ou De Danann, foi em primeiro lugar de ordem art\u00edstica, arrancando a folk do regionalismo de grupos como os Dubliners ou os primeiros Chieftains, para o estatuto de fen\u00f3meno urbano, de caracter\u00edsticas universais com repercuss\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 nas Ilhas Brit\u00e2nicas como no resto da Europa, a revolu\u00e7\u00e3o encetada ao longo da presente d\u00e9cada deve ser lida a outro n\u00edvel.<br \/>\n\tCome\u00e7a por ser uma evolu\u00e7\u00e3o natural. Se \u201cda Irlanda para a Europa\u201d era o mote dos anos 70, nos anos 90 \u00e9 \u201cda Europa para o mundo\u201d. Ao longo deste processo, as quest\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o ganharam preponder\u00e2ncia sobre as est\u00e9ticas.<br \/>\n\tSabe-se como estas coisas funcionam. \u00c9 dif\u00edcil, \u00e0 ind\u00fastria, controlar uma m\u00fasica que desconhece e que, ainda por cima, na origem, corresponde a manifesta\u00e7\u00f5es de minorias, \u00e9tnicas, culturais e pol\u00edticas. A estrat\u00e9gia est\u00e1 ent\u00e3o em submet\u00ea-la ao crivo da mediatiza\u00e7\u00e3o, vesti-la, adapt\u00e1-la a esquemas e f\u00f3rmulas de produ\u00e7\u00e3o massificantes e, desta forma, pass\u00edveis de ser controladas por fora. Normalizar, adaptar, em \u00faltima an\u00e1lise, vulgarizar. Dois tipos de m\u00fasicos v\u00e3o na onda. Os que n\u00e3o fazem a m\u00ednima ideia dos materiais de base com que trabalham e apenas pretendem apanhar o comboio, e os que, com conhecimento de causa e responsabilidades, decidiram entregar a alma ao diabo.<br \/>\n\t\u00c9 sob esta luz que se deve avaliar a vaga actual de \u201cfus\u00f5es\u201d, que come\u00e7am na embalagem e no \u201cmarketing\u201d e terminam, regra geral, na descaracteriza\u00e7\u00e3o e no esvaziamento prematuro at\u00e9 serem devoradas pela vaga seguinte.<br \/>\n\tA quest\u00e3o do purismo contra o modernismo \u00e9 uma falsa quest\u00e3o. O Grupo de Cantares do Manhouce n\u00e3o \u00e9 melhor nem pior do que os Gaiteiros de Lisboa. As Irm\u00e3s Goadec n\u00e3o s\u00e3o melhores nem piores do que os Hedningarna. A pureza absoluta de uns n\u00e3o se op\u00f5e ao radicalismo formal dos outros. Est\u00e3o do mesmo lado da barricada. \u00c9 que, tamb\u00e9m j\u00e1 o escrevemos, tudo parte do mesmo. Perdida a ess\u00eancia, perde-se a b\u00fassola. Encontrado o norte, \u00e9 permitida a heresia que for\u00e7a as portas do futuro.<br \/>\n\tAlgu\u00e9m capaz de compreender onde est\u00e1 o n\u00f3 do problema perceber\u00e1 de imediato o que distingue um bom disco de fus\u00e3o dos Hedningarna ou dos Barab\u00e0n de um mau disco de fus\u00e3o dos Deep Forest ou dos Enigma.<br \/>\n\t\u00c9 aqui que entra o \u201cceltismo\u201d e todos os crimes que em seu nome t\u00eam sido cometidos \u2013 com o mercado a saltar de contente com as fa\u00e7anhas dos seus ac\u00f3litos mais queridos e a indiferen\u00e7a e alguma revolta dos que recusam ceder. A Europa, \u00e1vida de av\u00f3s que d\u00eaem sentido ao seu vazio, agarrou-se com unhas e dentes \u00e0 \u201cinoc\u00eancia\u201d dos sons \u00e9tnicos. Os oportunistas, caridosos, d\u00e3o-lhe o placebo em pastilhas coloridas. Quando regressarem os sintomas, j\u00e1 o comboio andar\u00e1 por outras esta\u00e7\u00f5es. Felizmente, o martelo de Ian Anderson estar\u00e1 sempre dispon\u00edvel.<br \/>\n\tNestas p\u00e1ginas tra\u00e7amos a divis\u00f3ria, no actual estado de coisas (estado de s\u00edtio), entre fus\u00f5es e confus\u00f5es, em v\u00e1rios territ\u00f3rios da Europa onde a folk fervilha.<\/p>\n<p>COM FUSOS E FUNDOS<\/p>\n<p>Portugal<\/p>\n<p>N\u00e3o estamos mal. Ou estamos melhor. N\u00e9 Ladeiras, Brigada Victor Jara e Gaiteiros de Lisboa, mesmo os Roman\u00e7as, mostraram nos \u00faltimos tempos como se funde sem derreter o cora\u00e7\u00e3o. \u201cTraz os Montes\u201d, \u201cDan\u00e7as e Folias\u201d e \u201cInvas\u00f5es B\u00e1rbaras\u201d aprenderam a li\u00e7\u00e3o antiga dada pela Banda do Casaco. Do lado da chacha, temos ou tivemos os Navegante, Maio Mo\u00e7o, coisas assim.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Espanha<\/p>\n<p>Principalmente a Galiza, aqui mesmo ao lado. J\u00e1 andou desnorteada, entre o que poderia ter sido, mas n\u00e3o foi, a m\u00fasica dos Armeguin (perdida na \u201cnew age\u201d), Matto Congrio (perdida no \u201creggae\u201d), Brath (perdida numa bateria rock) e Emilio C\u00e3o (perdida em fungadelas e numa produ\u00e7\u00e3o mais berrante que uma gravata). Uxia, surpresa ou n\u00e3o, acendeu uma lanterna e \u201cesta vivindo no ceo\u201d. Os Na Lua ficaram para tr\u00e1s. Perto do Mediterr\u00e2neo, n\u00e3o h\u00e1 quem bata os Radio Tarifa.<\/p>\n<p>Ilhas Brit\u00e2nicas<\/p>\n<p>T\u00eam gente para tudo e ainda sobra. Na Irlanda, Shaun Davey amea\u00e7a regularmente com as suas sinfonias. Na Esc\u00f3cia, a William Jackson, na mesma moeda, falta sobretudo pulm\u00e3o. Her\u00e9ticos de h\u00e1 muito s\u00e3o, em Inglaterra, Ashley Hutchings e a Albion Band. Ou Andrew Cronshaw. Hoje o primeiro continua a dar cartas. Arriscaram muito os Blowzabella. Aos irlandeses (e aqui, cuidado, h\u00e1 que distinguir entre \u201cfus\u00e3o\u201d e releituras actualizadas da tradi\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o que fazem ou fizeram os maiores: Planxty, Bothy Band, De Danann, D\u00e9anta ou Dervish\u2026), perde-se-lhes a conta. \u201cFundem\u201d bem Bill Whelan, Four Men &#038; A Dog e Sharon Shannon. \u201cFundem\u201d mal os Nightnoise (dos manos N\u00ed Dhomnaill, quem diria?), numa \u201cnew age\u201d com flores, os Orion, Rare Air (n\u00e3o s\u00e3o bem irlandeses), Celtic Thunder, os actuais Capercaillie, os actuais Clannad, a actual (choque!) Dolores Keane e o Davy Spillane de sempre, a n\u00e3o ser quando tocou m\u00fasica b\u00falgara com Andy Irvine, em \u201cEast Wind\u201d. Na Esc\u00f3cia, palmas para Savourna Stevenson e para os House Band. Menos para os Ceolbeg. Na Inglaterra, assobios de vergonha para os actuais fantasmas, Fairport Convention, Pentangle e Steeleye Span, a catarem no caixote dos restos.<\/p>\n<p>Fran\u00e7a<\/p>\n<p>Na Bretanha gostam muito de \u201cjazz\u201d. Que o digam os Bleizi Ruz, D\u00e9dale, Obsession, Ti Jaz ou Une Anche Passe. Os Gwendal tamb\u00e9m gostavam, mas a partir de \u201cGlen River\u201d foram trucidados por uma caixa-de-ritmos. Erik Marchand faz maravilhas com a m\u00fasica indiana, os Barzaz com a \u201cnew age\u201d e os Kemia com um piano rom\u00e2ntico. Mais para sul, continuam inclassific\u00e1veis os Verd e Blu. Gabriel Yacoub, recuperado do monumental espalhan\u00e7o \u201cElemental Level of Faith\u201d, voltou a erguer-se no bel\u00edssimo \u201cBel\u201d e num \u201cQuattre\u201d esot\u00e9rico. Levam com o martelo Deep Forest, le Gop, Groupe sans Gain, e, com toda a for\u00e7a poss\u00edvel, Alan Stivell e Dan Ar Br\u00e1s, os dois maiores vendidos \u00e0 \u201cm\u00fasica gorda\u201d, mais o seu filhote leg\u00edtimo, o recente \u201csupergrupo\u201d Kadwaladyr, de \u201cThe Last Hero\u201d.<\/p>\n<p>It\u00e1lia<\/p>\n<p>Bons ventos, soprados pelos Ciapa Rusa, Barab\u00e0n, Elenna Ledda (Sardenha) e Riccardo Tesi. N\u00e3o se conhecem maus exemplos. Eros Ramazzoti?<\/p>\n<p>Hungria e Bulg\u00e1ria<\/p>\n<p>No passado, Kolinda e Viz\u00f6nto. Hoje, Zsaratn\u00f3k e Vasmalom. Uma grande senhora, a mais tradicional (com os \u00d6kros Ensemble) e a mais moderna, no electr\u00f3nico \u201cApocrypha\u201d. Sem contar que esteve no meio dos Towering Inferno, na \u00f3pera de pesadelo \u201cKaddish\u201d. Um grande senhor, b\u00falgaro: Ivo papasov, mestre dos sopros e do \u201cswing\u201d em 13\/8. H\u00e1 uns detest\u00e1veis Slobo Horo. \u00c0s vozes que falam com Deus e a todos os pecados cometidos em seu nome, vamos perdoar-lhes.<\/p>\n<p>Escandin\u00e1via<\/p>\n<p>Podem fazer tudo, que tudo lhes sai bem. Compensam o frio acendendo fogueiras que queimam at\u00e9 \u00e0 ponta do continente. O fil\u00e3o dos fil\u00f5es. Hedningarna, Garmarna, Hoven Droven, Ottopasuuna, Filarfolket, Den Fule, V\u00e4rttina, Mari Boine Persen, Mari Kalaniemi, Lena Willemark.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bP087IXHBP4\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 31 de Janeiro de 1996 Estado de fus\u00e3o ou as virtudes do martelo \u201cSe houve alguma tend\u00eancia este ano que me irritou, foi a de transformar os mais diversos estilos de m\u00fasica \u00e9tnica num papa doce e sint\u00e9tica. 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