{"id":4958,"date":"2016-08-19T11:44:14","date_gmt":"2016-08-19T18:44:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4958"},"modified":"2016-08-19T11:44:14","modified_gmt":"2016-08-19T18:44:14","slug":"frank-zappa-lather","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/08\/19\/frank-zappa-lather\/","title":{"rendered":"Frank Zappa &#8211; &#8220;L\u00e4ther&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>30 de Outubro de 1996<br \/>\nreedi\u00e7\u00f5es poprock<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>Baba de vaca<\/p>\n<p>FRANK ZAPPA<br \/>\nL\u00e4ther (10)<br \/>\n3xCD Rykodisc, distri. MVM<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4959\" rel=\"attachment wp-att-4959\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/fz.jpg\" alt=\"fz\" width=\"220\" height=\"188\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4959\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/fz.jpg 220w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/fz-100x85.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\tO homem continua vivo. O homem e o g\u00e9nio. \u201cL\u00e4ther\u201d (sem trema, significa baba\u2026) n\u00e3o \u00e9 apenas mais um punhado de material desenterrado do vaso de cinzas do defunto, mas, de facto, \u201cthe great lost Frank Zappa album\u201d, a pe\u00e7a que faltava no imenso \u201cpuzzle\u201ddeixado para a posteridade por um dos maiores compositores deste s\u00e9culo.<br \/>\n\tInicialmente pensado por Zappa para ser editado em 1977 na forma de uma caixa com quatro \u00e1lbuns em vinilo, apenas agora, 19 anos ap\u00f3s a ideia original, v\u00ea a luz do dia, num triplo compacto reunindo material in\u00e9dito, entre temas e vers\u00f5es nunca editados e remisturas alternativas, que acabaram por surgir no mercado em quatro \u00e1lbuns separados, entre 1978 e 1979.<br \/>\n\tL\u00e1 dentro, \u00e9 o del\u00edrio. Nada soa a requentado ou a lixo reciclado, como \u00e9 costume acontecer com frequ\u00eancia em projectos desta envergadura. Pelo contr\u00e1rio, as m\u00faltiplas vertentes da m\u00fasica do autor de \u201cWe\u2019re only in it for the money\u201d adquirem aqui um relevo ainda maior, experimentando a cada momento novas hip\u00f3teses e f\u00f3rmulas. Pequenos desenhos animados alternam com ridicularias vocais na fronteira da dem\u00eancia, solos de guitarra iluminada cede o passo a sinfonias de complexidade quase paran\u00f3ica. Est\u00e1 aqui tudo: as inven\u00e7\u00f5es e desinven\u00e7\u00f5es de estilo, os contextos e a sua descontextualiza\u00e7\u00e3o, a forma e o paradoxo cultivados milimetricamente e com a distancia\u00e7\u00e3o dos deuses por Zappa.<br \/>\n\tFrank Zappa transformou as linguagens populares e eruditas \u2013 a \u201csurf music\u201d, o \u201chard rock\u201d, os \u201cblues\u201d, a pop imbecil, o jazz, a can\u00e7\u00e3o de variedades, o serialismo, a m\u00fasica concreta, a m\u00fasica de c\u00e2mara, a electr\u00f3nica \u2013 em espect\u00e1culo, metendo-as todas no mesmo saco. Um saco sem fundo onde o seu c\u00e9rebro fervilhante ia buscar alimento, moendo e deglutindo, ironizando e destruindo, desmontando e remontando de novo, at\u00e9 transformar toda essa mat\u00e9ria-prima num ser sonoro e conceptual aut\u00f3nomo que deixou em ru\u00ednas e sem capacidade de resposta a concorr\u00eancia.<br \/>\n\tTalvez por esse motivo, Frank Zappa teve sempre a sua m\u00fasica arrumada num compartimento sem vizinho do lado, resguardando-se, ou protegendo-se, para construir sem entraves uma obra que at\u00e9 ao fim se regeu por normas que a mais ningu\u00e9m se aplicavam e que apenas aproveitaram a quem tinha uma vis\u00e3o, pelo menos, de t\u00e3o longo alcance como a sua. Frank Zappa, repetimo-lo com uma rever\u00eancia aumentada e reavivada pela audi\u00e7\u00e3o de \u201cL\u00e4ther\u201d, era um g\u00e9nio.<br \/>\n\tForam ent\u00e3o dois grupos igualmente geniais os \u00fanicos capazes de assimilar algumas das suas regras para constru\u00edrem, por sua vez, obra pr\u00f3pria e intransmiss\u00edvel pelo lado das apar\u00eancias: Faust e Henry Cow. Ambas as forma\u00e7\u00f5es marcaram a m\u00fasica sem r\u00f3tulos, mas avan\u00e7ada e desestabilizadora dos anos 70, fazendo escola pelas d\u00e9cadas seguintes (Negativland e todo um s\u00e9quito de mentes bizarras, no caso dos germ\u00e2nicos; a imensa legi\u00e3o \u201cRecommended\u201d, no caso dos ingleses, liderada por Fred Frith e Chris Cutler).<br \/>\n\tZappa foi o director, o professor e o cont\u00ednuo da universidade. A mat\u00e9ria que leccionou e com a qual brincou durante toda a vida foi a m\u00fasica em estado puro. E \u00e9 m\u00fasica em estado puro que percorre \u201cL\u00e4ther\u201d da primeira \u00e0 \u00faltima faixa. Imposs\u00edvel destacar pormenores. Quando pensamos estar num lugar, j\u00e1 estamos sem rem\u00e9dio noutro. Quando pensamos poder descansar no conforto de um assento de um audit\u00f3rio cl\u00e1ssico, somos abanados por uma anedota. E quando nos dispomos a rir da anedota, j\u00e1 o universo se modificou de novo e o cen\u00e1rio tanto pode ser um \u201cblues\u201d de alta voltagem como a visita, sem guia, pelo interior de uma constru\u00e7\u00e3o barroca.<br \/>\n\t\u201cL\u00e4ther\u201d exige que se lhe preste aten\u00e7\u00e3o. \u201cL\u00e4ther\u201d torna banais as caganitas sonoras que, passados 20 anos, nos infestam os ouvidos a cada instante. \u201cL\u00e4ther\u201d obriga a consultar, uma vez mais, toda a discografia do m\u00fasico. \u201cL\u00e4ther\u201d reduz a p\u00f3 o tempo. \u201cL\u00e4ther\u201d ficar\u00e1, como ficou a maioria dos \u00e1lbuns de Zappa (sim, porque h\u00e1 coisas dispens\u00e1veis, sobretudo nos anos 80\u2026), connosco para sempre, obrigando-nos a reflectir. A capa de \u201cL\u00e4ther\u201d \u00e9 uma vaca, a mais louca das bovinas. Uma exagerada vaca de brinquedo, sobre um pasto exageradamente verde, sob um c\u00e9u exageradamente azul. Porque Zappa sempre foi exageradamente Zappa.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rmATw8b28OY\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 30 de Outubro de 1996 reedi\u00e7\u00f5es poprock Baba de vaca FRANK ZAPPA L\u00e4ther (10) 3xCD Rykodisc, distri. MVM O homem continua vivo. 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