{"id":4955,"date":"2016-08-18T06:56:24","date_gmt":"2016-08-18T13:56:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4955"},"modified":"2016-08-18T06:56:24","modified_gmt":"2016-08-18T13:56:24","slug":"patti-smith-the-patti-smith-masters","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/08\/18\/patti-smith-the-patti-smith-masters\/","title":{"rendered":"Patti Smith &#8211; &#8220;The Patti Smith Masters&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock<\/p>\n<p>11 de Setembro de 1996<\/p>\n<p><strong>Ilumina\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>PATTI SMITH<br \/>\nThe Patti Smith Masters (8)<br \/>\n6xCD, Arista, distri. BMG<\/p>\n<p>O rock n\u00e3o tem futuro. \u00c9 prov\u00e1vel que n\u00e3o. Mas orgulha-se de um passado e n\u00e3o deixa de sonhar o presente. Patti Smith contribuiu para a constru\u00e7\u00e3o desse tempo de gl\u00f3ria, juntando a poesia e a energia numa obra cuja totalidade foi agora reeditada no formato de antologia. Seis compactos remasterizados, os cinco de originais que gravou entre 1975 e 1979, mais uma selec\u00e7\u00e3o dos seus maiores \u00eaxitos, incluindo um par de can\u00e7\u00f5es do novo \u201cGone again\u201d<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4956\" rel=\"attachment wp-att-4956\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/ps-300x265.jpg\" alt=\"ps\" width=\"300\" height=\"265\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4956\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/ps.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/ps-100x88.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>William S. Burroughs, Robert Mapplethorpe, Vermeer, a literature japonesa do s\u00e9c. XVI, Madre Teresa de Calcut\u00e1, Sam Shepard, Kurosawa, Godard, Woody Allen e, sobretudo, Jean-Arthur Rimbaud s\u00e3o alguns dos m\u00faltiplos nomes e interesses que est\u00e3o ligados a esta artista cuja carreira se iniciou na aurora dos anos 70, a declamar poesia na Esta Village, com a ajuda da guitarra de Lenny Kaye, e a escrever artigos para a \u201cCreem Magazine\u201d. Armada com este arsenal de cultura, influ\u00eancias e amizades, Patti Smith poderia ter optado pelo diletantismo e pela m\u00e1scara da artista afogada na sua vis\u00e3o. Ao inv\u00e9s disso, esta mulher de ar escanzelado e ar andr\u00f3gino preferiu a via do rock e do confronto directo, privilegiando o contacto de emo\u00e7\u00f5es \u00e0 disseca\u00e7\u00e3o dos conceitos. A reedi\u00e7\u00e3o completa da sua discografia \u00e9, al\u00e9m disso, um bom pretexto para se perceber algum do sentido do \u201cpunk\u201d e da maneira como as gera\u00e7\u00f5es mais recentes se apropriaram do seu fogo, at\u00e9 das suas entoa\u00e7\u00f5es vocais (Siouxsie Sioux, P. J. Harvey ou Courtney Love devem-lhe bastante, neste aspecto), nos caso dos \u201cpunks\u201d n\u00e3o aproveitando, infelizmente, da sua intelig\u00eancia. Agora que o \u201cno future\u201d volta a ser palavra de ordem, conv\u00e9m lembrar que o niilismo nunca foi bom conselheiro e que o rock sempre avan\u00e7ou empurrado por ideais. E Patti Smith era, e continua a ser, uma idealista.<br \/>\n\tA caixa \u201cThe Patti Smith Masters\u201d \u00e9 parca em adere\u00e7os. Nada de futilidades. Apenas a sobriedade e o tom incisivo que sempre caracterizaram, desde o inv\u00f3lucro ao conte\u00fado, todos os seus discos. Superf\u00edcie negra, com caracteres finos impressos em prateado. No interior, os cinco \u00e1lbuns de originais \u2013 \u201cHorses\u201d, de 1975, \u201cRadio Ethiopia\u201d, de 1976, \u201cEaster\u201d, de 1978, \u201cWave\u201d, de 1979 e \u201cDream of Life\u201d, de 1988 -, mais um volume de \u201cSelected songs\u201d retiradas destes cinco discos mais duas can\u00e7\u00f5es do recente \u201cGone again\u201d. \u00c0 remasteriza\u00e7\u00e3o, capas originais, com as fotos de Mapplethorpe, de quem a cantora foi amiga, e informa\u00e7\u00e3o adicional, juntaram-se um ou dois temas extra a completar cada disco. \u201cSelected songs\u201d apresenta na capa uma foto da mesma sess\u00e3o de fotografias de \u201cGone again\u201d e vers\u00f5es iguais \u00e0s dos \u00e1lbuns de originais, n\u00e3o se compreendendo, portanto, muito bem o alcance da sua inclus\u00e3o nesta antologia. A capa, desdobr\u00e1vel, como as restantes cinco, apresenta uma biografia sucinta. A grande qualidade de \u201cGone again\u201d, para al\u00e9m da \u201cressurrei\u00e7\u00e3o\u201d do \u201cpunk\u201d, por si s\u00f3s, eram suficientes para justificar a presente reedi\u00e7\u00e3o e o interesse renovado pela sua autora, ao ponto de o jornal \u201cMelody Maker\u201d, na sua edi\u00e7\u00e3o de 6 de Agosto, lhe dedicar tr\u00eas p\u00e1ginas e a \u201cRecord Collector\u201d do mesmo m\u00eas 15 (!).<br \/>\n\t\u201cHorses\u201d \u00e9 o impacte, um ano antes da explos\u00e3o \u201cpunk\u201d. A produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 creditada a John Cale, mas todo o som, na sua viol\u00eancia e crueza, \u00e9 da responsabilidade de Patti. \u201cIgnor\u00e1mos todas as sugest\u00f5es de Cale\u201d, diz ela a este prop\u00f3sito. \u00c9 o \u00e1lbum de \u201cGloria\u201d, um original de Van Morrison, da homenagem a Hendrix, em \u201cElegie\u201d, dos grandes crescendos po\u00e9ticos, como \u201cBirdland\u201d e \u201cLand\u201d. O tema extra mostra a sua leitura pessoal de \u201cMy generation\u201d, dos The Who. Charles Murray. Do \u201cNew Musical Express\u201d, descreveu, na altura, \u201cHorses\u201d como \u201cuma esp\u00e9cie de ensaio definitivo sobre a noite americana enquanto estado de esp\u00edrito\u201d. \u201cHorses\u201d faz a converg\u00eancia perfeita do simbolismo de Rimbaud com a viol\u00eancia depurada dos Velvets, justapondo sons e palavras com a precis\u00e3o de uma faca e a dureza do metal. Faca que Patti Smith usa metaforicamente na defini\u00e7\u00e3o do seu trabalho seguinte, \u201cRadio Ethiopia\u201d, \u201ca faca que abriu a carne\u201d, naquele que \u00e9 o \u00e1lbum mais experimental de toda a sua discografia. Os sintetizadores aparecem pela primeira vez e as experi\u00eancias sonoras adquirem maior envergadura no t\u00edtulo-tema, dez minutos gravados ao vivo que n\u00e3o receiam a utiliza\u00e7\u00e3o do ru\u00eddo, da distor\u00e7\u00e3o e da colagem. Uma \u201csuite\u201d dividida em tr\u00eas partes que prenunciava as t\u00e9cnicas de samplagem, na qual Patti Smith procurou traduzir as explora\u00e7\u00f5es com estruturas livres de Albert Ayler. \u00c1lbum de alucina\u00e7\u00f5es de \u00f3pio, o mais marcado por Rimbaud, a quem, de resto, \u00e9 dedicado.<br \/>\n\tCuriosamente, no ano de gl\u00f3ria do \u201cpunk\u201d, 1977, o nome de Patti Smith desaparece de cena. Uma queda do palco, numa actua\u00e7\u00e3o na Florida, atirou-a para a cama durante nove meses, impossibilitando-a de participar na orgia. Por outro lado, a anarquia ent\u00e3o vigente n\u00e3o era ainda capaz de assimilar a sofistica\u00e7\u00e3o, tanto musical como po\u00e9tica, que a cantora n\u00e3o dispensava.<br \/>\n\t\u201cEaster\u201d, de 1978, \u00e9 o \u00e1lbum da ressurrei\u00e7\u00e3o e inclui o \u201chit\u201d \u201cBecause the night\u201d, co-composto pelo ent\u00e3o desconhecido Bruce Springsteen. A produ\u00e7\u00e3o, assinada por Jimmy Lovine, investe num som mais aberto e declaradamente inserido na est\u00e9tica \u201cnew wave\u201d. As palavras continuavam, por\u00e9m, t\u00e3o acutilantes como antes, aqui inscritas a raiva na sequ\u00eancia declamada cujo t\u00edtulo, \u201cBabelogue\u201d, antecipava a publica\u00e7\u00e3o do quinto livro de poesia da cantora, de gen\u00e9rico \u201cBabel\u201d. \u201cWave\u201d sai em 1979, com produ\u00e7\u00e3o de Todd Rundgren, ainda mais pr\u00f3ximo da pop e do \u201cmainstream\u201d, mas onde n\u00e3o faltam excelentes can\u00e7\u00f5es como o caudal de \u201cDancing barefoot\u201d, comprovativo de que o rock pode swingar, o \u201chit\u201d \u201cFrederick\u201d e a vers\u00e3o de \u201cSo you want to be (a rock\u2019n\u2019roll star)\u201d, dos Byrds.<br \/>\n\tNo ano seguinte, 1980, Patti Smith casa com Fred \u201cSonic\u201d Smith, ex \u2013MC5, o que a leva a preferir a vida dom\u00e9stica em detrimento do \u201cshow business\u201d. Ela mesmo faz quest\u00e3o de explicar que abandonou a ind\u00fastria musical mas n\u00e3o a m\u00fasica propriamente dita. O amor leva a melhor durante nove anos, per\u00edodo finalmente interrompido pela edi\u00e7\u00e3o de \u201cDream of life\u201d, em 1989, um \u00e1lbum honesto mas sem o vigor de outrora. A \u00e1gua substitu\u00edra o fogo, enquanto a cantora se justificava com a descoberta de novas dimens\u00f5es do ser e da influ\u00eancia do sol, num mal disfar\u00e7ado misticismo. \u201cSonic\u201d Smith viria a morrer cinco anos mais tarde, em 1994. As feridas seriam saradas de forma sublime em \u201cGone again\u201d, uma hist\u00f3ria por n\u00f3s j\u00e1 aqui contada. Do regresso \u00e1 boa forma e \u00e0 sua paix\u00e3o de sempre: o rock, iluminado pelo discernimento e pela poesia.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7aqojqMBvvc\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 11 de Setembro de 1996 Ilumina\u00e7\u00f5es PATTI SMITH The Patti Smith Masters (8) 6xCD, Arista, distri. BMG O rock n\u00e3o tem futuro. \u00c9 prov\u00e1vel que n\u00e3o. Mas orgulha-se de um passado e n\u00e3o deixa de sonhar o presente. 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