{"id":4935,"date":"2016-07-29T05:23:47","date_gmt":"2016-07-29T12:23:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4935"},"modified":"2016-07-29T05:23:47","modified_gmt":"2016-07-29T12:23:47","slug":"artigo-de-opiniao-rock-progressivo-progredir-de-a-a-z-ou-work-in-progress","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/07\/29\/artigo-de-opiniao-rock-progressivo-progredir-de-a-a-z-ou-work-in-progress\/","title":{"rendered":"Artigo de Opini\u00e3o: Rock Progressivo &#8211; &#8220;Progredir de A a Z&#8221; ou &#8220;Work In Progress&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>5 de Junho de 1996<\/p>\n<p><strong>\u201cWork in progress\u201d<\/p>\n<p>Progressivo. O termo seduz muitos e assusta alguns. Hoje, por\u00e9m, j\u00e1 h\u00e1 quem escreva, sem vergonha, coisas como \u201cprogressive house\u201d, \u201cprogressive techno\u201d. Mais do que uma est\u00e9tica ou um estilo, o Progressivo foi \u2013 \u00e9 -, antes de mais, uma atitude que vingou em Inglaterra, entre 1970 e 1975. Todas as modas que atravessaram a d\u00e9cada seguinte n\u00e3o foram suficientes para apagar aquela que foi uma das \u00e9pocas mais originais e produtivas da m\u00fasica popular. \u00c9 assim que 1996 assiste \u00e0 consagra\u00e7\u00e3o de velhos dinossauros como os Jethro Tull, este ano nas comemora\u00e7\u00f5es do seu 30\u00ba anivers\u00e1rio, mas tamb\u00e9m ao ressurgimento de fen\u00f3menos como \u201crock alem\u00e3o\u201d, ou Krautrock, na express\u00e3o agora recuperada por Julian Cope, no seu livro \u201cKrautrock Sampler\u201d, tornado b\u00edblia do Progressivo. Grupos como os Faust, Amon D\u00fc\u00fcl II, Can e Neu! voltaram a gravar e a tocar ao vivo, com os primeiros a assinarem um dos grandes \u00e1lbuns do ano passado, \u201cRien\u201d. O facto ganha maior relev\u00e2ncia quando se sabe que bandas recentes como os High Llamas ou Stereolab reivindicam os papas do rock alem\u00e3o como uma das suas principais influ\u00eancias. Quem se aproveitou do per\u00edodo de sombra que cobriu o Progressivo, em Inglaterra, ao longo da d\u00e9cada de 80, foram os chamados \u201cneo progs\u201d, aprendizes bem-intencionados mas de magros recursos no que respeita a criatividade e personalidade pr\u00f3prias, que copiaram sem modera\u00e7\u00e3o os modelos antigos. \u201cNeo progs\u201d como Marillion, Twelfth Night, Pallas, I. Q. ou Pendragon. Pelo contr\u00e1rio, editoras como a Cuneiform ou Recommended, mantiveram acesa a chama, com muitos dos seus artistas a passarem por uma quase clandestinidade sob o caudal das modas, enquanto outras, como a francesa Musea, a Si-Wan coreana ou a Repertoire alem\u00e3, se t\u00eam dedicado sobretudo \u00e0 reedi\u00e7\u00e3o tanto de cl\u00e1ssicos como de trabalhos mais obscuros do Progressivo, preenchendo um mercado em franca ascens\u00e3o. Os verdadeiros \u201cprogressivos\u201d, posteriores aos anos 70, de um e do outro lado do Atl\u00e2ntico, davam por nomes t\u00e3o estranhos como Univers Zero, Art Zoyd, Birdsongs Of The Mozosoic, Aksak Maboul, 5 Uu\u2019s ou Motor Totemist Guild. Por outro lado, a implanta\u00e7\u00e3o das chamadas \u201cm\u00fasicas do mundo\u201d provocou um interesse renovado pelas bandas pioneiras do folk \u201cprogressivo\u201d. Numa altura em que cada vez mais bandas novas descobrem as virtudes da electr\u00f3nica anal\u00f3gica, o P\u00daBLICO apresenta o seu manual de orienta\u00e7\u00e3o, de A a Z, do Progressivo.<\/p>\n<p>PROGREDIR DE A A Z<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4936\" rel=\"attachment wp-att-4936\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/rp-300x225.jpg\" alt=\"rp\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4936\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/rp-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/rp-624x468.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/rp-100x75.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/rp.jpg 728w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Americanos \u2013 Foram eles que deram m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o ao Progressivo, conotando-o com o \u201crock sinf\u00f3nico\u201d. Mas a decad\u00eancia vingou, nos Boston, Kansas, Journey e quejandos.<\/p>\n<p>Bandas \u2013 Na d\u00e9cada de 70, o colectivo sobrep\u00f4s-se ao individual. Foram os grupos que ficaram para a Hist\u00f3ria. Era dif\u00edcil a uma pessoa s\u00f3 tocar 40 instrumentos ao mesmo tempo\u2026 Personalidades, houve Robert Wyatt, Kevin Ayers, Daevid Allen (os exc\u00eantricos de Canterbury), Brian Eno, John Martyn, Nick Drake, Neil Ardley, Mike Oldfield e o seu parceiro das orquestra\u00e7\u00f5es David Bedford, Roy Harper, Robert Fripp. E David Bowie e Peter Gabriel, mundos \u00e0 parte. E Peter Hammill, um mundo ainda maior e mais \u00e0 parte.<\/p>\n<p>Canterbury \u2013 Em 1961, um grupo de estudantes de arte \u2013 Robert Wyatt, Mike Ratledge, Kevin Ayers e Daevid Allen \u2013 formava na pequena localidade de Canterbury, no Sul de Inglaterra, um grupo, os Wilde Flowers, que estaria na origem do subg\u00e9nero mais importante e \u201ccool\u201d do Progressivo e ficaria para sempre designado pelo seu local de origem. O som \u201ccanterbury\u201d caracterizava-se por vocaliza\u00e7\u00f5es pastoris, experimentalismo pop, jazz diletante e um \u00f3rg\u00e3o electr\u00f3nico saturado de \u201cfuzz\u201d. Soft Machine, Gong, Egg, Caravan, Hatfield and The North, Gilgamesh, Matching Mole, os primeiros Camel, National Health, Soft Heap, Khan s\u00e3o nomes de ponta de um movimento que nos Estados Unidos se prolongou pelos Happy The Man, However e Muffins. No Jap\u00e3o, os Ain Soph s\u00e3o os representantes oficiais de Canterbury. Na Internet, existem pelo menos dois s\u00edtios que lhe s\u00e3o dedicados \u2013 Calyx e Musart.<\/p>\n<p>Dean, Roger \u2013 N\u00e3o se falava em crise e as capas dos \u00e1lbuns desdobravam-se em metros e metros de papel. \u00c1lbum \u201cprogressivo\u201d digno desse nome era obrigado a ter uma capa de abrir. Entre os desenhadores de capas que fizeram escola, Roger Dean distinguiu-se pelo onirismo e originalidade dos seus tra\u00e7os, criando um estilo inconfund\u00edvel que outros, depois dele, copiaram. Ficaram c\u00e9lebres as capas dos Yes, mas tamb\u00e9m os Budgie, Greenslade, Gentle Giant, Uriah Heep e Osibisa tiveram a sua m\u00fasica embrulhada nos sonhos gr\u00e1ficos de Roger Dean. A capa do \u201cMellon Collie\u201d, dos Smashing Pumpkins, \u00e9 \u201cprogressiva\u201d.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Electr\u00f3nica \u2013 Fez escola na Alemanha, mas tamb\u00e9m em Inglaterra (David Vorhaus\/White Noise, Seventh Wave, Ron Geesin, Tonto\u2019s Expanding Head Band), It\u00e1lia (Franco Battiato, Pierrot Lunaire), Estados Unidos (Ned Lagin, Beaver &#038; Krause) e, sobretudo, em Fran\u00e7a, sob a tutela de Pierre Henry (P\u00f4le, Heldon, Lard Free, Bernard Szajner, Alan Markusfeld). A parafern\u00e1lia electr\u00f3nica posta \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos favoreceu igualmente o aparecimento de monos como os de Hot Butter, primeiro grupo a levar a pop electr\u00f3nica ao 1\u00ba lugar do \u201ctop\u201d de singles brit\u00e2nico, com \u201cPopcorn\u201d.<\/p>\n<p>Folk \u201cprogressivo\u201d \u2013 Nasceu da fus\u00e3o do psicadelismo com a folk tradicional, casando bem com a inventividade do Progressivo. Steeleye Span, Fairport Convention, Pentangle e Strawbs inventaram o \u201cfolk rock\u201d, deixando para as bandas \u201cmenores\u201d a miss\u00e3o de se perderem em sons menos catalog\u00e1veis. Trees, Dando Shaft, Spirogyra, Mellow Candle, Dr. Strangely Strange, Tudor Lodge, Magna Carta, Trader Home, Forest, C.O.B., Fuchsia\u2026 Os Incredible String Band constituem uma lenda \u00e0 parte. Na altura eram \u201chippies\u201d e loucos. Em 1996, come\u00e7a-se a compreend\u00ea-los.<\/p>\n<p>Gentle Giant \u2013 Os estetas do movimento. Fizeram a s\u00edntese da m\u00fasica contempor\u00e2nea, das polifonias medievais, no minimalismo, da \u201cfolk\u201d, do \u201chard rock\u201d, do psicadelismo, de tudo, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Os manos Shulman e o teclista Kerry Minnear tocavam todos os instrumentos e todas as culturas, \u201cGentle Giant\u201d, \u201cAcqiuring The Taste\u201d, \u201cThree Friends\u201d, \u201cOctopus\u201d e \u201cIn A Glass House\u201d, os cinco \u00e1lbuns da fase inicial, s\u00e3o obras-primas do Progressivo que ainda hoje se escutam como se fossem novidades.<\/p>\n<p>Harvest \u2013 Selo c\u00e9lebre, dos poucos a poder competir com a Vertigo. O seu maior trof\u00e9u s\u00e3o os Pink Floyd e as capas da Hypgnosis, que se juntaram no marco do Progressivo, \u201cAtom Heart Mother\u201d. Albergou uma chusma de lun\u00e1ticos: Tea &#038; Symphony (\u201cNa Asylum For The Musically Insane\u201d deve ser o \u00e1lbum mais esquizofr\u00e9nico de todo o Progressivo ou l\u00e1 o que for\u2026), Battered Ornaments, Pete Brown &#038; Piblokto, Quatermass, The Greatest Show On Earth, Third Ear Band, Forest\u2026<\/p>\n<p>Italianos \u2013 Em It\u00e1lia, os \u201cprogressivos\u201d liam pela pauta, n\u00e3o desdenhando a sua heran\u00e7a cl\u00e1ssica. Van Der Graaf Generator, King Crimson e Emerson, Lake &#038; Palmer foram os modelos eleitos por grupos como Premiata Forneria Marconi, Banco, Celeste, Le Orne e Il Balletto di Bronzo. Bastante mais interessantes s\u00e3o as propostas radicais dos Area, Arti &#038; Mestieri, Dedalus, Stormy Six ou Picchio Dal Pozzo, que preferiram expor-se \u00e0 audi\u00e7\u00e3o de Zappa e dos Henry Cow.<\/p>\n<p>Jazz \u2013 Miles Davis aproximou-se do Progressivo em \u201cPangaea\u201d. E Sun Ra, nos \u00e1lbuns com lados inteiros com solos de Moog, como a grava\u00e7\u00e3o ao vivo \u201cNuits de la Fondation Maeght\u201d e \u201cIt\u2019s After the End of the World\u201d.<\/p>\n<p>Krautrock \u2013 Julian cope recuperou para a actualidade um termo que designa uma infinidade de propostas musicais origin\u00e1rias da Alemanha. A \u201ckosmische Muzik\u201d de Klaus Schulze, Ashra e Tangerine Dream. O rock anarquista dos Guru Guru, Grobschnitt, Amon D\u00fc\u00fcl II e Floh de Cologne. O romantismo dos Wallenstein, Hoelderlin e Parzival. O tribalismo dos Can e Embryo. O jazz-rock h\u00edbrido dos Release Music Orchestra, Annexus Quam e Kraan. O misticismo dos Popol Vuh e Yatha Sidhra. O industrial \u201cavant la lettre\u201d dos Cluster e Kraftwerk. O minimalismo dos Neu!, Harmonia e La Dusseldorf. A revolu\u00e7\u00e3o total dos Faust. Pete Namlook, Jeff Greinke, Peter Frohmader, Holger Hiller e Asmus Tietchens s\u00e3o alguns dos seus actuais sucessores.<\/p>\n<p>LSD \u2013 Lucy desceu do c\u00e9u e trouxe diamantes. O consumo baixou, em compara\u00e7\u00e3o com a gulodice dos psicad\u00e9licos que na d\u00e9cada anterior provocaram a ruptura de \u201cstock\u201d. Os \u201cprogressivos\u201d tamb\u00e9m tomaram a pastilha mas a necessidade de rigor n\u00e3o se compadecia com as desbundas do \u201cacid rock\u201d. Os fil\u00f3sofos \u201cs\u00e9rios\u201d e a literatura fant\u00e1stica e de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foram dissecados enquanto Timothy Leary ficou guardado para os feriados. Era preciso ter a cabe\u00e7a no lugar, para juntar o onirismo a um perfeccionismo por vezes quase man\u00edaco. Os Gong nunca tiveram esse problema\u2026<\/p>\n<p>Moog \u2013 Durante o Progressivo, o reinado das guitarras cedeu ao dos teclados electr\u00f3nicos. O sintetizador Moog e o \u201cmellotron\u201d, um \u00f3rg\u00e3o de cassetes que reproduz sonoridades orquestrais, funcionaram como s\u00edmbolos da aventura sonora de uma \u00e9poca. Actualmente, assiste-se \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o destes dois instrumentos. Nenhum \u201csampler\u201d conseguiu igualar o calor do LFO (Low Frequency Oscillator) do velhinho Moog anal\u00f3gico. \u00c9 preciso ouvir \u201cLucky man\u201d, dos Emerson, Lake &#038; Palmer.<\/p>\n<p>N\u00f3rdicos \u2013 Apanharam a tempo o comboio. Jazz, pop transviada, folk, minimalismo. Wigwam, Tasavallan Presidentti, Burnin\u2019 Red Ivanhoe, Sammla Mammas Manna, Day of Phoenix, Bo hansson. Lars Hollmer e Pekka Pohjola s\u00e3o dois dos maiores compositores europeus da actualidade. A Resource tem estado atenta no cap\u00edtulo das reedi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Orquestras \u2013 Nunca casaram bem com o Progressivo, paradoxalmente um movimento que muitos, de forma errada, definiram como \u201crock sonf\u00f3nico\u201d. As experi\u00eancias dos Moody Blues, Procol Harum, Deep Purple e Rick Wakeman ficaram como curiosidades.<\/p>\n<p>Peel, John \u2013 O papa do \u00e9ter brit\u00e2nico. Passou no m\u00edtico Top Gear da Radio One (vencedor cr\u00f3nico dos \u201cpolls\u201d da imprensa musical na d\u00e9cada de 70) os grupos todos. Criou a sua pr\u00f3pria editora, Dandelion. Algumas das suas \u201cPeel sessions\u201d, gravadas ao vivo no est\u00fadio, s\u00e3o p\u00e9rolas do Progressivo, como as dos Can e Soft Machine.<\/p>\n<p>Quantidade \u2013 De instrumentos, de cart\u00e3o para as capas, de t\u00edtulos incr\u00edveis, de tend\u00eancias absurdas, de palavras incompreens\u00edveis, de golpes de g\u00e9nio. O Progressivo foi o reino da quantidade e do excesso. Uma cornuc\u00f3pia a jorrar para os anos 90.<\/p>\n<p>Recommended Records \u2013 A editora mais \u201cprogressiva\u201d dos anos 80, fundada pelo baterista e te\u00f3rico dos Henry Cow, Chris Cutler. Nela est\u00e3o registadas algumas das propostas mais arrojadas deste per\u00edodo: Art Bears, Cassiber, Wha Ha Ha, After Dinner, Steve Moore, Biota, Jocelyn Robert, Univers Zero, Negativland, Charles W. Vrtacek. Tem editoras irm\u00e3s espalhadas pela Europa: Rec Rec, Woof, These, No Man\u2019s Land, Points East (dedicada \u00e0 m\u00fasica do Leste)\u2026<\/p>\n<p>Segunda linha \u2013 Se os grupos principais, ingleses, do movimento, Genesis, Camel, Gentle Giant, King Crimson, Van Der Graaf Generator, Yes, Jethro Tull e Gryphon, foram aqueles que ficaram nos registos, outros houve, com menor projec\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica, que definiram as linhas menos ortodoxas do Progressivo. \u00c9 por estes que o coleccionador se interessa, idiossincrasias \u00e0s quais o tempo conferiu uma aura de mist\u00e9rio. East of Eden, Ben, Tea &#038; Symphony, Secondhand, Gracious, Gnidrolog, T. 2, Stackridge, The Greatest Show On Earth, Clarck Hutchinson, High Tide, Comus, Spirogyra, entre muitos outros, mais do que os consagrados, sustentaram a m\u00edstica do Progressivo.<\/p>\n<p>Tantra \u2013 A banda de Manuel Cardoso foi a \u00fanica, em Portugal, a levar o progressivo \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, juntando o profissionalismo e a teatralidade em \u00e1lbuns como \u201cMist\u00e9rios e Maravilhas\u201d e \u201cHolocausto\u201d. Jos\u00e9 Cid gravou \u201cDez Mil Anos depois, entre V\u00e9nus e Marte\u201d, muito considerado nos meios coleccionistas internacionais. Os Petrus Castrus ficaram-se por \u201cMestre\u201d e os GNR desistiram, depois de \u201cAvarias\u201d de \u201cIndependan\u00e7a\u201d. Os Beatnicks nunca chegaram a gravar o \u00e9pico \u201cCosmonica\u00e7\u00e3o\u201d. Ainda hoje se segreda aos ouvidos o nome dos Ephedra.<\/p>\n<p>Uma vez \u2013 Era uma vez uma palavra que se julgava enterrada para sempre. N\u00e3o estava porque a atitude que lhe estava subjacente nunca morreu. Venham de l\u00e1 os que nos anos 90 primeiro se aproximaram do Progressivo, embora deixando cair a alma pelo caminho. Main, My Bloody Valentine, Spacemen 3, A. R. Kane.<\/p>\n<p>Vertigo \u2013 A editora cl\u00e1ssica da primeiro fase do Progressivo. Foi a primeira editora a apostar em exclusivo no mercado dos longas-dura\u00e7\u00f5es. As reedi\u00e7\u00f5es excelentes, t\u00eam estado a ser efectuadas de forma met\u00f3dica pela Repertoire. Gentle Giant, Nucleus, Ben, Cressida, Fairfield Parlour, Affinity, Beggars Opera, Catapilla, Gracious, Tudor Lodge, Bob Downes Open Music, Manfred Mann Chapter Three, Keith Tippett Group, os melhores. E coisas raras, esquisitas e valiosas como Still Life, Hokus Poke, May Blitz, Nirvana (n\u00e3o confundir com\u2026), Dr. Z, Clear Blue Sky, Warhorse, Legend\u2026<\/p>\n<p>White Noise \u2013 Reparem bem neste nome. \u201cAn Electric Storm\u201d, \u00e1lbum de 1969, \u00e9 um dos maiores rasgos de futurologia que se conhecem. Pop saturada de LSD, electr\u00f3nica espacial, surrealismo \u201cbubblegum\u201d, vozes astrais, risos de pulgas e uma missa negra, debaixo de trovoada, celebrada no Inferno.<\/p>\n<p>X \u2013 \u201cMister X Gets Tense\u201d e \u201cSaculty X\u201d, de \u201cGet Tense Ph7\u201d. \u201cXmy Heart\u201d, o \u00e1lbum mais recente. At\u00e9 quando Peter Hammill ter\u00e1 a energia necess\u00e1ria para se manter como porta-voz da voz mais profunda e perturbada do Progressivo dentro de uma cabe\u00e7a s\u00f3? A inc\u00f3gnita\u2026<\/p>\n<p>Yes \u2013 Sim\u2026 Talvez\u2026 N\u00e3o\u2026 Nenhum outro grupo congregou em igual percentagem o \u00f3dio e a venera\u00e7\u00e3o como os Yes. Simbolizam em simult\u00e2neo o lado melhor e pior do Progressivo. Em termos de virtuosismo instrumental, eram imbat\u00edveis. Os excessos, praticaram-nos todos. O duplo \u201cTales Of Topographic Oceans\u201d, com os seus quatro longu\u00edssimos temas, \u00e9 para alguns uma obra-prima, enquanto para outros representou o pior pesadelo do Progressivo. Sobre a voz andr\u00f3gina de Jon Anderson, h\u00e1 quem, s\u00f3 de a ouvir, jure que sobe ao c\u00e9u, e quem vomite.<\/p>\n<p>Zeuhl \u2013 Termo que designa o universo est\u00e9tico e ideol\u00f3gico criado em Fran\u00e7a pelos Magma. Antes deles eram os Ange que lideravam o Progressivo em Fran\u00e7a, mas foi a banda de Christian Vander a definir a linha mais forte e original do movimento. Deixaram uma legi\u00e3o de disc\u00edpulos \u201czeuhl\u201d como os Zao, Weidorje, Xalph, Eskaton, Shub Niggurath, Musique Noise, cuja caracter\u00edstica comum era a paix\u00e3o por Nietzsche, Wagner e Coltrane. Em oposi\u00e7\u00e3o a tudo andaram os Etron Fou Leloublan e Albert Marcoeur.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rQSYVJ8LXS0\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 5 de Junho de 1996 \u201cWork in progress\u201d Progressivo. O termo seduz muitos e assusta alguns. Hoje, por\u00e9m, j\u00e1 h\u00e1 quem escreva, sem vergonha, coisas como \u201cprogressive house\u201d, \u201cprogressive techno\u201d. 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