{"id":4926,"date":"2016-07-26T05:17:33","date_gmt":"2016-07-26T12:17:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4926"},"modified":"2017-05-24T09:23:31","modified_gmt":"2017-05-24T16:23:31","slug":"entrevista-lisa-germano-e-a-crianca-que-tenho-na-cabeca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/07\/26\/entrevista-lisa-germano-e-a-crianca-que-tenho-na-cabeca\/","title":{"rendered":"Entrevista &#8211; Lisa Germano: &#8220;\u00c9 A Crian\u00e7a Que Tenho Na Cabe\u00e7a&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>16 de Outubro de 1996<\/p>\n<p><strong>\u201c\u00c9 a crian\u00e7a que tenho na cabe\u00e7a\u201d<\/p>\n<p>\u201cExcerpts from a Love Circus\u201d \u00e9 uma inicia\u00e7\u00e3o ao desencanto. Um \u00e1lbum onde Lisa Germano fala de rela\u00e7\u00f5es estragadas e experi\u00eancias traumatizantes e onde deixou \u201cMiamo-Tutti\u201d, o \u201cmacho-cat\u201d, a miar. Lisa, desiludida, mas n\u00e3o Lisa, a submissa. \u00c9 a crian\u00e7a que existe em si, a ronronar. Num disco sobre coisas \u201ctristes, tr\u00e1gicas e absurdas\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4927\" rel=\"attachment wp-att-4927\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/lg-199x300.jpg\" alt=\"lg\" width=\"199\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4927\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/lg-199x300.jpg 199w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/lg-300x452.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/lg-66x100.jpg 66w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/lg.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Em lugar de dissertar sobre m\u00fasica, Lisa Germano prefere expor os seus sentimentos. Num discurso que insiste na t\u00f3nica dos amores n\u00e3o correspondidos e na necessidade de cortar com situa\u00e7\u00f5es de impasse, capazes de arruinar, mais do que uma rela\u00e7\u00e3o, uma vida inteira. \u201cSad Lisa\u201d, a velha can\u00e7\u00e3o de Cat Stevens, define a sua maneira de reagir mas n\u00e3o a sua maneira de ser. \u201cLove Circus\u201d \u00e9 uma arena de desenganos da qual \u00e9 preciso escapar. Desabafou com o P\u00daBLICO as suas m\u00e1goas, as suas fraquezas, as suas convic\u00e7\u00f5es.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 O que s\u00e3o as \u201crela\u00e7\u00f5es disfuncionais\u201d que v\u00eam mencionadas nas notas de promo\u00e7\u00e3o de \u201cLove Circus\u201d?<br \/>\nLISA GERMANO \u2013 \u00c9 o que fazemos quando n\u00e3o gostamos de n\u00f3s pr\u00f3prios e procuramos pessoas para andarem \u00e0 nossa volta mas que acabam por nos tratar mal. Algo que n\u00e3o funciona.<br \/>\nP. \u2013 As rela\u00e7\u00f5es que teve foram todas desse tipo?<br \/>\nR. \u2013 Pelos menos todas sobre as quais escrevi\u2026<br \/>\nP. \u2013 O problema \u00e9 mais seu ou dos outros?<br \/>\nR. \u2013 Cheguei \u00e0 conclus\u00e3o que \u00e9 mais meu. Pelas raz\u00f5es que me levaram a escolher determinadas pessoas para viver com elas, rela\u00e7\u00f5es que n\u00e3o funcionaram. Poderia ter sa\u00eddo delas mas n\u00e3o o fiz\u2026 Deixei andar\u2026 Est\u00e1 tudo nas can\u00e7\u00f5es. Quem melhor as compreender\u00e1 s\u00e3o as pessoas que passaram pelo mesmo, pessoas que se foram abaixo.<br \/>\nP. \u2013 Continua \u00e0 espera que um dia as coisas possam bater certo?<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o sei\u2026 Penso que sim. Mas olho \u00e0 minha volta e vejo uma quantidade de pessoas que vivem juntas e que n\u00e3o se amam. Algo deprimente de ver mas que existe.<br \/>\nP. \u2013 Ao ouvirmos os seus \u00e1lbuns fica-se, por vezes, com a impress\u00e3o de estarmos perante uma crian\u00e7a a debater-se com os seus medos?<br \/>\nR. \u2013 Sim, \u00e0s vezes, quando ficamos demasiado confusos, voltamos para tr\u00e1s, at\u00e9 \u00e0 inf\u00e2ncia. \u00c9 a crian\u00e7a que temos na cabe\u00e7a. E \u00e9 essa crian\u00e7a que fica ferida e que precisa que as outras partes da cabe\u00e7a tomem conta dela.<br \/>\nP. \u2013 S\u00edmbolos da inf\u00e2ncia s\u00e3o as bonecas que aparecem na capa de \u201cHappiness\u201d e \u201cGeek the Girl\u201d, ou a roda de crian\u00e7as, em \u201cExcerpts from a Love Circus\u201d. T\u00eam algum significado mais espec\u00edfico?<br \/>\nR. \u2013 Bom, o autor das capas deve ter sentido o mesmo, que \u00e9 o meu lado de crian\u00e7a que escreve as can\u00e7\u00f5es. Acontece as pessoas virem ter comigo e acharem que estou bem, que n\u00e3o tenho nada o ar de estar lixada\u2026<br \/>\nP. \u2013 O que tem a dizer sobre o facto de ter posto os seus gatos a miar nos discos, em particular Miamo-Tutti, que aparece em \u201cHappiness\u201d e neste novo \u00e1lbum?<br \/>\nR. \u2013 Miamo-Tutti \u00e9 o meu gato \u201cmau\u201d. Dorothy \u00e9 a f\u00eamea. Utilizei-os nos discos s\u00f3 por gra\u00e7a\u2026 N\u00e3o, na verdade, fazem-me lembrar uma das minhas rela\u00e7\u00f5es. Miamo-Tutti \u00e9 o tipo de gato \u201cmacho\u201d que anda fora durante dias deixando Dorothy sozinha, muito triste, \u00e0 espera que ele regresse a casa, sem conseguir livrar-se dele. Converso muitas vezes com os meus gatos. Quando acabei de fazer o disco compreendi que eles faziam parte dele.<br \/>\nP. \u2013 Como \u00e9 que fez as grava\u00e7\u00f5es?<br \/>\nR. \u2013 O meu co-produtor emprestou-me um gravador DAT que levava para casa, onde gravei grande parte das vocaliza\u00e7\u00f5es do disco. Como tinha o microfone \u00e0 m\u00e3o\u2026<br \/>\nP. \u2013 J\u00e1 falou no seu lado infantil, mas h\u00e1 o outro, o perverso. Numa can\u00e7\u00e3o como \u201cForget it, It\u2019s a mystery\u201d, canta coisas como: \u201cOdeio-te porque te amo, amo-te porque me odeio\u201d e \u201cGostei de ti quando me magoavas\u201d. Soa a masoquismo. Est\u00e1 a referir-se a amor ou a sexo?<br \/>\nR. \u2013 Pode soar dessa maneira, de facto, para quem n\u00e3o passou por essas situa\u00e7\u00f5es. A quest\u00e3o \u00e9 como \u00e9 que se pode viver com algu\u00e9m que nos magoa e nos trata mal? \u00c9 porque devemos estar muito apaixonados. N\u00e3o podemos estar sempre a deitar as culpas para cima dos outros, quando a verdade \u00e9 que nunca aprendemos nada. Essa can\u00e7\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie de confiss\u00e3o. De resto, n\u00e3o separo amor e sexo. N\u00e3o se deveria fazer o segundo sem existir o primeiro, quero dizer, podemos faz\u00ea-lo, mas \u00e9 cinco milh\u00f5es de vezes mais comovente quando se ama algu\u00e9m.<br \/>\nP. \u2013 \u00c9 o oposto de Liz Phair, por exemplo, quando numa das suas can\u00e7\u00f5es fala das vantagens de determinadas posi\u00e7\u00f5es, que permitem ter o acto sexual ao mesmo tempo que se v\u00ea televis\u00e3o\u2026<br \/>\nR. \u2013 Sim, ela \u00e9 mais descarada, move-se noutros quadrantes. As minhas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais sobre a pessoa cruel que d\u00e1 cabo da via dos outros.<br \/>\nP. \u2013 A pureza e a experi\u00eancia s\u00e3o incompat\u00edveis?<br \/>\nR. \u2013 Uma boa pergunta! As experi\u00eancias que vamos tendo tornam-nos mais cautelosos, p\u00f5em-nos na defensiva, a n\u00e3o acreditar. Mas talvez que, a longo prazo, ela nos ensine a encontrar a pureza. Talvez a experi\u00eancia sirva para nos extirpar do que est\u00e1 errado, fazendo-nos ver onde est\u00e1 o erro, para da pr\u00f3xima vez estarmos mais atentos.<br \/>\nP. \u2013 \u201cLovesick\u201d fala de terror e de medo, de um psicopata que diz am\u00e1-la e voc\u00ea fica paralisada \u00e0 espera que algo terr\u00edvel aconte\u00e7a. H\u00e1 algum trauma de inf\u00e2ncia por tr\u00e1s?<br \/>\nR. \u2013 Aconteceu de facto uma situa\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que me perseguiu, n\u00e3o sei se era ou n\u00e3o um psicopata, mas foi algo assustador, algu\u00e9m a entrar pela minha casa dentro. Basicamente, o tema de \u201cLovesick\u201d \u00e9 semelhante ao de \u201cForget it, it\u2019s a mystery\u201d: pensar que se encontrou a nossa alma g\u00e9mea e essa alma g\u00e9mea nem sequer gostar de n\u00f3s. No fundo, a outra pessoa tem o mesmo problema, de n\u00e3o conseguir abandonar a rela\u00e7\u00e3o. A vida a dois torna-se miser\u00e1vel. Um \u201camor\u201d doentio.<br \/>\nP. \u2013 Continua a acreditar na exist\u00eancia dessa alma g\u00e9mea?<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o\u2026 Actualmente acredito que h\u00e1 uma quantidade de almas g\u00e9meas. E ilus\u00f5es. Quando escrevi \u201ctu n\u00e3o \u00e9s a minha Yoko Ono\u201d, referia-me a algu\u00e9m que me dizia que eu n\u00e3o era forte, que n\u00e3o correspondia \u00e0 ideia que fazia de mim. Eu tinha posto esse algu\u00e9m num pedestal, sem sequer me aperceber disso.<br \/>\nP. \u2013 O facto de ser uma cantora de rock e levar um determinado estilo de vida torna as coisas mais dif\u00edceis?<br \/>\nR. \u2013 Nunca tive esse problema. N\u00e3o sou nenhuma estrela. Penso que essa imagem n\u00e3o funcionaria comigo, n\u00e3o tenho esse tipo de personalidade. Limito-me a escrever sobre coisas genu\u00ednas, sobre sentimentos. Acontece, apenas, que por vezes me perco no meio deles\u2026<br \/>\nP. \u2013 O t\u00edtulo do \u00e1lbum, \u201cLove Circus\u201d, sugere espect\u00e1culo, um jogo, algu\u00e9m que perde a algu\u00e9m que ganha\u2026 Uma quest\u00e3o de poder?<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o\u2026 Este \u00e1lbum \u00e9 apenas sobre coisas que n\u00e3o fazem sentido, como num circo\u2026 O primeiro t\u00edtulo que pensei dar-lhe foi \u201cGuillotine\u201d [guilhotina], sobre uma pessoa que \u00e9 cortada. Depois fui-me apercebendo de que se tratava mais de um circo de rela\u00e7\u00f5es for\u00e7adas entre as pessoas. E da necessidade de cortar a direito atrav\u00e9s delas, de ver o seu lado absurdo, caso se queira mudar alguma coisa. Este disco \u00e9 sobre coisas tristes, tr\u00e1gicas e absurdas. Um disco realmente muito, mas mesmo muito triste.<br \/>\nP. \u2013 Lembra-se de uma can\u00e7\u00e3o antiga de Cat Stevens, Sad Lisa\u201d?<br \/>\nR. \u2013 Sim, costumava ouvi-la quando era uma rapariguinha [risos].<br \/>\nP. \u2013 \u201cExcerpts from a Love Circus\u201d \u00e9 um \u00e1lbum de can\u00e7\u00f5es de \u00f3dio?<br \/>\nR. \u2013 Comecei realmente por sentir \u00f3dio, mas isso n\u00e3o me levava a lado nenhum. N\u00e3o valia a pena estar constantemente a gritar: \u201cOdeio-te! Odeio-te! Odeio-te!\u201d Senti a necessidade de compreender as raz\u00f5es desse \u00f3dio e partir para outra, tentar aprender a li\u00e7\u00e3o. No fundo, a minha m\u00fasica \u00e9 uma tentativa de encontrar solu\u00e7\u00f5es para os meus problemas. As pessoas dizem que ningu\u00e9m consegue fazer isso atrav\u00e9s da m\u00fasica, mas penso que, no meu caso, o processo resulta. A m\u00fasica pode ser uma cura. No meu caso \u00e9 uma catarse que me ajuda a ver as coisas numa perspectiva correcta.<br \/>\nP. \u2013 O que \u00e9 que odeia e ama com mais intensidade?<br \/>\nR. \u2013 Odeio que as pessoas tenham tanto trabalho para gostarem de si pr\u00f3prias e acabem por se deixar cair em situa\u00e7\u00f5es \u00e0s quais ficam amarradas para o resto da vida. Isso lixa-me completamente. E amo a vida. O simples acto de viver.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MligYapB2-A\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 16 de Outubro de 1996 \u201c\u00c9 a crian\u00e7a que tenho na cabe\u00e7a\u201d \u201cExcerpts from a Love Circus\u201d \u00e9 uma inicia\u00e7\u00e3o ao desencanto. Um \u00e1lbum onde Lisa Germano fala de rela\u00e7\u00f5es estragadas e experi\u00eancias traumatizantes e onde deixou \u201cMiamo-Tutti\u201d, o \u201cmacho-cat\u201d, a miar. 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