{"id":4922,"date":"2016-07-25T03:34:09","date_gmt":"2016-07-25T10:34:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4922"},"modified":"2016-07-25T03:34:09","modified_gmt":"2016-07-25T10:34:09","slug":"entrevista-roger-eno-um-mar-que-lhe-deu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/07\/25\/entrevista-roger-eno-um-mar-que-lhe-deu\/","title":{"rendered":"Entrevista: Roger Eno &#8211; &#8220;Um Mar Que Lhe Deu&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>9 de Outubro de 1996<\/p>\n<p><strong>Irm\u00e3os Eno em ac\u00e7\u00e3o. Roger lan\u00e7a \u00e1lbum de can\u00e7\u00f5es sobre o mar. Brian escreve um di\u00e1rio.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>UM MAR QUE LHE DEU<\/p>\n<p>\u201cSwimming\u201d, o novo \u00e1lbum de Roger Eno, tira o retrato a paisagens sonoras de praias solit\u00e1rias e ventosas. Hist\u00f3rias de enforcamentos e cantos de embalar, peda\u00e7os de esquecimento trazidos pela brisa at\u00e9 \u00e0 costa. Um \u00e1lbum de atmosferas mar\u00edtimas que n\u00e3o se envergonha de citar o irm\u00e3o mais velho do seu autor, Brian Eno. E de aproveitar as li\u00e7\u00f5es da poesia e do cinema.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4923\" rel=\"attachment wp-att-4923\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/re-300x169.jpg\" alt=\"re\" width=\"300\" height=\"169\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4923\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/re-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/re-100x56.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/re.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Embora igualmente seduzido pelo conceito de \u201catmosfera\u201d, Roger Eno demarca-se cada vez mais do abstraccionismo do seu irm\u00e3o, Brian Eno, ganhando uma autoconfian\u00e7a que, inclusive, o levou a incluir no novo \u00e1lbum um tema directamente influenciado por este. Mas as semelhan\u00e7as param aqui. Se Brian \u00e9 um cirurgi\u00e3o do imagin\u00e1rio e do tempo, Roger Eno viaja atrav\u00e9s dos elementos e de locais reais como um fot\u00f3grafo em busca de uma ess\u00eancia perdida. Tem por h\u00e1bito tocar piano de frente para um quadro.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 Em \u201cSwimming\u201d integrou, pela primeira vez, temas tradicionais. Que tipo de rela\u00e7\u00e3o tem com este g\u00e9nero de m\u00fasica?<br \/>\nROGER ENO \u2013 Sempre me interessei pela m\u00fasica tradicional, sobretudo por ser t\u00e3o personalizada e natural. Al\u00e9m disso, aprecio a maneira como, ao longo dos anos, a mesma can\u00e7\u00e3o se metamorfoseia em m\u00faltiplas varia\u00e7\u00f5es, num processo cont\u00ednuo de subtis transforma\u00e7\u00f5es. Grande parte da m\u00fasica tradicional \u00e9 muito poderosa do ponto de vista mel\u00f3dico, o que constitui, ao mesmo tempo, a sua for\u00e7a e uma limita\u00e7\u00e3o, se quisermos trabalh\u00e1-la ao n\u00edvel dos arranjos. Frequentemente \u00e9 t\u00e3o aut\u00f3noma que qualquer enfeite ou adi\u00e7\u00e3o sobre a base mel\u00f3dica se torna sup\u00e9rflua. Todavia, este g\u00e9nero de material pode ser trabalhado do ponto de vista da harmonia e da atmosfera e foi o que procurei fazer em \u201cSwimming\u201d.<br \/>\nP. \u2013 O primeiro tema, \u201cThe Paddington frisk\u201d, n\u00e3o aparece creditado como tradicional, embora soe como tal\u2026<br \/>\nR. \u2013 \u201cThe Paddington frisk\u201d \u00e9 uma brincadeira bastante m\u00f3rbida. A frase \u201cdan\u00e7ar o Paddington frisk\u201d \u00e9 um eufemismo de \u201cenforcamento\u201d, e \u201cfrisk\u201d (\u201cpulo\u201d, \u201ccambalhota\u201d) o estic\u00e3o do corpo dos condenados quando ficavam pendurados na forca. Compus, com alguma perversidade, uma melodia extremamente alegre para um sentimento de pavor.<br \/>\nP. \u2013 \u201cThe boatman\u201d foi composto sobre um tema antigo, que nunca chegou a gravar, \u201cThe seaside\u201d. Qual foi o contexto original em que o escreveu?<br \/>\nR. \u2013 \u201cThe seaside\u201d era uma pe\u00e7o simples de piano que costumava tocar em concerto, servindo de base a uma improvisa\u00e7\u00e3o, um excurs\u00e3o de dez minutos com destino sempre incerto. Um dos meus m\u00e9todos de trabalho \u00e9 escolher o nome de uma pe\u00e7a antes mesmo de a escrever, ou de improvisar, funcionando o t\u00edtulo como uma esp\u00e9cie de guia para um estado de esp\u00edrito ou uma atmosfera particulares que, por sua vez, conduzem a evolu\u00e7\u00e3o da m\u00fasica.<br \/>\nP. \u2013 A can\u00e7\u00e3o seguinte, \u201cSlow river\u201d, lembra bastante temas do seu irm\u00e3o, em \u00e1lbuns como \u201cTaking Tiger Mountain (By Strategy)\u201d ou \u201cBefore and after Science\u201d\u2026<br \/>\nR. \u2013 Quando escrevi essa can\u00e7\u00e3o apercebi-me, de facto, da sua semelhan\u00e7a com dos trabalhos mais antigos de Brian, e de que as pessoas se iriam igualmente aperceber disso. Mas, por uma quest\u00e3o de honestidade, achei que devia inclu\u00ed-la, sendo ali\u00e1s uma das minhas preferidas do \u00e1lbum. De resto, cheguei a pensar dedic\u00e1-la a Brian.<br \/>\nP. \u2013 Em \u201cSwimming\u201d, fez tudo sozinho, da produ\u00e7\u00e3o, ao canto, passando pela produ\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o instrumental. \u00c9 um \u00e1lbum demasiado pessoal para incluir outras pessoas?<br \/>\nR. \u2013 Digamos que n\u00e3o necessitei do \u201cinput\u201d de outrem. Pretendi desviar-me da instrumenta\u00e7\u00e3o mais tradicional, optando por instrumentos que, regra geral, tenho negligenciado \u2013 guitarra, bajo, acorde\u00e3o, etc. -, de maneira a dar um sabor completamente diferente ao \u00e1lbum. Foi um prazer andar a esgravatar nos arm\u00e1rios \u00e0 procura de sons.<br \/>\nP. \u2013 Durante o processo de cria\u00e7\u00e3o sentiu-se mais como um pianista, um arquitecto de texturas ambientais, um fot\u00f3grafo de sons ou um \u201csimples\u201d escritor de can\u00e7\u00f5es?<br \/>\nR. \u2013 Gosto de uma dessas defini\u00e7\u00f5es, \u201cfot\u00f3grafo de sons\u201d, \u00e9 bastante apropriada para o que tentei encontrar. De facto, um dos t\u00edtulos provis\u00f3rios para o \u00e1lbum era \u201cPostcards\u201d [\u201cpostais\u201d], funcionando cada tema como um instant\u00e2neo de um determinado momento. Era isto que tinha em mente quando pus a hip\u00f3tese de dedicar cada um dos temas a um amigo particular, como se lhe estivesse a enviar um postal. Tentei retratar lugares e estados de esp\u00edrito\u2026 Sim, \u201cfot\u00f3grafo de sons\u201d parece-me bastante bem.<br \/>\nP. \u2013 de que maneira o lugar onde vive, Woodbridge, no Suffolk, o afectou na composi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum?<br \/>\nR. \u2013 Um dos aspectos not\u00e1veis de se viver num lugar que se conhece bem \u00e9 a descoberta constante de coisas que antes passavam despercebidas, detalhes, o modo como a luz altera o aspecto de uma rua, adornos num tecto nos quais nunca se tinha reparado\u2026 Procuro sobrepor diferentes camadas que estimulem constantemente a curiosidade, de maneira a que cada tema pare\u00e7a sempre diferente a cada nova audi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nP. \u2013 A praia de Dunwich tamb\u00e9m teve alguma import\u00e2ncia no processo. \u00c9, ali\u00e1s, a mesma praia que j\u00e1 inspirara o seu irm\u00e3o a escrever \u201cDunwich beach, Autumn 1960\u201d, um can\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum \u201cOn Land\u201d. \u00c9 um lugar com uma m\u00edstica especial?<br \/>\nR. \u2013 Dunwich \u00e9 uma povoa\u00e7\u00e3o perdida na costa leste de Inglaterra, com uma atmosfera de desola\u00e7\u00e3o, constantemente assolada pelos elementos. Afecta-nos de uma maneira especial. Sussurra-nos sobre o ef\u00e9mero, de gl\u00f3rias passadas, de coisas vagamente recordadas\u2026 Notam-se constantemente mudan\u00e7as. Marcas de terra que foram apagadas\u2026 Como se, estranhamente, nos encontr\u00e1ssemos num lugar diferente\u2026<br \/>\nP. \u2013 \u201cSwimming\u201d evoca igualmente Paris e o Sena, no Outono, fazendo lembrar o interl\u00fadio musical de \u201cDiva\u201d, do realizador franc\u00eas Jean-Jacques Beineix. Os filmes constituem, para si, uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o?<br \/>\nR. \u2013 Esse filme, \u201cDiva\u201d, serviu de inspira\u00e7\u00e3o a \u201cGrey promenade\u201d, um ape\u00e7a do meu primeiro \u00e1lbum \u201cVoices\u201d\u2026<br \/>\nP. \u2013 E a pintura?<br \/>\nR. \u2013 \u00c9, sem d\u00favida, uma grande fonte de inspira\u00e7\u00e3o, bem como a poesia. Um dos m\u00e9todos que uso para improvisar \u00e9 colocar um quadro no suporte das partituras do piano, tentando retratar a sua atmosfera pict\u00f3rica em termos musicais. \u00c9 um processo que pode ajudar a romper padr\u00f5es vulgares de interpreta\u00e7\u00e3o. A partir destas improvisa\u00e7\u00f5es, aproveito alguns bocados e construo com eles novas pe\u00e7as.<br \/>\nP. \u2013 Em que l\u00edngua cantou \u201cAmukidi\u201d e \u201cHewendaway\u201d?<br \/>\nR. \u2013 Estava a cantar para as minhas filhas adormecerem, sem querer constru\u00ed uma \u201clullaby\u201d [can\u00e7\u00e3o de embalar], tanto a melodia como palavras em sentido. Gravei-a e tornou-se \u201cHewendaway\u201d. A seguir, o meu produtor quis ouvir como \u00e9 que ficava ao contr\u00e1rio. Trocou a onda sonora no computador e foi assim que nasceu \u201cAmukidi\u201d. A ideia funcionou e, a partir dela, fiz um arranjo ligeiramente diferente.<br \/>\nP. \u2013 Quais s\u00e3o as suas refer\u00eancias liter\u00e1rias?<br \/>\nR. \u2013 Dos escritores, Italo Calvino e Grahame Swift s\u00e3o os meus favoritos, tamb\u00e9m Flann O\u2019 Brien. Regra geral, leio antologias de poesia e aprecio demasiados poetas para os mencionar todos aqui, desde obras anglo-sax\u00f3nicas de autores an\u00f3nimos a muitos ainda vivos.<br \/>\nP. \u2013 Al\u00e9m do que j\u00e1 mencionou, de que \u00e9 que necessita para criar uma atmosfera musical espec\u00edfica, no caso de \u201cSwimming\u201d, relacionada com a \u00e1gua e com o mar?<br \/>\nR. \u2013 No caso de \u201cSwimming\u201d, viajei ao longo da costa, durante uns quatro meses, para me embeber dos ambientes dos diversos locais. O processo funcionou, penso, pelo menos nalguns temas. Uma vez que apanhava a ideia do percurso que tencionava seguir, continuava na mesma direc\u00e7\u00e3o, recolhendo outras ideias pelo caminho. Como um limpador de praias\u2026<br \/>\nP. \u2013 \u201cWhere the road leads to nowhere\u201d tem uma hist\u00f3ria. Pode fazer um resumo para os leitores?<br \/>\nR. \u2013 Mesmo a norte de Dunwich, fica Covehithe, outra cidade \u201cperdida\u201d. Constru\u00edram l\u00e1 uma estrada que deveria ligar-se a outra localidade mas que, de repente, termina abruptamente numa fal\u00e9sia, apontando para o c\u00e9u, sobre a praia. \u00c9 uma imagem que desencadeia uma reac\u00e7\u00e3o po\u00e9tica forte e que tinha de ser aproveitada.<br \/>\nP. \u2013 \u201cThe parting glass\u201d \u00e9 o lugar, na alma humana, onde o vinho se confunde com a \u00e1gua?<br \/>\nR. \u2013 \u00c9 um dos meus temas favoritos, com palavras e melodia directos e emotivos mas, para falar verdade, n\u00e3o misturo \u00e1gua no meu vinho\u2026<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GAYJyjQaP4I\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 9 de Outubro de 1996 Irm\u00e3os Eno em ac\u00e7\u00e3o. Roger lan\u00e7a \u00e1lbum de can\u00e7\u00f5es sobre o mar. Brian escreve um di\u00e1rio. 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