{"id":4915,"date":"2016-07-22T04:52:45","date_gmt":"2016-07-22T11:52:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4915"},"modified":"2016-07-22T04:52:45","modified_gmt":"2016-07-22T11:52:45","slug":"entrevista-the-divine-comedy-neil-hannon-lascivia-animal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/07\/22\/entrevista-the-divine-comedy-neil-hannon-lascivia-animal\/","title":{"rendered":"Entrevista: The Divine Comedy \/ Neil Hannon &#8211; &#8220;Lasc\u00edvia Animal&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock<\/p>\n<p>19 de Junho de 1996<\/p>\n<p><strong>The Divine Comedy actuam em Portugal e lan\u00e7am novo \u00e1lbum<\/p>\n<p>Lasc\u00edvia animal<\/p>\n<p>\u201cInspiration\u201d e \u201cPromenade\u201d e o mais recente \u201cCasanova\u201d s\u00e3o, at\u00e9 \u00e0 data, tr\u00eas momentos de um percurso de que n\u00e3o se conhece, por enquanto, a chave certa. O mist\u00e9rio dos Divine Comedy \u00e9 o lugar de elei\u00e7\u00e3o de Neil Hannon, um irland\u00eas de 25 anos que faz da afecta\u00e7\u00e3o modo de vida e da maquilhagem musical uma lei.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4916\" rel=\"attachment wp-att-4916\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/nh-300x225.jpg\" alt=\"nh\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4916\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/nh-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/nh-100x75.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/nh.jpg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201cCasanova\u201d \u00e9 teatro, sexo, amores canibais e um caleidosc\u00f3pio de refer\u00eancias que v\u00e3o de Burt Bacharah a Marc Almond, de Scott Walker a Peter Hammill. A pop na voz de um exc\u00eantrico. Ou de um comediante. Entre outras coisas, Neil Hannon explicou ao P\u00daBLICO a estrat\u00e9gia de choque para se ir para a cama com algu\u00e9m.<\/p>\n<p>P\u00daBLICO \u2013 \u201cCasanova\u201d representa uma mudan\u00e7a radical em rela\u00e7\u00e3o ao anterior \u201cPromenade\u201d, at\u00e9 a sua maneira de cantar mudou. A que se deve esta inflex\u00e3o?<br \/>\nNEIL HANNON \u2013 Quanto \u00e0 voz, aprendi a cantar de uma forma decente (risos). Basicamente, altero tudo em cada novo \u00e1lbum. Depois, deram-me desta vez uma grande quantidade de dinheiro para o fazer, o que me permitiu fazer can\u00e7\u00f5es superarranjadas (\u201cOver arranged\u201dm no sentido de excesso). O ambiente tamb\u00e9m \u00e9 inteiramente diferente, mas o princ\u00edpio por detr\u00e1s das can\u00e7\u00f5es \u00e9 o mesmo\u2026<br \/>\nP. \u2013 E esse princ\u00edpio \u00e9\u2026<br \/>\nR. \u2013 Oh\u2026 N\u00e3o sei! S\u00e3o can\u00e7\u00f5es que s\u00e3o eu. Encaradas de cada vez de um \u00e2ngulo diferente.<br \/>\nP. \u2013 Pode dizer-se que trabalhou desta vez como um actor?<br \/>\nR. \u2013 Num certo sentido, sim. Mas por outro lado h\u00e1 neste \u00e1lbum uma honestidade maior. Pretendi descrever o que me estava a acontecer de facto, mais do que em \u201cPromenade\u201d, onde sobretudo fantasiava. \u201cCasanova\u201d \u00e9 mais corajoso.<br \/>\nP. \u2013 Porque escolheu a personagem de Casanova para base tem\u00e1tica?<br \/>\nR. \u2013 Ironia total. Obviamente, n\u00e3o andei atr\u00e1s de duas mil mulheres, mas dei o meu melhor.<br \/>\nP. \u2013 O amor \u00e9 um jogo perigoso, que pode conduzir ao inferno, como diz em \u201cThrough a long and sleepless night\u201d?<br \/>\nR. \u2013 No in\u00edcio, nunca parece perigoso, n\u00e3o \u00e9? Come\u00e7ar algo que n\u00e3o se termina pode ser um dos caminhos\u2026<br \/>\nP. \u2013 A express\u00e3o \u201clouco de amor\u201d diz-lhe alguma coisa?<br \/>\nR. \u2013 O amor n\u00e3o teve que ver tanto como isso. Foi mais lasc\u00edvia animal.<br \/>\nP. \u2013 Uma forma de paix\u00e3o?<br \/>\nR. \u2013 Sim, a falta de uma coisa e o excesso de outra.<br \/>\nP. \u2013 H\u00e1 neste \u00e1lbum uma s\u00e9rie de influ\u00eancias ou de permutas com universos musicais de outros autores. Scott Walker, por exemplo.<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o se pode dizer que partilhe da sua vis\u00e3o, mas certamente que partilho do cepticismo da sua obra dos \u00faltimos anos da d\u00e9cada de 60. A sua vertente mais actual, expressa em \u201cTilt\u201d, \u00e9 demasiado sombria para mim.<br \/>\nP. \u2013 Quer dizer que n\u00e3o \u00e9 uma personalidade t\u00e3o estranha quanto ele?<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o me consigo imaginar a fazer um \u00e1lbum como esse. Gosto em demasia da melodia. Tenho no subconsciente uma sensibilidade pop. Como se me tivesse alimentado de pop e vivido com ela toda a vida. N\u00e3o se pode fugir a isso. Mesmo que quisesse ser vanguardista, provavelmente n\u00e3o o conseguiria. A \u00fanica coisa que ambiciono \u00e9 escrever can\u00e7\u00f5es engra\u00e7adas.<br \/>\nP. \u2013 E Peter Hammill. H\u00e1 faixas onde canta e at\u00e9 grita como ele\u2026<br \/>\nR. \u2013 Tem havido muitas pessoas a dizer-me o mesmo, mas a verdade \u00e9 que n\u00e3o conhe\u00e7o a sua m\u00fasica. \u00c9 muito embara\u00e7oso.<br \/>\nP. \u2013 Que discos ouvia na sua adolesc\u00eancia?<br \/>\nR. \u2013 Comecei por ouvir alguns horrores dos anos 80, como Nik Kershaw. Evolu\u00ed para os U2, como toda a gente nessa altura, e diplomei-me com os REM, mais tarde com os My Bloody Valentine, fechando o ciclo com o retorno aos anos 60 e a Scott Walker.<br \/>\nP. \u2013 David Bowie?<br \/>\nR. \u2013 Nunca o ouvi com muita aten\u00e7\u00e3o, embora o admire.<br \/>\nP. \u2013 Citei-o porque a introdu\u00e7\u00e3o de \u201cSongs of love\u201d lembra fortemente o Bowie de \u201cThe Man who Sold the World\u201d.<br \/>\nR. \u2013 Acha? Basicamente, tenho ouvido sempre uma quantidade de m\u00fasica, por acidente, na televis\u00e3o, por exemplo. H\u00e1 muita m\u00fasica neste mundo e n\u00e3o se pode fugir a ela. Procuro n\u00e3o ouvir muita coisa em casa, voluntariamente, isso n\u00e3o ajuda a ser original, acidentalmente podemos come\u00e7ar a us\u00e1-la.<br \/>\nP. \u2013 Hoje que toda a gente fala do \u201ceasy listening\u201d, assume ter sido influenciado por este g\u00e9nero musical em \u201cCasanova\u201d?<br \/>\nR. \u2013 Sem d\u00favida que h\u00e1 elementos de \u201ceasy listening\u201d, mas n\u00e3o estava consciente do movimento at\u00e9 ao momento em que terminei o \u00e1lbum. Na verdade, aquilo que as pessoas classificam como \u201ceasy listening\u201d \u00e9 em geral m\u00fasica pop orquestral dos anos 60, m\u00fasica por que me tenho interessado nos \u00faltimos cinco ou seis anos. Muita dessa m\u00fasica \u00e9 tudo menos f\u00e1cil (\u201ceasy\u201d), muito menos o meu \u00e1lbum, que \u00e9 mais do g\u00e9nero \u201chard listening\u201d\u2026<br \/>\nP. \u2013 \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o pensar em Marc Almond, dos Soft Cell, quando o ouvimos a si na abertura do disco, em \u201cSomething for the weekend\u201d, no mesmo ambiente de festa decadente\u2026<br \/>\nR. \u2013 Sem d\u00favida, \u00e9 muito Marc, embora sempre achasse que ele canta de uma forma demasiado rude, agu\u00e7ada, para o meu gosto. \u00c0 parte isso, admiro-o muito. Para dizer a verdade, n\u00e3o o ouvi muitas vezes, apenas me ou\u00e7o a mim pr\u00f3prio (risos).<br \/>\nP. \u2013 \u201cCharge\u201d \u00e9 um universo \u00e0 parte, onde a sua voz se passeia por v\u00e1rios registos, desde o teatro de Kurt Weill \u00e0 personifica\u00e7\u00e3o de um \u201ccrooner\u201d.<br \/>\nR. \u2013 Mudo constantemente. Sou como um monstro, um monstro cheio de lasc\u00edvia. Esse tema, em particular, \u00e9 bastante violento, uma esp\u00e9cie de m\u00e1 estrat\u00e9gia militar que pode ser interpretada de v\u00e1rias maneiras. \u00c9 um tema dif\u00edcil de analisar. Quando escrevi o que pode ser considerado o primeiro lado do \u00e1lbum, a preocupa\u00e7\u00e3o era desenvolver v\u00e1rias imagens baseadas no facto de se fazer qualquer coisa para ir para a cama com algu\u00e9m. \u201cCharge\u201d \u00e9 como que o z\u00e9nite desse estado de esp\u00edrito, uma tentativa desesperada. No resto do \u00e1lbum, foi como se partisse tudo em bocadinhos para descobrir o que \u00e9 que se esconde e existe realmente por detr\u00e1s de tudo isto. \u00c9 completamente s\u00f3 instinto sexual.<br \/>\nP. \u2013 Que processo seguiu para compor este aut\u00eantico caleidosc\u00f3pio que \u00e9 \u201cCasanova\u201d?<br \/>\nR. \u2013 Cinco por cento de inspira\u00e7\u00e3o mais 95 porcento de trabalho duro. H\u00e1 na minha m\u00fasica muito mais de instintivo do que me \u00e9 em geral atribu\u00eddo. Uma esp\u00e9cie de flu\u00eancia que ao longo do processo de grava\u00e7\u00e3o acrescenta pormenores que n\u00e3o existiam no momento da composi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nP. \u2013 Como \u00e9 que transp\u00f5e esse processo para o palco?<br \/>\nR. \u2013 Com uma banda tradicional, com piano, \u00f3rg\u00e3o Hammond, bateria baixo, duas guitarras e eu a cantar, o mesmo formato que utilizarei na minha actua\u00e7\u00e3o em Portugal.<br \/>\nP. \u2013 \u201cCasanova\u201d \u00e9 um trabalho de paix\u00e3o ou um trabalho de ironia?<br \/>\nR. \u2013 De certo que n\u00e3o \u00e9 um trabalho de amor! Mais de desespero. Tive bastantes problemas em descobrir o que fazer depois de \u201cPromenade\u201d. Este \u00e1lbum nasceu de uma frustra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nP. \u2013 O trabalho de um matem\u00e1tico ou o trabalho de um padre?<br \/>\nR. \u2013 Certamente que quero passar uma mensagem para as pessoas, mas ao mesmo tempo acho que n\u00e3o tenho o direito de o fazer, sou apenas um simples irland\u00eas (risos).<br \/>\nP. \u2013 Uma quest\u00e3o de moral, portanto?<br \/>\nR. \u2013 Tenho demasiadas morais no cora\u00e7\u00e3o, acho eu.<br \/>\nP. \u2013 O trabalho de um amante de livros (o \u201cbooklover\u201d de \u201cPromenade\u201d) ou o trabalho de um amante de espect\u00e1culo?<br \/>\nR. \u2013 Apenas o trabalho de um amante.<br \/>\nP. \u2013 Nesse tema de \u201cPromenade\u201d, faz uma lista de escritores. No novo disco, na introdu\u00e7\u00e3o de \u201cTheme from Casanova\u201d descreve a ficha t\u00e9cnica. Qual a explica\u00e7\u00e3o para este gosto pela enumera\u00e7\u00e3o?<br \/>\nR. \u2013 Come\u00e7ou por ser apenas uma piada. A seguir a uma can\u00e7\u00e3o como \u201cThrough a long and sleepless night\u201d, procurei no tema seguinte uma esp\u00e9cie de al\u00edvio dessa tens\u00e3o acumulada, como uma reac\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. N\u00e3o resultou t\u00e3o bem como quis porque no final de \u201cTheme from Casanova\u201d voltam a acontecer coisas estranhas, como uma trovoada. \u00c9 uma das minhas m\u00fasicas preferidas.<br \/>\nP. \u2013 Ainda a prop\u00f3sito desse tema, fala de esquizofrenia\u2026<br \/>\nR. \u2013 Porque vai do rid\u00edculo ao sublime, em quatro minutos. \u00c9 uma s\u00famula de tudo o que quis dizer no \u00e1lbum, sem ter de cantar uma \u00fanica palavra.<br \/>\nP. \u2013 Tr\u00eas cores para definir \u201cCasanova\u201d?<br \/>\nR. \u2013 P\u00farpura, escarlate e uma esp\u00e9cie de azul-turquesa p\u00e1lido e doentio\u2026<br \/>\nP. \u2013 Vamos acabar com o velho jogo das associa\u00e7\u00f5es. Dou-lhe um nome e voc\u00ea faz um coment\u00e1rio r\u00e1pido. Est\u00e1 de acordo?<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o sou muito bom nesse jogo, mas vamos a isso.<br \/>\nP. \u2013 Ray Davies.<br \/>\nR. \u2013 Terry encontra-se com Julie.<br \/>\nP. \u2013 Bryan Ferry.<br \/>\nR. \u2013 O senhor sexo.<br \/>\nP. \u2013 Phil Spector<br \/>\nR. \u2013 \u201cWall of sound\u201d<br \/>\nP. \u2013 Burt Bucharah<br \/>\nR. \u2013 Um encanto encantador.<br \/>\nP. \u2013 Julie Andrews<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o consigo deixar de pensar na apar\u00eancia dela agora, uma vis\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 nada agrad\u00e1vel.<br \/>\nP. \u2013 Deus<br \/>\nR. \u2013 Inveros\u00edmil.<br \/>\nP. \u2013 Neil Hannon<br \/>\nR. \u2013 Ainda mais inveros\u00edmil.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZuHUjtXDJn4\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 19 de Junho de 1996 The Divine Comedy actuam em Portugal e lan\u00e7am novo \u00e1lbum Lasc\u00edvia animal \u201cInspiration\u201d e \u201cPromenade\u201d e o mais recente \u201cCasanova\u201d s\u00e3o, at\u00e9 \u00e0 data, tr\u00eas momentos de um percurso de que n\u00e3o se conhece, por enquanto, a chave certa. 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