{"id":491,"date":"2009-05-28T09:38:39","date_gmt":"2009-05-28T16:38:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=491"},"modified":"2009-05-28T09:38:39","modified_gmt":"2009-05-28T16:38:39","slug":"entrevista-coldfinger-acenam-com-%e2%80%9clefthand%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2009\/05\/28\/entrevista-coldfinger-acenam-com-%e2%80%9clefthand%e2%80%9d\/","title":{"rendered":"Entrevista: Coldfinger Acenam com \u201cLefthand\u201d"},"content":{"rendered":"<p>22.09.2000<br \/>\nColdfinger Acenam com \u201cLefthand\u201d<br \/>\nQuem \u00e9 a Favor, Levante a M\u00e3o Esquerda<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/coldfinger_lefthand2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/coldfinger_lefthand2.jpg\" alt=\"coldfinger_lefthand2\" title=\"coldfinger_lefthand2\" width=\"186\" height=\"200\" class=\"alignnone size-full wp-image-492\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/coldfinger_lefthand.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/coldfinger_lefthand.jpg\" alt=\"coldfinger_lefthand\" title=\"coldfinger_lefthand\" width=\"500\" height=\"500\" class=\"alignnone size-full wp-image-493\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/coldfinger_lefthand.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/coldfinger_lefthand-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/coldfinger_lefthand-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/224424189\/coldfinger-lefthand.tar.gz.html\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<p>M\u00e3os ao ar! A esquerda! \u201cLefthand\u201d. O \u00e1lbum de estreia dos Coldfinger electrifica filmes negros, comete crimes na noite, faz scratch de sentimentos obscuros e corta \u00e0 faca versos de \u00c1lvaro de Campos. E se entrar para um autocarro a uma hora de ponta e olhar para dentro da cabe\u00e7a de uma pessoa \u2013 isso \u00e9 drum \u2018n\u2019 bass. O P\u00daBLICO armou-se em detective e foi investigar.<\/p>\n<p>Ele, Miguel Cardona, faz filmes sonoros, sente o poder de tocar na teclas de um piano Fender Rhodes ou de um Mini-Moog, arreganha os dentes a quem ousa proclamar a morte do drum \u2018n\u2019 bass e n\u00e3o consegue aguentar at\u00e9 ao fim a beleza excessiva de um filme como \u201cMagnolia\u201d. Ela, Margarida Pinto, veste-se das grandes cantoras cl\u00e1ssicas e assume-se como a \u201cface escura\u201d da banda. Em \u201cLefthand\u201d cada um \u00e9 o bra\u00e7o do outro.<br \/>\nFM \u2013 Como \u00e9 que \u00c1lvaro de Campos aparece metido nesta hist\u00f3ria, no tema de abertura, \u201cPara um poema\u201d?<br \/>\nMargarida Pinto \u2013 Foi um poema que me veio parar \u00c0s m\u00e3os. Normalmente trago sempre comigo a \u201cTabacaria\u201d mas neste caso li os versos na casa de um amigo meu e achei-os extremamente musicais. Fiquei com o poema na cabe\u00e7a. Acab\u00e1mos por utiliz\u00e1-lo com uma base musical que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 nossa, mas do Arkham Hi*Fi.<br \/>\nFM \u2013 \u201cLefthand\u201d junta electr\u00f3nica, lounge, jazz, bossa-nova\u2026 N\u00e3o se pode dizer que n\u00e3o estejam na crista da onda.<br \/>\nMiguel Cardona \u2013 No meu caso, que estou mais ligado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o estiver a fzer m\u00fasica estou a ouvir. Em minha casa ou na de coleccionadores de discos. Ainda na semana passada comprei o \u201cRoom With a View\u201d, que \u00e9 uma compila\u00e7\u00e3o dos Amalgamation of Soundz, que s\u00e3o eles pr\u00f3prios coleccionadores, a colect\u00e2nea \u201cJazz in the House 8\u201d do Phil Asher, algu\u00e9m que passa este tipo de som que agora est\u00e1 na moda, um \u00e1lbum j\u00e1 antigo de Q-Tip. A verdade \u00e9 que todas estas modas, como o fat garage, ou o Larry Levan, j\u00e1 me andam a chatear. S\u00e3o cada vez mais r\u00e1pidas, as pessoas n\u00e3o t\u00eam tempo para absorver o que \u00e9 importante.<br \/>\nMargarida Pinto \u2013 Eu ou\u00e7o Billie Holiday, Nina Simone, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan\u2026<br \/>\nFM \u2013 Dizia o Miguel que as pessoas j\u00e1 n\u00e3o absorvem o que \u00e9 importante?<br \/>\nMiguel Cardona \u2013 \u00c0s tantas forma-se um bloqueio. De repente gosta-se de bossa e j\u00e1 n\u00e3o se gosta de drum \u2018n\u2019 bass, de que se gostava h\u00e1 tr\u00eas meses. Ouvir m\u00fasica torna-se um fen\u00f3meno consumista e \u201cracista\u201d. A moda leva as pessoas a terem sensa\u00e7\u00f5es apenas pelo facto de ser algo que est\u00e1 na moda e n\u00e3o simplesmente pela m\u00fasica em si. Diz-se: \u201cSinto-me bem porque estou num ambiente lounge a ouvir Masters at Work na vers\u00e3o \u201cBossa Tr\u00e8s Jazz\u201d e pronto, estou bem porque estou com o pessoal, sei que o que est\u00e1 a tocar \u00e9 a faixa tr\u00eas, sei que isto foi roubado pelos Moloko e que deu milh\u00f5es de contos em \u201cSing it Back\u201d, portanto sou uma pessoa especial porque sei isto, porque li numa revista ou um amigo meu ou um jornalista informad\u00edssimo me disse!\u201d\u2026<br \/>\nFM \u2013 Mas isso n\u00e3o faz parte da pr\u00f3pria natureza do circuito da m\u00fasica de dan\u00e7a, essa socializa\u00e7\u00e3o? Mesmo a m\u00fasica de \u201cLefthand\u201d est\u00e1 mais pr\u00f3xima do que nos prim\u00f3rdios da banda, dessa vertente, digamos, mais mundana\u2026<br \/>\nMiguel Cardona \u2013 Isso \u00e9 porque fic\u00e1mos mais sozinhos a produzir o disco, apenas n\u00f3s os dois e o Joe Fossard. \u00c9 um disco mais vasto onde se torna mais f\u00e1cil darmos largas a todas as nossas ambi\u00e7\u00f5es musicais e se calhar porque estamos mais perto dessa ideia de contemporaneidade social do que de uma ideia de contemporaneidade intelectual.<br \/>\nFM \u2013 E a Margarida, sente o mesmo apelo do gozo directo, de uma m\u00fasica mais conotada com o conceito de divers\u00e3o?<br \/>\nMargarida Pinto \u2013 N\u00e3o, normalmente sou eu a \u201cface escura\u201d. O Miguel \u00e9 uma pessoa com mais energia que assume esse lado de provocar uma experi\u00eancia sensitiva, de provocar nas pessoas uma vontade de dan\u00e7ar. Eu vou menos por a\u00ed\u2026<\/p>\n<p>Duke J\u00e1 Havia<\/p>\n<p>FM \u2013 \u201cDuke Interlude\u201d \u00e9 obviamente uma dedicat\u00f3ria a Duke Ellington, embora pela m\u00fasica ningu\u00e9m adivinhasse\u2026<br \/>\nMiguel Cardona \u2013 Esse tema tem uma hist\u00f3ria. Ao registar as faixas na SPA, o tema chamava-se \u201cRude Interlude\u201d. A senhora que l\u00e1 estava, muito simp\u00e1tica, disse logo \u201cn\u00e3o, n\u00e3o! Esse tema n\u00e3o pode registar com esse nome porque h\u00e1 aqui um senhor que \u00e9 o (soletra) D-u-k-e E-ll-in-g-ton\u2026\u201d. J\u00e1 eu me estava a partir a rir. Exactamente, \u00e9 mesmo o senhor Duke Ellington. Entre gargalhadas acabei por \u201cagradecer\u201d \u00e0 senhora ter ficado a conhecer um grande vulto da orquestra\u00e7\u00e3o jazz e um dos m\u00fasicos do s\u00e9c. XX. Ficou \u201cDuke Interlude\u201d.<br \/>\nFM \u2013 Pelos t\u00edtulos, percebe-se que gostam de brincar com as palavras\u2026<br \/>\nMiguel Cardona \u2013 \u00c9 uma necessidade. Por exemplo, \u201cB com 1\u201d, que no poema original da Margarida se chama \u201cOne Alone\u201d. Mas tamb\u00e9m tivemos dificuldade com o registo dessa faixa\u2026 \u201cMondo\u201d faz-me lembrar o nome de uma bebida, ou uma paisagem\u2026<br \/>\nFM \u2013 Quem s\u00e3o os Lisbon City Rockers que produzem os temas \u201cCriminal Behaviour\u201d e \u201cTrans Interlude\u201d?<br \/>\nMiguel Cardona \u2013 \u00c9 segredo. Tamb\u00e9m foram eles que produziram o nosso single, \u201cSingle plus\u201d. Digamos que s\u00e3o um colectivo cujo anonimato tem a ver com a ideia de criar uma imagem, um espa\u00e7o l\u00fadico, uma etiqueta que possa incluir Os Fa\u00edscas, Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es ou os Mler Ife Dada, passando pelo Rock Rendez-Vous. Uma ideia de unidade, de movimento e que tamb\u00e9m tem a ver com o rock fora da sua conota\u00e7\u00e3o anglo-sax\u00f3nica, um \u201cLisbon rock!\u201d. Mas fazem essencialmente m\u00fasica de dan\u00e7a ligada ao \u201chouse\u201d ou um \u201celectro\u201d mais pop, da velha escola. S\u00e3o uma esp\u00e9cie de testemunhas silenciosas.<\/p>\n<p>Condu\u00e7\u00e3o de Pesados<\/p>\n<p>FM \u2013 Foram buscar para a grava\u00e7\u00e3o os velhos sintetizador Moog, o \u00f3rg\u00e3o Hammond e o piano el\u00e9ctrico Fender Rhodes.<br \/>\nMiguel Cardona \u2013 O que o Fender Rhodes tem de melhor \u00e9 o peso das teclas. Podes ter um bom som de Fender samplado mas depois n\u00e3o tens a rela\u00e7\u00e3o com o instrumento, que vibra e \u00e9 bonito, e em que a sua pr\u00f3pria imagem inspira o m\u00fasico. Quanto ao Moog, assiste-se a um regresso brutal. No anal\u00f3gico, a parte el\u00e9ctrica \u00e9 muito mais rica, os componentes, os pr\u00f3prios materiais, permitem ao instrumento ter um som muito mais poderoso. Sente-se que est\u00e1 ali qualquer coisa. \u00c9 como conduzir um ve\u00edculo pesado. \u00c9 diferente teres um tecladozinho Midi onde podes chamar um \u201csom Rhodes\u201d ou um \u201csom Moog\u201d. Perde-se essa rela\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFM \u2013 Cada um dos temas de \u201cLefthand\u201d podia passar por um pequeno filme. H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o directa da m\u00fasica dos Coldfinger com o cinema?<br \/>\nMiguel Cardona \u2013 O cinema \u00e9 algo que transporto comigo. O \u00faltimo filme que vi foi \u201cMagnolia\u201d. Achei-o t\u00e3o bom, de tal forma intenso, que me levantei e fui-me embora, j\u00e1 n\u00e3o aguentava mais, comecei a ficar transtornado. Deviam parar a meio para as pessoas descansarem. As imagens cinematogr\u00e1ficas determinam por um lado o facto de nos expressarmos em ingl\u00eas e, por outro, a rela\u00e7\u00e3o com personagens, com her\u00f3is, que acabam por influenciar a minha escrita musical. O \u00faltimo tema, por exemplo, \u201cThe tree and the bird\u201d, \u00e9 uma f\u00e1bula que vejo na minha cabe\u00e7a como um filme de anima\u00e7\u00e3o. Sobre um fundo branco, h\u00e1 uma arvora a falar a um p\u00e1ssaro dizendo-lhe \u201cTu tamb\u00e9m fazes parte de mim, n\u00e3o vou poder ir contigo, mas se puderes levar um pouco de mim dentro de ti quando te fores embora\u2026\u201d.  Claro que h\u00e1 outras imagens bastante mais pesadas\u2026<br \/>\nFM \u2013 \u201cLucky Star\u201d \u00e9 um dos temas de \u201cLefthand\u201d mais declaradamente inserido no drum \u2018n\u2019 bass. Afinal em que ficamos, o d \u2018n\u2019 b morreu ou veio para ficar? Um m\u00fasico como Amon Tobin enterrou ou salvou o d \u2018n\u2019 b?<br \/>\nMiguel Cardona \u2013 N\u00e3o acredito nessas mortes anunciadas. J\u00e1 quando era mi\u00fado tentaram matar o punk, depois tentaram matar o rock\u2026 O Amon Tobin trabalha com o som de uma forma quase dada, cola os elementos, muito na escola dos Coldcut e da Ninja Tune, apesar de ser diferente. N\u00e3o acho que ele seja um t\u00edpico autor de drum \u2018n\u2019 bass. O James Hardway tamb\u00e9m fez agora um disco um bocado diferente, mas faltam os gurus\u2026 O LTJ Bukem, que seria um dj de d \u2018n b, fez um disco que n\u00e3o \u00e9 de d \u2018n\u2019 b. Mas o d \u2018n\u2019 b n\u00e3o morreu. \u00c9 uma ideia que existia j\u00e1 no jazz be-bop, com uma atitude tipicamente humana. Se um gajo apanhar um autocarro numa hora de ponta, l\u00e1 dentro \u00e9 um concreto de d \u2018n\u2019 b na cabe\u00e7a das pessoas\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>22.09.2000 Coldfinger Acenam com \u201cLefthand\u201d Quem \u00e9 a Favor, Levante a M\u00e3o Esquerda LINK M\u00e3os ao ar! A esquerda! \u201cLefthand\u201d. O \u00e1lbum de estreia dos Coldfinger electrifica filmes negros, comete crimes na noite, faz scratch de sentimentos obscuros e corta \u00e0 faca versos de \u00c1lvaro de Campos. 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