{"id":4909,"date":"2016-07-20T05:52:41","date_gmt":"2016-07-20T12:52:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4909"},"modified":"2016-07-20T05:52:48","modified_gmt":"2016-07-20T12:52:48","slug":"monty-python-and-now-for-something-completely-different","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/07\/20\/monty-python-and-now-for-something-completely-different\/","title":{"rendered":"Monty Python &#8211; &#8220;And now, for something completely different&#8230;&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>P\u00daBLICA<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>24 Novembro 1996<\/p>\n<p><strong>\u201cAnd now, for something completely different&#8230;\u201d<\/p>\n<p>John Cleese era a figura com maior carisma dos Monty Python, o mais fant\u00e1stico grupo de humoristas de todos os tempos. Monty Python\u2019s Flying Circus, a s\u00e9rie de televis\u00e3o que os tornou c\u00e9lebres do mundo subat\u00f3mico aos confins da gal\u00e1xia, est\u00e1 a partir de agora dispon\u00edvel no mercado v\u00eddeo de venda directa. Ser\u00e1 que o Governo portugu\u00eas vai cometer o mesmo erro que o seu cong\u00e9nere brit\u00e2nico cometeu h\u00e1 25 anos e \u201cgastar menos dinheiro com o Minist\u00e9rio dos Passos Disparatados do que com a Defesa Nacional?\u201d John Cleese \u201cdixit\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4910\" rel=\"attachment wp-att-4910\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/mp-300x225.jpg\" alt=\"mp\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4910\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/mp-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/mp-100x75.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/mp.jpg 333w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Um homem de gabardina, John Cleese, entra numa loja de animais para protestar. Venderam-lhe um papagaio morto. O vendedor, Michael Palin, procura a todo o custo convenc\u00ea-lo de que o animal est\u00e1 apenas a dormir. O homem bate com a ave v\u00e1rias vezes no tampo do balc\u00e3o. \u201cEst\u00e1 morto, faleceu, finou-se, bateu a bota, deu o berro, entregou a alma ao criador!\u201d O outro insiste: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o! Est\u00e1 a dormir!\u201d magn\u00edfica met\u00e1fora sobre a condi\u00e7\u00e3o humana. E um dos \u201csketches\u201d emblem\u00e1ticos dos Monty Python e do seu Flying Circus, s\u00e9rie que a RTP exibiu recentemente e cujo primeiro pacote se encontra a partir de agora dispon\u00edvel no mercado v\u00eddeo de venda directa.<br \/>\nO \u201csketch\u201d do papagaio, como \u00e9 conhecido, tem, \u00e0 semelhan\u00e7a de muitos outros, o seu \u201cscript\u201d totalmente transcrito para uma das v\u00e1rias p\u00e1ginas da Internet dedicadas aos Monty Python, a maior \u201ctroupe\u201d de humor de todos os tempos. Mestres absolutos do \u201cnonsense\u201d, o humor dos Monty Python marcou a sua \u00e9poca, entre 1969 e 1974, cinco anos que abalaram o tradicional conservadorismo brit\u00e2nico atrav\u00e9s da s\u00e9rie televisiva Monty Python\u2019s Flying Circus.<br \/>\nO impacte atingiu Portugal dois anos a seguir ao 25 de Abril, em 1976, criando-se desde logo um fen\u00f3meno de culto, refor\u00e7ado na d\u00e9cada seguinte, com uma primeira reposi\u00e7\u00e3o, interrompida a meio. Este ano, os Monty Python regressaram pela terceira vez aos ecr\u00e3s nacionais, com a exibi\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da s\u00e9rie, na RTP1, que, uma vez mais, n\u00e3o respeitou a sua ordem cronol\u00f3gica nem contemplou a totalidade dos epis\u00f3dios.<br \/>\nPior ainda, talvez com receio de chocar ou ferir susceptibilidades (passado um quarto de s\u00e9culo, a televis\u00e3o do Estado ainda tem destes medos!), a castidade dos programadores levou-os a arrumar, \u00e9 o termo, este monumento ao humor universal num hor\u00e1rio obsceno, j\u00e1 de madrugada e com a agravante de o retalhar com odiosos intervalos. Decerto em nome dos bons costumes e com a pia inten\u00e7\u00e3o de poupar o grande p\u00fablico \u00e0 iconoclastia e \u00e0 influ\u00eancia nefasta que o grupo poderia exercer sobre as mentes da nossa juventude.<br \/>\nOs que eram fan\u00e1ticos, claro, n\u00e3o perderam um epis\u00f3dio, mantendo-se firmes no seu posto, nem que tivessem de esperar at\u00e9 \u00e0s quatro da manh\u00e3. Ou ent\u00e3o ligando o gravador. \u00c9 que t\u00e3o bom como ver pela primeira vez um epis\u00f3dio dos Monty Python \u00e9 rev\u00ea-lo vezes infinitas. Mas os novos, os desconhecedores, todos os que n\u00e3o tiveram nem o privil\u00e9gio nem a felicidade de ter conhecido a obra dos Monty Python ficaram a perder. Porque ainda estavam mortos? N\u00e3o, porque estavam a dormir!&#8230;<br \/>\nA partir de agora, por\u00e9m, toda a gente vai poder desfrutar em casa do humor dos Monty Python. Para os tais fan\u00e1ticos \u2013 pois n\u00e3o se pode gostar dos Monty Python de outra maneira, que n\u00e3o os venera detesta-os \u2013 \u00e9 a oportunidade de conservar para a posteridade, nas melhores condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, o objecto da sua devo\u00e7\u00e3o. Para levar para casa, existe, para j\u00e1, um primeiro volume, contendo os primeiros quatro epis\u00f3dios da primeira s\u00e9rie: 126 minutos de del\u00edrio, de g\u00e9nio, de pura religi\u00e3o com o seu templo e os seus sumo sacerdotes, contendo \u201csketches\u201d cl\u00e1ssicos como (s\u00f3 a men\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos, provoca um j\u00fabilo irreprim\u00edvel) \u201cArtur \u2018duas cabanas\u2019 Jackson\u201d, \u201cA anedota mais engra\u00e7ada do mundo\u201d, \u201cO homem com tr\u00eas n\u00e1degas\u201d, \u201cO problema do rato\u201d, o antol\u00f3gico \u201csketch\u201d \u201cdo Restaurante\u201d, \u201cCotoveladas\u201d ou \u201cAutodefesa\u201d. Todos sublimes. Todos capazes de enviar um c\u00e9rebro inteligente para o hiperespa\u00e7o do riso. Ali\u00e1s, os tradutores encontraram bons t\u00edtulos descritivos, como \u201cPalestra francesa sobre carneiros aeronaves\u201d ou \u201cNo tribunal (testemunha no caix\u00e3o\/cardeal Richelieu)\u201d, op\u00e7\u00e3o deliberadamente esot\u00e9rica, dirigida, em primeiro lugar, aos iniciados.<br \/>\nFormavam os Monty Python cinco personalidades \u00fanicas: John Cleese, Eric Idle, Micahel Palin, Graham Chapman e Terry Jones. Um sexto elemento, Terry Gilliam, era o respons\u00e1vel pelas montagens animadas da s\u00e9rie, embora tamb\u00e9m tivesse espor\u00e1dicas participa\u00e7\u00f5es como actor. Mais tarde viria a notabilizar-se na realiza\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de filmes como \u201cBrazil\u201d, \u201cO Rei Pescador\u201d ou o recente \u201c12 Monkeys\u201d. Neil Innes, do grupo c\u00f3mico musical Bonzo Dog Doo Dah Band, e Carol Cleveland foram dois dos convidados mais ass\u00edduos. Graham Chapman \u2013 o \u201cBrian\u201d da longa-metragem do grupo \u201cA Vida de Brian\u201d \u2013 j\u00e1 morreu.<br \/>\nCom o fim da s\u00e9rie, que mantiveram intermitentemente durante cinco anos na BBC, iniciaram um novo per\u00edodo de actividade, durante o qual, ainda como Monty Python, fizeram quatro longas-metragens, qualquer delas hist\u00f3rica, \u201cAnd now for Something Completely Different\u2026\u201d, de 1971, in\u00e9dito em Portugal, \u201cO C\u00e1lice Sagrado\u201d, de 1975, \u201cA Vida de Brian\u201d, de 1979, e \u201cO Sentido da Vida\u201d, de 1983. A partir da\u00ed, cada um seguiu uma carreira em separado, com espor\u00e1dicas associa\u00e7\u00f5es em filmes ou document\u00e1rios.<br \/>\nO conjunto total com o gen\u00e9rico Monty Python\u2019s Flying Circus \u2013 aten\u00e7\u00e3o, tomem nota, para n\u00e3o deixar escapar nada \u2013 divide-se em quatro per\u00edodos temporais, correspondentes a outras tantas s\u00e9ries de programas. A primeira foi para o ar na BBC a 5 de Outubro de 1969, a\u00ed se mantendo at\u00e9 11 de Janeiro de 1970. \u00c9 constitu\u00edda por 13 epis\u00f3dios. A segunda \u00e9 formada pelos epis\u00f3dios 14 a 26 que estiveram em exibi\u00e7\u00e3o entre 15 de Setembro e 22 de Dezembro de 1970. A terceira, com os epis\u00f3dios 27 a 39, durou de 19 de Outubro de 1972 a 18 de Janeiro de 1973. A quarta e \u00faltima, epis\u00f3dios 40 a 45 (sem John Cleese), encerrou o ciclo, entre 31 de Outubro e 5 de Dezembro de 1974. Existem ainda mais dois epis\u00f3dios adicionais, gravados para a televis\u00e3o alem\u00e3, de gen\u00e9rico \u201cThe German Episodes\u201d. No total, uma obra com a dimens\u00e3o e a import\u00e2ncia de \u201cGuerra e Paz\u201d, \u201cO Anel dos Nibelungos\u201d, a Enciclop\u00e9dia Brit\u00e2nica e sexo.<br \/>\nSim, o SEXO. Os Monty Python reinventaram o sexo para o destruir e reinventar de novo e redestruir e\u2026 como reinventaram a religi\u00e3o para a destruir, para\u2026 e a pol\u00edtica, e o desporto, e a arte, e os papagaios, e os ju\u00edzes, que eram sempre \u201ctravestis\u201d, e os pol\u00edcias, e os ingleses, e os franceses, e os escoceses, sobretudo os escoceses, de Johann Gombolputty \u2013 dois minutos de apelidos \u2013 von Hautkopff of Ulm, e a Inquisi\u00e7\u00e3o (\u201cNobody expects the Spanish Inquisition\u201d, tchatcham!) e tudo o mais que existe \u00e1 face da Terra, sem esquecer Ken Buddha e os seus joelhos insufl\u00e1veis. E at\u00e9, esc\u00e2ndalo dos esc\u00e2ndalos, a rainha. Sim, um dos epis\u00f3dios, dos mais ordin\u00e1rios e com o humor mais negro, mesmo pr\u00f3ximo do mau-gosto, da s\u00e9rie, \u00e9-lhe especialmente dedicado. O \u201csketch\u201d que encerra este epis\u00f3dio \u00e9 mais ou menos assim. Trata-se de um di\u00e1logo entre um cliente (John Cleese) e o empregado de uma ag\u00eancia funer\u00e1ria. Cliente \u2013 A minha morreu. Empregado \u2013 \u00c9 para enterrar, cremar ou deitar fora? Cliente (hesitante) \u2013 Bem\u2026 Empregado \u2013 Tr\u00e1-la consigo? (o cliente acena com a cabe\u00e7a e atira com um cesto para cima do balc\u00e3o). J\u00e1 considerou a hip\u00f3tese de a comer, temos um belo forno\u2026 Cliente (ainda hesitante) \u2013 De facto, tenho alguma fome, mas n\u00e3o sei se\u2026 E se me sentir mal? Empregado \u2013 N\u00e3o h\u00e1 problema, pode vomitar que n\u00f3s depois apanhamos e atiramos para a cova. Fim do \u201csketch\u201d. Com dedicat\u00f3ria a sua majestade.<br \/>\nMas o humor dos Monty Python \u00e9 uma moeda com mais de duas faces. A sua ess\u00eancia est\u00e1 no talento para extrair humor de qualquer faceta da vida, por mais \u00ednfima que seja. Os Monty Python inventavam a vida. Tudo, mas mesmo tudo, era usado como fonte de gargalhada ou sorrisos. De transgress\u00e3o. Puro gozo interior. O \u00eaxtase supremo de quem est\u00e1 a fazer humor \u00e9 ter ao mesmo tempo consci\u00eancia dele pr\u00f3prio no pr\u00f3prio instante em que est\u00e1 a ser criado. Deste modo se explica o caos estrutural, por vezes no limite do aleat\u00f3rio, que anima e sustenta alguns epis\u00f3dios da s\u00e9rie. Nestes, um \u201csketch\u201d confunde-se, transforma-se ou alterna com outros, aniquilando toda e qualquer esp\u00e9cie de l\u00f3gica narrativa ou de linearidade temporal. Ladr\u00f5es do tempo. O intervalo tanto podia surgir no princ\u00edpio como no fim. Epis\u00f3dios inteiros terminavam antes do tempo (!), com o restante preenchido com interl\u00fadios que tanto podiam ser o ecr\u00e3 completamente negro, como o logotipo da BBC ou John Cleese dentro de uma armadura, passeando numa praia deserta com um frango depenado na m\u00e3o.<br \/>\nAl\u00e9m do mais, os cinco Monty Python eram extraordin\u00e1rios actores. Vale a pena visionar vezes sem conta cada epis\u00f3dio s\u00f3 pelo prazer de saborear as entoa\u00e7\u00f5es, as express\u00f5es e os pequenos gestos das personagens, segundo uma espontaneidade encenada ao pormenor. Monty Python\u2019s Flying Circus \u00e9 o humor na sua express\u00e3o mais elevada. Cada vez que a s\u00e9rie \u00e9 reposta, cada cena vista e revista centenas de vezes, apresenta sempre algo de novo, numa pluralidade incont\u00e1vel de n\u00edveis de leitura. Mesmo antes, h\u00e1 j\u00e1 uma antecipa\u00e7\u00e3o emocional, uma como\u00e7\u00e3o est\u00e9tica que apenas os f\u00e3s dos Monty Python compreendem e sentem. Melhor do que ver um epis\u00f3dio dos Monty Python s\u00f3 discutir um epis\u00f3dio dos Monty Python. Quando dois fan\u00e1ticos dos Monty Python se encontram para conversar sobre os seus her\u00f3is, sentem-se unidos por um elo inici\u00e1tico. O riso transforma-se num acto sagrado. Os Monty Python pertencem ao dom\u00ednio do sagrado. Os Monty Python pertencem ao dom\u00ednio do sagrado. A mesma impress\u00e3o de sagrado que sentiram os milhares de fi\u00e9is que nos dias 26, 27, 28 e 29 de Setembro de 1980 se reuniram no Hollywood Bowl, para assistir a uma memor\u00e1vel apresenta\u00e7\u00e3o do grupo, ao vivo, num espect\u00e1culo cuja s\u00edntese tamb\u00e9m se encontra gravada em cassete v\u00eddeo no mercado portugu\u00eas. \u201cAlbatross!\u201d<br \/>\nPerdoem-me se me excedi.<br \/>\nMas nos sabemos que entre os deuses vivia, e continua a viver, um deus maior. Sil\u00eancio. Chama-se John Cleese. A simples men\u00e7\u00e3o do nome provoca arrepios de prazer. John Cleese \u00e9 o mago. O dominador absoluto da arte de fazer rir da forma mais inteligente. John Cleese est\u00e1 marcado pelo humor desde que nasceu, em 27 de Outubro de 1939, em Weston-Supermare (dava um belo t\u00edtulo para um \u201csketch\u201d), no Somerset. O pai chamava-se Reginald Francis Cheese (\u201cqueijo\u201d), mudando o apelido para Cleese quando entrou para o ex\u00e9rcito. Cleese recebeu tratamento psiqui\u00e1trico, escreveu livros e continua a representar no cinema. Em televis\u00e3o, depois de Monty Python\u2019s Flying Circus, realizou com a sua mulher Connie Booth e interpretou a s\u00e9rie Fawlty Towers, tamb\u00e9m j\u00e1 exibida na televis\u00e3o portuguesa. Quem n\u00e3o se lembra de Manoel, o impag\u00e1vel empregado espanhol da pens\u00e3o, ou do epis\u00f3dio dos nazis?<br \/>\nParticipou como actor, entre outros filmes, em \u201cOs Ladr\u00f5es do Tempo\u201d, \u201cClockwise\u201d, \u201cSilverado\u201d, \u201cUm Peixe Chamado Wanda\u201d, \u201cErik the Viking: The Book of the Film of the Book\u201d e, mais recentemente, tem uma apari\u00e7\u00e3o espor\u00e1dica no \u201cFrankenstein\u201d, de Kenneth Brannagh. No teatro, ainda hoje representa Shakespeare. No registo mais s\u00e9rio que se possa imaginar. Realizou o v\u00eddeo \u201cComo Irritar as Pessoas\u201d (\u201co segredo \u00e9 dar a entender que n\u00e3o se faz de prop\u00f3sito\u201d\u2026).<br \/>\nJohn Cleese sente-se particularmente \u00e0 vontade no papel de psicopata ou em todas as personagens que envolvam histeria. N\u00e3o resistimos a descrever duas cenas memor\u00e1veis, ilustrativas desta sua faceta. Uma \u00e9 o \u201csketch\u201d em que faz de instrutor numa aula de autodefesa contra pe\u00e7as de fruta. O seu grito de desafio para um dos alunos, \u201cHit me with a banana!\u201d, faz parte da Hist\u00f3ria. Outra \u00e9 uma sequ\u00eancia inteira de \u201cC\u00e1lice Sagrado\u201d, quando invade, alucinado, um encantador casamento que se est\u00e1 a celebrar num pacato castelo medieval. Investido com as armas de Cavaleiro da T\u00e1vola Redonda, vai chacinando sucessivamente todos os convidados. No auge da alucina\u00e7\u00e3o, volta atr\u00e1s numa escadaria, s\u00f3 para decepar \u00e0 espadeirada uma vela que se encontrava no seu caminho. Quando, no meio de um mar de sangue, em pleno \u00e1trio do castelo, se d\u00e1 conta do equ\u00edvoco, pede desculpa. Tinha sido um engano.<br \/>\nNum registo diferente, o dom\u00ednio absoluto do corpo, h\u00e1 outra cena para rever at\u00e9 ao fim dos tempos. A dos passos disparatados. Se a vers\u00e3o original da s\u00e9rie \u00e9 um portento de hilaridade, a vers\u00e3o ao vivo no espect\u00e1culo do Hollywood Bowl ainda \u00e9 melhor. S\u00f3 visto e revisto. \u201cNo ano passado, o Governo gastou menos dinheiro com o Minist\u00e9rio dos Passos Disparatados do que com a Defesa Nacional!\u201d, desabafa Cleese e acerta altura.<br \/>\nPara terminar, duas observa\u00e7\u00f5es de John Cleese, na \u00e1rea das rela\u00e7\u00f5es humanas: \u201cPenso que o cimento \u00e9 mais interessante do que as pessoas julgam\u201d e \u201cPor favor, desculpe a minha mulher. Ela pode n\u00e3o ser muito bonita, n\u00e3o ter muito dinheiro, n\u00e3o ter qualquer esp\u00e9cie de talento e ser chata e est\u00fapida, mas por outro lado ela\u2026 perd\u00e3o, n\u00e3o me consigo lembrar de mais nada!\u201d<br \/>\n\u201cAnd now\u2026\u201d<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2ChPAqPdDdw\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00daBLICA 24 Novembro 1996 \u201cAnd now, for something completely different&#8230;\u201d John Cleese era a figura com maior carisma dos Monty Python, o mais fant\u00e1stico grupo de humoristas de todos os tempos. 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