{"id":4899,"date":"2016-07-17T09:15:55","date_gmt":"2016-07-17T16:15:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4899"},"modified":"2016-07-17T09:15:55","modified_gmt":"2016-07-17T16:15:55","slug":"isabel-silvestre-a-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/07\/17\/isabel-silvestre-a-portuguesa\/","title":{"rendered":"Isabel Silvestre &#8211; &#8220;A Portuguesa&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>POP ROCK<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>13 de Novembro de 1996<br \/>\nportugueses<\/p>\n<p><strong>Miraculosa Rainha dos C\u00e9us<\/p>\n<p>ISABEL SILVESTRE<br \/>\nA Portuguesa (8)<\/strong><br \/>\nEd. EMI-VC<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4900\" rel=\"attachment wp-att-4900\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/is.jpg\" alt=\"is\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4900\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/is.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/is-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/is-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\tA estreia a solo da solista do Grupo de Cantares de Manhouce vem colocar algumas quest\u00f5es engra\u00e7adas \u00e0 m\u00fasica popular portuguesa. A come\u00e7ar pela pr\u00f3pria \u201cdesvirtua\u00e7\u00e3o\u201d, ou invers\u00e3o do termo. Quando Isabel Silvestre canta autores urbanos como Rui Veloso, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco ou Jo\u00e3o Gil, com a pron\u00fancia carregada do Norte e a inoc\u00eancia de quem (ainda) vive longe do caos, o que estamos a ouvir \u00e9 a g\u00e9nese de uma outra m\u00fasica tradicional ou o sortil\u00e9gio de um encontro do acaso? Quando o hino republicano \u00e9 cantado como se fosse uma ora\u00e7\u00e3o, com os canh\u00f5es trocados pela prece de uma ora\u00e7\u00e3o e o gemer de uma sanfona, a que muta\u00e7\u00e3o assistimos? Como reagir quando \u201cA Portuguesa\u201d, de gritaria republicana, se transmuta em suave invoca\u00e7\u00e3o mon\u00e1rquica?<br \/>\n\tIsabel Silvestre ser\u00e1 provavelmente alheia a este g\u00e9nero de teoriza\u00e7\u00f5es, sendo suas \u201capenas\u201d a voz e a pureza de alma que p\u00f4s em cada interpreta\u00e7\u00e3o. Dirija-se ent\u00e3o o question\u00e1rio ao produtor Jo\u00e3o Gil, decerto consciente dos efeitos de perplexidade que \u201cA Portuguesa\u201d ir\u00e1 provocar. Tradicionais, dos genu\u00ednos, h\u00e1 apenas \u201cMiraculosa Rainha dos C\u00e9us\u201d, \u201cE l\u00e1 vem o Maio\u201d (cantado \u201ca capella\u201d), \u201cSanta Combinha\u201d e \u201cMuito lindo \u00e9 o c\u00e9u\u201d. Os restantes temas pertencem a Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es, Jo\u00e3o Gil, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, Jos\u00e9 Afonso, Rui Veloso, Jos\u00e9 Niza e ao brasileiro Luiz Gonzaga, com o cl\u00e1ssico \u201cAsa branca\u201d. A todos eles Isabel Silvestre concedeu o dom da transmuta\u00e7\u00e3o porque a todos eles se entregou sem qualquer tipo de reservas. E se as melodias ganham em singeleza e em diferen\u00e7a (veja-se o caso de \u201cAsa branca\u201d, tornada cad\u00eancia transmontana, num arranjo que acaba dominada pela caixa e gaita-de-foles) \u2013 com a participa\u00e7\u00e3o discreta da sanfona de Carlos Guerreiro, o violino de Manuel Rocha, a braguesa, bandolim e cavaquinho de Jos\u00e9 Barros, as percuss\u00f5es de Jo\u00e3o Nuno Represas, o acorde\u00e3o e gaita-de-foles de Ricardo Dias e a guitarra ac\u00fastica de Jo\u00e3o Gil -, \u00e9 ainda no modo como as palavras se iluminam na voz da cantora beiroa que \u201cA Portuguesa\u201d se revela um objecto fascinante.<br \/>\n\t\u201cA ronda do soldadinho\u201d, de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, ou o \u201cCantar de emigra\u00e7\u00e3o\u201d, da poetisa galega Ros\u00e1lia de Castro, s\u00e3o dois dos exemplos maiores aos quais a voz confere uma mais-valia aos originais. E se a abertura, \u201cDeolinda de Jesus\u201d, de Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es, \u00e9 a \u00fanica ocasi\u00e3o onde a liga\u00e7\u00e3o letra-voz ronda perigosamente o \u201ckitsch\u201d, logo a seguir, essa liga\u00e7\u00e3o \u00e9 redimida em \u201cA gente n\u00e3o l\u00ea\u201d, momento verdadeiramente sublime de \u201cA Portuguesa\u201d. Aqui \u00e9 o Portugal mais profundo, da grande solid\u00e3o da ilha a\u00e7oriana que se d\u00e1 a ouvir. Aqui s\u00e3o a m\u00fasica de Rui Veloso e as palavras de Carlos T\u00ea que tiveram o privil\u00e9gio de encontrar a interpreta\u00e7\u00e3o ideal. Aqui \u00e9 a erup\u00e7\u00e3o de tudo o que j\u00e1 esquec\u00earamos do que somos: \u201cAi Senhor das Furnas\/ que escuro vai dentro de n\u00f3s\/ rezar o ter\u00e7o ao fim da tarde\/ s\u00f3 para espantar a solid\u00e3o\/ e rogar a Deus que nos guarde\/ confiar-lhe o destino na m\u00e3o\/ Que adianta saber as mar\u00e9s\/ os frutos e as sementeiras\/ tratar por tu os of\u00edcios\/ entender o su\u00e3o e os animais\/ falar o dialecto da terra\/ conhecer-lhe o corpo pelos sinais\/ E do resto entender mal\/ soletrar, assinar em cruz\/ n\u00e3o ver os vultos furtivos\/ que nos tramam por tr\u00e1s da luz (\u2026) Fica-se sentado \u00e0 soleira\/ a ouvir os ru\u00eddos do mundo\/ e a entend\u00ea-los \u00e0 nossa maneira (\u2026) Carregar a supersti\u00e7\u00e3o\/ de ser pequeno, ser ningu\u00e9m\/ mas n\u00e3o quebrar a tradi\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\n\tPerdoem-nos t\u00e3o longa cita\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 porque poucas vezes um texto potenciou tanto a sua intensidade dram\u00e1tica. Um milagre. Para ouvir sempre. Com devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/02d6q2_PSkA\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POP ROCK 13 de Novembro de 1996 portugueses Miraculosa Rainha dos C\u00e9us ISABEL SILVESTRE A Portuguesa (8) Ed. EMI-VC A estreia a solo da solista do Grupo de Cantares de Manhouce vem colocar algumas quest\u00f5es engra\u00e7adas \u00e0 m\u00fasica popular portuguesa. A come\u00e7ar pela pr\u00f3pria \u201cdesvirtua\u00e7\u00e3o\u201d, ou invers\u00e3o do termo. 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