{"id":4849,"date":"2016-07-02T10:20:34","date_gmt":"2016-07-02T17:20:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4849"},"modified":"2016-07-02T10:20:34","modified_gmt":"2016-07-02T17:20:34","slug":"artigo-de-opiniao-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa-raizes-diabo-do-belho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/07\/02\/artigo-de-opiniao-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa-raizes-diabo-do-belho\/","title":{"rendered":"Artigo de Opini\u00e3o: Os Melhores de Sempre &#8211; M\u00fasica Portuguesa &#8211; Ra\u00edzes &#8211; &#8220;Diabo Do Belho!&#8230;!"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>24 de Abril de 1996<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Ra\u00edzes       Diabo do Belho!&#8230;<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4852\" rel=\"attachment wp-att-4852\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/r3-300x169.jpg\" alt=\"r3\" width=\"300\" height=\"169\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4852\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/r3-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/r3-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/r3-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/r3-624x351.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/r3-100x56.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/r3.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4853\" rel=\"attachment wp-att-4853\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/r-300x300.jpg\" alt=\"r\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4853\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/r-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/r-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/r-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/r-624x624.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/r-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/r.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tComo foi<\/strong><\/p>\n<p>Firmino Neiva entrou para os Ra\u00edzes pouco tempo antes da grava\u00e7\u00e3o de \u201cDiabo do Belho!&#8230;\u201d, o melhor disco do grupo e um cl\u00e1ssico da m\u00fasica portuguesa de raiz tradicional. Para traz tinham ficado dez anos vividos na Dinamarca, onde come\u00e7ou a interessar-se pela m\u00fasica tradicional e tocou \u201ccom alguns irlandeses\u201d. Por c\u00e1 os Ra\u00edzes tinham j\u00e1 gravado um primeiro \u00e1lbum, conclu\u00eddo um per\u00edodo f\u00e9rtil em espect\u00e1culos e efectuado um trabalho de recolhas, \u201cessencialmente no Baixo Minho, nas zonas de Ponta da Barca, Portela, Barroselas e Vila Verde\u201d, que seria aproveitado para \u201cDiabo do Belho!&#8230;\u201d. Neste disco, por\u00e9m, o grupo teve alguns pruridos em usar o termo \u201crecolha\u201d, j\u00e1 que nessa actividade depararam com situa\u00e7\u00f5es problem\u00e1ticas. \u201cCheg\u00e1mos a fazer recolhas de um mesmo tema, com um intervalo de quinze dias, num mesmo local, com as mesmas pessoas, e as coisas serem totalmente diferentes\u201d. A escolha entre diferentes interpreta\u00e7\u00f5es, quando n\u00e3o tentavam \u201cconciliar as duas\u201d, acabava por ser ditada pelo \u201cgosto particular\u201d dos elementos do grupo e pelo que achavam que \u201cdevia ser divulgado\u201d. \u201cQuando se fazem recolhas ou se apanham coisas em estado muito bruto ou ent\u00e3o j\u00e1 muito alteradas e deterioradas. Mas tamb\u00e9m \u00e9 isso que mant\u00e9m a m\u00fasica tradicional viva, ir-se transformando todos os dias\u201d.<br \/>\n\tFirmino Neiva cita a este prop\u00f3sito \u201cmuitos cantares minhotos que v\u00eam da pr\u00e1tica das pessoas cantarem na igreja, os romeirinhos ou as sachadas. A igreja influenciou a maneira de cant\u00e1-los\u201d. \u201cDe repente\u201d, conta, \u201cnas recolhas que ouv\u00edamos havia harmoniza\u00e7\u00f5es que tinham mais a ver com m\u00fasica de igreja do que propriamente com m\u00fasica popular. A\u00ed tent\u00e1vamos recuperar a maneira tradicional, comos e canta no campo, numa sachada ou numa desfolhada\u201d. H\u00e1 ainda o caso, recorda, de \u201cumas pessoas velhotas que cantavam uma coisa muito gira mas que n\u00e3o batia muito certo com aquela zona\u201d. Mais tarde descobriu-se que era a \u201cm\u00fasica de uma opereta que tinha passado por Lisboa em mil novecentos e vinte e tal\u201d.<br \/>\n\t\u201cDiabo do Belho\u201d foi gravado em Fevereiro de 1985. \u201cEm termos de facilidades t\u00e9cnicas n\u00e3o h\u00e1 compara\u00e7\u00e3o poss\u00edvel entre este e o primeiro disco. O primeiro foi gravado em sete horas, as pessoas numa sala, toca a tocar, quase uma grava\u00e7\u00e3o ao vivo, enquanto neste tivemos j\u00e1 tr\u00eas ou quatro dias de est\u00fadio. Com outro cuidado com o som e a execu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica\u201d. No bolso ia j\u00e1 uma maqueta previamente preparada e gravada num pequeno est\u00fadio pertencente \u00e0 banda. \u201cJ\u00e1 lev\u00e1vamos o disco feito para est\u00fadio. Foi s\u00f3 chegar l\u00e1 e toc\u00e1-lo, n\u00e3o houve praticamente produ\u00e7\u00e3o\u201d. Durante o tempo de grava\u00e7\u00f5es tudo correu sobre rodas, excepto para o pr\u00f3prio Firmino Neiva, quem sucedeu, segundo diz, \u201cum desastre\u201d. \u201cO disco foi gravado naquele que \u00e9 hoje o est\u00fadio Namouche. Estava a meter umas braguesas. Estava de botas e a bater o p\u00e9 ao ritmo da m\u00fasica. O Moreno Pinto, t\u00e9cnico de som, disse-me \u2018Ou tiras as botas ou deixas de bater com o p\u00e9!\u2019. Tirei as botas e fiquei em meias. Acabei o \u2018take\u2019, vou por ali acima a correr, at\u00e9 \u00e0 \u2018r\u00e9gie\u2019. Aquilo tem tr\u00eas ou quatro degraus encerados. Escorreguei, fiz uma luxa\u00e7\u00e3o no ombro. As grava\u00e7\u00f5es acabaram para mim, nesse momento. Felizmente j\u00e1 s\u00f3 faltava um dia e meio. At\u00e9 a\u00ed tinha sido espl\u00eandido\u201d.<br \/>\n\tPara al\u00e9m dessa \u201ctrag\u00e9dia\u201d pessoal, n\u00e3o faltaram momentos de boa disposi\u00e7\u00e3o. Como aquele proporcionado por R\u00e3o Kyao que, na altura, se encontrava a gravar, com Ant\u00f3nio Chainho, no mesmo est\u00fadio. \u201cAndavam a tentar descobrir um nome para o disco. Acontece que o est\u00fadio fica mesmo em frente ao Jardim Zool\u00f3gico, ao lado dos p\u00e1ssaros. Houve at\u00e9 t\u00edtulos provis\u00f3rios, como \u2018Papagaios\u2019. At\u00e9 que um dia, j\u00e1 desesperados, olharam para a rua. Estava l\u00e1 o nome do disco. Mesmo em frente, leram uma placa a dizer \u2018Estrada da Luz\u2019\u201d.<br \/>\n\t\u201cDiabo do Belho\u201d, por seu lado, deve o t\u00edtulo a uma can\u00e7\u00e3o do mesmo nome para a qual o grupo fez um arranjo de cordas, retirada de um cancioneiro. \u201cNormalmente s\u00e3o as pessoas idosas, com quem trabalh\u00e1mos nas recolhas, que ainda se lembram das coisas. Por isso, nada melhor do que falar delas num dos temas\u201d. Existe ainda outro elo de liga\u00e7\u00e3o, bem mais picaresco. \u201cPosteriormente *a grava\u00e7\u00e3o, um amigo nosso, o Nuno Pignatelli, autor do texto que aparece na capa, escreveu uma pequena pe\u00e7a de teatro, onde n\u00f3s particip\u00e1vamos musicalmente, encenada pela Companhia de Teatro Cena, \u00e0 volta do tema dos velhos. Havia um narrador que ia falando sobre os velhos enquanto no palco iam passando v\u00e1rias cenas. O espect\u00e1culo dos Ra\u00edzes come\u00e7ava com uma deixa, quando um velho apalpava o cu a uma mulher e esta gritava \u2018Ai o diabo do velho!\u2019\u201d<br \/>\n\tEm termos comerciais, \u201cDiabo do Belho!&#8230;\u201d obteve uma resposta significativa. Pelo que sabemos, por linhas travessas, o disco vendeu bem. Passados tr\u00eas ou quatro meses, \u00e0 volta de cinco mil exemplares\u201d. A partir da\u00ed \u201cperderam o controlo da situa\u00e7\u00e3o\u201d, uma vez que a editora faliu. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e1 posterior reedi\u00e7\u00e3o em compacto, pela Movieplay, Firmino Neiva apenas lamenta que esta tenha destru\u00eddo o \u201cdesign\u201d original da capa. \u201cA capa tamb\u00e9m faz parte da obra. Quando alteram a capa est\u00e3o a alterar a obra\u201d.<br \/>\n\tApesar de tantos contratempos, os Ra\u00edzes continuam na estrada, se bem que a sua carreira tenha entrado nos \u00faltimos anos na penumbra. Actuam em romarias, nas universidades, em congressos de professores. Ou ent\u00e3o v\u00e3o para a Galiza ou a v\u00e1rios festivais na Europa. Firmino Neiva espera que a situa\u00e7\u00e3o d\u00ea uma volta de 180 graus. O grupo evoluiu, refinou-se, enquanto espera nova oportunidade. \u201cSem vaidade, acho que o caminho dos Ra\u00edzes seria, \u00e0 nossa maneira, id\u00eantico ao que acabaram por fazer os Gaiteiros de Lisboa\u201d.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o fez a revolu\u00e7\u00e3o. Mas trouxe algo de novo para a m\u00fasica de raiz. \u201cDiabo do Belho\u201d exala uma frescura que n\u00e3o se sente com a mesma intensidade, por exemplo, nos Almanaque ou no primeiro Vai de Roda, sem que tal significasse uma menos liga\u00e7\u00e3o com as\u2026 ra\u00edzes. Depois, o grupo conseguiu um feito not\u00e1vel, que foi o de recriar a tradi\u00e7\u00e3o do Minho sem resvalar para o estere\u00f3tipo da chula. Exemplar \u00e9, neste particular, o trabalho levado a efeito sobre os ritmos, que empresta a \u201cDiabo do Belho\u201d uma variedade e riqueza que apenas encontramos, na primeira gera\u00e7\u00e3o de grupos de m\u00fasica de raiz tradicional, na Ronda dos Quatro Caminhos. Repare-se em temas como \u201cRibeira (ribeira qu\u2019\u00e9s tamanha)\u201d, \u201cA caminho da romaria\u201d ou \u201c\u00d3 Ana \u00f3 que linda Ana\u201d, onde a batida, ritual, dispensa os habituais pontap\u00e9s dos bombos nos rins da subtileza (os do \u201cMalh\u00e3o do Souto\u201d final suportam-se bem, j\u00e1 que as vocaliza\u00e7\u00f5es desviam convenientemente a aten\u00e7\u00e3o\u2026). A consequ\u00eancia \u2013 e b\u00ean\u00e7\u00e3o para os ouvidos \u2013 repousa no acento posto nas polifonias vocais \u2013 tratadas em est\u00fadio com toda a sofistica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u2013 e na gaita-de-foles que, sempre que chamada a pronunciar-se, o faz com uma desenvoltura e clareza t\u00edmbrica de fazer inveja a muita gente. Duas can\u00e7\u00f5es entram na selec\u00e7\u00e3o das mais belas de sempre gravadas e tratadas por um grupo urbano: \u201c\u201cDiabo do Belho\u201d, exemplo de que o mal n\u00e3o est\u00e1 nas violas e nas braguesas, mas na falta de criatividade com que na generalidade s\u00e3o utilizadas, e a espantosa vers\u00e3o de \u201cRosa tirana\u201d, com lugar de destaque no \u201ctop ten\u201d das \u201cinterpreta\u00e7\u00f5es em estado de gra\u00e7a\u201d. Tr\u00eas instrumentais, a fuga aos lugares-comuns e o \u00fanico sen\u00e3o de ter apenas 29 minutos de dura\u00e7\u00e3o (mas talvez resida nesta conten\u00e7\u00e3o o segredo das virtudes at\u00e9 aqui apontadas) contribuem para fazer de \u201cDiabo do Belho\u201d um o\u00e1sis bastante mal tratado na posterior reconvers\u00e3o para compacto.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wdixj7SAJlQ\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 24 de Abril de 1996 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa Ra\u00edzes Diabo do Belho!&#8230; Como foi Firmino Neiva entrou para os Ra\u00edzes pouco tempo antes da grava\u00e7\u00e3o de \u201cDiabo do Belho!&#8230;\u201d, o melhor disco do grupo e um cl\u00e1ssico da m\u00fasica portuguesa de raiz tradicional. 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