{"id":4845,"date":"2016-07-01T09:56:15","date_gmt":"2016-07-01T16:56:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4845"},"modified":"2016-07-01T09:56:15","modified_gmt":"2016-07-01T16:56:15","slug":"artigo-de-opiniao-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa-grupo-etnografico-de-cantares-e-trajes-do-manhouce-cantares-da-beira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/07\/01\/artigo-de-opiniao-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa-grupo-etnografico-de-cantares-e-trajes-do-manhouce-cantares-da-beira\/","title":{"rendered":"Artigo de Opini\u00e3o: Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa &#8211; Grupo Etnogr\u00e1fico de Cantares e Trajes do Manhouce &#8211; &#8220;Cantares da Beira&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock<\/p>\n<p>10 de Abril de 1996<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/p>\n<p>Grupo Etnogr\u00e1fico de Cantares e Trajes do Manhouce<br \/>\nCantares da Beira<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4846\" rel=\"attachment wp-att-4846\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/man2-300x233.gif\" alt=\"man2\" width=\"300\" height=\"233\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4846\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/man2-300x233.gif 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/man2-100x78.gif 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4847\" rel=\"attachment wp-att-4847\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/man.jpg\" alt=\"man\" width=\"200\" height=\"200\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4847\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/man.jpg 200w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/man-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/man-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tComo foi<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO Grupo Etnogr\u00e1fico de Cantares e Trajes do Manhouce formou-se pouco tempo antes da grava\u00e7\u00e3o do primeiro disco, \u201cCantares da Beira\u201d. Na origem da sua forma\u00e7\u00e3o, est\u00e1, diz Isabel Silvestre, solista principal, \u201co gosto de cantar da gente do Manhouce\u201d. \u201cUma fun\u00e7\u00e3o vital. Trabalhava-se e cantava-se na ceifa, nas malhas, em todos os trabalhos agr\u00edcolas o cantar era parte integrante.\u201d Um canto que vai ainda buscar alento e alimento \u201ca outra fonte, religiosa\u201d, a \u201cdois conventos perto, de Arouca e de S\u00e3o Cristov\u00e3o de Laf\u00f5es\u201d. \u201cAs pessoas assistiam aos actos lit\u00fargicos e transportavam-nos para os seus trabalhos, sobretudo agora na \u00e9poca da Semana Santa. Davam-lhes a volta, aquela volta que o povo costuma dar \u00e0quilo de que gosta.\u201d<br \/>\n\tDe 1982 para c\u00e1, o grupo sofreu algumas altera\u00e7\u00f5es. \u201cTemos ainda muita gente do primeiro grupo, as pessoas essenciais continuam, e h\u00e1 gente nova.\u201d Isabel Silvestre considera \u201cinteressante\u201d a exist\u00eancia actual de \u201cum espect\u00e1culo diferente do habitual\u201d, com \u201ctr\u00eas grupos, um de cantares, outro de dan\u00e7as, tamb\u00e9m de Manhouce, e um terceiro, de teatro, de S\u00e3o Pedro do Sul\u201d. Idealizado por Jaime Galheiro, \u201cum homem do teatro\u201d.<br \/>\n\tIsabel Silvestre canta \u201cdesde mi\u00fada\u201d. \u201cUma das coisas que Manhouce consegue \u00e9 ter m\u00fasica desde o ber\u00e7o. Desde o ber\u00e7o at\u00e9 \u00e0 cova. Do \u2018Laru\u2019, uma can\u00e7\u00e3o de ninar, para acalentar e adormecer os meninos, at\u00e9 ao \u2018Senhor fora\u2019, quando o padre vai visitar o doente que est\u00e1 muito mal.\u201d<br \/>\n\tO report\u00f3rio do grupo \u00e9 constitu\u00eddo por can\u00e7\u00f5es \u201cquase, quase s\u00f3 de Manhouce\u201d. \u201cManhouce tem v\u00e1rias influ\u00eancias. Dos trabalhos que se iam fazer fora, ao Douro ou ao Alentejo, mas tamb\u00e9m a influ\u00eancia do mar. Passava por aqui a estrada romana que ligava Porto a Viseu. As pessoas pernoitavam e durante essa noite havia uma troca de saberes. Temos uma s\u00e9rie de can\u00e7\u00f5es do mar como \u2018Andorinha ligeira\u2019, \u2018Vai marinheiro, vai, vai\u2019 ou \u2018Olha a barca, olha a barca\u2019.\u201d<br \/>\n\tTodo este report\u00f3rio n\u00e3o est\u00e1 sujeito a modifica\u00e7\u00f5es. \u201cAs can\u00e7\u00f5es permanecem exactamente como nos foram transmitidas, simplesmente, temos a preocupa\u00e7\u00e3o de arranjar um tom em que as tr\u00eas vozes se consigam harmonizar.\u201d<br \/>\n\t\u201cCantares da Beira\u201d surgiu da vontade forte, partilhada por todos os elementos de grupo, de conservar a sua m\u00fasica. \u201cAs pessoas da minha gera\u00e7\u00e3o t\u00eam e tiveram a preocupa\u00e7\u00e3o de gravar. Agora liga-se a televis\u00e3o e h\u00e1 m\u00fasica. As pessoas desinteressaram-se das outras coisas. E h\u00e1 gravadores, gira-discos, carrega-se num bot\u00e3o e a m\u00fasica est\u00e1 feita. N\u00f3s t\u00ednhamos pena. Preocupava-nos deixar perder as cantigas.\u201d A oportunidade para gravar surgiu durante uma actua\u00e7\u00e3o do grupo em Lisboa, na FIL. \u201cQuando sa\u00edmos do palco veio uma senhora ter connosco perguntar-me se n\u00e3o quer\u00edamos gravar. Tom\u00e1ramos n\u00f3s\u201d A senhora era a Margarida, actualmente casada com David Ferreira. Assim aconteceu, fomos por a\u00ed abaixo e gravou-se o disco.\u201d<br \/>\n\tPara Isabel Silvestre, a influ\u00eancia do produtor M\u00e1rio Martins foi determinante para n\u00e3o se sentir a transi\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o rural para o interior do est\u00fadio. \u201cEsteve em Manhouce, para escolhermos o report\u00f3rio.\u201d Relembra uma ocasi\u00e3o especial, \u201cmarcante n\u00e3o s\u00f3 para ele\u201d, como para o pr\u00f3prio grupo. \u201cEst\u00e1vamos na escola prim\u00e1ria, o local onde ensai\u00e1mos, um dos elementos fazia anos, era Inverno, estava frio. Fomos para casa desse elemento, fizemos uma fogueira, ele foi buscar um presunto. Olhe, a noite deixou de ser noite!\u201d<br \/>\n\t\u201cCantares da Beira\u201d foi gravado numa \u00fanica sess\u00e3o sem sobressaltos. \u201cApenas se pediu ao baixo que cantasse mais perto do microfone e fizesse com a voz aquilo que normalmente seria um bombo a fazer.\u201d Dito desta maneira, n\u00e3o se adivinham as conting\u00eancias que rodearam a presen\u00e7a do grupo nos est\u00fadios de Pa\u00e7o de Arcos. \u201cCheg\u00e1mos de manh\u00e3 e o disco estava gravado \u00e0 tarde. As pessoas trabalhavam, sa\u00edmos daqui \u00e1 noite, cheg\u00e1mos a Lisboa \u00e0s tantas da madrugada e \u00e0s nove da manh\u00e3 est\u00e1vamos a gravar.\u201d Aconteceu assim em todos os discos. Num deles, tinham mesmo marcado uma entrevista com o Presidente da Rep\u00fablica, ent\u00e3o o general Ramalho Eanes. \u201c\u00c0s quatro da tarde. T\u00ednhamos estado no Brasil e traz\u00edamos de l\u00e1 uma mensagem para entregar. Cant\u00e1mos na Sala dos Retratos e ainda bebemos um Porto.\u201d<br \/>\n\tDepois de \u201cCantares da Beira\u201d seguiram-se outras grava\u00e7\u00f5es. Com outros meios e uma produ\u00e7\u00e3o mais forte, que no \u00e1lbum de cantares religiosos tornou medi\u00e1tico o nome do Grupo Etnogr\u00e1fico de Cantares e Trajes do Manhouce e famosa a sua voz principal, Isabel Silvestre. Nesta transi\u00e7\u00e3o h\u00e1 quem considere que alguma da genuinidade (e ingenuidade\u2026) original se perdeu, substitu\u00edda pelo profissionalismo e pelo gosto de agradar. Isabel Silvestre nega que tal tenha acontecido. \u201cA maneira de o grupo cantar as can\u00e7\u00f5es est\u00e1 absolutamente a mesma. N\u00e3o sabemos cantar diferente. Fui uma das pessoas que estiveram sempre contra fazer-se arranjos. Disse mesmo: \u2018Olha, se voc\u00eas fizerem isso, saio, imediatamente, n\u00e3o estou aqui a fazer nada.\u2019 Temos realmente que pegar naquilo que nos foi legado e d\u00e1-lo a conhecer tal e qual. N\u00e3o temos o direito de andar a desfazer aquilo que foi guardado durante tanto tempo.\u201d<br \/>\n\tIsabel Silvestre, actual presidente da Junta de Freguesia de Manhouce, reparte o seu tempo entre o grupo e o Gabinete de Express\u00e3o Musical e Dram\u00e1tica desta localidade, onde faz recolhas, de Manhouce e da zona de Laf\u00f5es. \u201cEstou metida dentro de uma camisa de sete varas. Quase n\u00e3o tenho tempo de ter tempo para mim.\u201d<br \/>\n\tTem tamb\u00e9m publicado o livro \u201cCancioneiro Popular de Manhouce\u201d, estando prevista a sa\u00edda, em Setembro, de \u201cMem\u00f3ria de Um Povo\u201d, uma obra \u201cmais completa\u201d, onde faz um levantamento de \u201clenga-lengas, contos, ladainhas, prov\u00e9rbios e gastronomia\u201d de Manhouce. \u201cTudo aquilo que faz parte desta terra e desta gente.\u201d<br \/>\n\tNa forja est\u00e1 a edi\u00e7\u00e3o, em Setembro, na EMI-VC, do seu primeiro \u00e1lbum a solo, do qual, por agora, n\u00e3o quer adiantar pormenores, e de uma colect\u00e2nea, \u201cuma coisa ainda no ar\u201d, a sair, talvez, no pr\u00f3ximo Ver\u00e3o, dos Cantares de Manhouce.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Entre a pureza, por vezes rude e impenetr\u00e1vel, do \u201c\u00e9tnico\u201d e a sofistica\u00e7\u00e3o do \u201ctrad. arr.\u201d, o Grupo de Cantares de Manhouce transp\u00f4s com a maior simplicidade a ponte que une o rigor do estudo ao prazer da escuta descrompometida. \u201cCantares da Beira\u201d, colec\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o maculada pelas garras e mand\u00edbulas do mercado, \u00e9 uma claridade que dia ap\u00f3s dia corre o risco de se apagar. Se o m\u00e9todo e escolha de report\u00f3rio estavam aqui ainda longe de quaisquer preocupa\u00e7\u00f5es de agradar aos ouvidos acomodados da cidade, como viria a acontecer no posterior \u201cC\u00e2nticos Populares Religiosos\u201d \u2013 um \u00e1lbum destinado a enfileirar nas prateleiras de \u201cworld music\u201d, ao lado das vozes b\u00falgaras que ent\u00e3o se faziam ouvir com for\u00e7a a ocidente -, o que se deve procurar em \u201cCantares da Beira\u201d \u00e9, antes, a intimidade com as ra\u00edzes, a n\u00e3o adultera\u00e7\u00e3o dos gestos e ciclos primordiais, a pureza infantil de dizer na voz activa o que a alma canta quando o corpo trabalha.<br \/>\nO Grupo de Cantares de Manhouce faz o que deveria ser feito em cada localidade deste pa\u00eds de esquecimento. Preservar e dignificar uma tradi\u00e7\u00e3o. Mant\u00ea-la viva e actual e acarinh\u00e1-la. Transmiti-la de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o como um elo que garante a identidade e a linguagem. Acontece assim, bem perto de n\u00f3s, na Galiza. Acontece assim na Irlanda. Acontece assim em todos os lados onde a ideia de \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d ultrapassa a mera l\u00f3gica mercantilista e contabil\u00edstica. Manhouce tem a sorte de ter o seu grupo, como Carvalhais a sua tuna, ou o Alentejo os seus corais. Mas depois, quando os mais velhos desaparecerem, o que ficar\u00e1? Quais e quantos os n\u00e1ufragos que sobreviver\u00e3o ao naufr\u00e1gio causado pela incultura, pela estupidez e pelo desinteresse oficiais de um Estado com o cad\u00e1ver engravatado numa forca de Bruxelas?<br \/>\nIsabel Silvestre e o Grupo de Cantares de Manhouce cumprem uma tarefa de que outros se aproveitar\u00e3o para facturar, sempre em nome do povo, sempre em nome da Kultura. Mas o que importa \u00e9 que o seu canto, o canto de \u201cDon Solidon\u201d, \u201c\u00d3 meu amor quando fores\u201d ou \u201cL\u00e1 vem o vento da noite\u201d chegue ao destinat\u00e1rio certo. Ao que, em sil\u00eancio, no bul\u00edcio do s\u00e9culo, no gesto ritual que amanha a terra, no devaneio da noite que o fogo aquece contra a pedra, demanda saciar-se na \u00e1gua da fonte.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HPGjHZyxV8c\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 10 de Abril de 1996 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa Grupo Etnogr\u00e1fico de Cantares e Trajes do Manhouce Cantares da Beira Como foi O Grupo Etnogr\u00e1fico de Cantares e Trajes do Manhouce formou-se pouco tempo antes da grava\u00e7\u00e3o do primeiro disco, \u201cCantares da Beira\u201d. 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