{"id":4840,"date":"2016-06-30T02:39:40","date_gmt":"2016-06-30T09:39:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4840"},"modified":"2016-06-30T02:39:40","modified_gmt":"2016-06-30T09:39:40","slug":"artigo-de-opiniao-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa-vai-de-roda-vai-de-roda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/06\/30\/artigo-de-opiniao-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa-vai-de-roda-vai-de-roda\/","title":{"rendered":"Artigo de Opini\u00e3o: Os Melhores De Sempre &#8211; M\u00fasica Portuguesa &#8211; Vai De Roda &#8211; &#8220;Vai De Roda&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>6 de Mar\u00e7o de 1996<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/p>\n<p>Vai de Roda   Vai de Roda<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4841\" rel=\"attachment wp-att-4841\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/vdr2-300x266.jpg\" alt=\"vdr2\" width=\"300\" height=\"266\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4841\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/vdr2.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/vdr2-100x89.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4843\" rel=\"attachment wp-att-4843\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/vdr-300x296.jpg\" alt=\"vdr\" width=\"300\" height=\"296\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4843\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/vdr-300x296.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/vdr-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/vdr.jpg 471w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tComo foi<\/strong><\/p>\n<p>Em 1983, Vai de Roda era uma Cooperativa \u00e9tnico-cultural. \u201cA \u00fanica, nessa altura, em Portugal\u201d, garante Tent\u00fagal, desde sempre mentor deste projecto. \u201cA ideia era tamb\u00e9m a edi\u00e7\u00e3o de textos ou a constru\u00e7\u00e3o de instrumentos, que constru\u00edamos rudimentarmente, sobretudo percuss\u00f5es, al\u00e9m de fazermos recolhas e investiga\u00e7\u00e3o.\u201d A cooperativa formou-se, \u201cem termos legais, em 80, 81\u201d. Na pr\u00e1tica, porquanto o nome ainda se encontra registado, extinguiu-se em 1986. O grupo musical propriamente dito surgiu \u201cem finais de 1978\u201d. Demos o primeiro concerto, de uns 20 ou 25 minutos, para um p\u00fablico adulto e ainda com um report\u00f3rio restrito, em Fevereiro de 1979.\u201d<br \/>\nEm termos est\u00e9ticos, o grupo encontrava-se, nesta altura, num estado embrion\u00e1rio. \u201cUm Vai de Roda ainda um bocado rural\u201d, diz Tent\u00fagal, \u201cembora apresentando j\u00e1 algumas propostas diferentes.\u201d Uma proposta que valeu ent\u00e3o ao grupo algumas cr\u00edticas e incompreens\u00f5es. Nela estavam contidos excertos de uma banda sonora composta anteriormente por Tent\u00fagal \u201cpara um filme da antiga telescola. \u2018Sortelha, Uma Aldeia da Beira\u2019\u201d. Doze minutos de m\u00fasica que \u201cserviram de pista para o encadeamento do disco\u201d, vindo mesmo, parte deles, a integrar os primeiro e \u00faltimo temas do \u00e1lbum. \u201cA ideia conceptual de agrupar uns temas\u201d para um disco, \u201cde lhes dar uma sequ\u00eancia l\u00f3gica\u201d deparou com algumas dificuldades, devidas ao formato em vinilo. \u201cPor causa da obrigatoriedade da mudan\u00e7a de lado.\u201d<br \/>\nA grava\u00e7\u00e3o estava prevista para acontecer cinco anos antes. N\u00e3o aconteceu, \u201cdevido a problemas com as editoras\u201d. \u201cS\u00f3 atrav\u00e9s de conhecimentos e de algumas cunhas, entre aspas, se conseguiu gravar o disco. E numas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o digo deplor\u00e1veis, mas extremamente limitativas.\u201d Seja como for, a obra nasceu. E com mais tr\u00eas dias de est\u00fadio a juntarem-se aos outros tr\u00eas previamente agendados. Mesmo assim, \u201cera de manh\u00e3, \u00e0 tarde e \u00e0 noite\u201d. \u201cSa\u00edamos \u00e0 uma da manh\u00e3, \u00edamos dormir e \u00e0s nove j\u00e1 t\u00ednhamos que estar novamente no est\u00fadio. Era extremamente cansativo.\u201d<br \/>\nTreze pessoas, fazendo jus ao estatuto de cooperativa que os Vai de Roda ent\u00e3o ostentavam, n\u00e3o constitu\u00edram na altura dificuldade. \u201cHavia um mapa de grava\u00e7\u00f5es, os m\u00fasicos n\u00e3o vinham todos de cada vez, podiam desopilar um pouco.\u201d Era, contudo, gente a mais, o que levou o grupo \u201ca perder\u201d, mais tarde, \u201cum bocado aquele esp\u00edrito de cooperativa\u201d. Problemas na grava\u00e7\u00e3o, n\u00e3o houve que afectassem de forma significativa a ordem de trabalhos. Tent\u00fagal recorda, mesmo assim, um percal\u00e7o acontecido com uma mistura, que obrigou o grupo, na \u00faltima noite, a sair \u00e0s cinco da manh\u00e3. \u201cProblema de fitas ou de corrente el\u00e9ctrica que foi abaixo\u201d \u2013 a mem\u00f3ria j\u00e1 apagou dos seus circuitos o incidente.<br \/>\nAo contr\u00e1rio de \u201cTerreiro das Bruxas\u201d e do pr\u00f3ximo \u201cPolas Ondas\u201d, onde algumas das decis\u00f5es foram tomadas durante as grava\u00e7\u00f5es, \u201cVai de Roda\u201d levava a li\u00e7\u00e3o bem estudada de casa, n\u00e3o dando ligar ao imprevisto. \u201cDevido ao pouco tempo que t\u00ednhamos, j\u00e1 estava tudo definido.\u201d Excep\u00e7\u00e3o feita ao \u00faltimo tema, \u201cOh que calma vai caindo\u201d, \u201cque permitiu um pouco mais de liberdade\u201d, na sua condi\u00e7\u00e3o de \u201cquase uma resenha do pensar a m\u00fasica e os ambientes tradicionais, com rezas e a gaita-de-foles\u201d. Houve ainda o caso de uma das cantoras, que um dia n\u00e3o quis cantar, por \u201cn\u00e3o se sentir bem\u201d. O pr\u00f3prio Tent\u00fagal cantava aqui bastante menos do que no \u00e1lbum posterior, talvez por nessa \u00e9poca estar ainda pouco confiante, neste particular, nas suas capacidades.<br \/>\n\u201cAinda hoje n\u00e3o confio\u201d, diz, a rir, embora outros o conven\u00e7am do contr\u00e1rio. \u201cO Quico, por exemplo, antigo teclista dos Salada de Frutas e actual t\u00e9cnico de som do Interc\u00e9ltico, est\u00e1 farto de me dizer para ter mais confian\u00e7a, que a minha voz \u00e9 porreira, que tenho \u00e9 de come\u00e7ar a cantar mais.\u201d O homem da sanfona, cuja voz confere a temas de \u201cTerreiro das Bruxas\u201d como \u201cRosinha vem-te comigo\u201d ou \u201cLa Vitorina\u201d um fasc\u00ednio especial, sorri, preferindo conferir \u00e0 sua m\u00fasica outros protagonismos.<br \/>\nA sanfona preparava, entretanto, terreno para o seu futuro reinado. \u201cUm sonho j\u00e1 de alguns anos\u201d que teve, finalmente, a sua oportunidade. Em \u201cVai de Roda\u201d ainda prestava alguma vassalagem \u00e0 \u201cconceptualidade\u201d, aspecto que ent\u00e3o mais preocupava Tent\u00fagal, \u201cinclusive no palco\u201d. Uma encena\u00e7\u00e3o musical que privilegiava a utiliza\u00e7\u00e3o de \u201cinstrumentos n\u00e3o tidos como musicais\u201d, como o piassaba, as vassouras, o dem\u00f3nio da floresta ou as caixas de ovos. \u201cEra o jogo das sonoridades que era importante. A cria\u00e7\u00e3o de imagens e de ambientes, por vezes, nos concertos, criados no meio do p\u00fablico.\u201d<br \/>\n\u201cVai de Roda\u201d, sendo como \u00e9 um marco da m\u00fasica popular portuguesa, ter\u00e1 vendido, nas suas duas e \u00fanicas edi\u00e7\u00f5es em vinilo, cerca de 2500 exemplares. Tent\u00fagal n\u00e3o acredita nesse n\u00famero, divulgado pela editora. \u201cAcho que vendeu mais.\u201d Imposs\u00edvel, no entanto, verificar essa intui\u00e7\u00e3o. \u201cCheguei a apanhar, numa feira normal\u00edssima, uma cassete pirata do \u00e1lbum, que ainda guardo comigo.\u201d<br \/>\nTent\u00fagal ainda hoje sente orgulho nesta estreia em disco dos Vai de Roda, desde sempre o seu projecto mais querido. \u201cMuita gente se esquece deste disco. S\u00f3 se come\u00e7ou a fazer justi\u00e7a ao Vai de Roda com o \u2018Terreiro das Bruxas\u2019, o que \u00e9 pena, at\u00e9 porque este primeiro \u00e1lbum marcou um pouco a hist\u00f3ria de outros grupos. O pr\u00f3prio \u2018Contraluz\u2019, da Brigada, \u00e9 j\u00e1 uma aproxima\u00e7\u00e3o \u00e1 nossa filosofia, de uma certa conceptualidade das coisas e dos temas encadeados uns nos outros. Como facto de irem buscar os preg\u00f5es e music\u00e1-los. Uma filosofia que j\u00e1 existia nos Vai de Roda, de ir buscar outras sonoridades que n\u00e3o, apenas, a pr\u00f3pria can\u00e7\u00e3o em si.\u201d<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Se outra raz\u00e3o n\u00e3o existisse para incluir este primeiro trabalho do grupo do Porto na lista dos melhores de sempre da m\u00fasica portuguesa de raiz tradicional, uma s\u00f3 bastaria para o individualizar e marcar uma posi\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7a perante todos os outros: a recupera\u00e7\u00e3o de um instrumento ca\u00eddo em desuso e na decad\u00eancia, a sanfona. Em \u201cVai de Roda\u201d, Tent\u00fagal faz entrar pela primeira vez, em disco, a sanfona no instrument\u00e1rio tradicional portugu\u00eas. Uma utiliza\u00e7\u00e3o ainda t\u00edmida, apoiada sobretudo nos bord\u00f5es, mas que trouxe para esta \u00e1rea musical uma sonoridade nova que viria a ser explorada em pleno no segundo \u00e1lbum do grupo, \u201cTerreiro das Bruxas\u201d. N\u00e3o se tratou, de forma alguma, de uma op\u00e7\u00e3o gratuita, de uma tentativa isolada para tornar mais ex\u00f3tica uma m\u00fasica que sempre procurou conforto na facilidade das braguesas e dos cavaquinhos, mas antes o resultado de um estudo aprofundado das suas origens e potencialidades de transmuta\u00e7\u00e3o. Tent\u00fagal sempre fugiu ao \u00f3bvio e esta fuga levou-o a procurar nas catacumbas da m\u00fasica antiga \u2013 idade M\u00e9dia e Renascimento \u2013 um veio esquecido ou menosprezado pela maioria dos disc\u00edpulos e aprendizes da MPP, onde tanto a sensibilidade contempor\u00e2nea como a sua irm\u00e3 tradicional se pudessem reconhecer. \u00c9 precisamente nos temas onde a sanfona faz a sua apari\u00e7\u00e3o, seja no de abertura \u201cMinha roda st\u2019\u00e1 parada\u201d, cujos adere\u00e7os sonoros antecipavam j\u00e1 a est\u00e9tica de encena\u00e7\u00e3o sonora presente em \u201cTerreiro das Bruxas\u201d, seja na vers\u00e3o de \u201cMineta\u201d (mais interiorizada que o arqu\u00e9tipo inscrito no primeiro \u00e1lbum da Ronda dos Quatro Caminhos) ou ainda no ambientalismo \u00e9tnico do instrumental que fecha o disco, \u201cOh que calma vai caindo\u201d, que a m\u00fasica se aprofunda e ganha maior poder de sugest\u00e3o. Uma vis\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o fixada ainda na fidelidade poss\u00edvel \u00e0s formas originais e cativa do respeito pelo dogma das recolhas, mas onde era j\u00e1 n\u00edtida a subjectividade de leitura e a vontade de conceptualiza\u00e7\u00e3o. Afinal o germe de uma obra cujas ambi\u00e7\u00f5es apontavam j\u00e1 para um equivalente sonoro da fotografia \u201cetnopsicad\u00e9lica\u201d da capa, mas que apenas se concretizariam em pleno montadas na vassoura de uma bruxa.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/frsaxv6UpVY\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 6 de Mar\u00e7o de 1996 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa Vai de Roda Vai de Roda Como foi Em 1983, Vai de Roda era uma Cooperativa \u00e9tnico-cultural. \u201cA \u00fanica, nessa altura, em Portugal\u201d, garante Tent\u00fagal, desde sempre mentor deste projecto. \u201cA ideia era tamb\u00e9m a edi\u00e7\u00e3o de textos ou a constru\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1265,1269,179,28,229,24,68],"tags":[1167],"class_list":["post-4840","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1996","category-criticas-1996","category-etno","category-folk","category-mpp","category-portugueses","category-world","tag-vai-de-roda"],"views":2757,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4840","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4840"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4840\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4844,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4840\/revisions\/4844"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4840"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4840"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4840"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}