{"id":4835,"date":"2016-06-29T05:48:03","date_gmt":"2016-06-29T12:48:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4835"},"modified":"2016-06-29T05:48:03","modified_gmt":"2016-06-29T12:48:03","slug":"artigo-de-opiniao-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa-jose-mario-branco-ser-solidario-fmi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/06\/29\/artigo-de-opiniao-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa-jose-mario-branco-ser-solidario-fmi\/","title":{"rendered":"Artigo de Opini\u00e3o: Os Melhores de Sempre &#8211; M\u00fasica Portuguesa &#8211; Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco &#8211; &#8220;Ser Solid\u00e1rio&#8221; + &#8220;FMI&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>14 de Fevereiro de 1996<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco \u201cSer Solid\u00e1rio\u201d\/\u201dFMI\u201d<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4836\" rel=\"attachment wp-att-4836\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/jmb-300x109.jpg\" alt=\"jmb\" width=\"300\" height=\"109\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4836\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/jmb-300x109.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/jmb-100x36.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/jmb.jpg 590w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4838\" rel=\"attachment wp-att-4838\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ss.jpg\" alt=\"ss\" width=\"225\" height=\"225\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4838\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ss.jpg 225w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ss-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ss-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\t\t\t\t\tComo foi<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 primeira tentativa de grava\u00e7\u00e3o de \u201cSer Solid\u00e1rio\u201d responderam as editoras com a recusa. As resist\u00eancias do medo e dos preconceitos foram mais fortes do que a m\u00fasica. Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco viu-se obrigado a mudar de estrat\u00e9gia. \u201cSer Solid\u00e1rio\u201d lan\u00e7ou-se nos palcos, a testar sensibilidades, aguardando melhor oportunidade. \u201c\u00c9 um disco pensado para disco\u201d, diz o seu autor, \u201ccom material inventado, composto e concebido na sequ\u00eancia da minha sa\u00edda da Comuna \u2013 um disco com princ\u00edpio, meio e fim, com o \u2018FMI\u2019 integrado. A proposta de edi\u00e7\u00e3o deste trabalho foi elaborada com ajuda de Manuela de Freitas, do Trindade Santos e do Jos\u00e9 Duarte. Agarrei numa maqueta e foi assim que o propus a v\u00e1rias editoras, que n\u00e3o se interessaram. Houve reac\u00e7\u00f5es e respostas negativas de v\u00e1ria ordem: frontais, laterais, sil\u00eancios, n\u00e3o-respostas. Pelo que percebi de algumas negativas que foram expressas, ter\u00e1 havido dois tipos de factores para a recusa. Por um lado, a marginaliza\u00e7\u00e3o de um tipo muito queimado de per\u00edodo de 1974-75. Por outro, medo e recusa de editarem, especificamente, o \u2018FMI\u2019. Havia a atrac\u00e7\u00e3o pelo lado mais escandaloso, mas tamb\u00e9m o receio.\u201d<br \/>\n\t\u201cSer Solid\u00e1rio\u201d parte para a estrada. Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco decidiu transform\u00e1-lo num \u201cespect\u00e1culo de cartaz\u201d, uma produ\u00e7\u00e3o do Teatro do Mundo para \u201cficar em cena\u201d. Estreado em Novembro de 1980, \u201cpoucos dias antes da morte do S\u00e1 Carneiro e do Amaro da Costa, foi a primeira vez que um espect\u00e1culo musical ficou em cena durante tanto tempo\u201d. Perto de dois anos, \u201ccom salas esgotadas\u201d, que permitiram \u00e0s can\u00e7\u00f5es crescer e ganharem for\u00e7a. A selec\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos, feita \u201cum pouco \u00e0 pressa\u201d, incidiu sobre os mesmo que depois tocaram no disco.<br \/>\n\tUltrapassada uma fase em que se chegou a propor ao espectador contribuir monetariamente para a grava\u00e7\u00e3o do disco, que depois receberia gratuitamente em casa \u2013 \u201ccada espectador recebia \u00e0 entrada um cheque-disco de 500 escudos e uma carta manuscrita a explicar\u201d, \u201cSer Solid\u00e1rio\u201d encontrou por fim uma editora interessada, a Edisom. Em Maio de 1981, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco prop\u00f5e a repeti\u00e7\u00e3o do espect\u00e1culo no Teatro Aberto: \u201cMais um m\u00eas\u201d. Na sequ\u00eancia disso, surge o contacto com a Edisom, acabada de criar por Z\u00e9 da Ponte. J\u00e1 depois de conclu\u00edda a grava\u00e7\u00e3o e sa\u00eddo o disco, as mesmas can\u00e7\u00f5es regressaram de novo \u00e0 estrada, agora j\u00e1 num formato de trio, \u201cpara mais dois anos e meio, tr\u00eas\u201d de espect\u00e1culos.<br \/>\n\t\u00c9 um \u201ctestemunho individual, profundamente individual\u201d aquele que \u00e9 dado a ouvir em \u201cSer Solid\u00e1rio\u201d, mas tamb\u00e9m \u201cum percurso que foi muito partilhado\u201d. \u201cAo falar de mim, estou, mesmo sem querer, a falar dos outros.\u201d Por isso, o disco pode ser encarado como testemunho geracional de muitos que, melhor ou pior, se relacionaram com a mudan\u00e7a. Ou o que se pensou ter sido uma mudan\u00e7a. \u201cH\u00e1 um tom de cr\u00edtica e de auto-reconstru\u00e7\u00e3o antidogm\u00e1tica\u201d neste trabalho, \u201cque aproveita, inclusive, coisas que v\u00eas antes do 25 de Abril, como o \u2018V\u00e1\u2026V\u00e1\u2026\u2019, uma can\u00e7\u00e3o pronta desde 1970\u201d, alus\u00e3o ao caf\u00e9 V\u00e1-V\u00e1, onde se reunima os intelectuais. \u201c\u00c9 uma reac\u00e7\u00e3o radical minha, no ex\u00edlio [em Paris], ao que se poderia chamar os defeitos do intelectual de esquerda de caf\u00e9. Continua a ser um recado aos que falam, como eu dizia a brincar, dos problemas do povo com cita\u00e7\u00f5es em alem\u00e3o.\u201d<br \/>\n\tEm termos musicais, o \u00e1lbum espelha as tens\u00f5es psicol\u00f3gicas e as contradi\u00e7\u00f5es com que o seu autor se debatia. \u201cQuase uma briga de estilos\u201d em que os v\u00e1rios g\u00e9neros musicais explodem como estilha\u00e7os de uma granada em todas as direc\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 uma coisa e o seu inverso\u201d. Dial\u00e9ctica entre experi\u00eancias j\u00e1 realizadas com \u201co jazz, o fado, as marchas populares, a m\u00fasica de raiz tradicional\u201d e o \u201ccontacto com um patrim\u00f3nio pessoal\u201d, na \u201creconcilia\u00e7\u00e3o\u201d do m\u00fasico com o pr\u00f3prio passado. Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco define numa palavra o seu estado de esp\u00edrito nessa \u00e9poca: \u201cInquieta\u00e7\u00e3o\u201d, t\u00edtulo de uma das can\u00e7\u00f5es de \u201cSer Solid\u00e1rio\u201d. E um \u201camargo de boca\u201d, a azedar nas palavras amb\u00edguas do t\u00edtulo-tema que fecha este duplo \u00e1lbum. \u201cTent\u00e1mos e n\u00e3o conseguimos e n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o conseguimos como este plural \u00e9 o qu\u00ea? Quem somos n\u00f3s? Tenho eu alguma coisa a ver, ou n\u00e3o, com muita da gente com quem tenho andado? Numa altura em que os Pachecos Pereiras e os Dur\u00f5es Barrosos faziam a linha para o PPD, eu estava nesse estado!\u201d<br \/>\n\tConfus\u00e3o, oportunismo, indiferen\u00e7a, provincianismo, cinismo. Eis as linhas com que se cosia a sociedade portuguesa, onde, cada um a seu jeito, deu o sentido que mais lhe convinha \u00e0 palavra revolu\u00e7\u00e3o. \u00c9 este estado de coisas, esta estagna\u00e7\u00e3o profunda das mentalidades, que \u201cFMI\u201d vem ferir como um cutelo, sem poupar ningu\u00e9m. \u201c\u00c9 o produto de uma grande dor, um dor que me deu.\u201d Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco pormenoriza os sintomas: \u201cNuma noite, j\u00e1 deitado para adormecer, come\u00e7ou a rezinar-me uma parte de um tema antigo, em que glosava o in\u00edcio de \u2018Os Lus\u00edadas\u2019, e a virem-me as palavras soltas, quase em escrita mental autom\u00e1tica, de jorro.\u201d \u201cUm peda\u00e7o da vida\u201d do m\u00fasico, s\u00f3 poss\u00edvel de apresentar com \u201cuma grande organicidade\u201d, do mesmo modo que outro peda\u00e7o da sua vida, n\u00e3o menos visceral, que viria a ser gravada tr\u00eas anos mais tarde, \u201cA Noite\u201d. \u201cMais teatro do que m\u00fasica\u201d, \u00e9 verdade, se entendermos por teatro ao sentido que lhe deu Artaud, a coincid\u00eancia absoluta entre a emo\u00e7\u00e3o, o ser e a sua representa\u00e7\u00e3o. Da\u00ed as cautelas que rodearam a apresenta\u00e7\u00e3o de \u201cFMI\u201d, com a capa do maxi-single selada com um aviso de proibi\u00e7\u00e3o de qualquer \u201caudi\u00e7\u00e3o p\u00fablica, parcial ou total\u201d sem o consentimento do autor.<br \/>\n\t\u201cSer Solid\u00e1rio\u201d\/\u201dSer Solit\u00e1rio\u201d. A altern\u00e2ncia do \u201cd\u201d e do \u201ct\u201d n\u00e3o \u00e9 original. Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco inspirou-se num conto do romancista existencialista franc\u00eas Albert Camus \u201csobre o absurdo\u201d. \u201c\u00c9 o percurso interior de um pintor que, \u00e0 medida que avan\u00e7a na concep\u00e7\u00e3o e na depura\u00e7\u00e3o \u00e9tico-est\u00e9tica da sua arte, se vai deixando tomar por um processo de esquizofrenia e isolar do mundo, da fam\u00edlia, de todos. At\u00e9 que fica isolado no s\u00f3t\u00e3o da casa, com as suas tintas e as suas telas, e j\u00e1 n\u00e3o sai de l\u00e1, nunca mais. Depois de muito tempo sem saberem dele, algu\u00e9m resolve entrar naquele s\u00f3t\u00e3o e encontra-o j\u00e1 morto. No cavalete, est\u00e1 uma tela toda pintada de branco com uma assinatura que n\u00e3o \u00e9 uma assinatura mas uma palavra, \u2018solitaire\u2019 ou \u2018solidaire\u2019, n\u00e3o se percebe se \u00e9 um \u2018t\u2019 ou um \u2018d\u2019.\u201d A capa de \u201cSer Solid\u00e1rio\u201d \u00e9 negra.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSer Solid\u00e1rio\u201d, ou \u201cSer Solit\u00e1rio\u201d, corol\u00e1rio de um per\u00edodo de intensa actividade de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, entre 1977 e 1979, como compositor e actor da Comuna, muito mais do que um simples trocadilho gramatical, \u00e9 um genial trocadilho sobre uma alma, muitas almas, e sobre a m\u00fasica, muitas m\u00fasicas. A \u201cqueixa das almas jovens censuradas\u201d, do poema de Nat\u00e1lia Correia, um dos grandes temas deste duplo \u00e1lbum, vale como manifesto de um per\u00edodo simultaneamente amargurado e luminoso do autor, que aqui se questiona a si pr\u00f3prio, ao mesmo tempo que interroga a realidade portuguesa ainda a lamber as feridas abertas pelo 25 de Abril.<br \/>\n\u00c9 um \u00e1lbum de ruptura, de inquieta\u00e7\u00e3o de procura de novas formas musicais que pudessem conter e responder \u00e0 incandesc\u00eancia criativa das palavras, mais desesperadas e, paradoxalmente, carregadas de esperan\u00e7a do que nunca. O \u201cjazz\u201d e o fado s\u00e3o apenas duas dessas formas, onde Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco encontrou abrigo para a mudan\u00e7a. Jogando com o jazz-rock, reconverteu esta linguagem, na apropria\u00e7\u00e3o da \u201cMaiden voyage\u201d, de Herbie Hancock, para ilustrar o poema de Manuela de Freitas em \u201cSopram ventos adversos\u201d. Testemunho de um homem s\u00f3, estigmatizado pela sua coragem e pela sua diferen\u00e7a, \u201cSer Solid\u00e1rio\u201d \u00e9, em paralelo, o testemunho de uma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o o soube compreender. Mais do que o hino \u201cEu vim de longe, eu vou p\u2019ra longe\u201d, ou o sarcasmo populista transformado em \u00eaxito radiof\u00f3nico de \u201cQual \u00e9 a tua, \u00f3 meu?\u201d, \u00e9 o t\u00edtulo-tema que melhor reflecte essa rela\u00e7\u00e3o de amor-\u00f3dio com a mediocridade, ontem como hoje, vigente neste quintal lusitano. Onde seria de suor a declara\u00e7\u00e3o linear, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco dispara a ambiguidade, bem expressa na derradeira quadra deste disco: \u201cDe como aqui chegar n\u00e3o vale a ena\/ J\u00e1 que a moral da hist\u00f3ria \u00e9 t\u00e3o pequena\/ Que nunca por vingan\u00e7a eu te daria\/ No ventre das can\u00e7\u00f5es sabedora\u201d.<br \/>\nNa mesma altura, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco fez sair, em m\u00e1xi-single, \u201cFMI\u201d, o tema que lan\u00e7ou sobre si a maldi\u00e7\u00e3o nos 25 minutos mais violentos e cat\u00e1rticos de sempre da m\u00fasica popular feita em Portugal. Gravado ao vivo, composto de jorro a meio da noite (\u201cA Noite\u201d estava ainda por chegar), \u201cFMI\u201d \u00e9 o equivalente musical da \u201cCena do \u00f3dio\u201d, de Almada Negreiros. A lucidez e a raiva levados ao extremo, num libelo de vida ou de morte contra o sistema, mas tamb\u00e9m o grito e o choro, a nudez absoluta de um homem que se exp\u00f4s por inteiro. \u201cFMI\u201d (um anagrama de \u201cFim\u201d\u2026) \u00e9 a obra-prima de um homem livre cujo destino \u00e9 \u201cimprovavelmente ser feliz\u201d.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_Adp77ivpT8\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 14 de Fevereiro de 1996 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco \u201cSer Solid\u00e1rio\u201d\/\u201dFMI\u201d Como foi \u00c0 primeira tentativa de grava\u00e7\u00e3o de \u201cSer Solid\u00e1rio\u201d responderam as editoras com a recusa. As resist\u00eancias do medo e dos preconceitos foram mais fortes do que a m\u00fasica. 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