{"id":4832,"date":"2016-06-28T11:01:53","date_gmt":"2016-06-28T18:01:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4832"},"modified":"2016-06-28T11:01:53","modified_gmt":"2016-06-28T18:01:53","slug":"artigo-de-opiniao-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa-tantra-misterios-t-maravilhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/06\/28\/artigo-de-opiniao-os-melhores-de-sempre-musica-portuguesa-tantra-misterios-t-maravilhas\/","title":{"rendered":"Artigo de Opini\u00e3o: Os Melhores De Sempre &#8211; M\u00fasica Portuguesa &#8211; Tantra &#8211; &#8220;Mist\u00e9rios T Maravilhas&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>7 de Fevereiro de 1996<br \/>\n<strong>Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa<\/p>\n<p>Tantra \u201cMist\u00e9rios e Maravilhas\u201d<\/p>\n<p>\t\t\t\t\tComo foi<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4833\" rel=\"attachment wp-att-4833\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tantra-300x156.jpg\" alt=\"tantra\" width=\"300\" height=\"156\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4833\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tantra-300x156.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tantra-768x400.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tantra-1024x534.jpg 1024w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tantra-624x325.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tantra-100x52.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tantra.jpg 1046w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Em Inglaterra explodia a raiva \u201cpunk\u201d. Por c\u00e1, a tend\u00eancia era fazer complicado. Soar como uma orquestra rock. Os Tantra conseguiram-no melhor do que ningu\u00e9m. Eram o grupo progressivo por excel\u00eancia, com longas can\u00e7\u00f5es e t\u00edtulos como \u201cVaria\u00e7\u00f5es para uma gal\u00e1xia\u201d. Ex\u00edmios instrumentistas faziam alarde disso. Bem como de uma teatralidade sem precedentes no rock portugu\u00eas. \u201cQuando come\u00e7\u00e1mos, \u00e9ramos s\u00f3 eu e o Armando Gama\u201d, explica Manuel Cardoso. \u201cEle tinha tend\u00eancia de ir para a pop e eu para o rock sinf\u00f3nico, na linha dos Genesis, Yes ou Pink Floyd. Vieram depois o Am\u00e9rico Lu\u00eds, no baixo, de bases rock mas com tend\u00eancia para o jazz, e o baterista T\u00f3 Z\u00e9 Almeida, tamb\u00e9m com uma base rock mas todo virado para o progressivo.\u201d Manuel Cardoso tinha acabado de chegar de Inglaterra, onde fizera parte de um grupo de m\u00fasica de \u201cbase celta\u201d. A\u00ed aprendeu \u201cuma das coisas fundamentais para que os Tantra funcionassem: um m\u00e9todo de ensaios nessa \u00e9poca totalmente diferente do que se praticava em Portugal\u201d. Trabalho duro. Profissionalismo.<br \/>\n\tUm profissionalismo que ficou bem patente em todos os que assistiram ao memor\u00e1vel concerto dados pelos Tantra no Coliseu dos Recreios, uma encena\u00e7\u00e3o musical na linha do que a banda de Peter Gabriel fizera em \u201cThe Lamb lies down on Brodway\u201d e valeu ao grupo de Manuel Cardoso o ep\u00edteto de \u201cGenesis portugueses\u201d. \u201cA coisa mais gira \u00e9 que s\u00f3 a n\u00edvel imediato \u00e9 que aquilo foi influ\u00eancia dos Genesis. Nos Tantra havia v\u00e1rias traves-mestras de influ\u00eancias: por um lado a onda do progressivo americano, de \u2018monstros\u2019 como o Billy Cobham ou John McLaughlin, por outro segu\u00edamos os Yes ao n\u00edvel da influ\u00eancia espiritual, eram a nossa escola. O lado visual vem muito de uma for\u00e7a minha, apesar de em tudo o que faz\u00edamos haver uma colabora\u00e7\u00e3o de todos. Sempre tive uma tend\u00eancia muito grande para o teatro, para escrever, para o cinema, sempre fui um apaixonado pela m\u00edmica, pela express\u00e3o corporal\u201d, garante o guitarrista.<br \/>\n\t\u201cMist\u00e9rios e Maravilhas\u201d \u00e9 progressivo cantado em portugu\u00eas. \u201cPor uma quest\u00e3o de pureza daquilo que quer\u00edamos fazer.\u201d No \u00e1lbum seguinte, \u201cHolocausto\u201d, passaram para o ingl\u00eas, \u201cpela mesma raz\u00e3o\u201d. Frodo, a personagem de cabe\u00e7a bicuda cujo nome \u00e9 do her\u00f3is \u201chobbit\u201d que atravessa as p\u00e1ginas de \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d, de Tolkien, e viria a tornar o alter-ego de Manuel Cardoso, surgiu mais tarde. Sinal de um onisrismo, nas suas facetas contradit\u00f3rias, e de uma viagem que no caso dos Tantra n\u00e3o coincidiu com o uso de alucinog\u00e9neos. \u201cOs Tantra nunca tiveram nada de psicad\u00e9lico. O cora\u00e7\u00e3o mec\u00e2nico, o \u2018drive\u2019 por detr\u00e1s do grupo, era eu. Desde o princ\u00edpio, achei que era uma banda onde devia haver valores positivos. A no\u00e7\u00e3o de viagem prende-se com o facto de tanto eu como o baterista fazermos medita\u00e7\u00e3o, \u2018raja yoga\u2019. Era uma viagem espiritual.\u201d Manuel Cardoso tamb\u00e9m praticou tantrismo.<br \/>\n\tO nome \u201cTantra\u201d foi escolhido, no entanto, apenas por ser \u201cuniversal\u201d. O de Frodo apareceu por raz\u00f5es de outra natureza. \u201cTinha uma vida muito espiritual, mas ao mesmo tempo sa\u00eda \u00e0 noite at\u00e9 \u00e0s cinco, seis da manh\u00e3, para ouvir m\u00fasica. Uma vida que, para as outras pessoas, n\u00e3o encaixava bem com a tal espiritualidade. Isso irritava-me. Decidi que, se as pessoas achavam que o Manuel Cardoso n\u00e3o tinha o direito de fazer aquilo, se mudasse de nome, iriam entender que quem estava diante delas era uma personalidade que n\u00e3o conheciam e tinham que aprender a conhecer. Ao Manuel Cardoso era f\u00e1cil chegar ali e dizer: \u2018Ent\u00e3o Manel, o que \u00e9 que nadas aqui a fazer? Ent\u00e3o tu fazes medita\u00e7\u00e3o e est\u00e1s aqui \u00e0s quatro da manh\u00e3 na \u2018boite\u2019 a beber uma beber uma Cuba livre e a dan\u00e7ar?\u2019\u201d Como Frodo, Manuel Cardoso, \u201catravessou a confus\u00e3o\u201d e \u201csaiu do outro lado\u201d.<br \/>\n\tOs Tantra n\u00e3o lutavam contra confus\u00e3o de qualquer esp\u00e9cie. \u201cAs coisas encadeavam-se naturalmente. Existia um estado de esp\u00edrito em que as m\u00fasicas surgiam e se encaixavam de uma forma quase m\u00e1gica.\u201d \u201cMist\u00e9rios e Maravilhas\u201d \u00e9, para o guitarrista do grupo, \u201cfruto de uma forma de estar\u201d t\u00edpica da sua \u00e9poca. \u201cNo que estava feito ali havia uma rela\u00e7\u00e3o muito directa entre o que faz\u00edamos e o que sent\u00edamos. Hoje trabalha-se a m\u00fasica de uma maneira mais t\u00e9cnica, mais efectiva. Para n\u00f3s, nessa altura, a vida estava de facto cheia de mist\u00e9rios e maravilhas.\u201d<br \/>\n\tMenos misterioso \u00e9 o m\u00ednimo que se pode dizer do per\u00edodo de grava\u00e7\u00e3o do disco. \u201cUma epopeia\u201d, nas palavras do m\u00fasico. \u201cO disco foi gravado em oito pistas, o que nos apresentava problemas graves. Por exemplo, lev\u00e1mos a nossa aparelhagem para o est\u00fadio da Valentim e pusemos a bateria, que normalmente necessita s\u00f3 para si desse n\u00famero de pistas, a passar pela nossa mesa de mistura de dezasseis canais que depois entraram noutros dois da mesa final. O t\u00e9cnico fazia o som no andar de baixo, s\u00f3 com a bateria, que depois era gravada no andar de cima. Foi quase um milagre gravar todos os outros instrumentos nas restantes seis pistas.\u201d<br \/>\n\tHist\u00f3rias, aconteceram v\u00e1rias. A do baterista que o m\u00e9dico \u201cproibiu de tocar para o resto da vida\u201d por \u201cter um problema de cora\u00e7\u00e3o\u201d, mas que acabou por gravar todo o \u00e1lbum seguinte e fazer a digress\u00e3o completa da banda. Ou da maneira como o piano de Armando Gama era transportado para os espect\u00e1culos, \u201ccinco ou seis a carregarem um piano vertical de um quarto andar de um daqueles pr\u00e9dios antigos da Avenida da Rep\u00fablica, sem elevador, pelas escadas abaixo, para o concerto\u201d. Coisas de \u201camadores\u201d que \u201cadoram o que fazem\u201d. Trabalho, trabalho, trabalho. Uma das formas que permitiu a constru\u00e7\u00e3o do sonho. \u201cNos dois primeiros anos ensai\u00e1mos doze horas por dia, incluindo os s\u00e1bados. Mais dois ou tr\u00eas anos numa m\u00e9dia de oito horas por dia, j\u00e1 com fins-de-semana livres, embora toc\u00e1ssemos aos s\u00e1bados. S\u00f3 mais tarde \u00e9 que pass\u00e1mos para quatro horas por dia. Trabalh\u00e1vamos que nem uns c\u00e3es. Para fazer aquele g\u00e9nero de m\u00fasica era preciso trabalhar muito, era muito complicado. Ainda hoje \u00e9 dif\u00edcil tocar algumas partes.\u201d<br \/>\n\tHoje, Manuel Cardoso, conclu\u00eddo um per\u00edodo de actividade na publicidade e na produ\u00e7\u00e3o de bandas novas como os Doutores e Engenheiros ou os Vodka Laranja, pretende, de novo, \u201cinteractivar com a sociedade\u201d enquanto m\u00fasico. O desejo de regressar aos palcos s\u00f3 espera pela concretiza\u00e7\u00e3o do seu novo projecto, uma nova banda de \u201crock sinf\u00f3nico\u201d na mesma \u201clinha espiritual\u201d dos Tantra. Ser\u00e1 a ressurrei\u00e7\u00e3o do progressivo em Portugal? Mist\u00e9rio! O reactivar da \u201cm\u00e1quina da felicidade\u201d? Maravilha<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Era num tempo em que os drag\u00f5es voavam num aqu\u00e1rio e o mundo se oferecia em mist\u00e9rios e maravilhas. Um tempo em que a m\u00fasica se fazia sem segundas inten\u00e7\u00f5es, apenas pelo desejo e necessidade de exteriorizar ideias e emo\u00e7\u00f5es. Por mais estranhas e, por vezes, desajustadas da realidade que fossem. Era assim em 1977, em Portugal. J\u00e1 deixara de o ser em Inglaterra, no ano em que o progressivo era massacrado pelo \u201cpunk\u201d. Por c\u00e1, o desfasamento temporal permitiu aos Tantra serem os primeiros e talvez \u00fanicos representantes da m\u00fasica progressiva produzida com o mesmo profissionalismo dos grupos \u201cl\u00e1 de fora\u201d.<br \/>\n\u00c9 verdade que antes j\u00e1 Jos\u00e9 Cid mostrara o esbo\u00e7o do que poderia ser um psicadelismo lusitano, os Petrus Castrus tinham apresentado o seu \u201cMestre\u201d e os Beatnicks, com Len\u00e1 d\u2019\u00c1gua, deixaram perder no esquecimento uma \u00e9pica \u201cCosmonica\u00e7\u00e3o\u201d apenas revelada ao vivo a alguns eleitos. Mas foram os Tantra que encheram o Coliseu de Lisboa, trazendo as m\u00e1scaras, o virtuosismo instrumental e os efeitos especiais para uma m\u00fasica que at\u00e9 essa altura raramente excedera o amadorismo e nunca conseguira afirmar um conceito est\u00e9tico suficientemente aut\u00f3nomo para ultrapassar o mero estatuto de curiosidade.<br \/>\nOs Tantra tinham modelos, nunca o negaram, como os Genesis, pelo lado da teatralidade, os Yes, na complexidade orquestral dos arranjos, ou um jazzrock de fus\u00e3o irmanado no misticismo de John McLaughlin. Souberam contudo reivindicar uma fantasia e liberdade de movimentos pr\u00f3prios. Um sentido de viagem, de sonho e liberta\u00e7\u00e3o interiores que para muitos serviu de escape contra um quotidiano cinzento e musicalmente confrangedor. S\u00e3o ideias que ao longo da d\u00e9cada seguinte deixaram de fazer sentido, mas que hoje a emerg\u00eancia de um novo psicadelismo e a busca de algo mais na m\u00fasica do que o simples funcionalismo ajudaram a recuperar. Os mist\u00e9rios e as maravilhas n\u00e3o perderam a cor.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BpRKZ8zrbKk\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 7 de Fevereiro de 1996 Os melhores de sempre \u2013 m\u00fasica portuguesa Tantra \u201cMist\u00e9rios e Maravilhas\u201d Como foi Em Inglaterra explodia a raiva \u201cpunk\u201d. Por c\u00e1, a tend\u00eancia era fazer complicado. Soar como uma orquestra rock. Os Tantra conseguiram-no melhor do que ningu\u00e9m. 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