{"id":4825,"date":"2016-06-26T06:39:24","date_gmt":"2016-06-26T13:39:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4825"},"modified":"2016-06-26T06:39:24","modified_gmt":"2016-06-26T13:39:24","slug":"artigo-de-opiniao-vai-de-roda-vai-de-roda-agita-ondas-galaico-portugueseas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/06\/26\/artigo-de-opiniao-vai-de-roda-vai-de-roda-agita-ondas-galaico-portugueseas\/","title":{"rendered":"Artigo de Opini\u00e3o: Vai De Roda &#8211; &#8220;Vai De Roda Agita Ondas Galaico-Portugueseas&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>POP ROCK<\/p>\n<p>23 de Outubro de 1996<\/p>\n<p><strong>Vai de Roda agita ondas galaico-portuguesas<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Viagem dentro de um b\u00fazio<\/p>\n<p>Nova m\u00fasica portuguesa com ra\u00edzes no mito. \u201cPolas Ondas\u201d, terceiro cap\u00edtulo discogr\u00e1fico do projecto Vai de Roda, desfaz o derradeiro equ\u00edvoco. A m\u00fasica tradicional transformou-se num sonho. As liga\u00e7\u00f5es mant\u00eam-se, mas as vozes s\u00e3o novas. Tent\u00fagal fez girar uma vez mais a roda da sanfona. E a m\u00fasica portuguesa ganhou um mar novinho em folha para navegar.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4826\" rel=\"attachment wp-att-4826\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/vr-300x266.jpg\" alt=\"vr\" width=\"300\" height=\"266\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4826\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/vr.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/vr-100x89.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4827\" rel=\"attachment wp-att-4827\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/vr2.jpg\" alt=\"vr2\" width=\"235\" height=\"214\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4827\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/vr2.jpg 235w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/vr2-100x91.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 235px) 100vw, 235px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Levou tempo e alma a fazer. Entre \u201cTerreiro das Bruxas\u201d e o marulho das ondas, Tent\u00fagal matutou durante cinco anos numa m\u00fasica que, definitivamente, rompesse com conceitos artesanais de composi\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o. \u201cPolas Ondas\u201d, pela perfei\u00e7\u00e3o formal e pela respira\u00e7\u00e3o dos sons e palavras de que d\u00e1 mostras, estabelece novos par\u00e2metros de aferi\u00e7\u00e3o para a m\u00fasica portuguesa. S\u00f3 a solidez da gram\u00e1tica autoriza a pluralidade de leituras da obra total. Cada um far\u00e1 com estas ondas o que bem entender: nata\u00e7\u00e3o, \u201csurf\u201d, pesca, mergulho, escafandrismo, at\u00e9 simples higiene mental.<br \/>\nAntes das \u00e1guas Tent\u00fagal n\u00e3o esteve quieto. \u201cFiz m\u00fasica para cinema de anima\u00e7\u00e3o, nomeadamente para filmes do Abi Feij\u00f3 e do Pedro Serrazina e em geral para a produ\u00e7\u00e3o musical da Film\u00f3grafo. Participei igualmente, ao vivo, no 10\u00ba anivers\u00e1rio dos Luar na Lubre, com quem toquei ao vivo.\u201d A anima\u00e7\u00e3o maior estava para vir.<br \/>\nEm \u201cPolas Ondas\u201d repara-se em primeiro lugar na capa, uma rede de pesca. Fotografada por Abi Feij\u00f3. A cor intriga. \u201cPor incr\u00edvel que pare\u00e7a, \u00e9 uma rede mesmo vermelha. Da cor do sangue.\u201d Do som, percebe-se ter sido pensado como um todo. \u201cH\u00e1 uma maior conceptualidade, o que lhe d\u00e1 uma maior coer\u00eancia, apesar de haver algumas aparentes contradi\u00e7\u00f5es, ou distancia\u00e7\u00f5es, em termos pl\u00e1sticos, em alguns temas.\u201d O \u00e1lbum tem o selo Alba. Editora nova. \u201cTeve que ser criada, porque, depois de cinco propostas que tivemos para gravar, nenhuma foi para a frente. L\u00e1 fora toda a gente fica admirada, editores e produtores, com o facto deste grupo, com o curr\u00edculo e a projec\u00e7\u00e3o que tem, n\u00e3o ter uma editora. Est\u00e1vamos fartos de discutir tost\u00f5es e resolvemos andar para a frente com uma editora nossa.\u201d Os amigos ajudaram: \u201cAmigos que acreditaram nos Vai de Roda. Houve quem emprestasse o est\u00fadio, quem emprestasse o trabalho de prensagem da capa\u2026\u201d<br \/>\nHoje, os Vai de Roda est\u00e3o mais do que nunca pr\u00f3ximos da Galiza, \u201cn\u00e3o s\u00f3 por quest\u00f5es geogr\u00e1ficas como tamb\u00e9m pelo ambiente sonoro\u201d. Uma cumplicidade que existe \u201ctalvez por uma grande rela\u00e7\u00e3o com a malta do Norte\u201d. Lan\u00e7a um desabafo: \u201cH\u00e1 gente na m\u00fasica portuguesa com quem, de certa forma, at\u00e9 me identifico plasticamente, mas com quem, depois, em termos humanos, n\u00e3o existe qualquer rela\u00e7\u00e3o. Para mim, que vivo a arte intensamente, isso \u00e9 importante. L\u00e1 em cima sinto muito mais pureza. H\u00e1 uma postura que, inclusivamente, \u00e9 a mesma que vi nos irlandeses, onde os m\u00fasicos gostam de ouvir a m\u00fasica dos outros, algo extremamente humilde e enriquecedor para quem a pratica. Na Galiza s\u00e3o assim.\u201d<br \/>\nNo passado n\u00e3o faltou quem acusasse o grupo de pretensioso. \u201cJ\u00e1 chamavam isso aos Vai de Roda de 83, um grupo pretensioso, ou um grupo sofisticado de m\u00fasica tradicional. Neste momento est\u00e1 mais que provado que \u00e9 dif\u00edcil arrumar o grupo em qualquer gaveta.\u201d Os anos ensinaram a Tent\u00fagal uma outra maneira de dar a conhecer a sua m\u00fasica. \u201cUma coisa fui aprendendo. Enquanto no primeiro disco dos Vai de Roda queria que todos se apercebessem do que eu tinha feito e pensado, compreendi que a obra de arte, se tiver qualidade, \u00e9 apreendida por cada um de maneira diferente. Existem v\u00e1rias leituras, um processo t\u00e3o enriquecedor que, inclusive, permite outras leituras que a n\u00f3s, que as concebemos, nem sequer nos passavam pela cabe\u00e7a. Uma constante dial\u00e9ctica entre emissor e receptor.\u201d<br \/>\nQuanto a ser ou n\u00e3o ainda um grupo de m\u00fasica tradicional, Tent\u00fagal \u00e9 perempt\u00f3rio: \u201cN\u00e3o somos um grupo de m\u00fasica tradicional. Gosto de m\u00fasica tradicional, como de m\u00fasica contempor\u00e2nea e adoro m\u00fasica medieval. Sofro todas estas influ\u00eancias. Est\u00e1 l\u00e1 o contempor\u00e2neo, o ortodoxo, por ter estudado no Conservat\u00f3rio, o popular, por ter aprendido instrumentos tradicionais com os pr\u00f3prios tocadores. Sempre rejeitei cataloga\u00e7\u00f5es. Quando produzo arte, irrita-me que isso aconte\u00e7a.\u201d M\u00fasica tradicional? \u201cVai-se imitar o qu\u00ea? A voz ou a maneira de tocar das velhotas e dos velhotes das aldeias? O que \u00e9 correcto \u00e9 assimilar a tradi\u00e7\u00e3o e cant\u00e1-la com a minha voz. Aprender a tocar um instrumento mas toc\u00e1-lo com as minhas m\u00e3os e com o meu esp\u00edrito. \u00c9 assim que se transmite a tradi\u00e7\u00e3o, o tal acrescento de um ponto.\u201d<br \/>\nEm termos formais, \u201cPolas Ondas\u201d exibe a tal sofistica\u00e7\u00e3o que, para alguns, pode ser motivo de cr\u00edtica. Isso resulta, em parte, do \u201cn\u00edvel de entrosamento dos m\u00fasicos\u201d. E Tent\u00fagal n\u00e3o se furta a fazer alguns reparos. \u201cUma coisa que me faz afli\u00e7\u00e3o, noutros grupos desta \u00e1rea, \u00e9 o tratamento das din\u00e2micas. Vai-se do princ\u00edpio at\u00e9 ao fim com uma mesma din\u00e2mica. As \u00fanicas mudan\u00e7as aparecem por se retirar ou juntar um instrumento, sem se lidar com os \u2018pianos\u2019, \u2018pianissimos\u2019, \u2018crescendos\u2019, \u2018decrescendos\u2019. O Vai de Roda teve a preocupa\u00e7\u00e3o de trabalhar esse aspecto. \u201c\u00c9 preciso deixarmo-nos de alguns primarismos\u201d, conclui.<br \/>\nPor onde navegamos, no fim de contas, quando navegamos \u201cPolas Ondas\u201d? \u201c\u00c9 uma viagem sem fim, volta-se sempre ao mesmo sem se voltar ao mesmo, at\u00e9 ao cabo do mundo, uma finisterra que cada um construir\u00e1, simbolicamente. Uma viagem, inici\u00e1tica, dentro de um b\u00fazio.\u201d O c\u00edrculo desenrola-se, afinal, numa espiral.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PcTN7h19wwA\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POP ROCK 23 de Outubro de 1996 Vai de Roda agita ondas galaico-portuguesas Viagem dentro de um b\u00fazio Nova m\u00fasica portuguesa com ra\u00edzes no mito. \u201cPolas Ondas\u201d, terceiro cap\u00edtulo discogr\u00e1fico do projecto Vai de Roda, desfaz o derradeiro equ\u00edvoco. A m\u00fasica tradicional transformou-se num sonho. As liga\u00e7\u00f5es mant\u00eam-se, mas as vozes s\u00e3o novas. 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