{"id":4812,"date":"2016-06-23T09:03:30","date_gmt":"2016-06-23T16:03:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4812"},"modified":"2016-06-23T09:03:30","modified_gmt":"2016-06-23T16:03:30","slug":"artigo-de-opiniao-o-futuro-sem-fantasmas-brigada-victor-jara-gaiteiros-de-lisboa-realejo-quadrilha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/06\/23\/artigo-de-opiniao-o-futuro-sem-fantasmas-brigada-victor-jara-gaiteiros-de-lisboa-realejo-quadrilha\/","title":{"rendered":"Artigo de Opini\u00e3o: &#8220;O Futuro Sem Fantasmas&#8221; &#8211; Brigada Victor Jara, Gaiteiros De Lisboa, Realejo, Quadrilha"},"content":{"rendered":"<p>POP ROCK<br \/>\n3 de Janeiro de 1996<\/p>\n<p><strong>Especial Balan\u00e7o 95 Da M\u00fasica Portuguesa<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>O FUTURO SEM FANTASMAS<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4813\" rel=\"attachment wp-att-4813\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/realejo.jpg\" alt=\"realejo\" width=\"280\" height=\"168\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4813\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/realejo.jpg 280w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/realejo-100x60.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Uma colheita de ouro, a do ano que findou, de m\u00fasica portuguesa com as ra\u00edzes mergulhadas na tradi\u00e7\u00e3o, s\u00f3 compar\u00e1vel \u00e0 da segunda metade dos anos setenta, com a digest\u00e3o consumada da ressaca da revolu\u00e7\u00e3o de Abril.<br \/>\nTr\u00eas grupos recolheram os louros, assinando trabalhos discogr\u00e1ficos not\u00e1veis que fizeram a m\u00fasica de raiz tradicional portuguesa avan\u00e7ar um passo de gigante: Brigada Victor Jara, Gaiteiros de Lisboa e Realejo, por ordem cronol\u00f3gica de edi\u00e7\u00e3o dos respectivos discos, \u201cDan\u00e7as e Folias\u201d, \u201cInvas\u00f5es B\u00e1rbaras\u201d e \u201cSanfonia\u201d. Num registo menor, os Quadrilha garantiram o apoio log\u00edstico aos generais, com o seu folk rock sem pretens\u00f5es de maior, em \u201cAt\u00e9 o Diabo se Ria\u201d.<br \/>\nO que faz dos \u00e1lbuns atr\u00e1s mencionados obras que v\u00e3o ficar na hist\u00f3ria \u00e9 o facto de cada um deles apontar um caminho no sentido da renova\u00e7\u00e3o do legado tradicional. Nenhum est\u00e1 anquilosado no passado. Logo, nenhum deles sofre de artrite, reumatismo ou esclerose. Tal n\u00e3o significa, por\u00e9m, que se possa passar ao lado, ou, por in\u00e9pcia, massacrar a m\u00fasica tradicional, por natureza sens\u00edvel aos maus tratos. Quem conhecer os m\u00fasicos que comp\u00f5em tanto a Brigada como os Gaiteiros, verificar\u00e1 que todos eles se submeteram ao longo de anos e anos a um processo de evolu\u00e7\u00e3o e aprendizagem que se poder\u00e1 considerar alqu\u00edmico. Do trabalho de recolha dos prim\u00f3rdios \u00e0s liberdades tomadas no presente, vai uma jornada longa e, ami\u00fade, dolorosa. Recuperar e actualizar a tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 perpetuar essa mesma tradi\u00e7\u00e3o. Criar novas formas a partir do barro exige o conhecimento do barro e as suas t\u00e9cnicas de manipula\u00e7\u00e3o. A alma esconde-se na pedra. A luz habita no \u00e2mago das trevas. Picasso demorou uma vida at\u00e9 conseguir pintar como uma crian\u00e7a. Umas \u201cuillean pipes\u201d demoram anos at\u00e9 ganhar vida e voz pr\u00f3prias. N\u00e3o \u00e9 quem quer, mas quem sabe, quem tem o direito \u2013 e o dever \u2013 de arrancar a erva daninha e o \u201cfolclore\u201d, enquanto deteriora\u00e7\u00e3o enfeudada a um qualquer poder pol\u00edtico, que fazem definhar a verdadeira m\u00fasica \u2013 os seus gestos, as suas melodias, as suas cad\u00eancias, os seus rituais \u2013 das comunidades rurais ainda existentes. N\u00e3o \u00e9 quem quer, mas quem sabe, quem tem o direito \u2013 e o dever &#8211;  de inventar novas vozes, sobrepondo-se \u00e0s vozes que levam de vencida e se incrustam no tempo.<br \/>\nA Brigada evitou as rupturas bruscas, apostando no reformismo. Os festejos, sem convuls\u00f5es, do seu 20\u00ba anivers\u00e1rio n\u00e3o poderiam ter sido melhores, n\u00e3o s\u00f3 pela edi\u00e7\u00e3o de \u201cDan\u00e7as e Folias\u201d, como pela reedi\u00e7\u00e3o em compacto de \u201cEito Fora\u201d e \u201cContraluz\u201d, culminando num concerto memor\u00e1vel, em Dezembro, no S\u00e3o Luiz. Os Gaiteiros entraram a matar, com a voracidade de predadores. \u201cInvas\u00f5es B\u00e1rbaras\u201d \u00e9 uma aposta no excesso e na diferen\u00e7a que n\u00e3o deixa ningu\u00e9m indiferente e volta a agitar as \u00e1guas mornas de algum contentamento, representando para os anos 90 o que o GAC representou para os 70.<br \/>\nDeix\u00e1mos para o fim os Realejo, projecto de Fernando Meireles, que partiram de outro lugar e de um outro modo de olhar. Se o objectivo primeiro foi recuperar a dignidade e o prest\u00edgio perdido em s\u00e9culos passados, da sanfona, a verdade \u00e9 que o som de \u201cSanfonia\u201d, at\u00e9 pela \u00eanfase colocada naquele instrumento, apresenta caracter\u00edsticas que o aproximam de uma certa forma de \u201cfazer tradicional\u201d disseminada pela Europa, algures entre a m\u00fasica antiga e o folk progressivo das grandes bandas, sobretudo francesas, dos anos 70 (Malicorne, M\u00e9lusine, La Grand Rouge, La Bamboche, La Marienne, Maluzerne).<br \/>\nEntre as v\u00e1rias conclus\u00f5es poss\u00edveis de extrair desta trindade que em 1995 ganhou um corpo novo e um novo alento para a m\u00fasica portuguesa, n\u00e3o s\u00f3 tradicional, uma h\u00e1 que se reveste de particular import\u00e2ncia. A dessacraliza\u00e7\u00e3o de Michel Giacometti, acompanhada por uma vis\u00e3o mais l\u00facida e, sem d\u00favida, mais frutuosa do seu trabalho no campo das recolhas e cataloga\u00e7\u00e3o dos esp\u00e9cimes \u00e9tnicos. O seu esp\u00f3lio deixou de ser considerado um mito e, como tal, um dogma, passando a constituir um ponto de refer\u00eancia e de consulta, enquanto material de trabalho pr\u00e1tico, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos, na condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o terem m\u00e3ozinhas de chumbo.<br \/>\nFoi este, ali\u00e1s, um dos principais t\u00f3picos do debate sobre m\u00fasica tradicional e de raiz tradicional portuguesa promovido pelo pop Rock no m\u00eas de Novembro, com a presen\u00e7a dos convidados Tent\u00fagal, dos Vai de Roda, Carlos Guerreiro e Jos\u00e9 Manuel David, dos Gaiteiros de Lisboa, Am\u00e9lia Muge e Jos\u00e9 Martins (\u00d3 que Som Tem). \u201cO futuro, j\u00e1!\u201d, t\u00edtulo que escolhemos para ilustrar o referido debate, poderia ser, de resto, o lema de uma nova atitude perante a tradi\u00e7\u00e3o, carregada em simult\u00e2neo de sabedoria, ousadia e esp\u00edrito de inova\u00e7\u00e3o. Neste cen\u00e1rio de promessas cumpridas, acompanhado da separa\u00e7\u00e3o do trigo do joio (1995 foi um mau ano para a \u201cMPP \u2013 m\u00fasica popularucha portuguesa\u201d, ou ent\u00e3o n\u00e3o se deu por ela, o que vai dar no mesmo\u2026), ficou ainda reservado um lugar de honra para um disco de recolhas onde \u00e9 poss\u00edvel desfrutar o canto e a m\u00fasica genu\u00ednos da popula\u00e7\u00e3o rural de uma localidade de Tr\u00e1s-os \u2013Montes, \u201cIdanha-a-Nova, Toques e Cantares da Vila\u201d, considerado pelo Pop Rock um dos melhores discos de m\u00fasica tradicional do ano, resultado da investiga\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Alberto Sardinha.<br \/>\nA \u00faltima boa not\u00edcia \u00e9 que o ano que agora se inicia, a confirmarem-se as expectativas, vai ser pelo menos t\u00e3o bom como o anterior.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dzvHp9kEk9s\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POP ROCK 3 de Janeiro de 1996 Especial Balan\u00e7o 95 Da M\u00fasica Portuguesa O FUTURO SEM FANTASMAS Uma colheita de ouro, a do ano que findou, de m\u00fasica portuguesa com as ra\u00edzes mergulhadas na tradi\u00e7\u00e3o, s\u00f3 compar\u00e1vel \u00e0 da segunda metade dos anos setenta, com a digest\u00e3o consumada da ressaca da revolu\u00e7\u00e3o de Abril. 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