{"id":4802,"date":"2016-06-19T06:50:15","date_gmt":"2016-06-19T13:50:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4802"},"modified":"2016-06-19T06:50:15","modified_gmt":"2016-06-19T13:50:15","slug":"entrevista-rio-grande-onde-vais-rio-que-eu-canto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/06\/19\/entrevista-rio-grande-onde-vais-rio-que-eu-canto\/","title":{"rendered":"Entrevista: Rio Grande &#8211; &#8220;Onde Vais Rio Que Eu Canto&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>4 dezembro 1996<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Gil, Rui Veloso e Tim explicam \u201cRio Grande\u201d<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>\u201cONDE VAIS RIO QUE EU CANTO\u201d<\/p>\n<p>Com um discurso mais po\u00e9tico do que ideol\u00f3gico, \u201cRio Grande\u201d \u00e9 um projecto discogr\u00e1fico que juntou os textos de Jo\u00e3o Monge \u00e0 m\u00fasica de Jo\u00e3o Gil, Tim, Rui Veloso, Jorge Palma e Vitorino.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4803\" rel=\"attachment wp-att-4803\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/rg-300x185.jpg\" alt=\"rg\" width=\"300\" height=\"185\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4803\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/rg-300x185.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/rg-100x62.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/rg.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201cRio Grande\u201d \u00e9 um disco que \u00e9 um filme que \u00e9 uma contra-inicia\u00e7\u00e3o. Jo\u00e3o Monge escreveu a hist\u00f3ria de uma vida. Um alentejano emigra para a margem esquerda do Tejo, trocando as suas ra\u00edzes pelo trabalho na f\u00e1brica e o quotidiano no sub\u00farbio. A hist\u00f3ria tem um final feliz. E um in\u00edcio tamb\u00e9m. Jo\u00e3o Gil comp\u00f4s a banda sonora, com base na sua pr\u00f3pria viv\u00eancia de Almada. Tim, Rui Veloso, Vitorino e Jorge Palma s\u00e3o os actores de um argumento com mais do que um sentido que fizeram suas a hist\u00f3ria de um personagem principal com muitos e nenhum nome. Um \u201c\u00e1lbum conceptual\u201d em viagem para o Natal. Rui Veloso, Tim e Jo\u00e3o Gil contaram ao P\u00daBLICO algumas fases da \u201crodagem\u201d.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 Qual foi o percurso, da nascente at\u00e9 \u00e0 foz, das can\u00e7\u00f5es de \u201cRio Grande\u201d?<br \/>\nJO\u00c3O GIL \u2013 O Jo\u00e3o Monge deu o pontap\u00e9 de sa\u00edda. Ele vive em Almada, observando diariamente uma sucess\u00e3o de acontecimentos da sua casa que fica quase virada para o Terreiro do Pa\u00e7o e com a Lisnave por tr\u00e1s. O Sul come\u00e7a ali. Assiste ao toque de entrada e sa\u00edda dos oper\u00e1rios, uma coisa impressionante. Por outro lado, a sua pr\u00f3pria fam\u00edlia veio do Sul para se estabelecer ali. H\u00e1 um misto de observa\u00e7\u00e3o e algo de autobiogr\u00e1fico. A partir da\u00ed, peguei na hist\u00f3ria do Monge e parti do zero. Quando encontrei o fio da narrativa e o registo musical adequado, disparei \u00e0 velocidade da luz, sem ter, por\u00e9m, ainda, qualquer ideia do formato. O primeiro cantor que contactei foi o Vitorino. Depois surgiu o Tim e o Jorge. E senti que era preciso algu\u00e9m com um ouvido exterior, um gajo bom, que fosse exigente, que nos balizasse as cenas todas, como o Rui Veloso.<br \/>\nTIM \u2013 Achei uma boa ideia juntar estas pessoas todas, como senti que se podia cair numa certa facilidade. Porque \u00e9ramos todos pessoas um bocado imediatistas a trabalhar. Estava com medo que houvesse uma reuni\u00e3o de esfor\u00e7os que resultasse numa coisa sem profundidade musical suficiente. A\u00ed, saltou o nome do Rui. Acho que \u00e9 uma pessoa muito meticulosa, ordenada, talvez de cabe\u00e7a n\u00e3o, mas em termos de trabalho!&#8230; Ele aceitou e entrou numa de organiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nP. \u2013 Como \u00e9 que se processou essa organiza\u00e7\u00e3o?<br \/>\nRUI VELOSO \u2013 Para j\u00e1, as can\u00e7\u00f5es tinham um minuto cada uma. \u00c9 imposs\u00edvel fazer um \u00e1lbum com can\u00e7\u00f5es de um minuto. N\u00e3o havia partes musicais. Foi preciso estruturar, organizar, decidir quem e como \u00e9 cada um de n\u00f3s iria gravar. Por exemplo, \u201cA fisga\u201d come\u00e7ou por ser uma coisa pesada, para ser cantada em baixo, acabando a voz por ir l\u00e1 para cima. Tivemos todos que fazer os arranjos, sem fazermos maquetas, grav\u00e1mos logo para ser definitivo.<br \/>\nJ.G. \u2013 Apresentei as can\u00e7\u00f5es aos outros no estado mais bruto, de maneira a n\u00e3o correr o risco de parecer um trabalho de encomenda, ou de autor.<br \/>\nR.V. \u2013 Cozinh\u00e1mos os tr\u00eas aquilo tudo. O Jorge Palma foi l\u00e1 uma ou outra vez meter um piano. Quando ele e o Vitorino chegaram l\u00e1 para cantar, j\u00e1 tinham tudo pronto.<br \/>\nP. \u2013 Houve um lado laboratorial em todo esse processo?<br \/>\nR.V. \u2013 Teve a ver com a maneira como cada qual trabalha. N\u00f3s os tr\u00eas somos capazes de ficar oito horas seguidas amarrados num est\u00fadio. O Jorge tem mais dificuldade\u2026<br \/>\nT. \u2013 E o Vitorino s\u00f3 aguenta umas tr\u00eas horas\u2026<br \/>\nJ.G. \u2013 Juntar cinco personalidades, cabe\u00e7as diferentes, exige uma arruma\u00e7\u00e3o pr\u00e9via. O que n\u00e3o impediu que este trabalho fosse um filme no qual cada interpreta\u00e7\u00e3o dos actores constituiu o principal chamariz.<br \/>\nP. \u2013 O t\u00edtulo remete de imediato para um certo imagin\u00e1rio do cinema cl\u00e1ssico americano\u2026<br \/>\nT. \u2013 Foi escolhido por mim. Pareceu-me sempre que esta obra, para ser entendida pelas pessoas, tinha de ter uma aproxima\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica. Quando cant\u00e1vamos, t\u00ednhamos sempre presente as imagens de um filme. A m\u00fasica dava-nos as paisagens, os ambientes.<br \/>\nP. \u2013 O som tamb\u00e9m evoca algo americano, um certo balan\u00e7o \u201ccountry\u201d, por exemplo\u2026<br \/>\nR.V. \u2013 Tem a ver com o facto de um gajo ter boas guitarras, a soar bem, bons microfones. Pessoalmente, detesto os estere\u00f3tipos da \u201ccountry music\u201d. Mas boas guitarras mudam logo o som.<br \/>\nP. \u2013 As can\u00e7\u00f5es vocalizadas pelo Tim aproximam-se bastante do som \u201cUnplugged\u201d dos Xutos.<br \/>\nT. \u2013 Tenho uma maneira de cantar muito definida, t\u00edpica, que resulta de um trabalho de grupo h\u00e1 uma s\u00e9rie de anos. Enquanto o Palma, o Rui ou o Vitorino, por serem cantores solistas, t\u00eam um dom\u00ednio da interpreta\u00e7\u00e3o e da voz mais alargada, eu tenho feito as coisas de uma forma mais espec\u00edfica. Quando tento fazer outras coisas sinto-me ainda numa fase de estudo, n\u00e3o posso arriscar muito.<br \/>\nR.V. \u2013 H\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o, de liberdade. Parece que o disco foi gravado ao ar livre.<br \/>\nJ.G. \u2013 Uma sensa\u00e7\u00e3o que nos liga \u00e0 inf\u00e2ncia.<br \/>\nR.V. \u2013 Ainda ontem est\u00e1vamos juntos numa camioneta e parec\u00edamos putos, a tocar!<br \/>\nP. \u2013 \u201cRio Grande\u201d tem uma carga po\u00e9tica mais rom\u00e2ntica do que politicamente empenhada e, ao contr\u00e1rio do que muitas vezes acontece na vida real, tem um final feliz. Ser\u00e1 que n\u00e3o quiseram agitar em demasia o p\u00fablico, at\u00e9 porque o disco vai sair no Natal?<br \/>\nT. \u2013 O esp\u00edrito que eu trago do outro lado, de quando vivi no sub\u00farbio, em Almada, \u00e9 rom\u00e2ntico. O esp\u00edrito das pessoas que est\u00e3o ali, dos pais aos filhos, o esp\u00edrito que trouxeram do Sul \u2013 embora isso n\u00e3o exclua as lutas sociais \u2013 \u00e9 uma boa onda, embora, claro, seja apenas o lado positivo. O que se ganhou com a troca da terra natal por Almada ou pelo Barreiro foram sacrif\u00edcios, com certeza, \u00e9pocas dif\u00edceis, mas houve tamb\u00e9m o 25 de Abril, que trouxe um florescimento intenso, tanto cultural como de conv\u00edvio entre as pessoas. Essas pessoas puderam p\u00f4r os seus filhos a estudar. O fosso que por vezes se sente entre duas gera\u00e7\u00f5es \u00e9 que os pais trabalharam muito mas n\u00e3o s\u00e3o letrados, enquanto os filhos j\u00e1 t\u00eam um n\u00edvel de cultura superior, de cidade.<br \/>\nR.V. \u2013 Agress\u00f5es j\u00e1 todos n\u00f3s sofremos diariamente, quando lemos os jornais e somos agredidos por tudo o que \u00e9 lixo. As pessoas tamb\u00e9m t\u00eam direito a ter momentos de \u201crelax\u201d. Lisboa \u00e9 feita por pessoas que querem voltar \u00e0 terra.<br \/>\nJ.G. \u2013 Esta hist\u00f3ria \u00e9 uma hist\u00f3ria, de facto, com um final feliz. N\u00e3o tem uma est\u00e9tica suburbana, agressiva.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1HQLggte01I\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 4 dezembro 1996 Jo\u00e3o Gil, Rui Veloso e Tim explicam \u201cRio Grande\u201d \u201cONDE VAIS RIO QUE EU CANTO\u201d Com um discurso mais po\u00e9tico do que ideol\u00f3gico, \u201cRio Grande\u201d \u00e9 um projecto discogr\u00e1fico que juntou os textos de Jo\u00e3o Monge \u00e0 m\u00fasica de Jo\u00e3o Gil, Tim, Rui Veloso, Jorge Palma e Vitorino. \u201cRio Grande\u201d [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1260,229,44,24],"tags":[1263,418,1157,1264],"class_list":["post-4802","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas-1996","category-mpp","category-pop","category-portugueses","tag-joao-gil","tag-rio-grande","tag-rui-veloso","tag-tim"],"views":2180,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4802","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4802"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4802\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4804,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4802\/revisions\/4804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4802"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4802"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4802"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}