{"id":4794,"date":"2016-06-17T04:39:51","date_gmt":"2016-06-17T11:39:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4794"},"modified":"2017-07-24T04:28:34","modified_gmt":"2017-07-24T11:28:34","slug":"entrevista-dulce-pontes-fica-tudo-levezinho-doce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/06\/17\/entrevista-dulce-pontes-fica-tudo-levezinho-doce\/","title":{"rendered":"Entrevista: Dulce Pontes &#8211; &#8220;Fica tudo levezinho, doce\u2026\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>13 de Novembro de 1996<\/p>\n<p><strong>Dulce Pontes sente os \u201cCaminhos\u201d do seu novo \u00e1lbum<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>\u201cFica tudo levezinho, doce\u2026\u201d<\/p>\n<p>Dulce Pontes gosta da naturalidade, de se ouvir experimentar a voz numa igreja ou num espa\u00e7o aberto, sob a chuva ou os aplausos do p\u00fablico. Com uma nova imagem e um novo disco, \u201cCaminhos\u201d, encontrou amigos da Galiza e a ess\u00eancia da m\u00fasica portuguesa, da qual \u00e9 hoje uma das estrelas mais cintilantes.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4795\" rel=\"attachment wp-att-4795\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/dp-255x300.jpg\" alt=\"dp\" width=\"255\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4795\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/dp-255x300.jpg 255w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/dp-300x353.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/dp-85x100.jpg 85w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/dp.jpg 314w\" sizes=\"auto, (max-width: 255px) 100vw, 255px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>O sucessor de vendas do seu disco anterior, \u201cL\u00e1grimas\u201d, em Portugal e nos estrangeiro, e a participa\u00e7\u00e3o na banda-sonora de um filme com Richard Gere, \u201cPrimal Fear\u201d, exibido e todo o mundo, n\u00e3o afectam a natural simplicidade de Dulce Pontes. O mais importante continua a ser cantar os poemas e as m\u00fasicas que lhe d\u00e3o prazer. \u201cA capella\u201d ou acompanhada por uma orquestra. Demarca-se de Am\u00e1lia, \u201cSomos mundos distantes\u201d, e leva Carlos Nu\u00f1ez \u201ca s\u00edtios onde ele n\u00e3o iria\u201d. Dulce Pontes segue, no fundo, o seu pr\u00f3prio caminho, que toca com os caminhos dos outros. O P\u00daBLICO acompanhou-a na fase mais recente da sua viagem.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 A abrir caminho no disco est\u00e1 \u201cO Infante\u201d, com letra de Fernando Pessoa e m\u00fasica sua. Como surgiu este tema?<br \/>\nDulce Pontes \u2013 H\u00e1 uns tr\u00eas meses atr\u00e1s est\u00e1vamos a jantar, eu e o Guilherme [In\u00eas], e \u00e0 procura de um poema que pudesse ser o \u201cleitmotiv\u201d de todo o disco. Encontrei-o nesse poema.<br \/>\nP. \u2013 Que \u201cleitmotiv\u201d \u00e9 esse?<br \/>\nR. \u2013 Inspirando-nos nas nossas ra\u00edzes \u2013 o fado, o folclore e a m\u00fasica popular \u2013 quisemos alargar um pouco mais estas influ\u00eancias, sendo o mar o factor de uni\u00e3o.<br \/>\nP. \u2013 \u201cCaminhos\u201d, pelo tipo de produ\u00e7\u00e3o, parece-nos feito a pensar no mercado internacional. Concorda?<br \/>\nR. \u2013 Tamb\u00e9m. \u00c9 para quem o quiser ouvir. \u00c9 evidente que pessoas como o Carlos Nu\u00f1ez ou o Leonardo Amuedo tiveram influ\u00eancia no som final. Procuro que a minha mensagem seja universal.<br \/>\nP. \u2013 N\u00e3o receia perder-se num atalho, tantos s\u00e3o os caminhos do disco?<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o. Andar num caminho com umas palas nos olhos seria pior. Podemos continuar no nosso caminho tendo uma vis\u00e3o mais abrangente, influenciada por tudo o que se v\u00ea \u00e0 nossa volta.<br \/>\nP. \u2013 O que \u00e9 que d\u00e1 unidade a \u201cCaminhos\u201d?<br \/>\nR. A tal ess\u00eancia da m\u00fasica portuguesa. A m\u00fasica \u00e9 algo muito male\u00e1vel e a portuguesa, por ter uma base t\u00e3o simples, harmonicamente falando, permite uma s\u00e9rie de interpreta\u00e7\u00f5es, uma s\u00e9rie de caminhos distintos. D\u00e1-me imenso gozo experimentar essas diferentes formas de cantar, esses diferentes sons, embora tendo sempre como base o ponto de partida que j\u00e1 referi.<br \/>\nP. \u2013 \u201cLela\u201d, um dos temas com Carlos Nu\u00f1ez, j\u00e1 aparecia no \u00e1lbum deste m\u00fasico, \u201cO Caminho das Estrelas\u201d. Foi um aproveitamento?<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o. Ali\u00e1s, isso tamb\u00e9m aconteceu noutro tema, \u201cPorto\u201d, que est\u00e1 no disco do Leonardo. Com o Carlos Nu\u00f1ez trata-se de o levar a s\u00edtios onde ele n\u00e3o iria e vice-versa.<br \/>\nP. \u2013 No meio da sofistica\u00e7\u00e3o que impera na maioria dos arranjos, acaba por sobressair a sua interpreta\u00e7\u00e3o \u201ca capella\u201d, em \u201cSenhora do Almort\u00e3o\u201d. Em qual dos contextos prefere cantar?<br \/>\nR. \u2013 Em termos afectivos \u2013 e noto muito isso nos espect\u00e1culos ao vivo \u2013 prefiro o \u201cless is more\u201d, sinto que consigo aproximar-me mais do p\u00fablico do ponto de vista emotivo, quando canto \u201ca capella\u201d, ou s\u00f3 com o piano ou uma guitarra.<br \/>\nP. \u2013 Por que raz\u00e3o foram precisos seis est\u00fadios para gravar o disco?<br \/>\nR. \u2013 Aconteceu\u2026 Bem, no que respeita \u00e0quele onde fizemos as misturas, os Wisseloord studios, em Hilversum, na Holanda, \u00e9 f\u00e1cil de explicar: S\u00e3o os Rolls Royce dos est\u00fadios da Europa. A orquestra sinf\u00f3nica fomos grav\u00e1-la em Roma tamb\u00e9m porque era mais f\u00e1cil ir eu l\u00e1 com o Guilherme e os dois t\u00e9cnicos do que trazer a orquestra inteira para aqui. Em Espanha, foi por ter estado l\u00e1 a gravar um tema do disco de Lu\u00eds Pastor, \u201cChuva de Maio\u201d. Adorei o est\u00fadio, tinha um grande microfone, daqueles antigos, com um som que n\u00e3o tem explica\u00e7\u00e3o! Com uma naturalidade e neutralidade espantosas!<br \/>\nP. \u2013 Cultiva essa naturalidade, n\u00e3o \u00e9?<br \/>\nR. \u2013 Sim, embora tamb\u00e9m goste do que se faz em est\u00fadio, efeitos, \u201cdelays\u201d, \u201creverbs\u201d, mas de facto tenho esse gosto pelo natural. Por vezes, quando estive numa igreja, em Bras\u00edlia, comecei a cantar l\u00e1 dentro, s\u00f3 para ouvir o som, um som que n\u00e3o se consegue em est\u00fadio nenhum. Noutra ocasi\u00e3o, ia a passear na Arr\u00e1bida, ao p\u00e9 do convento, estava a cair uma chuva miudinha. Parei para fazer uma coisa que gosto de fazer em espa\u00e7os abertos, quando est\u00e1 sil\u00eancio absoluto: emitir alguns sons, n\u00e3o \u00e9 bem cantar. Consoante os lugares, obt\u00eam-se \u201cdelays\u201d diferentes. Nessa altura, de repente, estava eu a fazer esse tipo de experi\u00eancia, vejo ao fundo uma luz a acender e a apagar, ao ritmo do que fazia com a voz. Acho que estavam a gravar cenas do filme \u201cAfirma Pereira\u201d e algu\u00e9m deve ter ligado o projector, quando me ouviu\u2026<br \/>\nP. \u2013 Como \u00e9 que se sentiu a cantar com uma orquestra?<br \/>\nR. \u2013 Foi arrepiante. Parece que se sente o som a atravessar os poros. Fica tudo levezinho, doce\u2026 \u00c9 um luxo a que n\u00e3o estamos habituados em Portugal, infelizmente. Continua a haver alguns preconceitos de alguns m\u00fasicos cl\u00e1ssicos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica ligeira, o que \u00e9 uma estupidez.<br \/>\nP. \u2013 As fases mais recentes da sua carreira, com participa\u00e7\u00f5es em filmes estrangeiros, como \u201cPrimal Fear\u201d, e o sucesso de vendas do disco anterior, \u201cL\u00e1grimas\u201d, conduziram-na ao estrelato. Como lida com este estatuto, t\u00e3o rapidamente adquirido?<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o sinto muito\u2026 Como fui sempre um bocadinho \u201cmarginal\u201d, n\u00e3o sinto quaisquer press\u00f5es, apenas a da responsabilidade do trabalho que fal\u00e7o. O que mudou na minha vida foi passara a ter menos tempo para estar com os amigos, algo um pouco doloroso. Mas por outro lado posso estar com muita gente, amigos an\u00f3nimos. Uma coisa compensa a outra. Quando acabo um espect\u00e1culo, o facto de saber que as pessoas est\u00e3o na sala com um sorriso, que, de alguma forma, lhes proporcionei um bom momento, sentir que tive esse privil\u00e9gio, faz-me ultrapassar tudo.<br \/>\nP. \u2013 Irritam-na ou sente-se lisonjeada com as constantes compara\u00e7\u00f5es que fazem entre si e Am\u00e1lia?<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o me irritam, \u00e9 um elogio, mas n\u00e3o gosto que fa\u00e7am essas compara\u00e7\u00f5es. Como int\u00e9rpretes e cantoras n\u00e3o temos nada a ver uma com a outra. Nem a forma de sentir o fado. S\u00e3o mundos distantes.<br \/>\nP. \u2013 Mudou a sua imagem. Porqu\u00ea?<br \/>\nR. \u2013 Toda a gente me dizia para n\u00e3o cortar os carac\u00f3is, que n\u00e3o era l\u00e1 muito boa ideia, que as pessoas estavam habituadas ao corte que tinha. Mas decidi mesmo cortar, depois j\u00e1 n\u00e3o havia nada a fazer. E foi como voltar a sentir-me de novo dentro da minha pele.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GdlP7MldBN0\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 13 de Novembro de 1996 Dulce Pontes sente os \u201cCaminhos\u201d do seu novo \u00e1lbum \u201cFica tudo levezinho, doce\u2026\u201d Dulce Pontes gosta da naturalidade, de se ouvir experimentar a voz numa igreja ou num espa\u00e7o aberto, sob a chuva ou os aplausos do p\u00fablico. 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