{"id":4791,"date":"2016-06-16T04:18:04","date_gmt":"2016-06-16T11:18:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4791"},"modified":"2016-06-16T04:18:04","modified_gmt":"2016-06-16T11:18:04","slug":"entrevista-boris-ex-machina-retorno-ao-interior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/06\/16\/entrevista-boris-ex-machina-retorno-ao-interior\/","title":{"rendered":"Entrevista: Boris Ex Machina &#8211; &#8220;Retorno Ao Interior&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>25 de Setembro de 1996<\/p>\n<p><strong>Boris Ex Machina estreiam<\/p>\n<p>RETORNO AO INTERIOR<\/p>\n<p>Boris Ex Machina, em homenagem a Boris Vian, escritor e m\u00fasico. O primeiro \u00e1lbum da banda acabou de sair, embora as can\u00e7\u00f5es andassem na cabe\u00e7a dos m\u00fasicos h\u00e1 j\u00e1 v\u00e1rios anos. Tem por t\u00edtulo \u201cTango Infernal\u201d. Junta tangos e valsas, Brel e literatura, o passado e o futuro, num parque de variedades virtual.<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4792\" rel=\"attachment wp-att-4792\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bem-300x226.jpg\" alt=\"bem\" width=\"300\" height=\"226\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4792\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bem-300x226.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bem-624x471.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bem-100x75.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bem.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>S\u00e3o seis os elementos que integram a forma\u00e7\u00e3o dos Boris Ex Machina, mas apenas quatro puderam estar presentes na conversa com o P\u00daBLICO. Rini Luyks, o acordeonista holand\u00eas, est\u00e1 em Fran\u00e7a. Miguel Pereira, contrabaixista com forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, encontra-se em digress\u00e3o com a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Os outros quatro \u2013 Armando Teixeira, teclas, programa\u00e7\u00f5es e voz (tamb\u00e9m elemento dos Da Weasel e Bizarra Locomotiva), Ernesto Pinto, bateria, Carlos Morgado, guitarra, e Carlos Costa, guitarra \u2013 optaram por falar no colectivo.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 O preto e branco e a pose do grupo na capa significam alguma imagem especial que queiram dar?<br \/>\nBORIS EX MACHINA \u2013 H\u00e1 um ambiente que vem de h\u00e1 cinco anos a esta parte e que tem a ver com o \u201cbas fond\u201d dos cabar\u00e9s. O nosso \u00fanico interesse \u00e9 mesmo tocar numa sess\u00e3o de \u201cstrippers\u201d, em festas de casamento, coisas assim\u2026<br \/>\nP. \u2013 As dan\u00e7as de \u201cTango infernal\u201d s\u00e3o o tango e a valsa\u2026<br \/>\nR. \u2013 E rumbas! \u00c9 uma m\u00fasica que reflecte, em parte, a nossa cultura, do pa\u00eds latino que somos. E mais acess\u00edvel do que alguma m\u00fasica com origem externa que se ouve por c\u00e1. A valsa e o tango\u2026 Se calhar, na sua casa ou nas nossas, era o que os nossos pais ouviam. Isso e o fado, cujas letras reflectem uma certa nostalgia\u2026<br \/>\nP. \u2013 H\u00e1 nostalgia na m\u00fasica do grupo?<br \/>\nR. \u2013 Bastante.<br \/>\nP. \u2013 E trag\u00e9dia?<br \/>\nR. \u2013 Sim, muito sublinhada pelas letras.<br \/>\nP. \u2013 Que, por vezes, n\u00e3o se conseguem perceber bem, abafadas pela m\u00fasica\u2026<br \/>\nR. [de Armando Teixeira, A.T., aqui t\u00ednhamos que personalizar] \u2013 Pois, isso s\u00e3o os meus problemas de dic\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 hip\u00f3tese [risos]. H\u00e1 m\u00fasicas onde n\u00e3o se deve perceber minimamente o que estou a dizer\u2026 mas e relativo\u2026 Se n\u00e3o percebes a letra toda, pelo menos uma parte apanhas e acabas por construir uma imagem entre a m\u00fasica e essas partes da letra. N\u00e3o pusemos as letras na capa por alguma raz\u00e3o\u2026<br \/>\nP. \u2013 Sente-se na vossa m\u00fasica um certo luto que, por vezes, faz lembrar o universo est\u00e9tico dos S\u00e9tima Legi\u00e3o. Concordam?<br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o! N\u00e3o! (\u2026) [A.T.] Bem, vamos l\u00e1 a ver, temos um determinado percurso e os S\u00e9tima Legi\u00e3o fizeram parte da minha adolesc\u00eancia, como o Tom Waits e tantos outros.<br \/>\nP. \u2013 Na liga\u00e7\u00e3o da electr\u00f3nica aos sons ac\u00fasticos, o nome dos Tuxedomoon diz-vos alguma coisa?<br \/>\nR. \u2013 Diz-nos muito. Fizeram hist\u00f3ria. Embora sejam bastante mais jazz\u00edsticos do que n\u00f3s.<br \/>\nP. \u2013 Jacques Brel?<br \/>\nR. \u2013 Esse, sim, bastante mais do que todos os outros. \u201cLe port d\u2019Amsterdam\u201d, gravado ao vivo, cada vez que ouvimos aquilo, d\u00e1-nos arrepios. \u00c9 emo\u00e7\u00e3o, uma quest\u00e3o de \u201cfeeling\u201d. E a ironia dele, mais do que tudo.<br \/>\nP. \u2013 A valsa \u00e9 a vossa dan\u00e7a preferida?<br \/>\nR. \u2013 Se calhar \u00e9 o tecno! [risos] Neste \u00e1lbum, de facto, s\u00e3o as valsas e o tango. Tem tr\u00eas valsas e dois tangos \u2013 um resultado que se pode considerar equilibrado. Mas h\u00e1 algo a acrescentar: \u00e9 que todos estes temas t\u00eam entre tr\u00eas e cinco anos.<br \/>\nP. \u2013 Por que motivo ligaram o adjectivo \u201cinfernal\u201d ao tango e n\u00e3o \u00e0 valsa, cujas conota\u00e7\u00f5es diab\u00f3licas s\u00e3o conhecidas?<br \/>\nR. \u2013 O tango \u00e9 mais infernal! Pela cor. O vermelho, o p\u00farpura, s\u00e3o muito mais \u201cunderground\u201d. E este disco, embora n\u00e3o seja pesado, \u00e9 um bocado fumarento, denso\u2026<br \/>\nP. \u2013 Brel, valsa, acorde\u00e3o, ambientes mar\u00edtimos, no fim um poema de M\u00e1rio de S\u00e1-Carneiro e agora os fumos\u2026 O ambiente comp\u00f5e-se\u2026 \u201cTango Infernal\u201d \u00e9 um disco de alucina\u00e7\u00f5es de \u00f3pio?<br \/>\nR. \u2013 Tem a ver com todo um imagin\u00e1rio. Mas sem depend\u00eancias nenhumas\u2026 Na altura em que foi feito, as coisas batiam de maneira diferente. Se fosse feito agora, era muito mais leve.<br \/>\nP. \u2013 E as alus\u00f5es \u00e0 hero\u00edna, em \u201cCavalo louco\u201d?<br \/>\nR. \u2013 Tem mais a ver com hist\u00f3rias e situa\u00e7\u00f5es de pessoas que conhecemos. A maneira como descrevemos, nesse tema, a viagem n\u00e3o \u00e9 a mais normal de se falar de droga, h\u00e1 aquele lado da perda dos amigos. Depois \u00e9 aquilo de saberes que n\u00e3o deixas, n\u00e3o queres l\u00e1 meter ningu\u00e9m contigo mas a tend\u00eancia \u00e9 levares sempre mais algu\u00e9m, embora n\u00e3o de forma consciente.<br \/>\nP. \u2013 Que tipo de dificuldades encontraram e os impediu de gravarem h\u00e1 mais tempo?<br \/>\nR. \u2013 Editoras, promessas\u2026 Depois, s\u00f3 h\u00e1 uns dois anos \u00e9 que se come\u00e7ou a ouvir e a falar sobre um determinado tipo de m\u00fasica como a dos Tindersticks, por exemplo, que talvez tenham as mesmas influ\u00eancias que n\u00f3s. Durante muito tempo, houve quase uma luta contra um tipo de m\u00fasica mais lenta. H\u00e1 seis ou sete anos atr\u00e1s, os Tindersticks n\u00e3o tinham qualquer hip\u00f3tese de vingar. Agora nota-se de novo uma apet\u00eancia por coisas que tinham sido completamente esquecidas pela pop, como o tango e a valsa.<br \/>\nP. \u2013 Despediram-se definitivamente do rock?<br \/>\nR. \u2013 Estamos a tentar! A m\u00fasica que fazemos \u00e9 uma esp\u00e9cie de retorno ao nosso interior, da descoberta das origens dentro de n\u00f3s mesmos.<br \/>\nP. \u2013 J\u00e1 nos est\u00e1vamos a esquecer de Ant\u00f3nio Calv\u00e1rio, a prop\u00f3sito de alguns excessos de sentimento nas vocaliza\u00e7\u00f5es\u2026<br \/>\nR. \u2013 Sabe qual \u00e9 o problema? \u00c0s vezes, essa coisa do amor, dessa maneira de cantar, \u00e9 muito s\u00e9ria. A maneira como abordamos isso n\u00e3o \u00e9 a gozar, queremos de facto dar esse ambiente. O tom pejorativo com que se fala do Ant\u00f3nio Calv\u00e1rio ou do Tony de Matos \u00e9 por culpa das pessoas que t\u00eam deles determinada imagem. O facto \u00e9 que marcaram a cultura portuguesa. Devia ser um espect\u00e1culo estar a cantar naquelas r\u00e1dios, com a orquestra por tr\u00e1s. Isso fascina-nos bastante. Claro que uma coisa era a atitude, a maneira como eles cantavam, e outra aquilo que diziam. O que n\u00f3s dizemos n\u00e3o tem nada a ver com o que eles diziam. \u00c9 a\u00ed que jogamos.<br \/>\nP. \u2013 Sentem algum particular fasc\u00ednio pelos chamados \u201cdias da r\u00e1dio\u201d, anteriores \u00e0 televis\u00e3o?<br \/>\nR. \u2013 Bastante. \u00c9 capaz de ter sido a \u00e9poca mais bonita da r\u00e1dio, pelo menos para n\u00f3s, que a vemos \u00e0 dist\u00e2ncia. Havia aquele \u201cstress\u201d todo do directo, do gajo que est\u00e1 a fazer o programa e est\u00e1 preocupado se o artista vai ou n\u00e3o chegar a horas ou se o som da orquestra est\u00e1 a sair aud\u00edvel l\u00e1 fora, por uns trans\u00edstores. E o fasc\u00ednio das pessoas que est\u00e3o a ouvir, as fam\u00edlias que se reuniam num ser\u00e3o em volta de uma telefonia\u2026<br \/>\nP. \u2013 Gostavam de fazer essa experi\u00eancia, de tocar ao vivo e em directo na r\u00e1dio?<br \/>\nR. \u2013 Gostar\u00edamos muito, n\u00e3o uma coisa do tipo \u201cunplugged\u201d, mas um concerto em AM, com som AM, nada de FM est\u00e9reo. Vivam os Parodiantes!<br \/>\nP. \u2013 Seria o fim dos \u201csamplers\u201d?<br \/>\nR. \u2013 S\u00f3 os utilizamos por n\u00e3o nos ser poss\u00edvel arranjar um instrumentista para cada som que se encontra l\u00e1. Uma orquestra de 50 elementos, era espectacular! \u00c9 esse o nosso sonho. Uma filarm\u00f3nica!!! Isso \u00e9 que seria mesmo uma m\u00e1quina, como aquelas bandas dos filmes italianos.<\/p>\n<p>\tP.S. \u2013 Os Boris Ex Machina andam \u00e0 procura de um baixista e de um pianista-organista. Os interessados podem contactar com a Symbiose pelo telefone (01)3526483<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fKjNx7R3YYo\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 25 de Setembro de 1996 Boris Ex Machina estreiam RETORNO AO INTERIOR Boris Ex Machina, em homenagem a Boris Vian, escritor e m\u00fasico. O primeiro \u00e1lbum da banda acabou de sair, embora as can\u00e7\u00f5es andassem na cabe\u00e7a dos m\u00fasicos h\u00e1 j\u00e1 v\u00e1rios anos. Tem por t\u00edtulo \u201cTango Infernal\u201d. Junta tangos e valsas, Brel [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7,1260,44,24,10],"tags":[1261],"class_list":["post-4791","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-electronica","category-entrevistas-1996","category-pop","category-portugueses","category-rock","tag-boris-ex-machina"],"views":1507,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4791","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4791"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4791\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4793,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4791\/revisions\/4793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4791"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4791"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4791"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}