{"id":4605,"date":"2016-04-19T06:56:39","date_gmt":"2016-04-19T13:56:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4605"},"modified":"2016-04-19T06:56:39","modified_gmt":"2016-04-19T13:56:39","slug":"scott-walker-tilt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/04\/19\/scott-walker-tilt\/","title":{"rendered":"Scott Walker &#8211; &#8220;Tilt&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>24 de Maio de 1995<br \/>\n\u00e1lbuns poprock<\/p>\n<p>Um gafanhoto no c\u00e9rebro<\/p>\n<p><strong>SCOTT WALKER<br \/>\nTilt (Classifica\u00e7\u00e3o: Qualquer uma de 0 a 10)<\/strong><br \/>\nFontana, distri. Polygram<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4606\" rel=\"attachment wp-att-4606\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sw-300x300.jpg\" alt=\"sw\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4606\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sw-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sw-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sw-100x100.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sw.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>H\u00e1 aqui algo de errado. Algo de muito estranho e perturbador. Um desequil\u00edbrio doentio, simultaneamente assustador e atraente. \u201cTilt\u201d \u00e9 um termo que se aplica \u00e0 paralisia instant\u00e2nea, \u00e0 cessa\u00e7\u00e3o de todas as fun\u00e7\u00f5es de uma m\u00e1quina de \u201cflippers\u201d quando o seu utilizador lhe aplica uma pancada, um choque superior ao que a sua programa\u00e7\u00e3o aceita. A m\u00e1quina de \u201cflippers\u201d \u2013 \u201cflipper\u201d, traduzido \u00e0 letra significa \u201cbarbatana\u201d, \u00f3rg\u00e3o de locomo\u00e7\u00e3o num meio aqu\u00e1tico, como por exemplo, o pensamento\u2026 &#8211; \u00e9, neste caso, o c\u00e9rebro de Scott Walker. Antes de entrarmos nos seus meandros, fa\u00e7amos, por\u00e9m, em nome da prud\u00eancia e de alguma cautela, um pouco de hist\u00f3ria. Scott Walker, ent\u00e3o com o nome de Scott Engel, fez parte, ainda na primeira metade dos anos 60, dos Walker Brothers, um trio da Costa Oeste norte-americana cujos singles, como \u201cMy ship is coming in\u201d ou \u201cThe sun ain\u2019t gonna shine anymore\u201d, alcan\u00e7aram bastante sucesso do outro lado do Atl\u00e2ntico. Baladas, quase sempre narrando desgra\u00e7as amorosas, que eram interpretadas em tons \u00e9picos e melodram\u00e1ticos, num estilo de produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3ximo do de Phil Spector. As vocaliza\u00e7\u00f5es torturadas do ent\u00e3o jovem Scott inspirariam, mais tarde, gente de exageros como Marc Almond, Julian Cope e David Bowie. Em 1967, Scott abandonou o grupo e partiu para uma carreira a solo.<br \/>\nEra a continua\u00e7\u00e3o de um trajecto que, a partir desse momento, se desviaria para alamedas bastante mais sombrias. Can\u00e7\u00f5es de Jacques Brel, um \u201chit\u201d, com \u201cJoanna\u201d (inclu\u00eddo, juntamente com outros \u00eaxitos, seus e do grupo, na colect\u00e2nea \u201cNo Regrets\u201d, t\u00edtulo de um tema de Tom Rush) e \u00e1lbuns com t\u00edtulos premonit\u00f3rios como \u201cNight Flights\u201d e \u201cClimate of Hunger\u201d \u2013 este j\u00e1 uma obra ao negro que, na \u00e9poca (1984), com o selo Virgin, alertou para um dos universos mais originais da m\u00fasica popular \u2013 prenunciavam o estado geral de loucura que, onze anos mais tarde, se viria a concentrar neste seu novo trabalho. Antes de mergulharmos no po\u00e7o de \u201cTilt\u201d, digamos ainda que Scott Walker pode ser encarado como a sombra, o negativo, o lado tr\u00e1gico de Brian Wilson, outro dos mestres californianos, mentor dos Beach Boys, que apanhou demasiado sol na cabe\u00e7a e, por isso, sucumbiu, tamb\u00e9m ele, \u00e0 paran\u00f3ia.<br \/>\n\u201cTilt\u201d \u00e9 um objecto \u00fanico, desconfort\u00e1vel, imperme\u00e1vel tanto \u00e0 an\u00e1lise distanciada como \u00e0 ades\u00e3o efectiva. N\u00e3o d\u00e1 prazer ouvir mas obriga a escut\u00e1-lo do princ\u00edpio ao fim, com o cora\u00e7\u00e3o no est\u00f4mago e um arrepio na espinha. A ideia que d\u00e1 \u00e9 que, durante todos estes anos, Scott Walker n\u00e3o ouviu qualquer esp\u00e9cie de m\u00fasica e se fechou num quarto \u00e0s escuras, a s\u00f3s com as suas elocubra\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se pode falar de uma tradi\u00e7\u00e3o, de uma continuidade, de nada que inspire seguran\u00e7a. O choque deriva em grande parte do contraste entre a voz e a m\u00fasica. Scott Walker, aos 52 anos, canta como sempre cantou, num estilo semideclamado e mon\u00f3tono, com s\u00fabitas inflex\u00f5es que v\u00e3o do tom de trag\u00e9dia fotonovelesca \u00e0 puerilidade de um adolescente. Ao ouvi-la, pensa-se em seres imagin\u00e1rios como um Frank Sinatra sob os efeitos de hero\u00edna, Elvis Presley regressado do al\u00e9m-t\u00famulo, David Sylvian com 90 anos ou Bryan Ferry a falar durante o sono. \u201cCrooner\u201d dos abismos sentimentais, Scott Walker reina num pa\u00eds sem entrada nem sa\u00edda para o comum dos mortais. A m\u00fasica \u00e9 outro choque. Soa, como dizer, a nada que se conhe\u00e7a. Numa entrevista dada na edi\u00e7\u00e3o deste m\u00eas \u00e0 revista \u201cMojo\u201d, Scott afirma que quis fazer um \u201cnowhere record\u201d. Conseguiu. Electr\u00f3nica, industrial, minimalista, tribal, orquestral, hipn\u00f3tica, repetitiva, tem tudo, incluindo um \u00f3rg\u00e3o de igreja (um dos seus instrumentos favoritos), o que caracteriza certas vanguardas das trevas. Podemos buscar aux\u00edlio na recorda\u00e7\u00e3o da \u201cSinfonia industrial\u201d, de \u00c2ngelo Badalamenti, do \u201cfilme negro\u201d de Barry Adamson, em \u201cMoss Side Story\u201d, de David Bowie, no segundo lado de \u201cLow\u201d, ou no \u201cThe End\u201d, dos Doors (Scott gravou uma sess\u00e3o de temas de \u201cAmerican Prayer\u201d, de Jim Morrison), na vers\u00e3o de Nico. Podemos pensar em ritos ocultos de Las Vegas ou num Festival da Eurovis\u00e3o no mundo dos mortos. Talvez uma Hollywood espectral. Para baralhar ainda mais, l\u00e1 est\u00e3o dois convidados da \u201cfolk\u201d, Andrew Ceonshaw, em sopros v\u00e1rios e concertina, e Nigel Eaton, um ex-Blowzabella, cuja sanfona \u00e9 aproveitada em \u201cBouncer, see bouncer\u201d, para imitar o ru\u00eddo de gafanhotos (!)\u2026 Refira-se ainda que Scott Walker gravou h\u00e1 tempos uma sess\u00e3o com Brian Eno e Daniel Lanois, nunca editada at\u00e9 hoje, porque, segundo diz, as letras s\u00e3o o mais importante. Os textos, de can\u00e7\u00f5es que se estendem com languidez ao longo de seis, sete ou oito minutos cada, s\u00e3o ainda mais el\u00edpticos. \u201cFarmer in the city\u201d repete obsessivamente o n\u00famero 21, a idade de quem, de qu\u00ea, em Vigo, no Rio, em Ostia, em \u201cescuras casas de quintas recortadas contra o c\u00e9u\u201d. \u201cThe cockfighter\u201d \u00e9 digna de um filme de David Lynch. Os primeiros versos, \u201cIt\u2019s a beautiful night from here to those trembling stars\u201d, ainda sugerem uma normalidade que logo se perde em coisas do estilo \u201cThat ribbon [fita] cracks like this one and this one cracks like those over there and those over there crack like these two\u201d ou, ainda mais \u201cfora\u201d, \u201cAnd out of the rim [aro, orla, margem], all the calcium planets growing in the darkness all over the body, the flapping [no sentido de asas ou velas que batem e se agitam] body, clickety click, clickety click\u201d. Em \u201cBouncer see bouncer\u201d, fala da \u201caur\u00e9ola de um gafanhoto\u201d\u2026 \u00c9 sempre assim, num disco cuja capa d\u00e1 a ver uma m\u00e3o negra a esmagar olhos n\u00e3o humanos. Uma viagem nocturna pelos corredores do pretensiosismo ou da loucura, nunca saberemos ao certo, naquele que \u00e9, provavelmente, o disco mais estranho da d\u00e9cada.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uZK0m7HfH2E\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 24 de Maio de 1995 \u00e1lbuns poprock Um gafanhoto no c\u00e9rebro SCOTT WALKER Tilt (Classifica\u00e7\u00e3o: Qualquer uma de 0 a 10) Fontana, distri. Polygram H\u00e1 aqui algo de errado. Algo de muito estranho e perturbador. 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