{"id":4464,"date":"2016-02-29T09:07:54","date_gmt":"2016-02-29T16:07:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4464"},"modified":"2016-02-29T09:07:54","modified_gmt":"2016-02-29T16:07:54","slug":"roxy-music-artigo-de-opiniao-retrospectiva-do-grupo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/02\/29\/roxy-music-artigo-de-opiniao-retrospectiva-do-grupo\/","title":{"rendered":"Roxy Music &#8211; artigo de opini\u00e3o \/ retrospectiva do grupo"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>29 de Novembro de 1995<\/p>\n<p><strong>Retrospectiva dos Roxy Music<br \/>\nEM CADA SONHO UMA INQUIETA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<div id=\"attachment_4465\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4465\" rel=\"attachment wp-att-4465\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4465\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/rm-300x180.jpeg\" alt=\"LONDON - JULY 05: Andy Mackay, Paul Thompson, Bryan Ferry, Brian Eno, Phil Manzanera, Rik Kenton, Roxy Music posed group shot at the Royal College Of Art in London on July 5 1972 (Photo by Brian Cooke\/Redferns)\" width=\"300\" height=\"180\" class=\"size-medium wp-image-4465\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/rm-300x180.jpeg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/rm-768x461.jpeg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/rm-1024x614.jpeg 1024w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/rm-624x374.jpeg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/rm-100x60.jpeg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4465\" class=\"wp-caption-text\">LONDON &#8211; JULY 05: Andy Mackay, Paul Thompson, Bryan Ferry, Brian Eno, Phil Manzanera, Rik Kenton, Roxy Music posed group shot at the Royal College Of Art in London on July 5 1972 (Photo by Brian Cooke\/Redferns)<\/p><\/div><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Odeon, Rialto, Plaza, Gaumont, Ritz\u2026 De entre os v\u00e1rios cinemas dispon\u00edveis, a escolha recaiu no Roxy. Roxy Music, mais do que uma banda, foi um conceito, \u00fanico na hist\u00f3ria do rock. Desde o in\u00edcio, Bryan Ferry sabia o que queria. O rock como arte de concilia\u00e7\u00e3o de sons, imagens e est\u00edmulos antag\u00f3nicos.<\/p>\n<p>Nos Roxy Music, sobretudo na discografia compreendida entre 1972 e 1975, dos \u00e1lbuns \u201cRoxy Music\u201d, \u201cFor Your Pleasure\u201d, \u201cStranded\u201d, \u201cCountry Life\u201d e \u201cSiren\u201d, encontramos a projec\u00e7\u00e3o dos del\u00edrios art\u00edsticos e pessoais de um estudante de Arte a transbordar de ideias, Bryan Ferry. Os Roxy Music, mesmo admitindo a raz\u00e3o dos que n\u00e3o se esquecem de apontar a import\u00e2ncia de decisiva de Brian Eno nos tr\u00eas primeiros discos, foram sempre propriedade e campo de sonhos pessoal e intransmiss\u00edvel de Ferry.<br \/>\n\tTudo come\u00e7u, ainda nos anos 60, no Newcastle Art Centre. Foi a\u00ed que o Ferry estudante, que j\u00e1 nessa \u00e9poca dava nas vistas pelo modo elegante e afectado como se vestia, travou conhecimento com duas figuras que ajudaram a criar a est\u00e9tica visual do futuro grupo: Richard Hamilton e Nick de Ville. O primeiro era um pintor pop que tentava anular a diferen\u00e7a entre a arte popular e a arte erudita, al\u00e9m de admirador ferrenho da mitologia da Hollywood dos anos 40. O segundo foi disc\u00edpulo de Hamilton e aplicou os ensinamentos recebidos no \u201cdesign\u201d de todas as capas dos Roxy Music at\u00e9 \u201cSiren\u201d.<br \/>\n\tO seu estilo caracterizava-se pela exposi\u00e7\u00e3o crua de mulheres, ora \u201cglamourizadas\u201d ao limite do \u201ckitsch\u201d, como a mulher-bombom de \u201cRoxy music\u201d, ora de uma beleza agressiva e quase masculina, como as duas amazonas de \u201cContry Life\u201d, tapando\/destapando as partes estrat\u00e9gicas das respectivas anatomias, passando pela sereia escandalizada de \u201cSiren\u201d, a mulher-elementar de \u201cStranded\u201d e a mulher-predadora de \u201cFor Your Pleasure\u201d.<br \/>\n\tEm 1968, Ferry trocou Newcastle por Londres. Foi j\u00e1 na capital inglesa que ensaiou os primeiros passos com o baixista Graham Simpson. Ferry tocava piano e \u00f3rg\u00e3o de pedais. O seguinte a entrar foi o guitarrista Roger Bunn, de imediato substitu\u00eddo por David O\u2019List, ex-Nice, o grupo de \u201crock sinf\u00f3nico\u201d de Keith Emerson, anterior aos ELP. O trio gravou um par de sess\u00f5es para John Peel. Andy MacKay chegou pouco tempo depois, introduzido no grupo por outro artista pl\u00e1stico, Tim Head.<br \/>\n\tMacKay nem sequer tocava saxofone. Na sua bagagem trazia uma forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, um obo\u00e9 e um sintetizador. Ferry aconselhou-o a ser mais \u201cfunky\u201d e a ouvir King Curtis. Mas Andy trouxe ainda consigo um amigo, de ar efeminado e com um gravador constantemente \u00e0s costas. O amigo, cuja miss\u00e3o, de in\u00edcio, era gravar as actua\u00e7\u00f5es do grupo, chamava-se Brian Eno. Do circuito dos clubes chegou Paul Thompson, baterista profissional. Entrou para os Roxy Music atrav\u00e9s de um an\u00fancio num jornal. Nessa altura j\u00e1 os jornalistas andavam intrigados, como Richard Wiliams, do \u201cMelody Maker\u201d, que arriscou incluir os Roxy na sec\u00e7\u00e3o \u201cnovos nomes que podem quebrar a barreira de som\u201d.<br \/>\n\tQuando actuaram no 100 Club j\u00e1 se criara o ambiente, simultaneamente retro e futurista, que se tornaria imagem de marca da banda. Perante uma assist\u00eancia predominantemente feminina enfiada em \u201chot pants\u201d e roupas apertadas, Ferry experimentava as t\u00e1cticas do fingimento e da sedu\u00e7\u00e3o, obedecendo a uma necessidade de estimular n\u00e3o s\u00f3 pela m\u00fasica como visual e sexualmente os f\u00e3s. Antony Price teve um papel importante no desenho da indument\u00e1ria, cheia de brilhos e reflexos, e dos penteados, cortados rente e esculpidos em brilhantina, dos cinco Roxy Music.<br \/>\n\tO choque maior, por\u00e9m, foi causado pela m\u00fasica. \u201cRoxy Music\u201d, o disco de estreia, com data de 1972, inclu\u00eda j\u00e1 o novo guitarrista Phil Manzanera, antigo companheiro de Robert Wyatt nos Quiet Sun. Inclassific\u00e1vel, o \u00e1lbum misturava o rock \u2019n\u2019 roll dos anos 50, a pop dos 60 e o Progressivo dos 70 com o minimalismo e a experimenta\u00e7\u00e3o mais ousada. Em est\u00fadio sucederam-se os malabarismos e os truques em nome da originalidade e da provoca\u00e7\u00e3o. O tema de abertura, \u201cRe-make\/re-model\u201d \u00e9 todo um enunciado dos prop\u00f3sitos musicais dos Roxy Music, uma sucess\u00e3o alucinante de estilos, quase numa montagem em \u201ccut up\u201d que termina com solos, n\u00e3o menos vertiginosos e concisos, de todos os m\u00fasicos. O refr\u00e3o era a entoa\u00e7\u00e3o de uma matr\u00edcula de autom\u00f3vel, a c\u00e9lebre \u201cCPL 593 H\u201d. Os ru\u00eddos iniciais, de uma festa, indiciavam j\u00e1, por seu lado, o universo concentracion\u00e1rio onde Ferry se viria a enclausurar ap\u00f3s o crep\u00fasculo do primeiro per\u00edodo da banda, cujo ciclo encerraria em 1976, com o \u00e1lbum ao vivo \u201cViva!\u201d.<br \/>\n\tNa Island, etiqueta na qual \u201cRoxy Music\u201d acabou por ser editado, come\u00e7aram por torcer o nariz \u00e0 proposta, inovadora em demasia, dos Roxy Music. Algo espantoso, para quem acolhia nessa \u00e9poca nas suas fileiras a nata do Progressivo e um grupo como os King Crimson. Cite-se, a prop\u00f3sito deste grupo, que em 1970 Bryan Ferry esteve prestas a tornar-se no substituto de Greg lake como cantor da banda de Robert Fripp. Este afirma ter ainda em seu poder as fitas com as grava\u00e7\u00f5es dos ensaios. De referir tamb\u00e9m que outro dos candidatos ao lugar de voz principal dos Crimson foi Elton John\u2026<br \/>\n\tOs King Crimson tiveram, ali\u00e1s, uma proximidade estreita com os Roxy nos anos da gesta\u00e7\u00e3o. O produtor de \u201cRoxy Music\u201d foi Peter Sinfield, letrista dos Crimson at\u00e9 ao \u00e1lbum \u201cIslands\u201d. H\u00e1 quem critique o seu trabalho, por n\u00e3o ter feito justi\u00e7a \u00e0 excita\u00e7\u00e3o e coes\u00e3o instrumental que caracterizavam as presta\u00e7\u00f5es ao vivo do grupo de Ferry, Eno e Manzanera. O pr\u00f3prio Sinfield assume os seus erros, chegando mesmo a admitir que os Roxy Music n\u00e3o precisavam de um produtor mas apenas de um engenheiro que lhes garantisse um \u201csom decente\u201d.<br \/>\n\tO \u00e1lbum seguinte, \u201cFor Your Pleasure\u201d, \u00e9 para muitos, Ferry inclu\u00eddo, o melhor de sempre da banda. Abandonado o lado \u201ckitsch\u201d e a t\u00f3nica do excesso, a m\u00fasica abre as portas ao que o jornalista Tony Palmer, do \u201cThe Observer\u201d, chamou ent\u00e3o o \u201clado obscuro do rock \u2018n\u2019 roll\u201d. Da cena nocturna nas traseiras da cidade retratada na capa \u2013 com a mulher e a pantera, ambas de negro, \u00e0 espera da v\u00edtima \u2013 at\u00e9 \u00e0 narrativa de uma rela\u00e7\u00e3o amorosa com uma boneca insufl\u00e1vel, no crescendo semideclamat\u00f3rio de \u201cIn every dream home, a heartache\u201d, \u201cFor Your Pleasure\u201d puxa para o abismo e para as conota\u00e7\u00f5es er\u00f3ticas obscuras. Arrepiante e, ao mesmo tempo, de um humor refinad\u00edssimo \u00e9 o cl\u00edmax final do referido tema: \u201cI blew up your body, but yu blew my mind!\u201d, jogando com a ambiguidade dos verbos \u201csoprar\u201d e \u201cexplodir\u201d (\u2018eu fiz explodir o teu corpo, mas tu insuflaste \u2013 ou fizeste explodir \u2013 o meu esp\u00edrito\u2019).<br \/>\n\t\u201cStranded\u201d explora a vertente de \u201ccrooner\u201d de Ferry, como na par\u00f3dia ao festival da Eurovis\u00e3o, \u201cSong for Europe\u201d, s\u00f3 que aqui ainda mantendo a dist\u00e2ncia e a pose ir\u00f3nica, ao contr\u00e1rio do que acontece a partir de \u201cManifesto\u201d e dos seus \u00e1lbuns a solo mais recentes, onde a imagem se confunde com a pessoa e Ferry passa a levar a s\u00e9rio uma personagem que no in\u00edcio n\u00e3o pretendia ser mais do que uma caricatura. \u201cCountry Life\u201d anuncia j\u00e1 a decad\u00eancia \u201cchique\u201d, num \u00e1lbum de ressacas, entre a ilus\u00e3o do \u201cChampagne\u201d e a excita\u00e7\u00e3o fugaz da coca\u00edna, com Ferry a sofrer precocemente a ang\u00fastia do envelhecimento e da andropausa, numa fuga para a frente, em direc\u00e7\u00e3o ao sexo sem futuro nem freio, dramaticamente exemplificada no tema \u201cCasanova\u201d. A idade de ouro culminaria com \u201cSirens\u201d, um \u00e1lbum desvalorizado por muitos, mas onde se encontra um dos melhores lotes de sempre de can\u00e7\u00f5es dos Roxy.<br \/>\n\tDepois, seria o ponto final e a ressurrei\u00e7\u00e3o, em 1979, para a segunda vida, da maturidade e da eleg\u00e2ncia. Mas esses eram j\u00e1 outros Roxy Music e outro Ferry, t\u00e3o atentos \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do mercado como \u00e0 sua pr\u00f3pria interior. \u201cManifesto\u201d, \u201cFlesh and Blood\u201d e \u201cAvalon\u201d fizeram as del\u00edcias dos adolescentes e das r\u00e1dios de todo o mundo, servindo de cobertura a reuni\u00f5es de neg\u00f3cios, an\u00fancios de televis\u00e3o e repasto geral dos \u201ctops\u201d, com Ferry, cada vez mais gordo e ar de gal\u00e3 saloio, no papel de \u201cgigolo\u201d engatat\u00e3o que a sabe toda. Mas tomara todas as bandas decair e morrer com a dignidade dos Roxy Music. \u201cThe party is over?\u201d Nunca se sabe.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hyxdwE2tv6s\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 29 de Novembro de 1995 Retrospectiva dos Roxy Music EM CADA SONHO UMA INQUIETA\u00c7\u00c3O Odeon, Rialto, Plaza, Gaumont, Ritz\u2026 De entre os v\u00e1rios cinemas dispon\u00edveis, a escolha recaiu no Roxy. Roxy Music, mais do que uma banda, foi um conceito, \u00fanico na hist\u00f3ria do rock. 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