{"id":4461,"date":"2016-02-28T12:14:46","date_gmt":"2016-02-28T19:14:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4461"},"modified":"2016-02-28T12:14:46","modified_gmt":"2016-02-28T19:14:46","slug":"nico-miss-viagem-da-morte-da-camara-obscura-artigo-de-opiniao-e-discografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/02\/28\/nico-miss-viagem-da-morte-da-camara-obscura-artigo-de-opiniao-e-discografia\/","title":{"rendered":"Nico &#8211; &#8220;Miss Viagem Da Morte Da C\u00e2mara Obscura&#8221; &#8211; artigo de opini\u00e3o e discografia"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>7 de Junho de 1995<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>MISS VIAGEM DA MORTE DA C\u00c2MARA OBSCURA<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4462\" rel=\"attachment wp-att-4462\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/nico-225x300.jpg\" alt=\"nico\" width=\"225\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4462\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/nico-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/nico-300x400.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/nico-75x100.jpg 75w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/nico.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Philippe Garrel continua vivo e a fazer cinema. Nico, a \u201cdeusa da lua\u201d, como Andy Warhol lhe chamou um dia, deixou a vida na berma de uma estrada. Em Julho de 1988, em Ibiza, num dia de Ver\u00e3o, encontraram-na ca\u00edda ao lado da sua bicicleta.<\/p>\n<p>A exibi\u00e7\u00e3o de \u201cO Ber\u00e7o de Cristal\u201d (\u201cLe Berceau de Crystal\u201d), inclu\u00edda na programa\u00e7\u00e3o dos Mist\u00e9rios de Lisboa, foi cancelada, por \u201cmotivos de ordem pessoal\u201d, invocados pelo seu realizador, Philippe Garrel. Em sua substitui\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 exibido \u201cLe Lit de la Vierge\u201d, de 1969, primeira colabora\u00e7\u00e3o entre o cineasta franc\u00eas e a cantora e actriz germ\u00e2nica. De Garrel e Nico, poderemos ainda ver \u201cLa Cicatrice Int\u00e9rieure\u201d.<br \/>\n\t\u201cLe Berceau de Crystal\u201d, o tal que o cineasta insiste em manter interdita a sua exibi\u00e7\u00e3o, merece uma men\u00e7\u00e3o. \u00c9 um filme simultaneamente belo e perturbante. Tivemos a oportunidade de o ver h\u00e1 muitos anos numa \u201csegunda matin\u00e9e\u201d especial no cinema Nimas. \u00c0 sa\u00edda n\u00e3o eram poucos os rostos que ostentavam sinais vis\u00edveis de perturba\u00e7\u00e3o, de tal forma o filme consegue criar uma atmosfera de opress\u00e3o e trag\u00e9dia. Dele recordamos a aus\u00eancia de quaisquer di\u00e1logos (a \u00fanica voz humana que se ouve \u00e9 precisamente a de Nico, a declamar um poema), os vermelhos, roxos e dourados carregados e a banda sonora, assinada por Manuel G\u00f6ttsching, guitarrista e compositor de m\u00fasica electr\u00f3nica berlinense e um dos expoentes da \u201cKosmische muzik\u201d alem\u00e3 do in\u00edcio dos anos 70. Mas recordamos sobretudo o terr\u00edfico ru\u00eddo final, quando a m\u00fasica, uma longu\u00edssima \u201cmantra\u201d de sonoridades planantes e pretensamente elevat\u00f3rias \u00e9 cortada pelo som seco de um tiro de pistola. Talvez assim se compreenda melhor as raz\u00f5es da interdi\u00e7\u00e3o da sua exibi\u00e7\u00e3o pelo seu autor, se recordarmos as palavras, proferidas nessa \u00e9poca: \u201cFa\u00e7o filmes para n\u00e3o me suicidar.\u201d<br \/>\n\tPhilippe Garrel continua vivo e a fazer cinema. Nico, a \u201cdeusa da lua\u201d, como Andy Warhol lhe chamou um dia, deixou a vida na berma de uma estrada. Em Julho de 1988, em Ibiza, num dia de Ver\u00e3o, encontraram-na ca\u00edda ao lado da sua bicicleta.<br \/>\n\tN\u00e3o vimos mais nenhum filme de Nico, realizado por Garrel. Mas podemos fantasiar sobre \u201cLa Cicatrice Int\u00e9rieure\u201d, cujas can\u00e7\u00f5es foram retiradas do \u00e1lbum da cantora \u201cDesertshore\u201d. A capa, uma imagem do filme, mostra-a em pose de abandono, montada numa mula, guiada por uma crian\u00e7a, cuja voz imaginamos ser a mesma que canta na pseudo-\u201cnursery rhyme\u201d \u201cLe petit chevalier\u201d. \u201cJe suis le petit chevalier, j\u2019 irais te visiter\u201d, diz a voz infantil e, em vez de ternura, sentimos um arrepio.<br \/>\n\tNico, de seu nome verdadeiro Christa Pavlovski, depois Paffgen, nascida em Col\u00f3nia em 1939, notabilizou-se por ter feito parte dos Velvet Underground, nos anos de 1966 e 1967, por vontade de Andy Warhol, que queria contrabalan\u00e7ar, nos espect\u00e1culos ao vivo do grupo \u2013 ent\u00e3o, a orgia \u201cmultimedia\u201d \u201cThe Exploding Plastic Inevitable\u201d -, a imagem \u201cfeia\u201d projectada por Lou Reed. Sem ela, o m\u00edtico \u00e1lbum da banana, \u201cThe Velvet Undergound &#038; Nico\u201d, seria sem d\u00favida algo diferente. Menos luminoso. E menos g\u00e9lido.<br \/>\n\tAntes dos Velvets, Nico desempenhou por algum tempo v\u00e1rios pap\u00e9is. Foi amante de Bob Dylan, manequim, em Ibiza, com o nome Nico Otzak, apareceu na TV no programa Ready. Steady. Go! e gravou um \u201csingle\u201d, \u201cI\u2019m not saying\u201d, em 65, com Jimmy Page e Brian Jones. No cinema, estreou-se como actriz secund\u00e1ria no filme de Fellini, \u201cA Doce Vida\u201d, seguido de \u201cStrip Tease\u201d, de J. Poitrenaud.<br \/>\n\tDepois da sa\u00edda dos Velvets, assinou uma s\u00e9rie de \u00e1lbuns a solo, onde impressiona sobretudo a sua personalidade fatalista (o termo \u201cmulher fatal\u201d ganha na sua pessoa um significado especial\u2026) em can\u00e7\u00f5es que anteciparam a est\u00e9tica \u201cg\u00f3tica\u201d. Nos espect\u00e1culos ao vivo que realizou, em que se fazia acompanhar pelo seu insepar\u00e1vel \u201charmonium\u201d (\u00f3rg\u00e3o de pedais), n\u00e3o era s\u00f3 a voz mas a sua figura, vestida de negro, e o seu rosto l\u00edvido que causavam calafrios. Algu\u00e9m que assistiu a um dos seus raros concertos a solo, em 1974, na catedral de Reims, em Fran\u00e7a (onde, na mesma ocasi\u00e3o, tamb\u00e9m tocaram os Tangerine Dream\u2026) jura que durante a actua\u00e7\u00e3o viu o rosto da cantora transformar-se numa caveira. J\u00e1 nos anos 80 fez as primeiras partes de concertos dos Siouxsie and the Banshees. No ano da sua morte, foram os Sugarcubes que fizeram a primeira parte dos seus.<br \/>\n\tJohn Cale esteve alguns anos a seu lado, ajudando-a a gravar os \u00e1lbuns \u201cThe Marble Index\u201d, \u201cDesertshore\u201d e \u201cThe End\u201d. J\u00e1 no final de carreira, os The Faction, um duo carregado de percuss\u00f5es electr\u00f3nicas, cumpriram a mesma fun\u00e7\u00e3o, da\u00ed resultando o \u00e1lbum \u201cCamera Obscura\u201d, um dos melhores de sempre da cantora.<br \/>\n\tCumprida uma vida de excessos, encharcada em \u201cvaliums\u201d e na hero\u00edna, e de mist\u00e9rio, est\u00e1 por escrever a verdadeira biografia de Nico. Todas as que foram escritas at\u00e9 hoje sobre ela debateram-se com a falta de dados e a dificuldade extra de ela pr\u00f3pria se ter escudado durante toda a sua vida em declara\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias. Costumava dizer, por exemplo, que era uma \u201cnazi anarquista\u201d, embora o pai tivesse morrido num campo de concentra\u00e7\u00e3o. A morte, sempre presente em toda a sua vida \u2013 al\u00e9m de \u201cdeusa da lua\u201d, havia tamb\u00e9m quem lhe chamasse \u201cMiss death trip\u201d -, veio por fim busc\u00e1-la. No tal dia de Ver\u00e3o em Ibiza que imaginamos cheio de sol.<br \/>\n\tSobre o consumo de drogas e de si pr\u00f3pria, Nico disse uma vez: \u201cPrefiro tomar drogas e ser encarcerada numa institui\u00e7\u00e3o. Sou uma niilista, portanto gosto de destrui\u00e7\u00e3o, tenho que admiti-lo, mas tem que haver uma raz\u00e3o qualquer para uma pessoa n\u00e3o se autodestruir.\u201d<br \/>\n\tVamos voltar a v\u00ea-la envolta na luz negra do cinema de Garrel.<\/p>\n<p><strong>NICO NOS FILMES<br \/>\nDE PHILIPPE GARREL<\/strong><br \/>\nCinema Monumental, Lisboa<br \/>\n\u201cLe Lit de la Vierge\u201d<br \/>\nDomingo 25 \u2013 24h<br \/>\nSegunda 26 \u2013 15h<br \/>\n\u201cLa Cicatrice Int\u00e9rieure\u201d<br \/>\n\u201cAthanor\u201d<br \/>\nQuarta 14 \u2013 15h<br \/>\nSexta 23 \u2013 24h<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA OFICIAL (\u00e1lbuns)<\/strong><\/p>\n<p> <strong>Com os Velvet Undergound:<\/strong><br \/>\n\u201cVelvet Undergound &#038; Nico\u201d, 1967<\/p>\n<p><strong>A solo:<\/strong><br \/>\n\u201cChelsea Girl\u201d, 1968<br \/>\n\u201cThe Marble Index\u201d, 1969<br \/>\n\u201cDesertshore\u201d, 1971<br \/>\n\u201cThe End\u201d, 1974<br \/>\n\u201cJune I, 1974\u201d (ao vivo, com Kevin Ayers, Brian Eno e John Cale), 1974<br \/>\n\u201cDrama of Exile\u201d, 1981<br \/>\n\u201cLive in Denmark: The Blue Angel\u201d (ao vivo)<br \/>\n\u201cCamera Obscura\u201d, 1985<br \/>\n\u201cBehind the Iron Curtain\u201d (ao vivo), 1986<br \/>\n\u201cLast Concert-Fata Morgana\u201d, 1994<\/p>\n<p><strong>Como actriz:<\/strong><br \/>\n\u201cLa Dolce Vita\u201d, de Federico Fellini, 1959<br \/>\n\u201cStrip Tease\u201d, de J. Poitrenaud,<br \/>\n\u201cChelsea Girls\u201d, de Andy Warhol, 1966<br \/>\n\u201cLe Lit de la Vierge\u201d, de Philippe Garrel, 1969<br \/>\n\u201cLa Cicatrice Int\u00e9rieure\u201d, de Philippe Garrel, 1970<br \/>\n\u201cAthanor\u201d, de Philippe Garrel, 1972<br \/>\n\u201cLes Hautes Solitudes\u201d, de Philippe Garrel, 1974<br \/>\n\u201cLe Berceau de Crystal\u201d, de Philippe Garrel, 1975<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0_z_UEuEMAo\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 7 de Junho de 1995 MISS VIAGEM DA MORTE DA C\u00c2MARA OBSCURA Philippe Garrel continua vivo e a fazer cinema. Nico, a \u201cdeusa da lua\u201d, como Andy Warhol lhe chamou um dia, deixou a vida na berma de uma estrada. 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