{"id":4458,"date":"2016-02-27T13:04:34","date_gmt":"2016-02-27T20:04:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4458"},"modified":"2016-02-27T13:04:34","modified_gmt":"2016-02-27T20:04:34","slug":"pascal-comelade-entrevista-a-proposito-de-concerto-em-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/02\/27\/pascal-comelade-entrevista-a-proposito-de-concerto-em-lisboa\/","title":{"rendered":"Pascal Comelade &#8211; Entrevista a prop\u00f3sito de concerto em Lisboa"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock<\/p>\n<p>1 de Novembro de 1995<br \/>\n<strong>ENTREVISTA A PASCAL COMELADE<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>MEM\u00d3RIAS DE UMA BAILE DEGENERADO<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4459\" rel=\"attachment wp-att-4459\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/pc.jpg\" alt=\"pc\" width=\"250\" height=\"278\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4459\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/pc.jpg 250w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/pc-90x100.jpg 90w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Pascal Comelade \u00e9 \u00fanico e inclassific\u00e1vel. A sua m\u00fasica gira em torne de g\u00e9neros esquecidos ou menosprezados. \u201cM\u00fasica de baile degenerada\u201d, como ele pr\u00f3prio a define. Embora n\u00e3o procure ser o \u201cJimi Hendrix do piano de brinquedo\u201d, as suas notas remetem para um universo de magia e de anacronismos. Miniaturas musicais mo\u00eddas por uma m\u00e1quina de fazer caf\u00e9.<\/p>\n<p>Os seus \u00e1lbuns s\u00e3o colec\u00e7\u00f5es de gravuras cobertas pela \u201cpatine\u201d de outras eras. Can\u00e7\u00f5es esquecidas de Robert Wyatt, Jonathan Richman, Tim Buckley ou dos Yardbirds encostam-se a uma partitura nost\u00e1lgica de Nino Rota ou a um arrebatamento rom\u00e2ntico de Consuelo Vel\u00e1squez. Pascal Comelade folheou para o P\u00daBLICO as p\u00e1ginas do seu \u00e1lbum de recorda\u00e7\u00f5es.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 Num dos seus \u00e1lbuns, \u201cD\u00e9tail Monochrome\u201d, h\u00e1 um tema intitulado \u201cPetite m\u00e9lodie\u201d. O conceito de \u201cminiaturiza\u00e7\u00e3o\u201d, desempenha um papel central no seu m\u00e9todo de cria\u00e7\u00e3o?<br \/>\nPASCAL COMELADE \u2013 Imagino, como \u201cminiatura\u201d, uma certa forma de pequena arquitectura dos arranjos musicais, um certo despojamento (ir ao encontro do essencial) que pode ser encontrado na \u00e9poca dourada do rock\u2019n\u2019roll ingl\u00eas, nos Kinks ou na sublime utiliza\u00e7\u00e3o das quatro pistas em \u201cSergeant Peppers\u201d. Da\u00ed a minha tend\u00eancia para compor temas muito curtos. Outra refer\u00eancia \u00e9 uma compila\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, \u201cMiniatures\u201d [N.R.: organizada por Morgan Fisher], com pe\u00e7as que n\u00e3o ultrapassam um minuto, incluindo a espl\u00eandida \u201cHist\u00f3ria do rock\u2019n\u2019roll\u201d, por um elemento dos XTC. H\u00e1 ainda o famoso mal-entendido do \u201cminimalismo\u201d. Dever-se-\u00e1 falar de \u201cminimalismo\u201d a prop\u00f3sito da pr\u00e9-hist\u00f3ria do rock\u2019n\u2019roll, em que era utilizado um m\u00ednimo de instrumenta\u00e7\u00e3o (baixo, guitarra, bateria reduzida)? E quando se toca com um m\u00ednimo de notas? Houve algu\u00e9m \u2013 Satie? \u2013 que disse: \u201cPode fazer-se tudo com um \u2018f\u00e1\u2019!\u201d Refiro ainda a escola de \u201cminimalismo\u201d ingl\u00eas, na \u00e9poca da s\u00e9rie \u201cObscure\u201d, de Brian Eno, com os primeiros registos de Gavin Bryars, Harold Budd, Michael Nyman, etc. Esquece-se facilmente tamb\u00e9m o trabalho de Moondog sobre o jazz e a m\u00fasica cl\u00e1ssica. E John Cage, evidentemente. Enfim, pode p\u00f4r-se em pr\u00e1tica um \u201cresumo musical\u201d, atrav\u00e9s da digest\u00e3o, depois de uma filtragem? M\u00fasica para m\u00e1quina de fazer caf\u00e9?<br \/>\nP. \u2013 A mesma ideia est\u00e1 presente num t\u00edtulo como \u201cHaikus de Piano\u201d, o \u201chaiku\u201d entendido como miniatura po\u00e9tica que ultrapassa a simples l\u00f3gica racional. Ser\u00e3o as suas can\u00e7\u00f5es \u201chaikus\u201d musicais?<br \/>\nR. \u2013 Existe efectivamente uma influ\u00eancia liter\u00e1ria mas, mais do que o \u201chaiku\u201d japon\u00eas, trata-se de um paralelo com o leitor que n\u00e3o leria mais do que a primeira ou a \u00faltima p\u00e1gina de um livro, o resumo, o pref\u00e1cio ou o t\u00edtulo\u2026<br \/>\nP. \u2013 E a utiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos de brinquedo, tem de facto necessidade da sua sonoridade? A m\u00fasica n\u00e3o sobreviveria sem eles?<br \/>\nR. \u2013 Os brinquedos s\u00e3o utilizados pela sua sonoridade, misturados ou n\u00e3o com instrumentos convencionais. N\u00e3o tenho, \u00e0 partida, qualquer teoria para justificar a sua utiliza\u00e7\u00e3o. Tento tocar num piano de brinquedo como se fosse um piano a s\u00e9rio. Para um pianista limitado, como \u00e9 o meu caso, torna-se um exerc\u00edcio f\u00edsico bastante interessante. Mas n\u00e3o h\u00e1 uma utiliza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica. O mais importante \u00e9 a pr\u00e1tica musical, o tratamento e o resultado final. N\u00e3o procuro ser o Jimi Hendrix do piano de brinquedo.<br \/>\nP. \u2013 O \u201cEl Primitivismo\u201d de outro dos seus \u00e1lbuns?<br \/>\nR. \u2013 Primitivismo, no sentido de uma pr\u00e1tica instintiva, de ouvido, de amadorismo, de autodidactas ou de situa\u00e7\u00f5es ligadas ao acaso. Trata-se simplesmente da utiliza\u00e7\u00e3o intemporal de m\u00fasicas populares de todos os tempos, sem a perspectiva de coleccionismo nem a triagem de um esteta: jazz antigo, rock\u2019n\u2019roll dos anos 60, m\u00fasicas de filme, can\u00e7\u00e3o italiana, por exemplo, mas sem me limitar a um passado nost\u00e1lgico.<br \/>\nP. \u2013 A denominada \u201cm\u00fasica mec\u00e2nica\u201d, das caixas de m\u00fasica e dos realejos, faz parte do seu imagin\u00e1rio musical?<br \/>\nR. \u2013 A influ\u00eancia maior verifica-se ao n\u00edvel das percuss\u00f5es. A \u201cm\u00fasica mec\u00e2nica\u201d ancestral n\u00e3o \u00e9 mais do que Kraftwerk ac\u00fastico! As m\u00fasicas de feira, de circo ou de fanfarra t\u00eam a capacidade de poetizar o instante.<br \/>\nP. \u2013 A sua m\u00fasica \u00e9 insepar\u00e1vel dos t\u00edtulos. H\u00e1 alguma liga\u00e7\u00e3o directa entre ambos, ao n\u00edvel da composi\u00e7\u00e3o?<br \/>\nR. \u2013 Puro m\u00e9todo de paran\u00f3ia-cr\u00edtica! [N.R.: uma inven\u00e7\u00e3o do surrealista Salvador Dali.]<br \/>\nP. \u2013 \u201cBel Canto\u201d \u00e9 o t\u00edtulo de um dos seus \u00e1lbuns e a designa\u00e7\u00e3o do seu grupo actual, apesar de a sua m\u00fasica ser quase exclusivamente instrumental. \u00c9 o gosto pela ironia e pelo paradoxo?<br \/>\nR. \u2013 \u00c9 isso exactamente! A vingan\u00e7a de um af\u00f3nico perp\u00e9tuo!<br \/>\nP. \u2013 Embora camuflado, o rock\u2019n\u2019roll tamb\u00e9m integra o lote das suas refer\u00eancias, ou trata-se ainda aqui de um paradoxo?<br \/>\nR. \u2013 Tento n\u00e3o passar a vida a acumular cita\u00e7\u00f5es. Procuro fabricar artesanalmente a minha pr\u00f3pria linguagem. As refer\u00eancias e os gostos pessoais n\u00e3o s\u00e3o for\u00e7osamente influ\u00eancias e vice-versa. De qualquer forma, n\u00e3o \u00e9 um paradoxo, sou de facto um velho f\u00e3 de rock\u2019n\u2019roll, de Elvis a Alan Veja, dos Pretty Things aos MC5. Por outro lado, gosto dos m\u00fasicos que souberam criar um discurso individual, idiossincr\u00e1tico e \u00fanico, como Thelonious Monk, Sun Ra, Captain Beefheart ou Robert Wyatt.<br \/>\nP. \u2013 Por que motivo grava tantos \u00e1lbuns de uma compila\u00e7\u00e3o que, em \u00faltima an\u00e1lise, n\u00e3o o s\u00e3o, uma vez que mistura temas antigos com originais e novas vers\u00f5es? Para o p\u00fablico, pode ser um bocado confuso\u2026<br \/>\nR. \u2013 Aprecio bastante essa no\u00e7\u00e3o de \u201cconfus\u00e3o\u201d. Eu pr\u00f3prio sou confuso! H\u00e1 muito tempo que deixei de analisar ou teorizar sobre a minha pr\u00e1tica musical. Os \u00fanicos aspectos em rela\u00e7\u00e3o aos quais permane\u00e7o cr\u00edtico s\u00e3o a encena\u00e7\u00e3o, as leis do espect\u00e1culo e de distribui\u00e7\u00e3o da mercadoria. N\u00e3o sou um c\u00ednico, mas procuro distinguir o \u201cbom\u201d momento do \u201cmelhor\u201d momento. D\u00e1 muito trabalho, n\u00e3o d\u00e1? Enfim, n\u00e3o me preocupo em saber o que \u00e9 novo e o que \u00e9 velho.<br \/>\nP. \u2013 \u201cTraffic d\u2019 Abstractions\u201d, ainda o t\u00edtulo de um dos seus \u00e1lbuns, pode ser um resumo perfeito de toda a sua m\u00fasica. Concorda?<br \/>\nR. \u2013 Os t\u00edtulos dos \u00e1lbuns s\u00e3o, em cada caso, uma tentativa de qualificar a tal pr\u00e1tica musical que, no fundo, n\u00e3o \u00e9 mais do que m\u00fasica de baile degenerada. Da\u00ed \u201cTraffic d\u2019 Abstractions\u201d, \u201cCabaret Galactique\u201d, \u201cEl Primitivismo\u201d ou \u201cD\u00e9tail Monochrome\u201d\u2026<\/p>\n<p>PASCAL COMELADE COM BEL CANTO ORCHESTRA, S\u00c1BADO, DIA 4, TEATRO DE S\u00c3O LUIZ, LISBOA, 22H00<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/I9hDMEzaEWU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 1 de Novembro de 1995 ENTREVISTA A PASCAL COMELADE MEM\u00d3RIAS DE UMA BAILE DEGENERADO Pascal Comelade \u00e9 \u00fanico e inclassific\u00e1vel. A sua m\u00fasica gira em torne de g\u00e9neros esquecidos ou menosprezados. \u201cM\u00fasica de baile degenerada\u201d, como ele pr\u00f3prio a define. 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