{"id":4448,"date":"2016-02-22T09:08:55","date_gmt":"2016-02-22T16:08:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4448"},"modified":"2016-02-22T09:08:55","modified_gmt":"2016-02-22T16:08:55","slug":"jogo-de-nervos-artigo-sobre-o-concerto-de-laurie-anderson-em-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/02\/22\/jogo-de-nervos-artigo-sobre-o-concerto-de-laurie-anderson-em-lisboa\/","title":{"rendered":"&#8220;Jogo De Nervos&#8221; &#8211; artigo sobre o concerto de Laurie Anderson em Lisboa"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock<\/p>\n<p>5 de Julho de 1995<\/p>\n<p><strong>JOGO DE NERVOS<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4449\" rel=\"attachment wp-att-4449\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/la.jpg\" alt=\"la\" width=\"283\" height=\"238\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4449\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/la.jpg 283w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/la-100x84.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 283px) 100vw, 283px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil perdermo-nos no labirinto de sons, palavras e imagens criados por Laurie Anderson. Dif\u00edcil fazer \u201cpause\u201d numa obra cuja estrutura global se assemelha a um jogo de computador. Com os seus v\u00e1rios n\u00edveis de dificuldade e gr\u00e1ficos de excelente qualidade. O \u201cmenu\u201d de refer\u00eancias \u00e9 imenso, praticamente infinito. O gr\u00e1fico principal reproduz o mapa dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, ampliados \u00e0 escala do universo.<br \/>\nN\u00edvel 1. N\u00famero de jogadores, dois. Com ou sem som? Com, obviamente. \u201cStart\u201d. Uma mulher, j\u00e1 n\u00e3o muito nova, de cabelo curto mal cortado, toca violino com um arco fluorescente. \u201cBig Science\u201d. Ca\u00edmos em queda livre, num voo indeterminado sobre a Am\u00e9rica. Sobrevivemos, \u00e9 claro. No mundo virtual somos todos her\u00f3is. \u201cO superman\u201d, o habitante deste admir\u00e1vel mundo novo onde \u00e9 poss\u00edvel controlar os maquinismos da realidade, sai vencedor. \u201cO superman\u201d, oito minutos de discurso andr\u00f3ide, sobe incompreensivelmente ao top de vendas. A sa\u00edda do lado direito do ecr\u00e3 d\u00e1 acesso a uma ilha do Pac\u00edfico em cujo centro se esconde \u201cMr. Heartbreak\u201d. A resolu\u00e7\u00e3o da imagem do mar \u2013 o Inconsciente Colectivo, seberemos no fim, depois de atingirmos, no final deste d\u00e9dalo parcial, a ilha do tesouro \u2013 \u00e9 do melhor que se pode esperar. Alta defini\u00e7\u00e3o. Sem brilho, mas com a qualidade m\u00e9dia que nos habitu\u00e1mos a receber da criadora destes jogos.<br \/>\nTudo se complica no n\u00edvel seguinte, uma simula\u00e7\u00e3o, \u201cao vivo\u201d, em quatro partes, de \u201cUnited States of America\u201d. \u201cUnited States of the Mind\u201d. Quatro gr\u00e1ficos, um de cada cor, d\u00e3o acesso \u00e0 proto-m\u00fasica da \u201cclone performer\u201d, a personagem que escolhemos dos ficheiros.<br \/>\nPelo canto do gr\u00e1fico onde aparece desenhada a Florida alcan\u00e7amos o n\u00edvel seguinte, \u201cHome of the Brave\u201d, casa dos monstros como a de \u201cJurassic Park\u201d, ou do v\u00eddeo realizado pela pr\u00f3pria Laurie Anderson, \u201cMonsters in a box\u201d, onde se exige mais empenhamento, se se quiser ultrapassar as armadilhas que Laurie, a navegante virtual, coloca no caminho. A voz do monstro mais tem\u00edvel, William Burroughs, carrega consigo a amea\u00e7a de uma lucidez despeda\u00e7ada. \u201cA linguagem \u00e9 um v\u00edrus do espa\u00e7o exterior\u201d, diz o monstro. Se um dos sentidos perversos desta frase nos atingir na cabe\u00e7a, estamos liquidados. Fim das vidas. \u201cGame over\u201d. \u00c9 preciso alcan\u00e7ar a chave do enigma, sem deixar baixar em excesso os n\u00edveis de energia. As imagens e discursos confundem-se. A voz de Laurie torna-se masculina. Um l\u00edrio digital oferecido a Fassbinder parece querer sair do monitor, torna-se \u201creal\u201d numa outra dimens\u00e3o. O medo d\u00e1 lugar aos anjos. De Los Angeles ao anjo de Wim Wenders, com quem Laurie sobrevoa os c\u00e9us de Berlim \u201cAt\u00e9 ao Fim do Mundo\u201d, um filme sobre a transforma\u00e7\u00e3o do mundo em imagens e da vicia\u00e7\u00e3o do homem nas imagens. O \u201cv\u00eddeo game\u201d absoluto. Com banda-sonora de can\u00e7\u00f5es pop. Produzidas em directo dos circuitos de um computador de uma m\u00e1quina de jogos electr\u00f3nicos.<br \/>\nO ecr\u00e3 cobre-se de s\u00fabito de um vermelho monocrom\u00e1tico. \u201cBright Red\u201d, onde o leque de possibilidades de manipula\u00e7\u00e3o das diversas morfologias envolvidas se diversifica ainda mais. O rosto da personagem Laurie Anderson sofre m\u00faltiplas muta\u00e7\u00f5es, ele pr\u00f3prio tornado num gr\u00e1fico de onde brota uma voz computadorizada. Ao seu e ao nosso lado encontra-se agora um terceiro jogador, perito em interagir com este tipo de informa\u00e7\u00e3o-arte-divers\u00e3o: Brian Eno, tamb\u00e9m ele autor de uma \u201cNerve Net\u201d (\u201cRede de Nervos\u201d). Do altifalante, uma voz desumanizada inicia uma sess\u00e3o de hist\u00f3rias de viagens virtuais pelos Himalaias ou pela Guerra do Golfo, que invadem o quotidiano. O jogo confunde-se progressivamente com a sala onde nos encontramos agarrados ao \u201cjoystick\u201d. Torna-se num jogo de nervos. Percebemos ent\u00e3o que o labirinto \u00e9 o labirinto do c\u00e9rebro. \u201cThe Ugly one with the Jewels\u201d. O problema est\u00e1 em onde encontrar a j\u00f3ia que permite sair do labirinto. Felizmente h\u00e1 o manual com \u201cdicas\u201d, onde se ensina o modo de obter vidas infinitas e \u00e9 poss\u00edvel visualizar a planta panor\u00e2mica do jogo. A b\u00edblia dos jogadores. A \u201cNerve Bible\u201d. O jogo dos jogos que vamos poder jogar hoje mesmo na sua vers\u00e3o interactiva com Laurie Anderson em Portugal. \u201cPause\u201d.<\/p>\n<p>Nota: Quem quiser jogar com Laurie Anderson pode ainda faz\u00ea-lo no CD-ROM da Macintosh \u201cPuppet Motel\u201d, comercializado pela Voyager, um edif\u00edcio com 31 quartos correspondentes a outros tantos recantos do c\u00e9rebro da artista. 44k de som estereof\u00f3nico de qualidade extraordin\u00e1ria para can\u00e7\u00f5es de \u201cBright Red\u201d e alguns originais num universo audiovisual de explora\u00e7\u00e3o infinita, \u201conde as sombras passam em corrida, as nebulosas rodopiam, as palavras se transformam em fumo e o tempo se move nas duas direc\u00e7\u00f5es\u201d. \u00c9 ainda poss\u00edvel fazer o ponto da situa\u00e7\u00e3o da actual \u201cNerve Bible Tour\u201d no ciberespa\u00e7o, em \u201cThe Green Room\u201d, na rede da World Wide Web.<\/p>\n<p>LAURIE ANDERSON<br \/>\nColiseu dos Recreios, Lisboa, hoje, 21h30<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UiMutqRyOCU\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 5 de Julho de 1995 JOGO DE NERVOS \u00c9 f\u00e1cil perdermo-nos no labirinto de sons, palavras e imagens criados por Laurie Anderson. 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