{"id":4445,"date":"2016-02-21T10:26:29","date_gmt":"2016-02-21T17:26:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=4445"},"modified":"2016-02-21T10:26:29","modified_gmt":"2016-02-21T17:26:29","slug":"hereticos-aos-gritos-artigo-de-opiniao-sobre-concertos-de-john-zorn-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2016\/02\/21\/hereticos-aos-gritos-artigo-de-opiniao-sobre-concertos-de-john-zorn-em-portugal\/","title":{"rendered":"&#8220;Her\u00e9ticos Aos Gritos&#8221; &#8211; Artigo de Opini\u00e3o sobre concertos de John Zorn em Portugal"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop Rock<\/p>\n<p>8 de Mar\u00e7o de 1995<\/p>\n<p><strong>HER\u00c9TICOS AOS GRITOS<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=4446\" rel=\"attachment wp-att-4446\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/jz-300x185.jpg\" alt=\"jz\" width=\"300\" height=\"185\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-4446\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/jz-300x185.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/jz-768x473.jpg 768w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/jz-624x384.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/jz-100x62.jpg 100w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/jz.jpg 812w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>O grande subversor est\u00e1 de regresso. Desta feita, ao contr\u00e1rio do que aconteceu nos quatro anteriores concertos no nosso pa\u00eds, em que tocou acompanhado pelos Naked City, da \u00faltima vez, pelos Pain Killer, John Zorn ter\u00e1 apenas por companhia e cantor e \u201cperformer\u201d japon\u00eas Yamatsuka Eye. Uma f\u00f3rmula inusitada e decerto econ\u00f3mica, da qual h\u00e1 a esperar uma sess\u00e3o, em princ\u00edpio sem grandes pausas, de contorcionismos vocais e do saxofone exibidos a grande velocidade. No ar est\u00e1 a hip\u00f3tese, lan\u00e7ada pelo pr\u00f3prio Zorn, da participa\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos portugueses, com v\u00e1rios nomes aventados a aguardar confirma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSaxofonista de grandes recursos, imbu\u00eddo da \u00e2nsia de liberdade do \u201cfree\u201d e ao mesmo tempo leitor atento, ainda que pouco convencional, da cultura musical, dos Estados Unidos mas tamb\u00e9m europeia, nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u2013 \u201cRadio\u201d, um dos seus \u00faltimos trabalhos com os Naked City \u00e9 uma esp\u00e9cie de enciclop\u00e9dia reciclada das v\u00e1rias influ\u00eancias e \u00e9pocas que atravessam a obra do saxofonista \u2013, John Zorn fechou-se \u00e0 chave, nos \u00faltimos tempos, nas c\u00e2maras de tortura da mente humana. Como ele pr\u00f3prio confessou em entrevista ao P\u00daBLICO, quando da sua primeira apresenta\u00e7\u00e3o em Portugal, em 1991, o limite da sua m\u00fasica \u00e9 a morte. Uma aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 fronteira final j\u00e1 detect\u00e1vel na acelera\u00e7\u00e3o progressiva que enforma sobretudo a primeira fase dos Naked City \u2013 devoradora de todos os g\u00e9neros musicais mas tamb\u00e9m com caracter\u00edsticas autof\u00e1gicas \u2013 e que acabou por encontrar filia\u00e7\u00f5es nos grupos de \u201chard core\u201d e \u201ctrash metal\u201d, americanos e japoneses, mas tamb\u00e9m da m\u00fasica industrial dos anos 80 (os SPK s\u00e3o reconhecidos como fonte de inspira\u00e7\u00e3o na longa lista de nomes de \u201cRadio\u201d\u2026).<br \/>\n\u00c1lbuns como \u201cHeretic\u201d ou \u201cAbsinthe\u201d afastam-se de qualquer discurso jazz\u00edstico. O primeiro envereda pelos t\u00faneis do sado-masoquismo e outros desvios da sexualidade, enquanto \u201cAbsinthe\u201d mergulha num ambientalismo sombrio, de alucina\u00e7\u00f5es, montado sobre a organiza\u00e7\u00e3o de desperd\u00edcios sonoros. A esta imers\u00e3o na zona escura do inconsciente \u2013 \u201cAo longo da Hist\u00f3ria os artistas sempre estiveram obcecados com os tabus e fobias da humanidade. O nosso fasc\u00ednio pelo medo, o terror e o diabo, como a pr\u00f3pria morte, n\u00e3o conhece fronteiras raciais, culturais ou religiosas. Ele est\u00e1 no nosso inconsciente colectivo, atando-nos com cordas das quais nos tentamos libertar, o que, em \u00faltima an\u00e1lise, n\u00e3o conseguimos\u201d, diz ele nas notas que acompanham \u201cGrand Guignol\u201d (outro reposit\u00f3rio de imagens e sons do horror) \u2013 justap\u00f4s Zorn, com coer\u00eancia, as imagens simb\u00f3licas de dois surrealistas, Man Ray, em \u201cHeretic\u201d, e Hans Bellmer, em \u201cAbsinthe\u201d.<br \/>\nPara tr\u00e1s ficaram as grandes s\u00edncreses de \u201cThe Big Gundown\u201d, \u201cSpillane\u201d ou do longo tema dedicado a Godard no \u00e1lbum de homenagem a este cineasta, \u201cGodard, \u00e7a vous chante\u201d, a anarquia \u201cfree\u201d de \u201cCobra\u201d, o mimetismo Ornettiano de \u201cSpy vs. Spy\u201d e a obra-prima \u201cDeadly Weapons\u201d, onde o saxofonista surge liberto de quaisquer press\u00f5es conceptuais, em sintonia com a mem\u00f3ria do \u201cbebop\u201d e c\u00famplice da excentricidade, esta muito \u201cbritish\u201d, de Steve Beresford.<br \/>\nNos \u00faltimos meses, a obsess\u00e3o pela velocidade d\u00e1 ind\u00edcios de ter voltado, mas agra orientada para o ritmo de edi\u00e7\u00f5es. Nada menos do que tr\u00eas \u00e1lbuns num intervalo de quatro meses, pelo novo projecto Masada, quarteto formado, al\u00e9m de Zorn, pelo trompetista David Douglas, o baixista Greg Cohen e o baterista Joey Baron, \u00fanico sobrevivente dos Naked City. Dos \u00e1lbuns \u201cMasada\u201d (Dezembro de 94), \u201cMasada 2\u201d (Janeiro de 95) e \u201cMasada 3\u201d (lan\u00e7amento para este m\u00eas), apenas sabemos que as faixas t\u00eam os t\u00edtulos em hebraico, de acordo com uma tem\u00e1tica que Zorn j\u00e1 abordara em \u201cKristallnacht\u201d, ainda uma vis\u00e3o do horror, aqui centrada no genoc\u00eddio dos judeus na II Guerra Mundial.<\/p>\n<p>JOHN ZORN<br \/>\nS\u00e3o Luiz (Lisboa) \u2013 Mar\u00e7o \u2013 Quinta \u2013 9 \u2013 22h<br \/>\nC. do Ter\u00e7o (Porto) \u2013 Mar\u00e7o \u2013 Sexta \u2013 10 \u2013 22h<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MGbUxtdLpFY\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock 8 de Mar\u00e7o de 1995 HER\u00c9TICOS AOS GRITOS O grande subversor est\u00e1 de regresso. 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